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[Review rápido] Kindle Voyage, o e-reader mais caro da Amazon

Kindle Voyage na estante.

Um Kindle é um pequeno dispositivo com tela de E Ink, ou seja, um tipo que não emite luz — e que, portanto, consome pouca energia — destinado à leitura de livros preferencialmente comprados na livraria da sua fabricante, a Amazon. Ao longo dos anos várias versões foram lançadas, todas com pequenos diferenciais, mas mantendo formato e finalidade praticamente intactos. O Kindle Voyage, objeto da análise de hoje, é o modelo mais caro da linha. Ele vale o que custa?

Kindle Voyage, o Kindle gourmet

É o terceiro Kindle avaliado no Manual do Usuário e, *pensa pensa pensa*, bom, perdi as contas de quantos já usei. Sempre há uma ou outra característica que se destaca, mas, em essência, todos, do modelo de entrada até este Voyage, fazem a mesma coisa e muito bem.

Isso se estende a versões anteriores, também. Se você tem um modelo de dois, três anos atrás, provavelmente continua usando ele sem sustos no dia a dia. O Kindle é um gadget utilitário, sem grandes saltos evolutivos entre uma versão e outra, o que lhe garante uma longevidade sem igual em segmentos próximos — leia-se dispositivos com tela e conexão à Internet.

Bookerly, a nova fonte da Amazon exclusiva para o Kindle.

Não me estenderei nas funções e recursos de software, porque elas são mais do mesmo — caso tenha interesse em conhecê-las, leia o review do Kindle Paperwhite (2ª geração). Este modelo tem uma nova fonte padrão, a agradável Bookerly, suporte a hifenização e algumas mexidas na legibilidade do texto — mudanças também presentes no atual Paperwhite. Todo o resto é igual ao que havia no modelo antigo e no básico.

Não é por software que alguém opta pelo Kindle mais caro, é pelos extras no hardware, pelo uso de materiais melhores, pelos mimos mais sofisticados. Na atual linha de e-readers da Amazon, o Voyage se destaca pelos seguintes fatores:

  • Tela de vidro e sem aquele “degrau” (que sempre acumula poeira) em relação às bordas frontais do dispositivo.
  • Ajuste de iluminação automático, similar a qualquer smartphone decente.
  • PagePress, nome pomposo dos botões físicos para passar páginas.

Detalhe no botão do Kindle Voyage.

É estranho que essa última característica seja hoje um ponto diferenciador. Desde o seu lançamento, por anos todo Kindle teve botões. Nas versões mais recentes eles foram substituídos por uma tela que responde a toques, uma tecnologia, na maior parte dos casos, melhor — tarefas como destacar palavras e trechos, navegar por menus e até digitar ficam mais fáceis –, mas que tropeça justamente na ação mais básica quando se lê um livro, que é passar páginas.

Esses botões, a bem da verdade, não são botões mesmo. Eles respondem à pressão e, quando ativados, ligam um pequeno motor vibratório no Kindle — novamente, como smartphones, mas bem mais sutil. Pode-se dizer que é um meio termo, já que embora exista um local fora da tela para “folhear” o e-book, ele carece do feedback tátil que se teria com um botão propriamente dito. É melhor que não ter, mas não é tão bom quanto os botões dos primeiros Kindle…

Marcas de dedos no Kindle Voyage.

O Kindle Voyage é leve e tranquilo de ser usado com uma mão. A única crítica ao corpo do aparelho é na escolha de materiais da Amazon. Atrás, a parte superior usa black *argh* piano e, no restante da área, um material emborrachado que não lida bem com dedos engordurados — marcas aparecem com facilidade. Não é como se eu estivesse pedindo metal ou qualquer material mais nobre; apenas um plástico que não ficasse tão feio com o uso corriqueiro já me deixaria feliz.

Brilho automático no Kindle Voyage.

