Detalhe das câmeras do iPhone 6, Galaxy S6 e G4.

G4, Galaxy S6 ou iPhone 6: Qual smartphone tem a melhor câmera?


27/8/15 às 22h12

Smartphones são dispositivos convergentes, ou seja, eles fazem diversas coisas que, no passado, estavam distribuídas em vários dispositivos. Uma delas é tirar fotos e gravar vídeos. Com o avanço da miniaturização e das técnicas para elevar a qualidade dos resultados, os modelos topo de linha já rivalizam em pé de igualdade com câmeras dedicadas de entrada. Entre esses, qual o melhor?

Este comparativo engloba três dos melhores smartphones da atualidade: Galaxy S6, da Samsung; G4, da LG; e iPhone 6, da Apple. Os dois primeiros foram lançados no primeiro semestre de 2015 e o da Apple, no final de 2014 — uma atualização, que tornará este nosso exercício obsoleto, está bem próxima.

Os testes que fiz com os três seguem a filosofia do Manual do Usuário: com todos em mão, saí por aí tirando três fotos de cada situação, com cada smartphone, a fim de escolher a melhor e, depois, compará-la às demais. Tentei explorar vários cenários — fotos noturnas, com muitos detalhes, em ambientes fechados e abertos, com bastante luz e o mínimo possível. Não é um comparativo técnico, embora tenha considerado algumas especificidades de cada câmera.

Tabela de especificações

O que faz uma câmera ser boa vai muito além da resolução — este é apenas um desses muitos fatores e nem é o mais importante. Há variáveis como tipo e tamanho do sensor, abertura da lente e distância focal, além do pós-processamento que “transforma” a luz captada num arquivo digital pronto para ser visualizado, editado e/ou compartilhado.

Essa fase seguinte à captação, a do pós-processamento, é de suma importância e, ao mesmo tempo, uma caixa-preta: a gente sabe que acontece, mas não sabe os detalhes de cada fabricante. É aí, inclusive, que smartphones com especificações quase idênticas podem se distanciar drasticamente.

Veja a tabela comparativa:

Tabela comparativa de câmeras do G4, Galaxy S6 e iPhone 6.
Fontes: AnandTech (2), GSMArena.

Repare como o iPhone 6 tem números mais tímidos que os dos seus rivais. Mesmo assim, ele entrega fotos tão boas que o garantem num comparativo direto. E note, também, como G4 e Galaxy S6 são parecidíssimos em suas especificações, mas na prática geram resultados com diferenças visíveis.

Isso vale para qualquer outro componente de um gadget moderno: números crus não contam toda a história. É preciso levar em consideração o contexto e outras características a fim de aferir se algo é bom ou não.

Viewfinder, foco e velocidade

Todas as fotos foram feitas com os apps padrão para fotografar de cada aparelho. Embora o Android tenha um feito pelo Google, LG e Samsung não utilizam ele. Em vez disso, desenvolvem seus próprios apps, que acabam extraindo melhor os recursos mais avançados que o conjunto da câmera oferece, como modo super câmera lenta (Galaxy S6) e os controles manuais totalmente livres (G4).

Em 2015, como abordei nas análises dos dois Android aqui citados, as fabricantes sul-coreanas deram uma amenizada no verniz passado no Android. Se em anos anteriores a ideia de “quanto mais, melhor” abarrotava o sistema e, consequentemente, o app da câmera, nas versões desse ano as coisas estão menos carregadas, mais intuitivas e práticas de usar.

Interface da câmera do iPhone.
iPhone.

Esse trabalho de contenção ainda não alcança, porém, a simplicidade da câmera do iPhone. O app da Apple é mais limitado, mas é bem fácil de usar e, mais importante que isso, extremamente consistente. Os atos de focar e apertar o disparador são rápidos e confiáveis, e, somados à simplicidade do app, tornam essa experiência a mais tranquila, livre de fricção dos três.

Interface da câmera do Galaxy S6.
Galaxy S6.

O app do Galaxy S6 está mais enxuto e o foco ficou muito rápido. Neste aparelho, a Samsung parece ter trabalhado muito em velocidade, do acesso à câmera, feito com dois toques no botão Home (o melhor atalho que já usei), ao foco e disparo, dois pontos historicamente problemáticos no Android que — pela primeira vez, até onde me lembro — chegaram a um patamar onde não atrapalham.

Interface da câmera do G4.
G4.

