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A catástrofe real ou como aprendi a parar de me preocupar e amar a nuvem

A situação das enchentes no RS me deixou em dúvida sobre o armazenamento de dados através o uso de mídias físicas locais.

As constantes e crescentes notícias (ao menos na minha bolha de tecnófilos luditas bipolares) sobre abusos e inconstâncias das Big Techs nas plataformas conectadas, contribuíram para acreditar que valeria a pena fugir, sempre que possível, dessas corporações, por meio do armazenamento próprio e da aquisição de mídias físicas para literatura, produções audiovisuais e jogos.
Todavia, devido às enchentes no RS ( https://www.abcmais.com/brasil/rio-grande-do-sul/parte-do-acervo-do-museu-de-sao-leopoldo-e-danificada-pela-enchente/ ), estou pensando se é mesmo vantajoso evitar ter meus filmes favoritos cortados do streaming e a privacidade de meus hábitos, documentos de trabalho e pessoais violadas pelos algoritmos de marketing; mas correndo o risco de as mídias físicas acabarem consumidas por uma enchente, incêndio ou outra catástrofe (ironicamente, muitas das quais causadas ou agravadas pela própria tecnologia).
Em contrapartida, imagino a situação dos russos, que devem ter tido seus serviços em nuvens de empresas americanas bloqueados devido ao embargo relacionado à guerra com a Ucrânia (https://tass.com/economy/1760215). Como será que ficou o camarada que dependia do Microsoft Teams e do Office para ganhar seu pão? Ou quem tinha as lembranças de uma vida armazenadas no Google Photos, todas as músicas favoritas listadas e organizadas no Spotify e centenas de e-books no Kindle?

Assim como na comédia niilista do Kubrick que parafraseio no título ( https://www.youtube.com/watch?v=keTm5BQjJeA ), será que estamos presos num momento absurdo onde só há opções (mais ou menos) ruins e a tragédia é sempre inevitável?

E vocês, quais acreditam que seriam as medidas viáveis para mitigar esses problemas?

17 comentários

  1. Um amigo bem próximo trabalha na PROCERGS onde são construídos e rodam a grande maioria dos softwares de serviços do estado do RS. Na última semana a água foi se aproximando do prédio e ameaçava inundar o andar onde estavam os geradores que garantiam os servidores rodando. Detran RS, Polícia Militar, Nota Fiscal Eletrônica… A sala dos geradores foi de fato alagada epraticamente todos os serviços tiveram que ser migrados pra nuvem literalmente de um dia para o outro.

  2. Então…
    Na nuvem tenho pouquissima coisa, só o básico para compartilhar com alguém (algum arquivo…algum programa…).

    Mantenho tudo no meu notebook e sincronizo com dois 2 hds externos. um fica no trabalho e outro em casa (outra cidade).

    Os arquivos mais importantes (documentos, etc), andam comigo em um pendrive encriptado que fica na minha mochila.

  3. No mundo real, existe aquele chavão de que “Não existe mais nenhum lugar seguro” por conta da violência, dos assaltos e tudo mais.

    Infelizmente, o mundo virtual também pegou esse comportamento.

  4. tenho hoje cerca de 30 mil fotografias no iCloud — e uma cópia local sincronizada em HD externo

    isso significa que na prática só tenho uma cópia: o iCloud pode a qualquer momento destruir minhas imagens, falir, sair do ar ou simplesmente encerrar unilateralmente meu contrato — e o que me resta é um frágil HD externo que pode deixar de funcionar só por ser mal manuseado

    o mesmo vale para meus documentos: estão no iCloud Drive e mantenho uma cópia local no SSD do Mac e uma cópia sincronizada no time machine

    o ideal seria de fato eu ter mais opções de backup

    mas…

    estou resignado: fazer mais do que isso dá muito trabalho

    dito isso, acho que podíamos transformar parte dessas tarefas de preservação em tarefas mais agradáveis: tirar um tempinho nas férias para selecionar uma pequena parcela dessas 30 mil fotos para imprimi-las num álbum bonito para deixar na estante e folhear de vez em quando.

