Topei com o vídeo acima, que compara os chips M1 Ultra e M1 base da Apple, em um Mac Studio e Mac mini, respectivamente, em diversas tarefas. Chama a atenção o fato de que na maioria dos testes a diferença em preço e números frios não se traduz em ganhos de velocidade. O Mac Studio com M1 Ultra custa quase cinco vezes mais que o Mac mini base (R$ 47 mil contra R$ 8,4 mil).

Curioso com os resultados, peguei um dos benchmarks focados em processamento bruto, o Cinebench, e rodei eles no meu próprio notebook, um MacBook Pro de 2015, com um Core i5 de 5ª geração. Os resultados:

Multi-core
M1 Ultra: 24.157
M1 (Mac mini): 7.779
Core i5 (5ª geração): 1.944

Single-core
M1 Ultra: 1.534
M1 (Mac mini): 1.469
Core i5 (5ª geração): 757

O velho Core i5 da Intel foi obliterado em multi-core, mas é “só” 50% mais lento em atividades single-core.

Como disse o leitor Gabriel Arruda, para uso comum um Mac Studio Ultra e MacBook Air (ou Mac mini) são exatamente a mesma coisa.

Não à toa, no vídeo o poder do Mac Studio só aparece em sua plenitude em atividades bastante específicas, como quando o youtuber exporta vídeos em 8K com vários filtros e recursos avançados.

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

15 comentários

  1. Pelo menos por aqui essa linha studio não tem nem um pingo de custo benefício, me parece que até la fora, pelos review que vi, não tá fazendo muito sentido, mas isso claro, pra quem procura mais a parte técnica. Enfim, qualquer pc com rtx tá batendo esses números custando muito menos, e olha que as placas tão caras. Até o novo monitor deles tá super caro a toa

  2. Por isso, precisamos analisar outros componentes no momento de escolher um novo hardware.
    E, a depender das atividades utilizadas pelo usuário, muitas vezes, escolher um equipamento com mais memória RAM é muito mais importante do que escolher um equipamento apenas pelo processador mais “top”.

  3. O mais triste é ver que ainda tem gente que embarca nesse campo da distorção da realidade da Apple.

  4. Gostei dessa publicação e da sua análise porque estou um pouco cansado, depois de tantos anos, de ver ainda muita gente sob o campo de distorsão da realidade da Apple. Veja, eu entendo o poder computacional que os chips M1 têm e a “revolução” que estão causando, mas acho um pouco demais. Nós podemos pegar uma Ferrari e dizer que ela é 812x mais potente que um Uno, mas e quanto ao enfoque do produto, a quem ele é direcionado, e seu preço? Eu acho super legal ver um chip desse patamar sendo lançado e balançando o mercado de processadores, mas sejamos sinceros, isso não é útil para 95% das pessoas e não é acessível para 99% delas. Que o lançamento da Apple é um foguete, não tenho dúvidas. Que a Apple o venda (e a mídia e o público em geral aceite) como se esse foguete fosse algo a se ter na sua garagem, aí eu acho que realmente falta um pouco de senso crítico. É um produto do mais alto nível, com tecnologia de ponta, e preço que acompanha. Aliás, como todo produto Apple, o preço não acompanha, afinal além da tecnologia embarcada, há um status de grife, então estamos falando de produtos excelentes a preços exorbitantes.

    1. e ainda adicionaria o seguinte: Que vão piorar significativamente a vida de todo mundo.
      porque tem sido uma desculpa muito boa a “potência” e a “revolução” de usar SoC em computador, mas no fim a intenção é ter mais controle sobre a vitalidade do produto – M1 não tem como aumentar RAM, nem bota SSD, essa sobrevida que estamos acostumados vai morrer.

    2. É por aí, Lucas. Só discordo da sua análise de preços. Notebooks e computadores equivalentes de outras marcas custam tanto ou até mais que os da Apple — refiro-me, no caso de notebooks, a modelos como os XPS da Dell, ou ThinkPad X1 da Lenovo.

      1. Concordo que existem algumas marcas que cobram o mesmo ou mais, mas não acho que seja uma regra. Os computadores e notebooks da Apple costumam ser mais caros do que a média. Eu moro na Espanha e estava pesquisando um notebook novo (meu Macbook Pro de 2011 morreu no final do ano passado). Nas minhas buscas, posso achar um notebook com i7 ou Ryzen 9 e placa de vídeo dedicada pelo preço de um Macbook Air. O Mac Studio aqui custa 2.329€ na versão mais barata (M1 Max) e 4.629€ na mais cara (M1 Ultra). Eu continuo achando que no geral a Apple cobra um preço superior por computadores, entrega produtos de altíssima qualidade e tecnologia de ponta, mas o componente “maçã na tampa” tem seu peso no preço e na percepção.

        1. Quanto tempo dura a bateria de um desses i7 ou Ryzen 9 com GPU dedicada?

          (Li GPU dedicada e já presumi que seja algo gamer, ou seja, grande, pesado e feito para usar numa mesa).

          O “killer feature” de um Mac para mim é a duração de bateria e a leveza do dispositivo. Passei anos carregando notebook gamer nas costas e minha coluna sofreu.

          1. Concordo com você, a Apple tem outro apelo. Por isso mesmo disse e repito, que além de toda a tecnologia que a Apple coloca em seus produtos e a qualidade excelente, você paga por outras coisas também: status, grife, marca, design, lifestyle… A Apple consegue vender computadores caríssimos (e muito poderosos) para pessoas que não precisam e topam pagar o preço.