Já o G4 tenta agradar a todos. Ele tem três modos de câmera: um simples, que some com todas as opções do viewfinder; outro automático (acima), o padrão em qualquer smartphone; e um totalmente manual, que dá acesso à velocidade do obturador, equilíbrio de branco, ISO etc. e permite fazer fotos que seriam impossíveis de outra forma. Infelizmente o foco a laser, tão destacado pelo marketing da LG, não é tão bom quanto se esperaria. Nesse aspecto, o G4 fica atrás dos seus concorrentes diretos.

Mesmo com abordagens diferentes, ainda assim todos os três são prazerosos de serem usados como câmeras. Todos têm telas absurdamente boas e entregam fotos muito bonitas em praticamente qualquer condição. Duvida? Vamos vê-las.

Comparativo de fotos

Você notará algumas diferenças além da qualidade de imagem. O iPhone fotografa na proporção 4:3, enquanto que os Android, em 16:9. “Qual é melhor?” é uma daquelas perguntas respondidas com “depende”, então não se prenda a isso. Outra diferença bem destacada é a captação de luz em situações noturnas. As lentes mais claras do G4 e Galaxy S6 fazem a diferença, resultando em imagens melhor iluminadas quando não há abundância de luz.

Neste exemplo isso fica bem claro:

Cruzamento à noite em Maringá (G4).
G4. f/1,8, 1/17s, ISO 800. Redimensionada para 742×417.
Cruzamento à noite em Maringá (Galaxy S6).
Galaxy S6. f/1,9, 1/10s, ISO 640. Redimensionada para 742×417.
Cruzamento à noite em Maringá (iPhone 6).
iPhone 6. f/2,2, 1/15s, ISO 400. Redimensionada para 742×557.

O canteiro central e a parte superior dos prédios ficam mais claros (mais fiéis à situação real) nos dois primeiros exemplos. E, embora eu goste bastante do resultado do Galaxy S6, ele é o que apresenta mais ruído. Entramos, aqui, naquela área pouco explorada das fotos em tamanho natural e sob olhar rigoroso.

O sharpening e o pós-processamento do G4 quase passam do ponto, mas, no fim, compõem uma ótima imagem. Já o iPhone passa bem nesses dois aspectos, mas além de ser a foto mais escura, dá um “tone down” talvez exagerado no amarelamento da iluminação quente da via. Veja no detalhe:

Detalhe de foto noturna (G4).
G4. Crop de 100%.
Detalhe de foto noturna (Galaxy S6).
Galaxy S6. Crop de 100%.
Detalhe de foto noturna (iPhone 6).
iPhone 6. Crop de 100%.

Antes que alguém pergunte por que a do iPhone parece com menos zoom, é esse o efeito que a resolução, os megapixels, têm na fotografia. Quanto mais megapixels, maior a imagem em tamanho natural; eles exigem mais espaço de área visual, logo resultam em imagens visualmente maiores.

Os nossos três smartphones geram arquivos nas seguintes dimensões:

  • G4 e Galaxy S6: 5312×2988 (16 megapixels)
  • iPhone 6: 3264×2448 (8 megapixels)

Um megapixel equivale a cerca de um milhão de pixels. Pegue o iPhone, faça a conta (3264 * 2448), e você terá 7990272 — ou seja, cerca de oito milhões de pixels, ou 8 megapixels. Já 5312 * 2988 resulta em 15872256, quase 16 milhões de pixels, 16 megapixels. Legal, né?

Deixando a matemática de lado, vamos agora a um ambiente totalmente oposto àquele do primeiro exemplo: de dia, com o auxílio da força do Sol do meio da tarde. Iluminação natural é sempre melhor, já que… bem, o Sol, mesmo a milhões de quilômetros, costuma entregar mais luz do que as lâmpadas que usamos em casa. Veja estas flores:

Flores com o G4.
G4. f/1,8, 1/387s, ISO 50. Redimensionada para 742×417.
Flores com o Galaxy S6.
Galaxy S6. f/1,9, 1/404s, ISO 40. Redimensionada para 742×417.
Flores com o iPhone 6.
iPhone 6. f/2,2, 1/628s, ISO 32. Redimensionada para 742×557.

