Se tirar IA e a nova Siri, sobra alguma novidade nos OS 27 da Apple?

Neste ano, ao contrário de 2025, atualizei o meu computador assim que o macOS 27 Golden Gate foi disponibilizado. Os comentários favoráveis no período de testes foram animadores e, no fundo, pensava comigo que o Liquid Glass original, do macOS 26 Tahoe, é tão ruim que não dava para piorar.

Sem surpresa, o visual do macOS 27 é melhor. No sentido estético e de usar: os botões se parecem com botões, há novamente divisórias visíveis nas janelas, os cantos de janelas comicamente arredondados, a barra lateral deixou de flutuar por… sei lá por que ela flutuava.

O Liquid Glass refinado é melhor em relação ao do macOS 26, mas ainda é uma regressão perto do Sequoia, o último macOS da era pré-Liquid Glass. Que, por sua vez, foi o ápice de um processo gradual de degradação iniciado no macOS Yosemite (não sei qual o número), a versão que trouxe o visual “flat” do iOS 7 ao Mac.

O conserto do desastre do Liquid Glass não saiu de graça.

A Apple Intelligence, que era opcional, tornou-se obrigatória. O sistema nem pergunta, só avisa que a instalou e exibe duas ou três telas oferecendo o gerador de imagens e alguma outra bobagem que rejeitei.

Também era esperado, mas dói mesmo assim. Os OS 27 da Apple poderiam ser chamados de OS Siri AI. Tire a nova versão da Siri com “IA” (LLM) e sobra pouco de novidades. E a menos que você fale inglês, viva nos Estados Unidos e passe pela fila virtual (!) para ter acesso, a Siri AI só estará disponível “em breve”. No Brasil, provavelmente em outubro.

Eu nunca usei a Siri no Mac e sempre desativei o recurso, então tanto faz. Estranhei que, mesmo assim, há um processo da Siri, ativo e persistente, consumindo ~300 GB de memória volátil (RAM). A Apple Intelligence, que mal conheço e sinto que permaneceremos estranhos, custa 13,7 GB de espaço de armazenamento, ou 5,7% do meu espaço total (245,1 GB usáveis).

Aliás, anote o caminho tortuoso para não se perder: nos Ajustes, em Tempo de Uso, Conteúdo e Privacidade, Siri, dá para desativar algumas coisas relacionadas à Apple Intelligence, incluindo a integração com o ChatGPT, que tive o desprazer de ver embrenhado no (supostamente) meu sistema operacional. Aqueles 13,7 GB? Mesmo assim, não voltam.

Por que essas opções estão no “Tempo de Uso” (??) e não nas opções da Siri? Opções, aliás, que tiveram o rótulo renomeado; até a versão anterior, era “Apple Intelligence e Siri”. Fica a sensação de que foi ato deliberado para forçar e inflar o uso dessa excrescência.

No watchOS 27, gostei que agora o menu de bolinhas dos aplicativos mostra seis principais e esconde o restante embaixo. E gostei também da nova face de relógio pensada para a Siri AI, mas que permite remover qualquer traço da Siri. Pelo menos uma vez.

O valente iPhone SE foi poupado de muita coisa ruim por ser incapaz de rodar a Apple Intelligence. Fora algumas mudanças cosméticas, ele continua o mesmo após a atualização para o iOS 27. (Isto não é uma reclamação!)

Essa constatação meio que vale para os três sistemas a que tenho acesso. Menos feios, com uma tonelada de coisas que não funcionam e/ou não me interessam, todas envolvendo IA, e alguns gigabytes a menos. E… meio que é só. Acho que criei expectativas exageradas. É só uma atualização sem graça. Vida que segue.

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6 comentários

  1. Por aqui, principalmente no macOS, senti uma diferença positiva na duração da bateria e no desempenho geral do OS. Compartilho a frustração quanto ao processo sempre aberto da Siri e o espaço perdido para a Siri. Ando considerando tirar proveito de morar na UE e reconfigurar o meu Mac com uma conta Apple daqui.

  2. Bem, temos então o Mac OS Brega 2 – AI and Survellance Edition

    Vou ficar para sempre no Mac OS 15, F*** Apple!

  3. Ghedin, o que tem feito você ainda estar no ecossistema(laptop, celular e relógio) da apple?

    1. embora a pergunta tenha sido direcionada ao ghedin, vou me permitir responder também já que eu me encontro numa situação parecida (uso macbook, ipad e iphone, além de assinar o apple one)

      no meu caso, o principal motivo para não migrar de vez para alguma solução baseada em linux ou algo parecido é muito simples: por pior que seja a apple (e é uma empresa desprezível), o sistema simplesmente funciona bem.

      a integração é boa (quase perfeita). Os produtos são bem construídos e bem desenhados (simplesmente não há produtos tão bem desenhados no mundo do software livre, infelizmente). Eles duram bastante tempo (meu macbook anterior durou quase dez anos). No seu conjunto, as coisa funcionam de um jeito que na maior parte do tempo não precisamos nos preocupar sobre como elas funcionam — e se por um lado toda caixa preta é fundamentalmente ruim, por outro ela é bastante confortável.

      em resumo: usar os produtos da apple é se manter dentro de uma zona de conforto (e quem quer sair de uma situação confortável?)

      reconheço que há sérias questões éticas envolvidas nisso, mas é um daqueles casos em que precisamos escolher nossas batalhas e esta é uma frente em que não dá pra se dedicar neste momento. Costumo brincar inclusive que a Apple devia ser estatizada e os seus sistemas deviam ser tornados de domínio público.