IrfanView, o melhor app para ver imagens no Windows

Print do IrfanView no Windows 8, com uma foto do céu com nuvens aberta.

Minha barra de tarefas no notebook tem três ícones fixos: Windows Explorer, navegador padrão e um que, reza a lenda, é um gato vermelho atropelado na estrada. Esse último é o indefectível ícone do IrfanView, um simpático visualizador de imagens para Windows.

Não lembro quando exatamente descobri o IrfanView, só me recordo vivamente de ter simpatizado com o app logo de cara. Sua função, pelo menos superficialmente, é simples e limitada: abrir imagens. Fosse só isso ele já seria sensacional: é difícil surgir um formato que o IrfanView seja incapaz de lidar e, mesmo nesses casos, geralmente um plugin resolve a incompatibilidade.

Só que ele faz muito mais que isso.

Fruto do trabalho de um homem só, o bósnio Irfan Skiljan, o IrfanView (daí o nome) expandiu sua área de atuação ao longo de quase duas décadas de desenvolvimento ativo. Hoje, em meio a interfaces animadas e softwares cada vez mais pesados, segue fiel às premissas iniciais. É um app rápido, confiável e que faz muito mais além de abrir imagens. Um exemplo que, com este post, homenageio e agradeço os anos de companhia e bons serviços prestados. E aproveito para apresentá-lo a quem, por acaso, ainda não o conheça.

Quem precisa de Photoshop quando se tem o IrfanView?

Um monte de ícones do IrfanView.
Montagem: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

Ainda que não tenha a pretensão de ser um editor de imagens completo, o IrfanView oferece, através de menus e dezenas de teclas de atalho no teclado, recursos simples do tipo.

Para quem apenas arranha a superfície do Photoshop, talvez esses recursos limitados do IrfanView bastem. Para mim, em grande parte das situações, eles são suficientes.

Mesmo usando-o há anos, eu ainda não me aventurei por todos os cantos do IrfanView. Alguns comandos, porém, são sempre usados por aqui e já foram incorporados no meu dia a dia.

Os favoritos da casa:

  • Com um Shift + G abro uma caixa de diálogo para fazer ajustes no brilho, contraste, saturação e correção gama.
  • Uma foto levemente borrada pode ser salva com um Shift + S (sharpen).
  • Rotacionar imagens é bem simples, basta usar as teclas R (à direita) e L (à esquerda).
  • O mesmo vale para o redimensionamento, acessível via Ctrl + R.
  • Com o mouse, posso selecionar partes da imagem e fazer recortes simples.
  • As teclas “mais” e “menos” dão/tiram zoom e com um Shift + O volto ela à proporção 1:1.
  • A tecla S salva uma nova imagem; Ctrl + S salva a mesma imagem com o mesmo nome.

Existem outros comandos, outras funções que dependendo do seu estilo de trabalho podem ser úteis — inserção de marca d’água, espelhamento, correção de cores, filtros de imagem e até ferramentas de desenho (F12). Atalhos comuns a aplicativos Windows, como Ctrl + Z/Y para desfazer/refazer e Ctrl + X/C/V para recortar/copiar/colar também funcionam. Os menus são bem organizamos e quase toda ação que afeta a imagem tem uma combinação de teclas correspondente. Dominá-las significa trabalhar com mais agilidade.

Em paralelo ao app principal, o IrfanView vem com um editor de imagens em lote. Selecione a pasta ou as imagens, aperte B para abrir a tela de configurações, defina os parâmetros que quer alterar em massa (tamanho, formato, nome dos arquivos), selecione as imagens e deixe o computador trabalhando. Economiza muito tempo.

Apreço pela eficiência

Foto de Irfan Skiljan. Homem branco, com a mão esquerda no queixo, vestindo camisa azul, amarela e vermelha.
Foto: Arquivo pessoal.

O monte de coisas que o IrfanView faz, e não é pouco, consome poucos recursos do computador e mesmo em configurações modestas não toma tanto tempo. Irfan, o criador e mantenedor do IrfanView, é um aficionado por eficiência.

Em um papo que tivemos por email, perguntei a ele como o IrfanView consegue ser tão ágil e, ao mesmo tempo, ganhar novos recursos versão após versão. Sua resposta:

“Tenho a minha própria filosofia sobre como um software deve ser… Também gosto de programas pequenos e estáveis. A ideia é não adicionar todos os recursos possíveis. (…) E quando novos recursos são acrescentados, eles devem ser compactos e o código, otimizado. A maioria dos desenvolvedores e empresas não se preocupa mais com coisas do tipo, é triste.”

Irfan trabalha exclusivamente no IrfanView, eventualmente dividindo sua atenção com alguns projetos em outras empresas. Ele vive na Áustria desde 1992, para onde foi refugiado da Guerra da Bósnia, e estudou computação na Universidade de Tecnologia de Viena.

Foi durante a graduação, três anos depois de mudar de país, que a necessidade de um pequeno visualizador de imagens em JPG o levou a criar o embrião do IrfanView. Seus colegas gostaram e deles veio o incentivo para aperfeiçoá-lo. Dali em diante o app cresceu — apenas em fartura de recursos, já que até hoje ele continua enxuto, com um instalador de menos de 2 MB.

Janela de 'Sobre' do IrfanView.
Imagem: Manual do Usuário.

Mesmo após todos esses anos, o IrfanView continua recebendo atualizações regulares. Durante a trajetória do seu app, Irfan teve que lidar com copiadores, um grande problema nos primeiros anos — segundo ele, o IrfanView e o ACDSee eram “inspirações” para muitos clones pagos que lucravam às custas do seu trabalho — e acompanhar a evolução do Windows. Era uma época diferente, em que o sistema da Microsoft era a coisa mais popular da tecnologia de consumo. Com o tempo os clones sumiram.