O iPhone 6 teve a foto com melhor definição das três, mas as flores ficaram com cores bem mais fortes nele. O G4 teve o problema inverso: cores meio desbotadas em comparação, especialmente as folhas verdes da planta. Neste comparativo o Galaxy S6 se saiu com a foto mais equilibrada: cores bonitas, definição à altura do iPhone, talvez um pouco de brilho excessivo, mas ainda assim uma boa foto.

Outra à luz do dia? Ok, mas vamos elevar o grau de dificuldade. Agora, o cenário é contra o Sol, o que costuma ser problemático mesmo com câmeras dedicadas — a incidência dos raios solares é bem complexa para o sistema das câmeras. Ativei o modo HDR e as registrei, mas mesmo com ele em funcionamento, G4 e iPhone 6 tiveram dificuldades em lidar com a situação:

Foto de dia, contra o Sol, com o G4.
G4. f/1,8, 1/197s, ISO 50. Redimensionada para 742×417.
Foto de dia, contra o Sol, com o Galaxy S6.
Galaxy S6. f/1,9, 1/364s, ISO 40. Redimensionada para 742×417.
Foto de dia, contra o Sol, com o iPhone 6.
iPhone 6. f/2,2, 1/380s, ISO 32. Redimensionada para 742×557.

Nesse exemplo o Galaxy S6 se distancia consideravelmente dos demais: a foto ficou bem iluminada, com cores vivas e menos sombras “duras”.

A essa altura já dá para ver padrões se desenhando:

  • O G4 aposta num sharpening pesado que (obviamente) ajuda a dar definição, só que nem sempre de um jeito natural. Isso acaba gerando menos artefatos, mas esses, mais protuberantes.
  • O Galaxy S6, por sua vez, pega mais leve no pós-processamento e acerta com mais frequência nas cores e equilíbrio de branco.
  • Já o iPhone 6 tende para cores mais saturadas e brilhantes, e equilibra exemplarmente os níveis de sharpening e ruído, mas sofre com fotos escuras comparadas às dos Android.

O detalhe das fotos acima permite ver essas tendências:

Detalhe de foto contra o Sol (G4).
G4. Crop de 100%.
Detalhe de foto contra o Sol (Galaxy S6).
Galaxy S6. Crop de 100%.
Detalhe de foto contra o Sol (iPhone 6).
iPhone 6. Crop de 100%.

A próxima situação é um meio termo: iluminação artificial. E com pessoas, que são objetos especiais de serem fotografados. Observe:

Fotos de pessoas com o G4.
G4. f/1,8, 1/30s, ISO 150. Redimensionada para 742×417.
Fotos de pessoas com o Galaxy S6.
Galaxy S6. f/1,9, 1/24s, ISO 100. Redimensionada para 742×417.
Fotos de pessoas com o iPhone 6.
iPhone 6. f/2,2, 1/30s, ISO 160. Redimensionada para 742×557.

Novamente, o Galaxy S6 se destaca. A iluminação e, consequentemente, a pele das pessoas ficaram menos amareladas — e nem era o caso de lâmpadas incandescentes, como nas fotos noturnas do início do comparativo. O iPhone 6 foi o que apresentou tonalidades mais quentes, e o G4, mantendo a consistência, desbotou um pouco as cores.

Outra situação do tipo:

Corredor com lâmpadas acesas, fotografado pelo G4.
G4. f/1,8, 1/30s, ISO 150. Redimensionada para 742×417.
Corredor com lâmpadas acesas, fotografado pelo Galaxy S6.
Galaxy S6. f/1,9, 1/30s, ISO 125. Redimensionada para 742×417.
Corredor com lâmpadas acesas, fotografado pelo iPhone 6.
iPhone 6. f/2,2, 1/30s, ISO 100. Redimensionada para 742×557.

Voltando à luz natural, mas desta vez atendo-nos a detalhes. No caso, um cartaz colado na entrada da cantina:

Detalhe de texto fotografado com o G4.
G4. f/1,8, 1/40s, ISO 50. Redimensionada para 742×417.
Detalhe de texto fotografado com o iPhone 6.
iPhone 6. f/2,2, 1/40s, ISO 40. Redimensionada para 742×557.
Detalhe de texto fotografado com o Galaxy S6.
Galaxy S6. f/1,9, 1/30s, ISO 40. Redimensionada para 742×417.

Apenas como referência, a foto original é esta (feita com o Galaxy S6):

Foto original do exemplo em detalhe.
Galaxy S6.

