“’A leitura e a escrita são carros chefes, porque elas garantem direitos para as pessoas. Eu consigo interpretar uma lei. É um exercício de cidadania. Você emancipa a pessoa que lê e escreve bem. Se a gente cai nesse nesse engodo de que a IA pode fazer tudo pra gente, você perde também esse aspecto emancipatório e crítico que a educação precisa fazer.’”
Sempre lembro do Fabiano, de Vidas Secas, que até percebe que está sendo enganado pelo patrão, mas não consegue elaborar nem argumentar contra as contas que ele faz. Vai ver as big techs querem isso mesmo, transformar todo mundo em Fabianos que mal falam, mais grunhem do que elaboram um pensamento crítico.
Normal, vida que segue. Pessoas mais velhas também tiveram dificuldade para usar tecnologia nova… E acredito que mais novos também teriam resistência para usar coisas como fax ou telefone de discar.
A superficialidade está cada vez mais contaminante, uma verdadeira pandemia. Embora os jovens sejam frequentemente colocados no centro dessas análises, por serem nativos digitais, percebo que esse é um fenômeno que atravessa todas as gerações, classes sociais e perfis. Ninguém está imune.
percebo que esse é um fenômeno que atravessa todas as gerações, classes sociais e perfis. Ninguém está imune.
Sim, muito bem colocado! Essa ilusão que muitos têm de que os danos da tecnologia onipresente somente afetam os jovens é um dos mitos mais convenientes da nossa época. Basta estar num espaço público, como um ônibus ou metrô, para perceber como a coisa está afetando todos.
Esse artigo do Estadão postado pelo Fabio está muito bem escrito. Gostei muito. Me deixa sempre estarrecido quando vejo relatos como esse:
No Instagram, app mais baixado no Brasil em 2024, vídeos curtos, entre 15 e 60 segundos, geram as maiores taxas de conclusão e são mais favorecidos pelo algoritmo, alcançando tanto seguidores quanto novos públicos. Já os que ultrapassam os três minutos, que geralmente aprofundam um tema, deixam de ser recomendados pelo algoritmo, segundo Adam Mosseri, chefe do serviço.
Vídeo (!!!) de 3 minutos agora é algo profundo…
O processo de embabacazição é algo notável mesmo dentro do âmbito de rede social. Se olharmos a estrutura e nível de debate que existia no Facebook, percebemos que tinha muito mais espaço para conversas orgânicas, inclusive com a incrível (…) possibilidade de se postar links externos, coisa que o Instagram e TikTok não permitem. E se no Instagram inicialmente havia pelo menos algo minimamente autoral nas fotos pessoais postadas, com o passo seguinte introduzido pelo TikTok a coisa virou uma sucessão de vídeo de dancinhas idiotas ou conteúdo super apelativo (e normalmente falso). E o diabo é que essa coisa de vídeo curto se alastrou para todos os cantos, incluindo YouTube e até mesmo o LinkedIn.
É muito complicado abordar esse assunto porque se mistura muito com uma colocação que por séculos foi verdadeira (como colocou o Rafael mais acima): as gerações antigas costumam ter dificuldade de entender e aceitar as mudanças introduzidas pelas novas gerações. Isso remete à Babilônia, onde há registro de escritos de gente na época questionando o que seria do futuro dada a falta de compromisso dos mais jovens. Mas acho que temos informação suficiente para defender que dessa vez é diferente. Infelizmente.
“’A leitura e a escrita são carros chefes, porque elas garantem direitos para as pessoas. Eu consigo interpretar uma lei. É um exercício de cidadania. Você emancipa a pessoa que lê e escreve bem. Se a gente cai nesse nesse engodo de que a IA pode fazer tudo pra gente, você perde também esse aspecto emancipatório e crítico que a educação precisa fazer.’”
Sempre lembro do Fabiano, de Vidas Secas, que até percebe que está sendo enganado pelo patrão, mas não consegue elaborar nem argumentar contra as contas que ele faz. Vai ver as big techs querem isso mesmo, transformar todo mundo em Fabianos que mal falam, mais grunhem do que elaboram um pensamento crítico.
Normal, vida que segue. Pessoas mais velhas também tiveram dificuldade para usar tecnologia nova… E acredito que mais novos também teriam resistência para usar coisas como fax ou telefone de discar.
A superficialidade está cada vez mais contaminante, uma verdadeira pandemia. Embora os jovens sejam frequentemente colocados no centro dessas análises, por serem nativos digitais, percebo que esse é um fenômeno que atravessa todas as gerações, classes sociais e perfis. Ninguém está imune.
Sim, muito bem colocado! Essa ilusão que muitos têm de que os danos da tecnologia onipresente somente afetam os jovens é um dos mitos mais convenientes da nossa época. Basta estar num espaço público, como um ônibus ou metrô, para perceber como a coisa está afetando todos.
Esse artigo do Estadão postado pelo Fabio está muito bem escrito. Gostei muito. Me deixa sempre estarrecido quando vejo relatos como esse:
Vídeo (!!!) de 3 minutos agora é algo profundo…
O processo de embabacazição é algo notável mesmo dentro do âmbito de rede social. Se olharmos a estrutura e nível de debate que existia no Facebook, percebemos que tinha muito mais espaço para conversas orgânicas, inclusive com a incrível (…) possibilidade de se postar links externos, coisa que o Instagram e TikTok não permitem. E se no Instagram inicialmente havia pelo menos algo minimamente autoral nas fotos pessoais postadas, com o passo seguinte introduzido pelo TikTok a coisa virou uma sucessão de vídeo de dancinhas idiotas ou conteúdo super apelativo (e normalmente falso). E o diabo é que essa coisa de vídeo curto se alastrou para todos os cantos, incluindo YouTube e até mesmo o LinkedIn.
É muito complicado abordar esse assunto porque se mistura muito com uma colocação que por séculos foi verdadeira (como colocou o Rafael mais acima): as gerações antigas costumam ter dificuldade de entender e aceitar as mudanças introduzidas pelas novas gerações. Isso remete à Babilônia, onde há registro de escritos de gente na época questionando o que seria do futuro dada a falta de compromisso dos mais jovens. Mas acho que temos informação suficiente para defender que dessa vez é diferente. Infelizmente.