A tela é ótima. A nova fonte é bonita e agradável, a iluminação é forte e a resolução, que garante 300 PPI na área de 6 polegadas, entrega contornos definidos mesmo quando a tipografia é pequena. A única parte que não funciona muito bem é, ironicamente, uma das poucas exclusividades do Kindle Voyage: o ajuste automático de brilho. Em situações extremas ele responde conforme o esperado, mas à meia-luz (energia elétrica tá cara, né?), acaba se perdendo, ou exagerando, ou economizando muito no nível de brilho. Usei o Kindle Voyage na maior parte do tempo com esse ajuste feito manualmente.

A bateria segue o padrão, ou seja, dura bastante e ainda dá para usar um tanto depois que o sistema avisa que ela está acabando e precisa ser recarregada. O Kindle Voyage só tem conexão Wi-Fi; se 3G for importante, sua única opção é o Paperwhite mais caro.

Vale a pena?

Kindle Voyage contra uma parede iluminada.

A Amazon mantém a dianteira no mercado de e-books não por acaso. Seu ecossistema continua fantástico, a oferta de e-books é enorme e tudo simplesmente funciona. A família Kindle começa em R$ 299 (com frequência, em promoções, nos R$ 199) e mesmo o modelo básico já proporciona uma experiência muito boa. Todo esse carinho com o consumidor menos abastado tem um efeito colateral: torna difícil justificar a compra do topo de linha, o Kindle Voyage, que custa salgados R$ 899.

Mas o “pior” nem é o Kindle de entrada, é o modelo intermediário. Por quase metade do valor do Voyage, R$ 479, o Kindle Paperwhite perde os controversos botões de pressão e o instável brilho automático, mas mantém a mesma tela (iluminada e de alta resolução) e vem com o mesmo software. Ele é um pouco mais pesado e mais grosso, mas são diferenças que só alguém muito atento, e tendo os dois aparelhos ao mesmo, tempo consegue notar. É o melhor negócio para quem quer um Kindle hoje, sem qualquer resquício de dúvida.

O Kindle Voyage não tem motivos para decepcionar um eventual comprador, a não ser o possível arrependimento por não ter comprado o Kindle Paperwhite, que é tão bom quanto e tem um custo-benefício mais interessante. Mas se você faz questão do melhor e quer o melhor que a Amazon fabrica hoje, eu te invejo não tem como errar com o Kindle Voyage: ele é sensacional.

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Comprando pelo link acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

Revisão do texto por Guilherme Teixeira.

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24 comentários

  1. Opa! Passei só pra dar um alô! Com essa história de voltar a blogar, quase não venho mais aqui! Lá em casa temos um Paperwhite. Vou ler o post agora e ver se há algo de muito diferente. Abração, Ghedin!

  2. Adquiri o Paperwhite de terceira geração recentemente. Fiquei com receio de estar perdendo algo ao não optar pelo Voyage… agora estou aliviado por saber que não perdi tanto assim.
    A única coisa que estranho, talvez por ser novo no mundo dos e-reader, é o toque da tela e-ink ~ é estranho, acho que me daria melhor com o vidro.

    No mais queria uma recomendação. A capa pro Kindle Paperwhite é um acessório útil pra quem o carrega na mochila em compartimento para laptop ou mesmo ao lado de livros (sem espirais)? Achei bonita, porém cara… mais da metade do preço do aparelho que peguei em promoção.

    1. A tecnologia de reconhecimento de toques é diferente, ela usa infravermelho para detectá-los. Logo, a sensação é “estranha” em todos os modelos. Aqui tem uma breve explicação: http://qr.ae/RHXMgE

      Eu indico a capa mais para proteção em trânsito, especialmente se carrega mais coisas na mochila. E embora a oficial da Amazon seja boa, ela é obscenamente cara. Eu não tenho nenhuma para indicar de pronto, mas vale a pena fazer uma pesquisa e comprar uma boa genérica. Sairá mais em conta.