O G4 destoou dos outros dois no tom do azul, comportamento que, pelos exemplos vistos até então, se esperaria do iPhone 6. Em termos de definição o iPhone 6 se saiu melhor, mas G4 e Galaxy S6 não ficaram muito atrás.

Outro exemplo em detalhe, desta vez à noite:

Caçamba de lixo fotografada com o G4.
G4. f/1,8, ?, ISO ?. Redimensionada para 742×417.
Caçamba de lixo fotografada com o Galaxy S6.
Galaxy S6. f/1,9, 1/10s, ISO 640. Redimensionada para 742×417.
Caçamba de lixo fotografada com o iPhone 6.
iPhone 6. f/2,2, 1/15s, ISO 400. Redimensionada para 742×557.

Vídeo

Fiz apenas um teste, numa condição bem difícil (à noite, com trânsito/barulho), a fim de comparar os smartphones nessa função que é bem importante. Confira:

Câmera frontal

A câmera frontal, ou de selfies, não é o foco deste comparativo, mas fiz uma com cada smartphone apenas para registro:

Selfie com a câmera frontal do G4.
G4. f/2, 1/403s, ISO 50. Redimensionada para 742×417.
Selfie com a câmera frontal do Galaxy S6.
Galaxy S6. f/1,9, 1/580s, ISO 50. Redimensionada para 742×417.
Selfie com a câmera frontal do iPhone 6.
iPhone 6. f/2,2, 1/399s, ISO 32. Redimensionada para 742×557.

Aqui o iPhone 6 ficou bem para trás. A selfie carece de definição e tem cores esquisitas. O G4 foi o mais agressivo no pós-processamento. O Galaxy S6, além de apresentar a melhor qualidade no geral, ainda tem uma lente do tipo grande angular (22mm, contra ~30mm dos outros dois), o que permite enquadrar mais gente na foto, algo sempre bom para selfies em grupo.

G4, Galaxy S6 ou iPhone 6, qual é o melhor?

Antes do veredito, é bom dizer que há duas ausências notáveis — em breve, três. O Xperia Z3+, da Sony (fornecedora dos sensores das três câmeras analisadas) e o Lumia 930, da Microsoft, se saíram bem em análises diversas feitas por outros veículos. É bem provável que eles não sejam melhores que o melhor deste comparativo, mas estão na mesma categoria e não devem decepcionar seus donos. Uma pena não terem sido contemplados aqui…

Além da minha análise, pessoal e subjetiva, recorri a outras fontes para ter uma ideia do que o povo acha dessas câmeras. Uma das mais confiáveis, o DxOMark, colocou o Galaxy S6 no topo do ranking de câmeras de smartphones, seguido do Galaxy Note 4 e, em terceiro lugar, o vindouro Moto X Style — o “terceiro” a que me referi no parágrafo acima. O iPhone 6 aparece na sexta posição e o G4 não foi analisado pelo site.

O Galaxy S6 tem, provavelmente, a melhor câmera do mercado.

Para mim, a câmera do Galaxy S6 foi a melhor nos testes comparativos. Ela gerou imagens equilibradas, com boas cores na maior parte do tempo, bom nível de detalhes e definição aceitável. Os outros dois podem ter se saído melhor em um ou outro aspecto que faz uma foto ser boa, mas no conjunto da obra, o smartphone da Samsung é mais consistente.

O uso da câmera também é exemplar no S6. O acesso do app, com dois toques no botão Home, e o foco, são super rápidos, há modos de fotografia divertidos e na quantidade certa, e o software é fácil de manejar. Nesse ponto, aliás, o iPhone fica no mesmo nível. Já o G4 perde um pouco pela inconsistência do foco e complexidade do app da câmera.

Vale lembrar duas coisas, ainda. Primeiro, que o iPhone, se o padrão de anos anteriores for mantido, está a menos de um mês de ser atualizado e, como sempre ocorre, ganhará melhorias significativas na câmera.

A outra é que, independentemente de qual dos três, G4, Galaxy S6 ou iPhone 6, você tiver ou escolher, estará bem servido. São câmeras sensacionais que entregam resultados lindos e, de quebra, ainda servem como ótimos smartphones. O mundo é incrível e fotografá-lo com celulares nunca foi tão bom.

Revisão do texto por Guilherme Teixeira.
Meu obrigado à Bia Castells pelo iPhone 6, e a ela, ao Márcio Hayashiuchi e ao André Neri pela ajuda. Valeu!

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