Nesse ponto perguntei a ele se um IrfanView moderno, para o Windows 8, estava nos planos:

“Um novo design? Talvez algum dia, nunca fui muito fã de hypes ou interfaces ‘descoladas’… Um programa precisa ser pequeno, rápido, confiável e fácil de usar, ‘visual legal’ não é importante para mim. O que conta mais é o que está dentro, da mesma forma que para pessoas.”

Ele prefere a usabilidade do Windows XP e não acha o “visual m(r)etro” (rá!) do Windows 8 muito moderno.

O IrfanView é gratuito e uma prova de que a negligenciada arte da otimização é capaz de produzir bons frutos — disputar as primeiras posições de listas de apps mais baixados da semana, como a da Cnet, e figurar a de apps para Windows imprescindíveis em 2013 no The Verge são alguns reconhecimentos desse empenho.

Hoje vemos apps para celular, antes focados e otimizados por limitações das plataformas móveis, crescerem não no melhor sentido da palavra, virando bloatwares. Fazendo um contraponto a essa cultura quase cíclica, este pequeno visualizador de imagens, feio e com um ícone esquisito, segue pequeno e ágil. Acho que dá para tirar algumas boas lições disso.

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15 comentários

  1. De aplicativos que eram leves e viraram bloatwares o que mais lembro é o Nero, até a versão 8 tinha uma versão bem levinha.

    Até hoje ainda uso o Nero 8, é de 2007. Não tem melhor ... impressionante isso.

  2. Tornou-se indispensável a partir do Vista, quando o visualizador de imagens padrão do sistema deixou de exibir as animações dos gifs.

    No entanto, estava aqui a fazer comparações entre ele e outro bom concorrente, o XnView. Ambos são idênticos e compartilham da grande maioria de facilidades e funcionalidades. Só não me lembro exatamente o fator que desempatou a disputa e me fez escolher o XnView.

    Acho que foi algo mínimo, como o fato de poder customizar os atalhos de teclas e botões do mouse de maneira mais prática e parecida com o antigo visualizador de fax do XP.

    Mas ainda tenho o Irfan portable presente.

  3. Eu já substitui inúmeros programas mas o Irfan continua sendo o intocável. Conheci através de um amigo há anos e anos atrás e foi paixão a primeira vista.

  4. O ACDSee em suas primeiras versões era excelente, o IrfanView eu cheguei a usar na época em que você (Ghedin) indicou no Winajuda, mas não gostei dele e continuei usando o ACDSee até ele ficar pesadão. Depois do Vista eu passei a usar o visualizador de imagens padrão do Windows e realmente tenho notado a lerdeza na abertura de algumas imagens apesar dos 8Gb de RAM e dos quad-cores...

    1. Antes tinha o Picaview. Acho que o ACDSee comprou ele, mas não tenho bem certeza. Também era um simples e ótimo software.

  5. Top. Uso desde o Windows 95.... Não há coisa melhor. Fora as opções de batch q quebram um galhão.

    Seguramente o app q mais sinto falta no mac

  6. Já usei por um bom tempo o IrfanView, mas hoje eu gosto e uso o Picasa. Igualmente rápido, porém bem bonito e conta com opções legais de edição de imagens. Apesar o instalador de uns 30 megas, ele é muito rápido.

    1. Engraçado, eu estou fazendo o contrário, venho usando o Picasa tem um bom tempo como visualizado, mas sempre me falta umas opções de edição (rotacionar imagens, diminuir tamanho, coisa simples)... se tem eu nunca achei.

      Eu já conhecia o IrfanView, mas nunca o usei a fundo, estou instalando e testando para ver se deixo o Picasa de lado.

      Mas vou dizer o IrfanView é meio complicado comparado a usabilidade do Picasa viu, principalmente na questão de configurações.

      Sério, mudei duas coisas irritantes que eu já estava acostumado em outros programas.

      1) botão direito ele não mostra o menu de opções (contexto) tem que ser configurado para 2) scroll do mouse não da zoom, tem que ser ctrl + scroll, chato isso

      Vamos ver se me acostumo.

      1. Deve ser questão de costume sim, Saulo. Para você ter ideia: eu nem sabia que o botão direito não funcionava! Sobre o zoom, prefiro selecionar uma área com o mouse e clicar em cima dela, ou quando quero dar zoom na imagem inteira, usar o teclado -- Ctrl + "Mais" (+) ou "Menos" (-).

        Recomendo fortemente aprender as teclas de atalho. Elas economizam um tempo precioso depois de incorporadas.

  7. Em defesa aos programadores mobile, é necessário utilizar muitos códigos de terceiros e APIs que dificultam otimizações. Acredito que, por isso mesmo, aplicações como o IrfanView serão cada vez mais raras senão impossíveis de construir. Fora isso, admiro essa premissa do Irfan que anda em baixa devido a avanço do hardware.

    Só discordo sobre interfaces, acredito que elas fazem parte de uma boa experiência de uso.

  8. Nossa secretária chama ele carinhosamente de "O programa do gato esmagado". O IrfanView é excepcional. É um daqueles softwares simples, leve, grátis e prático que faz o que tem que fazer e ainda faz melhor do que aquele que vem com o sistema operacional. Por exemplo, no Visualizador de Imagens do Windows às vezes demora quase 10 segundos pra abrir uma imagem e o IrfanView abre em 0.5 segundos! Tem outros softwares com a mesma filosofia que vale a pena conhecer.