Palco da coletiva de imprensa da Samsung, na IFA 2016.

IFA 2016: As coletivas de imprensa que antecedem a feira


2/9/16 às 8h59

Como bem sabemos, 31 de agosto de 2016 não foi um dia fácil no Brasil. Longe, em uma ensolarada Berlim, ele não foi exatamente difícil, porém bastante longo. Como ocorre em todo grande evento de tecnologia, os dias que antecedem a abertura da IFA, maior feira de tecnologia da Europa, foram preenchidos por coletivas de imprensa. O dia 31 foi marcado por coletivas espalhadas pela cidade; no dia seguinte, tivemos uma atrás da outra, todas já no local onde que acontece a IFA, o Messe Berlim.

A feira abre oficialmente hoje (2/9) e vai até o dia 7, mas as maiores novidades preparadas pelas empresas participantes já foram reveladas através daquelas coletivas e por visitas aos estandes, que também serviram de palco nas apresentações aos jornalistas. O Manual do Usuário participou de várias delas, transitou pelos espaços da IFA antes da sua abertura ao público e traz, agora, os principais destaques da feira.

Desventuras em Berlim

O primeiro evento, da Asus, estava marcado para meio-dia. Transporte é um lance meio caro para quem ganha em reais e vem para a Europa gastar em euro. Como fico uma semana, resolvi investir em um passe de sete dias para as áreas A e B, o que normalmente cobre a IFA e inclui o Messe. Então, gastei € 30 para ficar tranquila em relação a isso.

Com ajuda do CityMapper, o melhor app de mobilidade urbana, cheguei próximo ao local do evento em pouco mais de 20 minutos. Porém, do outro lado de uma quantidade intransponível de trilhos de trem…

Trilhos de Berlim.

O jeito foi consultar o bom e velho Google Maps e procurar outro caminho.

Diferente de outras cidades da Europa que dão o cartão para seus usuários de transporte público digitalmente, tipo o Oyster de Londres, Berlim ainda usa papel. E daí o que acontece quando um papel cai? Bem, ele voa. Aparentemente foi o que aconteceu com meu caro passe semanal. Quem manda guardar um pepel valioso desses no bolso da calça, né?

Quando cheguei de volta à estação, o trem certo já estava na plataforma, logo, entrei na cara e na coragem, sem passe algum. Em Berlim, as estações não têm catraca: é preciso apenas carimbar o papel em uns totens. Como já estava atrasada, entrei sem passe mesmo. Por vezes aparece um fiscal para conferir quem tem bilhete, mas depois de um golpe de azar desses envolvendo mais de R$ 100, resolvi arriscar a sorte. Deu certo. No segundo dia não teria dado: logo que entrei no trem, um fiscal apareceu pedindo os passes. Precavida, já tinha adquirido outro, de modo que não tive nenhum problema no transporte público berlinense.

No caminho certo para o local do evento da Asus, encontrei saindo de um táxi o Fabrício Vitorino, editor do TechTudo e companheiro de várias coberturas. Outra sorte, visto que eu estava com um chip de operadora para lhe entregar. Esse é outro ponto importante da cobertura de grandes feiras de tecnologia: é praticamente impossível ficar sem dados. Até tem Wi-Fi nos eventos a que vamos e nas salas de imprensa, mas não são confiáveis — a conexão vive caindo e por vezes está saturada de dispositivos. Em todas, sem exceção; não importa o tamanho da empresa nem mesmo o país ou continente. Está aí um mistério a ser desvendado: por que raios ninguém consegue fazer uma rede sem fio para uma grande quantidades de pessoas funcionar de verdade em eventos de tecnologia?

Dia 1: Asus, Samsung e Lenovo

A Asus, não é de agora, preza muito pela beleza dos seus produtos e adora falar em “luxo”. A empresa taiwanesa fez alguns anúncios bem legais como novos computadores já com a sétima geração do Intel Core i7, codinome “Kaby Lake”, os modelos Transformer 3 e Transformer 3 Pro, e preparou uma linha de acessórios para esses 2-em-1: dock com entradas extras, caneta stylus, caixa de som e até uma unidade para aumentar o desempenho nos games com a grife da Republic of Gamers (RoG), a marca gamer da Asus.

