[Review] G Pad 8.3, o bom retorno da LG aos tablets

G Pad 8.3 no detalhe.

Por um bom tempo tablets Android viveram à sombra do iPad. Diferentemente do que acontece nos smartphones, onde o sistema do Google evoluiu melhor e hoje rivaliza em qualidade com o iOS, nos tablets a competição sempre foi mais complicada. Tanto que após algumas tentativas, fabricantes como a LG pararam a fabricação de tablets por um tempo.

O G Pad 8.3 marcou o retorno da sul coreana ao segmento de tablets pouco mais de um ano após ela anunciar que “daria um tempo” no segmento. Com tamanho intermediário, boas especificações e as profundas modificações que a LG costuma empregar no Android, o que esperar dele? Trata-se, afinal, de um retorno triunfal, ou apenas um tímido, quase dispensável? É o que descobriremos agora.

Review em vídeo

G Pad 8.3: um tablet premium

O belo acabamento do G Pad 8.3.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ao tirar o G Pad 8.3 da caixa, antes de ligá-lo é difícil encontrar algo passível de reclamação. O desenho é conservador (encare isso como um elogio), o uso de materiais, acertado: um tipo de plástico firme na frente e nas bordas e metal na traseira. De botões físicos, só três, todos na lateral direita: dois de volume e um para ligar/desligar a tela. Em meio a tantos acertos, o que mais chama a atenção é a espessura: são apenas 8,3 mm, perfil bastante fino para um tablet.

O peso, de 338 g, está dentro do que se esperaria de um tablet com tela de 8,3 polegadas. Não é levíssimo, do tipo que impressiona, tampouco é pesado. Dá para usá-lo com uma mão sem problemas e, no geral, peso e dimensões formam um conjunto coeso, propício tanto para o uso em trânsito quanto para o “estacionário”, estirado no sofá. Dizem por aí que a LG fez pesquisas para identificar o exato meio termo entre tablets grandes, com ~10 polegadas, e pequenos, de 7. Verdade ou não, dá para dizer que eles encontraram um bom ponto de equilíbrio entre os dois extremos.

A elegância do G Pad 8.3 se estende à oferta de portas e conexões. São poucas, e todas bem posicionadas. No topo, a saída de áudio no padrão 3,5 mm, um slot para cartão SD (até 64 GB) e a porta infravermelha. Embaixo, apenas o conector microUSB. Incomodou-me um pouco a posição do botão de bloqueio da tela, na lateral esquerda, mas graças ao KnockOn, o nome bonitinho que a LG deu ao recurso de ligar e desligar (!) a tela dando dois toques nela, foi um incômodo que não durou muito. Isso é muito prático, mesmo levando em conta ocasionais falhas no gesto de ligar a tela — o de desligar, que consiste em dois toques na barra de notificações, sempre funciona Funciona direitinho sempre, inclusive para ligar, desde que você respeite a coluna imaginária central da tela e dê os dois toques nela para ligar (valeu, Paulo!). Para desligar, os dois toques devem ser dados na barra de notificações.

Posicionamento de botões físicos não muito feliz.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Outra opção acertada foi a utilização de botões virtuais para a navegação no Android, em vez de usar os físicos e/ou táteis. Como nem tudo são flores, o setor da LG responsável por desfigurar o Android já mostra suas garras ali: sai o botão de multitarefa, existente há anos e incentivado pelo Google, entra o de menu, uma troca tão profunda que mexe com a interface de vários apps, ocultando o botão de menu da Action Bar. Mesmo sendo possível mudar a ordem e acrescentar outros botões virtuais àquela barra, não existe uma com os padrões do Android puro.

Atrás do tablet ficam a câmera de 5 mega pixels, aquela típica mediana de tablet, e os alto-falantes estéreo, muito potentes. Sinceramente não sei se é coisa minha ou se todo mundo, ao mudar a orientação de um tablet de retrato para paisagem, tem o costume de virá-lo para a esquerda. Se for o caso, prepare-se para rever esse comportamento. Ao fazer o movimento para a esquerda, os alto-falantes ficam para baixo no modo paisagem, uma posição que, no colo, pode abafá-los. Prefira a direita.

Bonito, bem construído e com a utilização de materiais de boa qualidade, o G Pad 8.3 se destaca de outros tablets menores que, para manter os preços baixos, sacrificam esses detalhes que alguém mais pragmático poderia tachar de supérfluos. Não são, e manusear esse tablet é a prova disso.

