Hands-on do LG G6 e uma breve análise


26/4/17 às 18h50

Eu pensei em três formas de começar esse texto com as minhas primeiras impressões sobre o aparelho porque ainda estou espantada com a decisão da LG de trazer o G6 a R$ 4.000. Como diz o bordão: LG, me ajuda a te ajudar.

Vamos a elas: 1) Tudo é uma questão de perspectiva: se em Barcelona, na MWC, antes do lançamento do S8, a volta ao básico da LG parecia promissora, agora ela parece um tanto quanto desconectada de uma realidade em que smartphone premium é objeto de desejo. 2) O fracasso do G5 parece não ter abalado a autoestima da LG, que anunciou a chegada do sucessor G6 por R$ 4 mil. 3) De todos os equívocos que uma fabricante pode cometer, o posicionamento de mercado parece ser o pior deles. Mas, voltando às primeiras impressões, vamos a elas.

Viciada em lançamentos que sou, dei meu jeito e tive a oportunidade de ver o lançamento do LG G6 de perto, em Barcelona, na Espanha, durante a MWC 2017. Depois do G5, equívoco que até os executivos internacionais e brasileiros como a Bárbara Toscano — gerente de Marketing — e Marcelo Perin — vice-presidente de Vendas — reconhecem abertamente (o que eu, particularmente, acho ótimo, pois trata a imprensa especializada com o respeito que ela merece), eu estava curiosíssima para saber o que viria. Já tive a oportunidade de testar um G3 e um G4 no passado e gostava da aparelho apesar de sempre implicar com as interfaces sul-coreanas. Até aprendi a usar o botão traseiro e seus recursos criativos. Nesse sentido, o G5 foi frustrante, especialmente depois do lançamento de um modelo muito mais bem resolvido de celular com módulos pela Motorola — tudo é uma questão de perspectiva, lembram? De certa forma, pós-evento, o G6 me deu esperanças de termos um 2017 interessante.

Primeiro, porque a LG reconheceu que errou e foi atrás de corrigir os próprios erros escutando o consumidor. Depois, porque fez testes de ergonomia, uma preocupação que no que meu ponto de vista deveria ser crescente entre as fabricantes — eu, uma mulher de mão grande, tenho dificuldades de usar grande parte dos smartphones com uma mão só e, ei, nós somos metade do mundo, sabiam? Por fim, investiu em um design mais elegante, feito de alumínio e vidro, que foge de cores estranhas e materiais de gosto duvidoso e fica apenas com o prata e o preto, ou Platinum e Astro Black.

Um dos acertos do G6 é a proporção 18:9, a tal tela de 5,7 polegadas num chassi de 5,2 polegadas. De fato, a pegada melhora muito, especialmente se levarmos em conta o G4. O G6 também tem a traseira levemente curvada nas bordas, o que facilita o encaixe nas mãos. Um erro, porém, — e que talvez pudesse contar a favor diante da concorrência se fosse um acerto– é o leitor de impressão digital na traseira. Ainda que ele seja mais para baixo do que no Galaxy S8, por exemplo, e que sirva de botão de liga e desliga e bloqueio, não há melhor local para um leitor de impressão digital do que na parte frontal do aparelho e tenho dito. É claro que no meio da traseira é melhor do que do lado da câmera, na mesma altura da lente, mas não resolve totalmente o problema.

Outro acerto, especialmente considerando o timming, é a bateria, que vem com 3.230 mAh, pouco, mas ainda assim mais que os concorrentes e do que a versão anterior. Isso sem falar numa inovação própria que, segundo a LG, faz com que o dispositivo resista aos mais avançados testes com alta temperatura — eles não fizeram a referência, mas todo mundo aqui lembrou do Note 7. Essa tecnologia é responsável por dissipar o calor por meio de uma tubulação interna, dispersando não só a temperatura, mas deixando os componentes com maior probabilidade de superaquecimento bem distantes uns dos outros. Boa, LG!

O processador é uma evolução do G5, e muito embora não seja a melhor banda de todos os tempos da última semana — ou seja, o último lançamento –, é um processador cumpridor, mesmo que um premium do ano passado: 821 de 2.35GHz da Qualcomm com GPU Adreno 530. Ou seja, dessa vez, nada de SE ou smartphone capado como foi com o G5 por aqui. Em termos de memória, o aparelho continua o mesmo, 4 GB de RAM e 32GB de armazenamento — uma versão com 64 GB é coisa só da Coreia do Sul de acordo com a LG, mundialmente, é um único modelo.