Close do smartwatch ZenWatch 3, da Asus.

O destaque, porém, foi o ZenWatch 3, o relógio inteligente com Android Wear que finalmente ficou redondo e ganhou botões extras na lateral. Bonito nas três cores disponíveis, ouro rosado, prata e chumbo, o ZenWatch 3 chegou ao nível dos concorrentes. Falta saber se chegará ao Brasil também. Na Europa, ele custará € 229, o que daria us R$ 900 reais na conversão simples. Parece factível.

Notei também que a inspiração na Apple está ficando cada vez mais visível nas apresentações da Asus. O novo tablet, ZenPad 3S 10, lembra bastante um iPad, enquanto o ZenBook 3 é praticamente igual ao MacBook Air, mas vem em cores bem diferentes: azul royal, ouro rosado e verde quartz. De original, mesmo, só a ZenScreen, uma tela portátil que… bem, é um produto bastante de nicho.

O bonito ZenBook 3.

A intrigante ZenScreen.

Primeira empresa a fazer anúncios para a IFA, a Asus foi bem legal com os jornalistas. Não só abasteceu o estômago da imprensa, como deu, na saída do evento, uma sacola cheia de lanches. Temos fama de esfomeados, mas a verdade é que em eventos como esse quase não sobra tempo para comer, então toda ajuda é bem-vinda!

Perto das 15h, seguimos para o Tempodrom, o templo do relógio inteligente da Samsung. Gigante da tecnologia, a Samsung adora um show e com o lançamento do Gear S3 não foi diferente. Muitas projeções e música alta para fazer o público desviar os olhos de seus smartphones e prestar atenção ao palco.

Os dois modelos do Gear S3 no braço.

O Gear S3 é na verdade uma atualização do Gear S2: tem tela um pouco maior, com 1,3 polegadas, GPS embutido e compatibilidade com pulseiras tradicionais de relógios de 22 mm, o que expande as possibilidades de customização. O Tizen, sistema que equipa o Gear S3, ganhou novos recursos, passou a usar a moldura giratória da caixa para mais funções, mas ainda não é compatível com iOS — só conversa com smartphones Android 4.4.4 em diante. Uma versão é chamada de Classic e a outra, mais esportiva, de Frontier, sendo que essa segunda pode ter chip de operadora, como já ocorria no Gear S2.

Final de tarde em pleno verão na Europa poderia ser sinônimo de happy hour, mas não nesta semana. No nosso caso, foi um evento da Lenovo — para o qual eu não estava credenciada. O jeito foi dar aquele carão que todo mundo dá quando não consegue credenciamento e dizer que estava sim, mas que algo de errado aconteceu… A sorte me ajudou outra vez! O credenciamento antecipado é mais para organizar do que para barrar quem fica de fora.

O novo Moto Z Play.

Separando jornalistas por grupos de cores no crachá, a Lenovo mostrou o Moto Z Play, tão parecido com o Moto Z tradicional que a promotora teve que me apontar as diferenças visuais do aparelho (o Moto Z Play é um pouco mais espesso, traz o conector de fones de ouvido de 3,5 mm e tem os conectores para Moto Snaps mais visíveis), um novo Moto Snap para fotografar feito em parceria com a Hasselblad, dois computadores, o MIIX 510 e Yoga 910, e os tablets Yoga Tab 3 Plus e Yoga Book. Foi esse último que brilhou no evento, com jornalistas empilhados nas zonas de demonstração para darem uma olhada.

Yoga Book com seu teclado aberto.

Parece que finalmente alguém conseguiu criar um tablet realmente diferente e, ao mesmo tempo, interessante. O grande destaque do Yoga Book é o teclado, chamado HALO, que na verdade é semelhante a uma tablet de desenhar, ou mesmo a uma tela. Ele funciona como uma espécie de teclado virtual, mas também como uma superfície mutável, onde é possível desenhar ou mesmo escrever suas anotações.