Desempenho vs. alterações no Android

Guarde até três apps na lateral esquerda.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Mesmo com um Snapdragon 600 munido de um processador Krait 300 quad-core rodando a 1,7 GHz, mais 2 GB de RAM, o G Pad 8.3 dá sinais de cansaço às vezes. E nem é apenas com sessões pesadas de jogos; às vezes, ver alguns vídeos ou alternar seguidamente entre vários apps resulta em pequenas travadinhas, ou em uma tela inicial limpa de ícones, que surgem pouco a pouco até preencherem todo o espaço.

É estranho que um hardware tão competente, ao menos no papel, não seja capaz de lidar com esses cenários corriqueiros. O G Pad 8.3 vem com o Android 4.2.2, o que, graças ao Project Butter, deveria garantir animações sempre suaves. Não é o caso, e tenho alguns suspeitos de sabotarem o tablet.

Primeiro, a tela. Que, diga-se de passagem, é lindíssima, como todas as recentes da LG: brilhante na medida certa, com ângulos amplos de visão e muito fiel em cores. Ela apresenta uma resolução enorme, de 1920×1200, maior que o padrão Full HD. Se por um lado isso garante uma definição que vai além do que olhos normais conseguem distinguir, tantos pixels aumentam o consumo de bateria e, claro, dão mais trabalho para a GPU (nesse caso, uma Adreno 320).

Mas vá lá, existem outros Androids, tablets e smartphones, com hardware similar e que não apresentam tantos engasgos. O que nos leva ao segundo suspeito: a personalização pesada do sistema.

Mexidas não muito felizes da LG no Android.
Optimus UI no Android 4.2 do G Pad 8.3.

Velha conhecida nossa, a Optimus UI segue com seus excessos e modificações de gosto duvidoso. Existe um punhado de apps “Q”, como QSlide, QPair e Quick Memo, mas esses não são as piores coisas — na verdade, alguns são até bem úteis. O arrastar de três dedos à esquerda, que “salva” programas na lateral da interface (vide foto acima), também é bacana. O que pesa, aparentemente, é o redesenho de diversas áreas do sistema e a inclusão de truques que, em tese, deveriam facilitar a vida do usuário.

Gosto é uma questão um tanto pessoal, e mesmo para o meu há algumas sacadas boas nessa mexida da LG. Em vez de esperar a versão 4.4, o G Pad 8.3 já traz barras de navegação e notificações transparentes. Um toque elegante, mas uma raridade em meio a interferências menos felizes.

Fato é que, com todas essas modificações, o sistema sofre e, por consequência, o usuário também. É um problema que fica ainda mais evidente nos EUA, onde é vendida a Google Play Edition do G Pad 8.3, uma versão com o Android puro, sem as interferências da LG. Quem testou ambos os tablets, como o The Verge, deixou clara a preferência pela GPE:

“Entre os dois modelos, não existe competição: o Google Play Edition é claramente um dispositivo melhor. Ele é mais limpo de se olhar e usar, é mais rápido e confiável, e um dispositivo muito mais intuitivo e óbvio — por tudo que a versão personalizada da LG seja tecnicamente capaz, ela não é fácil de usar. Seu dinheiro é melhor gasto na Play Store do que em uma loja do varejo ou no site da LG.”

G Pad 8.3: bom, mas apenas isso.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Pela experiência que tenho com smartphones, especialmente entre os Optimus G/G Pro e o Nexus 4, que reproduzem essa dualidade Optimus UI/Android puro, a justificativa do review acima mencionado é perfeitamente crível. Dá para gostar de uma ou outra coisa que as fabricantes fazem no Android, e até de algumas skins de modo geral, como a da Sony, mas nada supera o sistema como concebido pelo Google, uma preferência que leva em conta, além do desempenho, também usabilidade e beleza.

Um aspecto inesperado: bateria

Nos reviews do Manual do Usuário tomo algumas características como convenções e se o gadget analisado não destoa do esperado, praticamente não o cito. Bateria é um desses casos.

Para smartphones, é normal que uma dure um dia de uso moderado. Quando algum smartphone foge disso, seja para melhor, seja para pior, vale o comentário. No caso de tablets, um tipo de equipamento com que tenho menos familiaridade, o meu norte é o que uso pessoalmente: um iPad 2 com mais de dois anos de estrada.

G Pad 8.3 em cima de um iPad 2.
Foto: Rodrigo Ghedin.

E, mesmo com essa distância temporal separando-o do G Pad 8.3, a diferença no consumo de bateria é notável. O tablet da LG não tem uma bateria horrenda. Para o meu perfil de uso, de muita leitura e uso diário de algo entre 1 e 2h, ela resistiu bem até, coisa de dois a três dias. Fica bem aquém das marcas do combalido iPad 2, mas é um valor aceitável em se tratando de um tablet.

