Foto de divulgação do novo Moto G.

Colorido e à prova d’água, novo Moto G tentará manter a coroa de smartphone mais vendido do Brasil


28/7/15 às 22h51

Em 2013 a Motorola chacoalhou o mercado brasileiro de smartphones com o primeiro Moto G. Era um smartphone mid-range com dois diferenciais importantes e incomuns até então: Android quase puro e preço baixo. Dois anos depois, a terceira geração do Moto G chega melhor do que antes, mas se depara com a economia local instável e rivais mais competitivos — inclusive no preço.

Num evento simultâneo realizado em Londres, Nova York e São Paulo, a Motorola anunciou três novos smartphones: o já mencionado novo Moto G e as duas variantes do Moto X, Play e Style.

Novo Moto G

O Moto G foi o último a ser revelado (se descontarmos os vazamentos), e não por acaso. É o modelo mais vendido da Motorola, e lidera as vendas no Brasil há doze meses seguidos. (Não à toa, Rick Osterloh, CEO da Motorola, escolheu São Paulo entre as três cidades para estar presencialmente.) A terceira geração dele mudou nos seguintes pontos:

  • Todos os modelos são dual SIM e suportam redes 4G LTE — até a anterior, apenas uma versão especial (e mais cara) tinha 4G.
  • O SoC mudou, agora é um Snapdragon 410 — as duas primeiras gerações vinham com o 400. É o mesmo que equipa o Moto E (2015), mas com a frequência do processador mais alta (1,4 GHz contra 1,2 GHz).
  • Possibilidade de 2 GB de RAM (a partir de R$ 979).
  • A câmera principal tem 13 MP (contra 8 MP do anterior) e usa o mesmo sensor do Nexus 6, um smartphone de US$ 650 (nos EUA; não foi lançado no Brasil).
  • A bateria cresceu, de 2070 mAh (ou 2390 mAh, considerando a versão 4G) para 2470 mAh.
  • Ele é à prova d’água, com classificação IPX7 — leia-se: aguenta até 30 minutos a um metro de profundidade.
  • Pequenos detalhes estéticos, como o acabamento em metal que une a câmera principal ao logo côncavo nas costas, e uma textura, aparentemente similar à do Moto E, no acabamento da tampa de trás.
  • Moto Maker, o sistema de e-commerce da Motorola com personalização de diversos detalhes, como as cores do aparelho.

O Moto Maker, que estreou nos EUA com o primeiro Moto X e não vingou por lá, é bem legal e estreia no Brasil. Por ele, o preço do Moto G varia de R$ 849 a R$ 1.018 com todos os opcionais, e a Motorola diz que, no total, 3200 combinações (!) diferentes são possíveis.

Moto G no Moto Maker.

Os Moto G personalizados via Moto Maker são montados e enviados de Jaguariúna-SP, segundo o ZTOP, e vendidos diretamente pela Motorola, mas operadoras e lojas do varejo terão variantes “fixas” para venda à pronta entrega também — e as lojas da B2W, Submarino e Americanas, já estão dando 10% de desconto no pagamento à vista. E é bem provável que, a despeito de ser um lance legal (o Henrique que o diga), a maioria prefira versões de série e siga aproveitando os descontos dos meios tradicionais de vendas.

O preço inicial do Moto G é R$ 150 mais caro que o sugerido para o modelo de segunda geração na data do seu lançamento, menos de um ano atrás. Esse aumento, de 21,4%, é compreensível: nossa economia atravessa uma fase difícil e o dólar disparou nos últimos meses. A mágica que a Motorola fez em 2013 ficou mais difícil de ser repetida dois anos depois.

Difícil, mas não impossível. A Mi trouxe o Redmi 2 por R$ 499 (review em breve), um preço que hoje é barato e mesmo em 2013 levantaria algumas sobrancelhas. Correndo por fora, a Asus conseguiu, no intervalo de um ano, manter o competente Zenfone 5 mais barato que o Moto G na maior parte do tempo. Hoje, ele é facilmente encontrado por R$ 540 — o Moto G de segunda geração raramente ficou abaixo de R$ 650.