Se você coloca um papel em cima dessa parte do tablet, tudo que escrever nele vai direto para a tela com ajuda de aplicativos. Para que funcione, ele conta com uma caneta que escreve no papel (!) e é identificada pela superfície ao mesmo tempo, como se houvesse uma folha de carbono embaixo, uma que digitaliza o que é rabiscado. Não bastasse isso, o Yoga Book também é bonito, leve e fino. Ele tem versões com Windows 10 ou Android 6. Só faltou uma com iOS, o que é totalmente improvável, porém algo que seria bem interessante.

Folha de papel com texto escrito e replicado na tela do Yoga Book.

Dia 2: Samsung, Philips e Sony

O saldo do primeiro dia foi pesado: 12 horas de trabalho. Pelo menos vimos produtos bem legais. O mesmo não posso dizer do segundo dia, que começou com uma conferência da Samsung sem muitas novidades.

A IFA é uma feira voltada para a Europa. Muitos dos produtos apresentados aqui são, sim, bem legais, mas passam tão longe do mercado brasileiro que acabam não chamando tanto a nossa atenção. A máquina de lavar inteligente AddWash e a geladeira com tela sensível ao toque Family Hub, por exemplo, foram atualizadas, mas não chegarão ao Brasil. Teve também um papo sobre pontos quânticos em TVs, assunto que não é lá muito novo se pensarmos globalmente. Uma informação interessante, porém, é de que a Samsung investe € 30 milhões por dia em pesquisa e desenvolvimento.

Saindo da Samsung, segui para a Philips, que é literalmente do outro do lado do Messe. Àquela altura, ainda parecia mais um canteiro de obras. O segundo dia de coletiva foi daqueles em que uma coletiva emenda na outra e você nem respira, só corre. Cheguei faltando um minuto para a apresentação começar.

TV OLED com Ambilight, da Philips.

Para os brasileiros, o grande destaque da Philips são sempre as TVs, que ficam para o final da apresentação. Já adianto que a surpresa não foi tão surpreendente: OLED, que grande parte dos concorrentes já oferece, mas com Ambilight, aquela tecnologia de iluminação que expande as cores da tela para a parede. Eu gosto, é bonito, mas não é algo exatamente novo.

Teve mais iluminação e teve também vários conjuntos de produtos voltados à saúde: monitoramento de atividade física, de sono e para bebês — ou melhor, para os pais, no caso. No entanto, o destaque curioso dessa área foi um barbeador para millennials (palavras do apresentador) chamado OneBlade. Segundo a empresa, ele é voltado para jovens homens que gostam de cuidar bem da sua barba e/ou bigode. E esse é só um dos produtos estranhos que devem aparecer na IFA. Toda feira tem vários deles, são um (freak)show à parte.

Era a vez da Sony. Bruno Martinez, queridão do ShowMeTech, guardou um lugar para mim na primeira fila. Novamente, não vimos muitas novidades. Em vez disso, várias atualizações na linha de áudio, inclusive uma “série ilimitada” da renovada família Walkman de áudio de alta fidelidade, e versões mais prontas de protótipos apresentados em outras feiras, como o Xperia Project, um projetor que transforma qualquer superfície em “tela sensível ao toque”, e o Xperia Agent, um simpático assistente pessoal que no estande da Sony estava dando comandos para a cafeteria fazer café. O Xperia Ear, conceito no passado, virou produto comercial e deve chegar em breve ao mercado para concorrer com fones como o Moto Hint e Gear IconX, visto que tem a mesma função.

Xperia XZ na mão.