O maior problema é o alto consumo de energia em stand by. A segurança que tenho em deixar o iPad encostado por alguns dias e, ao retomá-lo, ele ainda apresentar carga, não existe no G Pad 8.3. A bateria se esvai mesmo sem uso, o que vai contra a ideia que se faz de um tablet e que os outros poucos modelos Android com que tive contato, como Galaxy Tab 10.1 e Xoom 2, mantinham.

De qualquer modo, o comportamento da bateria do G Pad 8.3 se aproxima mais ao de um smartphone do que, na minha cabeça, seria o de um tablet. O que é uma pena.

O G Pad 8.3 é um bom tablet — mas isso é suficiente?

G Pad 8.3 é bom, mas apenas isso.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ano passado o Android atropelou o iOS em tablets, revertendo um número que, mesmo nunca tendo sido o objetivo da Apple, de modo algum devia incomodá-la. Ser o mais popular trouxe vantagens de carona, como a maior oferta de apps otimizados para telas grandes (embora ainda não chegue perto da diversidade do iPad). No caso do G Pad 8.3, a tela menor também ajuda a tornar apps “de celular” passáveis.

Quem optar por esse tablet não deve ter nenhum grande problema. As engasgadas na interface são chatas, mas não são tão ruins a ponto de estragar a experiência. A oferta de apps é, como já dito, decente, e fisicamente o G Pad 8.3 é bem agradável. No seu retorno aos tablets, a LG fez um extensivo e bom trabalho. Tão extenso que talvez tenha errado a mão e exagerado, mexido demais onde não devia. As maiores críticas a ao G Pad 8.3 derivam, quase todas, da Optimus UI, a personalização do Android feita pela empresa.

Com preço sugerido de R$ 1.099, o G Pad 8.3 quebra a barreira psicológica dos mil Reais. É um investimento alto, que o separa de modelos semelhantes, mas mais baratos — e com acabamento inferior. Vale o que custa? Eu acho que não. O valor fica bem próximo dos iPads, uma opção superior em vários aspectos, e distante de tablets Android de marcas confiáveis e com especificações similares. O bom é que o G Pad 8.3 já é oferecido com descontos, e alguns bem tentadores, chegando a R$ 850. Nesse patamar, é uma escolha sólida.

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16 comentários

    1. Diego, aqui mesmo nos comentários alguns leitores dizem ter conseguido fazer root e instalar custom ROMs no G Pad 8.3. Eu não tentei (o aparelho era da LG e, nos reviews, me abstenho de processos complexos aos quais usuários comuns não recorreriam), mas é possível sim.

  1. Eu to a 3 semanas esperando aparecer uma boa promoção dessa tablete pois pelo que tinha pesquisado esse era o melhor custo beneficio (nada da ipad por aqui), mas vendo esse review fiquei um pouco preocupado, como sou um usuário que gosto de mexer no android, fica a pergunta acha que por 850 reais (boletado) e instalando uma rom qualquer, ou até mesmo stock, e com aplicativo que deixa o aparelho em deep sleep mode (resolvendo o problema de descarregar em stand by), é um boa compra? ou tem melhores?
    e nada de galaxy tab 7, pq é uma porcaria.

    opa, tinha boletado no submarino, vou boletar por esse link aqui do manual do usuario.
    obs: ve se da pra colocar esses links ai pra comprar abrindo em uma nova janela, tava escrevendo esse comentario grande e agora no final fui apertar no link e abriu na mesma aba, fiquei desesperado, mas por sorte quando voltei o que estava escrevendo ainda estava aqui…ufa, não ia escrever tudo de novo

    1. Obrigado por ter boletado no link daqui, Gustavo!

      Sobre esses links de referência abrirem na mesma janela, é o comportamento padrão de todos os links do blog.

      Já me pediram algumas vezes para fazê-los abrir em outra aba, mas o modo atual é mais democrático: quem quiser abrir links em outra aba, pode usar Ctrl + clique ou botão direito do mouse > Abrir link em uma nova guia, e quem quiser abrir na mesma, simplesmente dá um clique.

      Se mudar para abrir sempre em uma nova aba, quem prefere que os links abram na mesma fica sem opção.

      Espero que compreenda e, principalmente, que curta o G Pad 8.3 :-)

      1. Hum, é realmente fica mais democratico sim.

        quando fu ino link não apareceu nada na url referente ao manual do usuário não, talvez seja um dado interno…

  2. Rodrigo, eu comprei esse tablet e estava insatisfeito com o desempenho, meu moto G de hardware inferior era muito mais suave. Tudo foi resolvido com a troca da ROM pela cyanogen, foi um ganho equivalente a troca de hardware, recomendo à todos que saibam fazer o procedimento.