O trunfo da Motorola é ter conseguido fazer um nome forte em pouco tempo e não ter dormido no ponto. Esse novo Moto G aprimora todas as áreas em que o antigo ficava devendo: câmera, bateria e conectividade (4G para toda a linha). De quebra, ainda ficou mais bonito, personalizável e aprendeu a mergulhar. Poderia ser melhor? Sim. Talvez abdicar de vez da oferta de 1 GB, e vir com um SoC mais poderoso. Apesar disso, ele parece competente e deverá agradar seus donos. A coroa de smartphone mais vendido do Brasil está na mira das rivais, mas a Motorola se preparou bem para segurá-la por mais um ano.

O (realmente novo) Moto X Play

No segmento superior, a Motorola multiplicou o Moto X em sua terceira aparição. Agora são duas variantes, o Moto X Style na ponta de cima das especificações (e que só sai em setembro), e o novo Moto X Play, disponível em agosto.

O Moto X Play é, claramente, o “novo” dos dois. Poderia ter recebido outra letra, inclusive, já que no papel (e em preço) ele é o elo perdido entre Moto G e Moto X Style e deve brigar numa categoria que, acho seguro dizer, nasceu da crise — smartphones com jeitão premium e componentes não tão premium, como Zenfone 2, Xperia M4 Aqua, Xperia C4 e Galaxy A7.

Imagem de divulgação do Moto X Play.

O povo de Nova York ficou na bronca porque o Moto X Play não será lançado nos EUA. Ele é um projeto para o Brasil, e é fácil de entender o motivo. Seu preço, de R$ 1.499, fica no limite definido pelo governo para se beneficiar da isenção de PIS/COFINS (9,5% para smartphones). Como seria impossível lançar o novo Moto X no preço do antigo (não por coincidência, R$ 1.499), a solução foi criar essa variante. E o legal é que ela tem outros atrativos além do preço.

É um smartphone com Snapdragon 615, 2 GB de RAM e tela de 5,5 polegadas com resolução Full HD (1080p). Vem com a mesma câmera (que promete!) do Moto X Style, de 21 MP, suporta dois SIM cards e 4G, e tem como grande destaque a bateria, com monstruosos 3.630 mAh. É quase tão grande quanto a do enorme (e caro) Moto Maxx, de 3900 mAh, e a promessa é que dure dois dias para o usuário médio.

Moto X Style

Imagem de divulgação do Moto X Style.

Ou o Moto X de terceira geração. Por aqui, ele continua a tradição e deverá vir com um preço mais salgado, claro. Nos EUA, a Motorola adotou uma estratégia paralela e diferenciada, com venda direta (e via varejo; Amazon e Best Buy), livre de operadoras e, ao mesmo tempo, compatível com as redes de todas elas. O preço é baixo, de US$ 399. O Moto X Pure tem o mesmo hardware do Style (na verdade, é o Style), mas com uma proposta “à brasileira”.

Por aqui, o script segue como sempre. Espere todas as benesses dos topos de linha atuais no Moto X Style: Snapdragon 808, 3 GB de RAM, tela com 5,7 (!) polegadas e resolução QHD, e um super carregador, com 25 W, que promete ser 50% mais rápido que o do Galaxy S6, que já é bem rápido.

A maior promessa, porém, é da câmera, um aspecto em que a Motorola tradicionalmente decepciona. Para mostrar que dessa vez acertou a mão, a empresa enviou uma unidade do Moto X Style ao DxOMark, um site especializado em análises de câmeras. Ele alcançou o terceiro lugar no ranking geral, com nota 83, e elogios de Kevin Carter, responsável pela análise:

Para o processo de criação de imagens, o Moto X Style oferece uma câmera de 21 megapixels com lente grande-angular, foco automático rápido e pouco atraso no disparador, além de um flash embutido para equilíbrio de cores. Nos nossos testes-padrão de indústria para foto e vídeo, que consistem em uso no mundo real e rigorosa análise em laboratório, este novo Motorola alcançou resultados altamente competitivos, provando que não há distinção entre estilo e conteúdo.