A memória, aliás, é expansível para 2 TB, muito embora não exista cartão de memória de 2 TB à venda no Brasil. O aparelho é single-chip, ainda que já exista premium dual-chip no mercado brasileiro. Pode ser um pensamento típico da bolha, mas quem compra um aparelho de R$ 4K não é o tipo de pessoa que também compra um chip quando viaja e por isso uma gaveta com dois chips ou híbrida (pode ser dual, pode ser de microSD) viria a calhar? Ou não?

As câmeras continuam promissoras, mesmo com a redução nos megapixels. A frontal passa a ser de 5 MP com lente grande angular (F2.2 / 100°), enquanto a câmera dupla traseira tem uma de 13MP grande angular (F2.4 / 125°) e uma de 13MP Padrão OIS 2.0 (F1.8 / 71°). A grande novidade talvez esteja no software, já que o hardware a LG vem explorando bastante e há bastante tempo em seus aparelhos.

Pode soar bobo, mas eu achei bem legal e estou louca para brincar com esse Câmera Square. São quatro modos: Snapshot, Grid Shot, Guide Shot e Match Shot. O primeiro divide a tela em dois para mostrar em cima a foto que você está tirando e embaixo o preview da última imagem que fez. O segundo permite que você tire quatro fotos e depois faça uma colagem. Já o terceiro ajuda você a fazer uma imagem semelhante àquela que você já possui na galeria. O quarto modo é parecido com o segundo, mas é mais para fazer montagens tipo colocar a cabeça de um cachorro no corpo de um ser humano. Tudo isso vem dentro de um app da própria LG. Aliás, o número de apps pré-instalados é sempre algo que pode decepcionar quando de fato pegarmos ele nas mãos para testes. Veremos.

Rodando Android 7.0 Nougat, o G6 vem com Google Assistente integrado. Diz a LG que trabalhou em uma estreita parceria com a Google para oferecer uma excelente experiência assim que o produto sai da caixa, e em português… Veremos também. Pode ser um acerto interessante. Resistente à água e poeira, o LG G6 possui a certificação IP68: não sofre danos submerso na água até um metro e meio de profundidade e por até meia hora. A entrada é do tipo USB-C, como manda o novo figurino, mas a entrada para o fone de ouvido, que alguns estão tentando derrubar, continua lá, firme e forte.

E para não dizerem que não falei da tal tela de cinema, o display QHD+ com resolução de 2.880 x 1.440 do LG G6 chama FullVision — sim, porque agora display também tem nome próprio, né? No caso da LG, a referência é mesmo ao cinema e à proporção 18:9. Segundo a fabricante, foi “inspirado na filosofia de especialistas da indústria cinematográfica que acreditam que a tela em formato 18:9 seria a melhor solução para a visualização de conteúdos cinematográficos novos da era digital”. Nesse quesito, a LG também sai na frente: o G6 é o primeiro smartphone equipado com a tecnologia Dolby Vision, que o torna compatível também com HDR 10, dois padrões de qualidade de imagem HDR (High Dynamic Range). Ou seja, quando o Netflix for HDR por aqui, você poderá vê-lo em HDR no seu LG G6. Diferente do 4K, que numa tela de smartphone mais frustra o consumidor do que impressiona, o HDR oferece sim uma gama maior de cores e de luminosidade e é perceptível. Não é um divisor de água, e sim um plus a mais.

Depois de tantos pontos positivos, você deve estar se perguntando o porquê daquele início de texto. Bom, porque eu esperava que a LG reconhecesse que o G5 foi um fracasso, que trazer a versão SE foi um erro e que diante de um S7 que ultrapassou até o iPhone em vendas, viesse com uma estratégia diferente. Eu não estou dizendo que o LG G6 é inferior ao Galaxy S8 — as primeiras comparações nem tiveram tempo de sair por aí na rede mundial de computadores, que dirá das minhas mãos.

O que estou dizendo é que, na minha humilde opinião, era o momento de se posicionar com um preço mais agressivo já de cara — não por acaso a LG escondeu até o fim do evento o preço oficial. Ou seja, um pouco abaixo do S8 e do iPhone para reconquistar a confiança perdida de seus consumidores já que eles assumidamente abandonaram a modularidade de um ano para o outro e trouxeram um aparelho capado em 2016. Além disso, não é novidade para ninguém que a LG vem perdendo mercado no Brasil. Sabemos que um produto premium pode ajudar a alavancar as vendas de todo um portfólio, e a LG tem o novo K10 aí, que poderia se beneficiar. Mas como sempre há esperança, talvez o varejo brasileiro se encarregue de logo mais baixar esse preço e dar aquele empurrão que a LG precisa e não soube dar para o seu novo e promissor topo de linha.

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