Novo app de fotos do Google.

O novo Google Fotos: espaço ilimitado, privado por padrão, super esperto


29/5/15 às 16h44

O Google prometeu para ontem a atualização do Google Fotos, e ela já está disponível (iOS, Android). Baixei no Android, acessei pelo navegador e, no geral, gostei muito do que vi.

A fim de evitar qualquer confusão, é importante entender que o app em si é uma atualização do Fotos que já vinha no Android1. Antes, ele era um visualizador bem chinfrim; na nova versão, é um poderoso sistema de backup e organização.

A interface do Google Fotos

O app mostra fotos em ordem cronológica invertida — como um blog, ou seja, as últimas fotos tiradas/salvas no início da tela. Usando o gesto de pinça, a visualização muda de dia para meses e, em seguida, anos. Um botão flutuante no lado direito permite rolar a tela com mais velocidade e, no canto inferior direito, outro botão, com uma lupa, abre a pesquisa.

Dia, mês e ano, tipos de visualizações no Google Fotos.

Ao tocar em uma foto, a interface de exibição é simples e direta. São quatro botões inferiores (compartilhar, editar, informações e excluir), mais um menu no canto superior direito guardando coisas como apresentação de slides e definição da foto em questão como papel de parede do sistema.

Ferramentas de edição abertas.

Além da navegação temporal, o Google Fotos consegue entender o que está nas imagens. Durante a apresentação do app na Google I/O, um dos diretores responsáveis por ele, Anil Sabharwal, disse que toda a sua coleção de fotos fora organizada automaticamente pelos algoritmos da empresa. Em outras palavras, ele não precisou dizer absolutamente nada ao app para que suas fotos fossem organizadas e sortidas por locais, pessoas e até situações. Em dado momento, ele pediu ao sistema que retornasse fotos de uma nevasca em Toronto. Dito e feito, literalmente.

É bem impressionante e funciona para meros mortais também. Não tenho muitas fotos salvas no Google, então subi umas cem que, somadas às poucas que já estavam lá, me permitiram brincar com o sistema inteligente.

Ao ser tocado, o botão de pesquisa exibe a barra de busca no topo e sugestões de consultas abaixo — no meu caso, lugares, coisas e tipos. Senti falta de “pessoas;” segundo a documentação do Google esse recurso “não está disponível em todos os países;” o Brasil deve estar nesses restritos :/

Exemplos de pesquisa no Google Fotos.

Note que as coisas não são limitadas às sugestões apresentadas. Fiz uma pesquisa por “carros” e recebi… fotos de carros. “Selfie,” curiosamente, não funcionou muito bem, mas ao pesquisar por “rostos” o sistema devolveu as minhas selfies. “Paisagem” também deu certo, e “água” retornou algumas coisas. Aí a minha criatividade para pensar nesses termos genéricos acabou.

Como não poderia deixar de ser, já que é uma das consultas mais simples de se fazer com fotos, a busca também entende lugares, datas e a combinação das duas. Se digito “são paulo 2010,” vejo fotos de uma viagem que fiz para lá naquele ano. Mas ela ainda é falha. Não entende meses, por exemplo, nem variações sutis na sintaxe. Ainda precisa melhorar um bocado — especialmente por ser um produto do Google, que faz tão bem as buscas na web e no Gmail.

Outra “falha” da pesquisa é a sua incapacidade em saber quem está nas fotos. O Google identifica quando uma mesma pessoa aparece, mas não tem ideia de quem ela seja, então a única forma de priorizar quem é mais importante a você é tirando mais fotos dessa gente. Há quem ache, e eu tendo a isso, que tal característica é na verdade uma vantagem, mas parece-me, pelo tom da apresentação, que faltam dados ao Google para determinar, com uma margem segura de certeza, as relações entre as pessoas que aparecem nas fotos.

Privado por padrão

Além de facilitar o resgate de fotos antigas, o Google Fotos também facilita o compartilhamento. Mas faz isso da forma certa: como uma opção bem identificada e separada do núcleo do serviço. A ideia é que o Google Fotos seja um álbum como aqueles que seus pais e avós guardam em casa, mostrados a quem quisermos, na hora que quisermos, sob demanda. Nada perto de um mural, tipo o Facebook, onde às vezes fotos podem aparecer sem o nosso consentimento.