    Outra coisa é ver a beleza da auto-organização do que ainda existe de web aberta e livre: eu mantenho uma parte das minhas fotos no flickr com licença creative commons. Por conta disso, alguém criou uma forma automatizada do Wikimedia Comuns puxar minhas fotos para guardar lá, deixando-as disponíveis para uso na Wikipédia e similares. Tem até uma categoria automatizada pra isso!

    https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Files_from_Gabriel_de_Andrade_Fernandes_Flickr_stream

    Fico feliz, então, em saber que mesmo que eu perca esses arquivos no futuro alguma alma zelosa da fundação Wikimedia as mantêm, mesmo que indiretamente :)

    1. Dá até pra deixar mais automatizado, e menos trabalhoso, mas o custo do serviço em nuvem e dos HDs não tem como escapar. Atualmente eu tenho dois HDs de 16TB cada, montados em uma interface USB (cópia 1) somente para backup local. Os backups são feitos diariamente às 8h, 12h e 18h, de maneira automática, usando o FreeFileSync. Ele copia as pastas que eu pré-selecionei dos SSDs internos (arquivos originais) do meu laptop, e do HD externo onde coloco material arquivado (arquivos originais), sempre atualizando a versão mais recente dos arquivos. Além disso, o BackBlaze faz backup em tempo real de todos os HDs e SSDs que tenho (cópia 2), internos ou externos, a um custo de 9 USD/mês, tudo automático também, e com versionamento de arquivos. Tenho cerca de 20TB de arquivos backupeados lá.

      Das vezes que apaguei algo sem querer, ou realmente perdi e precisei restaurar, o fiz da cópia 1, a interface USB com os HDs de 16TB. E quando era algum trabalho recente, que aconteceu nesse intervalo de 6/12h entre os backups locais, restaurava pelo BackBlaze, que já tinha feito a cópia na nuvem em tempo real. Eu considero esse meu fluxo quase perfeito.

      Eu ainda tenho o OneDrive e o Google Drive de 1 e 2TB (cópia 3), respectivamente, em que sincronizo as pastas com arquivos em que estou trabalhando, coisas da empresa, material que precisa ser editado, ativos de design que considero úteis, etc. Deixo essas pastas sincronizadas, para ter acesso fácil no celular, sem ter que ir para o computador pra puxar um arquivo simples. O BackBlaze é sensacional para backup, mas a interface dele pra baixar arquivos no dia a dia é muito ruim, ainda se fazendo necessário uma nuvem de sincronização dessas mais populares.

      O que vejo muito na minha área são profissionais buscando uma solução 100% em nuvem para eliminar o custo com HDs externos. Eu não recomendo essa prática. Ainda precisamos dos benditos HDs. Eles são a melhor forma de garantir os arquivos por mais tempo e não depender de uma empresa terceira.

    2. No seu caso Gabriel, o que eu sugiro:
      – iCloud com o que for mais importante de ter acesso fácil pelo celular;
      – SSD interno ou externo para o que você está trabalhando e lidando no dia a dia;
      – HD externo grande, que caiba o conteúdo do iCloud e do SSD;
      – Uma nuvem do tipo BackBlaze ou CrashPlan, além do iCloud, para ter mais segurança.

      O TimeMachine faria automaticamente o backup do SSD para o HD, já do iCloud para o HD precisaria de algum serviço… ou instalar o próprio iCloud dentro do HD (não sei se é possível. Eu uso um software chamado CyberDuck para gerenciar as nuvens e jogar arquivos de uma pra outra.

  5. Quanto às big techs, seria melhor não usar suas ferramentas, mas a Microsoft e seu OneDrive naquela “caixinha” com assinatura anual do Microsoft 365 (ou seja lá qual nome venham a usar) é a “solução” mais viável para quem precisa de até 1 TB, uns R$ 100,00 anuais.