Sai em setembro, ainda sem preço definido. Se a mesma porcentagem aplicada ao Moto G for repetida, o custo deve ficar em R$ 1.819. O que não seria de nada ruim.

Texto revisado por Guilherme Teixeira.

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55 comentários

  1. E o moto X 2014, vai ficar no preço do moto G 2015?. Pelo que eu vi o processador do moto X 2014 é mais rápido que o do moto X Play. Confere essa informação?

  2. Esse dual sim 4g, funciona de maneira semelhante ao Redmi 2, ambos slotes são 4g, ou apenas um é para dados e outro ligações?

  3. Estou para trocar de celular e o Moto X Play parece que vai ser o escolhido. Só vou esperar uns reviews e a queda de preço pós lançamento.

  4. Ano que vem o moto X terá quanto de tela? 6.3″?

    Ô negócio bizarro pra não falar outra coisa. Uma pena que, pra ter hardware decente, tem que ter uma lajota no bolso. Isso se couber no bolso. Talvez no futuro, tenhamos que andar com o smartphone na mochila.

    1. No Tecnogrupo postaram uma imagem com a diferença de tamanho. Eu já acho 5.2 meu limite de mão, e 5.7 então parecia tão maior…

  5. O Moto Maxx já se encontra próximo da faixa de preço do Moto X Play, então há uma disputa bem interessante aí. O mesmo vale para X 2014 e G 2015. A escolha se dará pela necessidade do usuário em câmera, dual-sim, personalização do visual e outros detalhes. Creio que o consumidor atento estará bem servido de opções.

    1. O Moto X Play suporta o Quick Charge 2.0 da Qualcomm e virá com um carregador de 15W. Na prática, é a mesma velocidade de recarga do Moto X (2014), Moto Maxx e outros smartphones recentes — rápido, mas não tanto quanto o X Style.

  6. Já achava o X ’14 grandão… Mas é o jeito, todo mundo indo por esse caminho mesmo. Tenho o X ’13, e me dou bem com ele, apesar dos 16 gb. E pelo que foi apresentado hoje, não deu vontade de sair correndo pra loja nem tão cedo :(

  7. Eu queria USB tipo C, leitor de impressões digitais (já preparado para o Android M) e quem sabe uma variante de tela menor, como o Z compact.
    Sei que posso estar pedindo muito, mas minha expectativa era alta. Tenho um Moto X1 e queria ir para o X3, mas agora vou aguardar pelo Nexus 5.
    Uma pena ir para o Nexus e perder as features da linha Moto X que gosto tanto.

    1. USB Tipo C, só ser for o USB3.1, se não de nada adianta. E o leitor de impressões digitais acho difícil vir, pois a Samsung passou 2 anos desenvolvendo pro S6 e ainda não está no ponto que nem no iPhone, acho que se colocassem poderia decepcionar muito se ele não fosse perfeito, então fico feliz que veio sem.

      1. Exatamente, estava aguardando a 3.1.
        Sobre o leitor, pode ser um fator a considerar, mesmo assim me deixa triste saber que ainda não existe uma alternativa qualidade.

        1. Lembro que na época do lançamento do S5, um executivo da Sammy comentou a dificuldade que foi de encontrar empresas para manufaturar o sensor porque a Apple tinha comprado a melhor empresa de sensores biométricos do mercado.
          Fico feliz que não veio nenhum sensor, que prefiro algo que funcione 100% daqui à um ano à algo que funcione parcialmente hoje.

      2. USB 3.1 por uma restrição da tecnologia, ou pela velocidade? Aquele tablet da Nokia usa o conector Tipo-C no padrão USB 2.0. Seria melhor se fosse o mais novo/mais rápido, mas só a comodidade de não ter “lado errado” para inseri-lo já é bastante válida, para mim.

        E, poxa, o sensor biométrico de digitais do S6 é ótimo! Usei só ele durante os meus testes e não tive problema algum.