  3. Não troco meu Kindle basicão por nada no mundo. Primeiro que os botões são totalmente necessários pra mim.
    E não vejo nenhuma necessidade de retroiluminação, na verdade acho até que estraga a experiência do Kindle que é o extremo conforto da leitura sem luz e reflexo.

      1. Sem a leitura a noite, não tem graça. Outra vantagem é quando se está em algum veiculo e este passa por ambientes escuros e claros e mesmo assim a leitura não é interrompida por causa dessa adaptação com as variações de luz.

        1. Quanto tempo dura a bateria do paperwhite? a do meu basicão dura MUITO. Queria esse ‘plus’ da iluminação mas fico receoso em perder a questão da duração de bateria.

      2. Não linkei a luz com o reflexo, só citei como uma característica do Kindle, mas ficou mal formulada minha frase mesmo hsauhashusah

    1. Reforço o que os amigos aí embaixo disseram: o básico é bem competente, mas o Paperwhite é melhor. A luz faz diferença (curiosamente, mais em ambientes iluminados do que no escuro), acrescenta à, não estraga a experiência, e a resolução mais alta da tela também é bem-vinda.

      1. Eu testei um e não curti muito, prefiro sem iluminação. Até por que tenho miopia e tenho de ler mais de perto, a luz me incomoda mais shauhasuhsau

      2. Eu testei um e não curti muito, prefiro sem iluminação. Até por que tenho miopia e tenho de ler mais de perto, a luz me incomoda mais shauhasuhsau

    2. puts, também adoro o meu (principalmente os botões), mas a luz já me fez falta ein.. fico receoso com o ppw com relação a bateria e com a experiência (odeio ler no iPad por exemplo). Me fala uma coisa: o meu com 2 anos e meio já apresenta uma bateria rendendo uns 50% do que rendia antigamente, já aconteceu com algum de vcs? tem como trocar?

      1. Bah cara, o meu tem 2 anos e rende igual ainda.
        Tenta ligar na Amazon, o suporte deles é ótimo no Brasil também. Duas semanas depois que eu comprei, apareceu uma mancha na parte de baixo da tela que não mudava(em cima continuava normal), liguei e me enviaram um novo em 3 dias, nem pediram o antigo.

      2. Acabei de ter um problema e não dá pra trocar a bateria do Kindle. O máximo que fazem é conceder um desconto. Vou ter que aposentar o meu, mas pelo menos facilitam a compra de um novo. Eu queria mesmo era que tivesse durado mais, por 3 anos é pouco tempo.

  4. Não tenho nenhum e-reader ainda, mas estou morrendo de vontade de comprar um. Qual dos 3 Kindles vcs comprariam HOJE?

    1. Sem dúvidas o paperwhite. Se vc não puder gastar muito o modelo básico tem um custo/benefício sem igual. Mas vale a pena pagar mais pelo ppw. Certamente v vai se deparar com uma situação em que a luz interna fará diferença.

      1. Rafael, bom dia. Quais formatos de livro eu consigo ler no Kindle? Somente da loja da Amazon? Se eu tiver um pdf ou um ebook em outro formato dá pra ler nele?

      2. Rafael, bom dia. Quais formatos de livro eu consigo ler no Kindle? Somente da loja da Amazon? Se eu tiver um pdf ou um ebook em outro formato dá pra ler nele?

  5. Tenho um paperwhite que comprei no ano passado e ele desempenha bem as suas funções até hoje, é como vc disse no texto não há grandes saltos evolutivos em relações as versões anteriores apenas umas “features” a mais pra encarecer o produto, mas a ideia do botão físico pra passar de página é um ponto positivo

  6. Aproveitei as promoções recentes para trocar meu Kindle anterior pelo Kindle básico 2014 (Sdds botões). Hoje ele fez uma atualização que incluía melhorias como a nova fonte Bookerly. Infelizmente botões não estavam inclusos.
    p.s.: Sinto falta dos botões…

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