    Quanto à privacidade, em se falando de backups completos de nossa máquina, acredito que existam soluções de criação de imagens que também permitam criptografia.

    Atualmente, uso o Rescuezilla (um Clonezilla com interface gráfica. Acho que nada impede de usar alguma ferramenta para criptografar os arquivos de imagem neles gerados (talvez o Clonezilla até permita, não sei). Recomendoo Rescuezilla para backups semanais ou mensais (e/ou aqueles backups bem completos). Já o utilizei uma vez em que quebrei minha instalação do Linux e funcionou bem (desde que o backup não esteja no mesmo HD/SSD, não consegui restaurar um backup na partição secundária, mas deu certo pela cópia do meu HD externo).

    Recentemente, descobri o restic, uma ferramenta de backup por linha de comando que permite criptografia e também “snapshots”, sendo uma “solução” interessante para backups diários.

    PS: Quando penso em backups físicos distantes, fico imaginando aqueles filmes tipo Identidade Bourne, nos quais um agente secreto deixa suas coisas num armário público de uma estação ou algo assim e, num momento crítico, vai lá resgatá-los. :-)

  6. Eu penso que você não deve escolher ou físico ou nuvem, TEM que ter os dois. É muito arriscado ter todo o backup em um único lugar. É inviável ter backup físico, atualizado, automático e longe o suficiente de você, no caso de uma catástrofe. – Se você morava em Porto Alegre e tinha uma cópia física na cidade de Canoas, não serviu de nada, já era –

    Backup em nuvem é fundamental, eu diria, mas não deve ser o único e Google Drive, Dropbox, OneDrive e similares não são backup.

  7. Não existe solução de becape perfeita, e é por isso que quem tem um na verdade não tem becape — o esquema que o @Robson Sobral comentou é o mínimo.

  8. Um bom backup é, pelo menos, 3, 2, 1:

    3 cópias;
    2 meios diferentes;
    1 cópia longe fisicamente de você.

    1. Exatamente. E a parte fisicamente longe não precisa estar nas mãos de uma big tech, existem boas empresas menores que oferecem o serviço (pago ou mais inconveniente, mas oferecem)

    2. Cópia física longe de você é algo tão difícil e improdutivo que não sei como ainda consideram isso. Imagina ter que manter uma cópia de arquivos atualizada, em mídia física em outra cidade? Sim, cidade, porque se for em outra rua do mesmo bairro em caso de enchente não adiantou nada. Para mim isso é contra producente.

      3 cópias são fundamentais, mas duas podem estar com você, em casa. A cópia de segurança para sinistros como os que o colega citou, não só pode, como deve ser em nuvem, tem que ser automática, atualizada, e com histórico de versões. BackBlaze, CrashPlan, Google Cloud e outros possibilitam isso.

      1. Não disse que a cópia física tem que estar longe de você, mas que tem existir uma fisicamente longe!

      2. Não adianta ter uma cópia na nuvem se o datacenter ficar na mesma cidade que você!

        1. Eu acredito que a maioria dos serviços de backup trabalhem com redundância, e não somente redundância no sentido de cópia, mas de quebrar os arquivos para que fiquem espalhados em vários data centers, de modo que se um tem problema, consegue recuperar nos outros. Já vi uma palestra de um engenheiro da Netflix explicando que os arquivos de mídia deles são assim.

          O problema que vejo é ter que manter uma cópia física na casa de um vizinho de um parente, isso eu acho fora da minha realidade.

          1. Originalmente, a Backblaze tinha só um datacenter. Por eles fazerem os próprios hacks, levou um tempo até terem o segundo, que foi erguido na costa oposta dos EUA.

            Acho que só o Putin deve ter cópias físicas em cidades distantes. A maioria das pessoas normais terá um HD externo.