        1. O USB 3.1 tem maior capacidade de banda e de energia, sendo capaz de entregar 10x mais energia que o USB 3.0, o USB Type-C é apenas o formato da porta/cabo e querer ele apenas porque facilita por o cabo. Sim, de fato seria uma evolução bem-vinda mas seria incompleta. O novo padrão 3.1 é bem promissor e tenta acompanhar o Thunderbolt, mas vejo certa relutância para aderir ao novo padrão.

          Fui procurar uma placa-mãe nova para minha WS, e vi que ainda é bem tímido o número de USB3.1, mesmo ele sendo retrocompatível com as versões anteriores. Ainda nas classes WS, onde acaba sendo as versões mais caras dos mesmos modelos e sempre com as melhores tecnologias.

          1. Reviews mundo à fora. No S5 isso foi alvo de reclamação extensa em todos os sites de tecnolgia. No S6, qualquer um que acompanhou os reviews de diversos países, viu que essa função foi muito elogiada e vi muita gente dizendo que funcionou melhor que no iPhone. Só para deixar claro, essa função específica. Por que o S6, do jeito que a Samsung fez e de tudo que aconteceu não é uma opção.

        1. Não. Agora ele será vendido nas mesma lojas que os outros smartphones.

          Todo aquele processo complicado de compra da 1ª versão, não existirá mais nessa nova.

          1. Pelo que eu vi ainda funciona por convites. Pelo menos foi o que vi em alguns sites.
            De qualquer forma vou aguardar o Nexus 5 que estão comentando esse ano. Ainda acho 5,5″ um pouco demais.

      1. Então, eu não iria para o Moto Play e o Style está muito grande… Isso me incomoda.
        Vou aguardar mesmo o Nexus. Ainda mais com essa história de 3 anos de atualizações que o Google está comentando agora.

  8. Ghedin, o MotoX Pure é a versão MotoX Style só que com Android puro, como o nexus. Lá fora ainda tem o X Style e o Pure que são iguais por dentro mas tem sistemas ligeiramente diferentes.

      1. Erro meu, pelo visto, eu acompanhei apenas o lançamento, e vi no The Verge mesmo eles citando 3 Moto X, mas esqueci que não tinha acabado o Keynote ainda, e depois eles colocaram no Hands-On a explicação do nome!

      1. a diferença de preço é grande assim,
        que impeça o Play de vir com o mesmo processador do Style?
        ou isso é só um posicionamento mercadológico.

        1. Acho que você mesmo respondeu a pergunta :) Ainda que a diferença seja pouca, é preciso criar fatores de diferenciação entre os produtos. O Play já tem a mesma câmera (promissora!) do Style e uma bateria maior; se viesse com o mesmo SoC, correria o risco de canibalizar as vendas do modelo mais caro.

        2. Acho que você mesmo respondeu a pergunta :) Ainda que a diferença seja pouca, é preciso criar fatores de diferenciação entre os produtos. O Play já tem a mesma câmera (promissora!) do Style e uma bateria maior; se viesse com o mesmo SoC, correria o risco de canibalizar as vendas do modelo mais caro.

          1. foi o que imaginei,
            porém, acredito que a tela menor poderia ser diferencial o bastante,
            quem gosta de tela menor iria no Play,
            enfim… Gostei do Play, mas o queria com o outro processador.

    1. Infelizmente a Motorola chegou a um patamar que não consegue fazer milagre. Veja o Xperia M4 Aqua e o Galaxy A7, ambos com SD 615: o primeiro veio com preço sugerido de 1.499, já o segundo, 2.099! E nos textos de lançamento de ambos não lembro de ninguém criticando-os por conta do processador ou do preço.

  9. O que me desanimou no Moto X Style foi a tela de 5.7″, muito grande.

    Seria perfeito se a Motorola lançasse uma variante de 5.2″ com o mesmo hardware (deixa eu sonhar).

  10. Imagino que era mesmo querer demais uma versão Moto X Mini, voltando ao excelente, e na minha opinião ideal, formato físico do primeiro Moto X :(