A Sony foi a única, entre as fabricantes que atuam forte no Brasil, a mostrar um topo de linha na área que o povo mais gosta, a de smartphones. Outras marcas como HTC, ZTE e Huawei lançaram novos aparelhos, mas como muito provavelmente não veremos esses aparelhos no Brasil, ignoramos as coletivas. A Samsung, que até 2014 tinha na IFA o palco para apresentar o Galaxy Note do ano, neste preferiu se antecipar e lançar o Galaxy Note 7 em evento próprio, como já havia feito ano passado com o Note 5. Ela e outras fabricantes têm deixado de lado eventos plurais como a IFA para fazerem barulho sozinhas, em apresentações menores e exclusivas.

A Sony ainda não faz isso. A novidade dela para a IFA é um topo de linha, o Xperia XZ. Ele traz um novo design, chamado de Loop (e que entrega uma boa pegada), e traz uma câmera renovada com a promessa de fazer fotos sensacionais. Além desse, também tivemos o Xperia X Compact, parecido em design, porém menor (4,6 polegadas), com acabamento simples e um SoC Snapdragon 650 — o Xperia XZ vem com um 820, o mais rápido que a Qualcomm oferece.

Em ambos, o que chama a atenção é a câmera de 23 megapixels com sensor triplo. Além do sensor do Exmor RS, dois outros foram adicionados. Segundo a própria Sony, essa tecnologia é composta pelo sensor original com o autofoco híbrido preditivo, sensor de foco a laser capaz de detectar, em condições de pouca luz, a distância do objeto a ser fotografado e, por fim, o sensor RGBC-IR, que permite reproduzir “de forma mais real as cores graças a tecnologia de detecção de cores que ajusta com precisão a exposição de cores brancas com base na fonte de luz do ambiente”.

Em uma breve conversa com Joe Takata, do marketing global da Sony, descobrimos que os novos Xperia ainda não têm preço nem previsão de lançamento no Brasil. Porém, se a tradição japonesa em território nacional for mantida, eles devem pintar aqui sim, talvez posicionados como produtos premium (leia-se: bem caros). Verdade seja dita, porém: os aparelhos estão bonitos e as cores são lindas. Nada de rosa dourado: azul bebê, branco e prata no Xperia X Compact; prata, grafite e um estonteante azul floresta no Xperia XZ.

Tendências na IFA 2016

Esse azul meio marinho do Xperia XZ, minha cor preferida, é tendência entre gadgets da próxima estação — o brasileiro Quantum Fly, anunciado quarta-feira (31/8), tem uma variante nessa cor. Por ora, essa é a única tendência mais palpável vinda da IFA. Sobre o que será em termos de inovação, ainda é cedo para dizer. As principais marcas decepcionaram um pouco em apresentar produtos diferentes nesses dois dias. Há muita interação, muita evolução; pouca revolução. Porém, com o tanto estande para visitar nos próximos dias, é provável que algo que faça nossos olhos brilharem apareça.

Esses dois dias de coletiva são exatamente isso: correria e uma enxurrada de informações. É com os portões abertos, estandes organizados e promotores sedentos para nos contar as novidades que poderemos ter uma visão melhor da IFA 2016.

O dia ainda estava no meio quando terminou a conferência da Sony. A partir daí rolou um Bratwurst (basicamente um cachorro-quente) com salada de batata e coleslaw, Wi-Fi caíndo na sala de imprensa e, é claro, ShowStoppers, evento que mistura pequenas empresas com comida e bebida, mas que será assunto para outro dia.


Emily estava de passagem pela Europa quando resolveu fazer uma parada na Alemanha para cobrir a IFA e curtir uma sonzera:

Emily manuseando uma boombox e fazendo pose de rapper.

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8 comentários

  1. A parte mais legal dos artigos sobre as feiras que vocês acompanham é exatamente a quebra da magia e as dificuldades que enfrentam. Claro que as novidades e notícias valem, mas vocês colocam um diferencial que faz valer a leitura de vocês sempre.

    Continuem com o trabalho.

    Ah, uma dúvida, você foram por conta, certo? Se realmente espero que a ajuda dos assinantes esteja ajudando e acho que vale ressaltar isso para que a galera que veja a diferença d trabalho de vocês e não é assinante possa entender ainda mais o valor da assinatura.

    Abraços.