        2. Nas minhas buscas, posso achar um notebook com i7 ou Ryzen 9 e placa de vídeo dedicada pelo preço de um Macbook Air.

          A Intel planeja mais de 250 SKUs só para notebooks ultra-finos. Muitos são Core i7 e com desempenhos muito diferentes.

          A nomenclatura Core i7 só significa que é um dos melhores de um range de TDP, mas especialmente nas linhas de baixo consumo, o que difere um Core i5 de um Core i7 é um boost ligeiramente maior e basicamente irrelevante…mas vende porque a pessoa comprou um Core i7. Um Core i5 de TDP superior facilmente supera um Core i7 de 9W.

          Ao menos Intel segue uma lógica se olhar os códigos, a AMD faz um festa…para CPU você precisa ir no site para ver qual arquitetura/TDP. Por exemplo: um Ryzen 5 5650U (6/12) usa Zen 3 o Ryzen 7 (8/16) 5700U usa Zen 2. O Ryzen 5 é melhor para jogos, mas muita gente deve acabar indo no Ryzen 7 porque é mais “top”.

          GPU dedicadas usam a mesma marca para produtos com TDPs muito diferentes. O próprio conceito de GPU dedicada é relativamente marketeiro, já que uma integrada potente pode ser mais interessante na prática: se não quiser usar a Apple de exemplo, um dos produtos mais interessantes da AMD é uma APU com RDNA2 para notebooks.

          Adesivos como “Core i7” e “Ryzen 9” tem um peso como a maçã na tampa, a diferença é só o público alvo. São grifes para nerd e não lifestyle tipo Apple, então é menos mal visto no círculo de entusiastas.

          1. Acho a discussão muito válida e poderíamos passar dias aqui discutindo especificações técnicas de processadores, placas de vídeo e outras partes, mas… é exatamente o contrário disso que faz a Apple convencer as pessoas que num computador de US$4.000 o preço é o menos importante. Quero dizer, voltando ao ponto inicial do meu comentário, que o chip e a tecnologia da Apple são incríveis não cabe dúvida. A questão é que, quando se trata da Apple, o mundo inteiro tende a omitir outras questões, como o preço. O chip é maravilhoso? Sim. Mas ele custa um rim. A Apple, além de uma empresa de tecnologia (de ponta), é um dos maiores expoentes de marketing no mundo.

            Veja só o que eles fizeram: lançaram um produto extremamente caro e nichado e desde então o mundo da tecnologia segue cobrindo o tema com os olhos cheios de lágrimas de emoção (e aqui cabe um elogio ao sempre sensato Manual do Usuário e ao Ghedin que fazem uma cobertura muito mais pé no chão). Repito, é algo bastante relevante o que eles estão fazendo tecnologicamente, mas em termos de produto, não é tão relevante ainda. Seria se fosse um poder computacional explosivo aliado a um custo mais baixo e amplo acesso, mas não é assim.

            Quando às outras marcas, vou discordar de você. i7, Ryzen, Apple e qualquer outra marca são exatamente isso: marcas. Mas independentemente do público-alvo, não dá para comparar o peso que a marca Apple tem com o peso que a marca Ryzen ou Core iX tem. E ainda existe a diferença entre marca e grife: marca quase todos os produtos e empresas têm, serve para identificar e diferenciar. Grife é quando o status da marca ultrapassa as características do produto. Você pode comprar uma camiseta na C&A ou na Gucci, a percepção do produto está relacionada puramente à marca e não às características do produto. Igualmente a Apple no setor tecnológico, guardadas as devidas proporções.

          2. Eu acho que alguns raros produtos da Apple – justamente o MacBook Air que você citou – tem um bom custo/benefício pelo que o M1 traz de útil para um notebook compacto (perf/watt). Sinta-se a vontade para discordar, mas é por isso que estou trazendo especificações na mesa: Core i7 com placa dedicada pode ser cilada, a depender do que está atrás da marca “Core i7” e do conceito de placa dedicada.

            O MacStudio tem um preço aceitável e faz sentido para produtores de vídeo e áudio, mas para a maioria das pessoas faz mais sentido uma workstation com Intel/AMD + Nvidia. O monitor, por outro lado, é muito caro para o que entrega e faz sentido para pouca gente.

            Essa é minha “análise”, acho que colocar tudo no guarda-chuva da grife/marca é simplificar demais a questão. Como você disse são produtos interessantes, só refletir e tentar ver além do marketing. Acho válido o ceticismo, só acho que deveria ser aplicado às marcas de tecnologia também.

            Grife é quando o status da marca ultrapassa as características do produto.

            Isso que você citou é precisamente o que ocorre no mercado de notebooks, que Core i7 não significa nada sem os detalhes, mas para um público é tratado como premium. Ao menos, acho desonesto a diferença que há entre esses produtos para ser usada a mesma marca.

            Mas entendo a crítica que a cobertura da mídia é sempre enviesada para lançamentos desses produtos high-end, porque é sobre o que tem para falar: mesmo que todo mundo compre Galaxy A, a cobertura da linha S é desproporcionalmente maior. A Apple é o caso mais extremo disso: realmente quase ninguém vai comprar um Mac Studio, mas pela cobertura parece ser o produto que todos comprarão.

  5. Não lembro onde eu ouvi um comentário que resume bem: se você precisa pensar em qual seria vantagem de um Mac Studio para um Mac Mini, então você não precisa de um Mac Studio.

  6. Ou seja, um produto de nicho, como o próprio nome entrega.
    Mesma coisa que um PC/workstation (que é como eu vejo o Mac Studio) com i9/Threadripper/Xeon.

  7. Não vi nada de muito errado, o nome “Studio” já diz muito sobre isso…