Diplomacia via WhatsApp
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Nicholas Carr, do ótimo Superbloom, argumenta que:
Mensagens de texto transformam a todos em criança de doze anos semi-analfabetas, e presidentes, primeiros-ministros e secretários-gerais não são exceção.
Neste texto, ele se opõe à prática disseminada de fazer diplomacia via WhatsApp. O que, por óbvio, não funciona.
Em geral, a velocidade de entrega de um meio [de comunicação] está inversamente correlacionada com o cuidado e a nuance das mensagens que ele carrega. A crescente hegemonia das mensagens instantâneas, parece justo dizer, não está promovendo a eloquência na correspondência privada ou no discurso público. Mensagens são ótimas para trocas rápidas. Elas rebaixam praticamente todo o resto.
Ele pesca um exemplo do livro supracitado para demonstrar que a celeridade na comunicação causa estragos na diplomacia há muito tempo.
A chegada do telégrafo, no final do século XIX, era a esperança do fim da guerra. Nikola Tesla e seu rival, Guglielmo Marconi, ambos pesquisadores dedicados ao desenvolvimento do telégrafo sem fio, tinham essa expectativa.
Em 1912, Marconi declarou que o telégrafo sem fios “tornaria a guerra impossível”. Dois anos depois, a I Guerra Mundial eclodiu.
Ele cita um trecho do historiador francês Pierre Granet, em referência à Guerra Franco-Prussiana, de 1870:
A transmissão constante de despachos entre governos e seus agentes, a rápida disseminação de informações controversas entre um público já agitado, apressou, se não provocou, o início das hostilidades.
Se para um indivíduo com muita liberdade para optar em quais grupos participa já é difícil, imagine para estadistas e agentes governamentais, que precisam lidar com gente desagradável e tomar decisões que impactam milhões de pessoas? Como diz Carr, no final do texto,
O estado bem-sucedido requer deliberação, discrição e discernimento, qualidades raramente evidentes em mensagens transmitidas por meio de aplicativos em telas de celular.