MWC 2016, dia 4: Tecnologia na mesa de jantar

Espaço Android na MWC 2016.

Nota do editor: A Emily, que você deve conhecer do iG Tecnologia e/ou do Guia Prático, está em Barcelona, na Espanha, para cobrir a MWC, uma das maiores feiras de tecnologia do planeta. Ela está compartilhando conosco os bastidores da feira — um ponto de vista muito interessante e que raramente sai dos círculos de jornalistas que cobrem eventos do tipo. Leia os relatos do primeirosegundo e terceiro dias.


Tirar leite de pedra também faz parte do trabalho jornalístico, especialmente quando se está cobrindo uma feira na qual o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, resolve aparecer não uma, mas duas vezes na programação do evento. A conferência do Zuck foi na segunda-feira à noite, mas ele falou tão pouco e de tanta coisa que tive que parar e pensar no que escrever para o iG. Afinal, por mais lacônico que seja, é o dono do Facebook falando.

Acabei investindo na lição que ele próprio disse ter aprendido com a proibição do Free Basics na Índia: de que países são diferentes. É claro que essa foi a forma que Zuckerberg achou de evitar a questão, mas ainda assim a declaração é importante para nós brasileiros porque o Facebook espera implementar o Free Basics no Brasil, algo que fere a neutralidade da rede.

Dois Mark Zuckerberg.
“Bem-vindo à Internet, eu serei seu guia.”

Mas tirar leite de pedra foi a segunda coisa que fiz nesse segundo dia de feira. A primeira, às 8h da manhã no Brasil, meio-dia aqui em Barcelona, foi ligar via Hangout para a minha mãe, que fez de aniversário hoje, e pagar o mico de dar parabéns da sala de imprensa da MWC. Tudo bem, ela merece!

Demandas de família e de trabalho resolvidas, era hora de voltar às pautas. Mas, antes, uma pausa para o almoço. A culinária de hoje foi a asiática — a propósito, estava uma delícia! Para variar, enchi a bandeja de pratos e quase morri comendo, mas valeu a pena, pois deu uma dose de ânimo num dia que começou bastante sonolento, para variar. Hoje um colega disse que cobrir uma feira dessas é como fazer um “Iron Man”, aquelas provas de triatlo super rigorosas, do tanto que é puxado para o corpo. Acho até que merecia uma preparação física: não é só caminhar de um pavilhão ao outro; por vezes, sentimos fome e, principalmente, sono bem no meio daquela palestra que é a mais importante do dia.

Passado o almoço encontrei o Marcel Campos, diretor de marketing da Asus para a América Latina e Índia, que veio à MWC observar a concorrência. A Asus, que aqui ocupa apenas uma pequena sala em um hotel próximo da Gran Fira, não trouxe nenhum lançamento para a feira; seus novos produtos devem ser apresentados na Computex, no final de maio em Taiwan.

Independentemente de ter novidades, a Asus é uma marca que conquistou uma posição de destaque no mercado brasileiro e o Marcel um dos poucos executivos dessa indústria que de fato fala o que pensa. Se eu mostrasse o áudio da entrevista para executivos das sul-coreanas eles certamente ficariam apavorados com a liberdade que o Marcel tem para falar conosco, jornalistas. Eu, particularmente, acho isso muito bom, pois nos ajuda a pensar em pautas e também a entender melhor o mercado.

Em seguida era vez de ouvir o que a GSMA, entidade que representa as operadoras do mundo todo e organizadora da MWC, tinha a dizer sobre o estado da arte das redes móveis na América Latina. O assunto não despertou muito o interesse dos colegas: contei menos de 20 pessoas na sala da conferência. Os números, por outro lado, chamaram a atenção.

Hoje, 43% das pessoas que possuem cobertura 3G e 4G em suas regiões não têm planos que façam uso dessa rede. É muita gente com uma conexão ruim ou nenhuma conexão. Fiquei pensando: se em alguns locais a rede já está saturada em razão da quantidade de usuários, imagina se esse povo todo que, segundo a GSMA, ultrapassa os 100 milhões só no Brasil, decidisse assinar um plano 3G ou 4G de repente. Seria um problema. Ou você acha que teríamos infraestrutura de rede para tamanha demanda?

Elite X3 na mão.

Fim da palestra e fim de tarde, hora de pensar no que fazer: dar mais uma volta? Encarar o metrô? Sair para jantar? Optamos por dar mais um volta e ver de perto uma das únicas novidades em Windows da feira, o HP Elite X3. “Windows?”, você deve estar se perguntando… “HP!?”, você deve estar se perguntando de novo… Na verdade, o HP Elite X3 está tão em fase de protótipo que alguns componentes como o leitor de impressão digital não estava nem presente no aparelho, enquanto o reconhecimento por íris não podia ser testado em nenhuma das amostras. Frustrante. Apesar disso, há de se reconhecer que o Windows 10 caiu bem neste HP e até parece promissor, especialmente em um ambiente corporativo onde a tela de 5,96″ não parece uma aberração. Além disso, o aparelho será lançado com uma dock que transforma o celular em PC com ajuda do Continuum do Windows 10. Chega mesmo ao mercado? Quando? Essas perguntas, embora mais convencionais, ficaram sem respostas.

Não deixa de ser curioso que em uma feira dominada pelo Android, na qual as pessoas colecionam botóns do robô fantasiado, um ou outro smartphone com Windows ainda resista nos estandes.

Sobremesa de oliva.Fim de feira, é hora de partir para o momento descompressão — também conhecido por “jantar”. Desta vez fomos com o pessoal da Samsung e até aprendemos a brindar como um sul-coreano: fala-se três vezes uma palavra, bebe-se todo o conteúdo para depois virar o copo vazio atrás da cabeça. Não fizemos todo o ritual, é claro, mas desejamos que o Galaxy S7 seja um sucesso apesar do momento do mercado brasileiro. Pensando comigo, fui além: que o mercado não desaqueça a ponto da cobertura mais legal de se fazer perca espaço nas redações. Tecnologia não é mais nicho, coisa de nerd ou geek. Tecnologia é tão popular quanto um funk do Mc Bin Laden, quanto falar da novela na mesa durante o jantar, quanto ter a possibilidade de, mesmo mil quilômetros longe de casa, poder desejar um feliz aniversário para a própria mãe numa vídeo conferência de alta definição sem custo algum.

Emily escrevendo o post no metrô.
Escrevendo este post.

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6 comentários

  1. Ghedin, Emily. Sensacional esses posts.

    Emily, você é linda e super simpática. Estou adorando :)

  2. Uma outra questão interessante, como você está montando seu itinerário na feira e alinhando com a da empresa que convidou você, no seu caso a Alcatel.

  3. Uma curiosidade que eu tenho é: essas palestras são apresentadas em Inglês? Espanhol? Depende da palestra?

  4. Uma curiosidade que eu tenho é: essas palestras são apresentadas em Inglês? Espanhol? Depende da palestra?

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