Nesse sentido gostei muito da justificativa de Bradley Horowitz, que chefiou o desenvolvimento do app, a respeito da ruptura do serviço com o Google+. É mais que uma questão de branding; é algo que diretamente relacionado à privacidade:

Acreditamos [que subir todas as suas fotos] é essencial. Achamos que produtos de fotos em redes sociais são ótimos e continuaremos dando suporte ao compartilhamento. Apenas uma fração das suas fotos são compartilhadas de fato. Ouvimos dos nossos usuários do Google+ que temos uma ótima tecnologia, mas eles não queria ter o arquivo das suas vidas colocado em um produto de mídias sociais, [na verdade] em nada social. É algo mais similar ao Gmail — não existe um botão no Gmail que diga ‘publicar na Internet.’ ‘Transmitir’ e ‘arquivar’ são muito diferentes e, assim, o lance do Google Fotos é criar um espaço seguro para suas fotos e remover qualquer estigma associado em salvar tudo.

A premissa é similar à do novo Flickr: todas as fotos salvas são privadas. Você pode compartilhá-las em redes sociais ou criando links com várias dentro, facilmente, sem medo de errar. Essas coletâneas ficam registradas em um local à parte dentro do app; se por qualquer motivo você quiser cessar o acesso, basta excluir o link compartilhado. (Outra coisa legal é que, estando logado, alguém que receba um desses links consegue copiar as fotos para o seu Google Fotos com um toque.)

As histórias são ricas visualmente.Além de fotos individuais, o app oferece ainda ferramentas úteis. Dá para fazer colagens, vídeos, criar histórias bonitonas para serem vistas no navegador… Montei uma em minutos da minha malfadada tentativa de fazer massa de pizza caseira. Veja como ficou. Em alguns casos, ao identificar padrões, ele faz colagens automaticamente e manda uma notificação avisando que ela está pronta.

Tudo muito fácil, rápido e praticamente automático. O Google Fotos não pede esforço, esperteza, nem seu tempo para funcionar minimamente bem. É aí que está seu trunfo.

Espaço infinito

O Google prometeu privacidade, inteligência e latifúndios de espaço para salvar fotos. O espaço é ilimitado, mas há um detalhe: as fotos e vídeos salvos não são originais. Por outro lado, as restrições melhoraram consideravelmente — até ontem o Google já salvava quantas fotos você quisesse, mas limitadas à resolução de 2048×2048.

O limite é de 16 mega pixels para fotos, e Full HD (1080p) para vídeos. A opção para salvar os originais continua valendo, mas aí elas ocupam o seu espaço no Google — em média, 15 GB para tudo, de fotos a arquivos do Google Drive e e-mails do Gmail.

Dá muita diferença? O Google jura que não. E 16 mega pixels é uma resolução enorme, maior que a maioria das câmeras simples e smartphones usados pelo povo. Só que não é original, então nesse ponto o Flickr ainda está na dianteira.

Vale a pena?

O Google Fotos não briga apenas com o Flickr. Estamos num momento de briga das empresas pelas fotos dos usuários. Microsoft (OneDrive), Dropbox (minha atual escolha), Amazon e startups especializadas nisso, como Smugmug e Picturelife, se desdobram para oferecerem as melhores vantagens com a maior facilidade possível. Não é uma conta fácil de se fechar; as coleções de fotos da maioria de nós é uma bagunça completa.

Com essa atualização o Google ganha alguns pontinhos frente à concorrência. A inteligência artificial que identifica lugares, objetos e pessoas nas fotos é de cair o queixo. Funciona, e funciona bem. O espaço ilimitado é incentivador e o aparente cuidado com a privacidade, também instiga o usuário a pelo menos dar uma olhada no app.

Se você está com o celular ou PC abarrotados de fotos, ou procurando uma solução mais amigável que seja ao mesmo tempo robusta, vale essa olhada. Eu, pelo menos, farei isso: subirei mais algumas fotos, brincadeira com a pesquisa, verei o que dá para fazer de legal. A primeira impressão foi muito boa.

  1. O povo do The Verge se confundiu ontem e fez um review em vídeo (!) mostrando o app antigo.

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