    1. e como é a bateria com o CM?com o seu uso.
      colocou algum kernel diferente?
      qual CM ta usando tem versão estavel, ou só as nightly do kit kat?

      sabe se da pra fazer dele uma GPE?

      foi mal ai varias perguntas, mas falta muito pouco pra comprar, queria tirar essas duvidas primeiro

      1. A bateria parece ter melhorado uns 15% mais não afirmo com certeza isso!
        Kernel stock, com cm build M, que vem após as Nightly e é o último passo antes do estável.
        Estão tentando portar o gpe pra ele, mais não conseguiram ainda.
        De maneira geral o cm melhora demais a experiência, aconselho o uso.

        1. eu só queria um sistema estável, não stock de preferencia, meu aparelho pra testar tudo é o nexus 4, esse tablet eu ia deixar paradinho mesmo.
          Acho que vou comprar, valeu pela ajuda

    2. Fosse meu eu certamente apelaria para o CyanogenMod :-)

      Mas aqui, para review, uma das minhas políticas é analisar os gadgets da forma como eles saem de fábrica. É a experiência que a fabricante vende, e é a que a maioria, por desconhecimento ou inércia, usufruirá.

      Obrigado por compartilhar a sua experiência, Joel!

    1. Da pra fazer root com um clique, porém não existe a ROM gpe, apenas o CyanogenMod, que é bem parecida por sinal.

  3. E eu achei que esse GPad fosse um pouco melhor. Que decepção.
    O recurso de acordar a tela com toque deve ter sido mal implementado, deve estar aí um dos gastos excessivos em energia.
    Lembro que no meu Nexus antigo, usei um app que fazia isso… a diferença de bateria era notável. Hoje há uma feature de sweep to sleep e sweep to awake (s2s, s2w) e double tap to wake que está disponíveis em vários kernels customizados que uso e funcionam muito bem e não há diferença notável no consumo de energia.

    Acredito que em tablet, pelo menos no mundo Android, a Samsung traga a melhor experiência.

    Estou para comprar o meu primeiro e penso sinceramente no Samsung (vou fugir da linha Nexus… a qual não largo no smartphone). A Samsung é uma das únicas que não largou o seguimento em nenhum momento e evoluiu bastante em features para tablets: tela divida, caneta, a sensibilidade do toque para desenhos e pegada do aparelho e mais outras coisitas… algo que até o Nexus 7 está bem atrás.

    Se um dia tiver a oportunidade de fazer review de um tablet da Samsung, por favor faça, principalmente se for o Tab Pro 8 (2014).
    Ah…, para minha aquisição eu penso em adquirir o Tab Pro 8 ou o Note (tablet)… só preciso descobrir qual a diferença entre eles.

    1. Brenno, atualizei o review para refletir uma descoberta (graças ao Paulo Higa) acerca do KnockOn. Acontece que ele funciona direito, só que é preciso tocar no local correto. Meio estranho isso; a Nokia tem algo parecido em seus smartphones desde o N9 e já nesse os toques funcionavam (bem!) em qualquer local. Enfim.

      Já pedi um tablet para a Samsung, mas ainda não tive resposta. Quero testar um dela sim; a última experiência que tive com eles foi há muito tempo — e não foi das mais agradáveis.

  4. Meio off topic:
    Ghedin, tu já teve contato com um Nexus 7?
    Ontem eu estava matutando sobre tablets e me questionei se a melhor experiência que se tem com smartphones da linha Nexus, em relação aos customizados, também se aplica aos tablets.

    Sobre o artigo: é realmente frustante ver que um aparelho aparentemente tão bom como esse, seja tão “ruim” em relação ao software. Não consigo entender como a LG acha que é melhor ter um botão de menu no lugar da multitarefa…

    1. Rapidamente, Matheus, e não foi tempo o bastante para formular um julgamento. Pelo que já li, inclusive nesse caso do G Pad 8.3 da LG vs. o Google Play Edition, acho seguro dizer que a pureza do Android também conta pontos positivos em tablets.

      Esse botão de menu é incompreensível mesmo. O Google tem forçado a barra contra as fabricantes: a partir do Android 4.4, o botão de menu é fixo na Action Bar, mesmo que o equipamento traga o botão na barra de navegação. É um pequeno passo que, embora torne redundante, não impede que as fabricantes incluam o botão ali, mas fica a esperança de que esse passo ajude na conscientização.

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