Ícones de notificações ladeando uma notificação fictícia perguntando se o usuário quer recebê-las.

Como desativar notificações de todos os sites no seu navegador


11/3/19 às 15h21

Perguntei a alguns leitores (no post livre e no Twitter) o que achavam das notificações que alguns sites oferecem a seus leitores. Não era uma pergunta descompromissada: tinha a intenção de oferecer esse canal de distribuição aos leitores do Manual do Usuário. As respostas, porém, me fizeram repensar a ideia.

Em tese, o poder de mandar notificações ao leitor é bastante útil. Afinal e com exceção toque sonoro das ligações recebidas, as notificações são o alerta mais importante e visível que um celular é capaz de emitir. Mas na prática, como acontece com frequência, incontáveis abusos praticamente destruíram a reputação das notificações de sites.

Esses abusos, com base na minha própria experiência, são de dois tipos: na oferta do recurso e no comedimento de seu uso. Sobre o primeiro, acho que este print do site da Gazeta do Povo resume bem a situação:

Pedido de permissão para o envio de notificações no site da Gazeta do Povo.
O pedido de notificação ocupa 1/3 da área da página.

O segundo tipo de abuso decorre das dinâmicas e pressões do mercado. Distribuir o conteúdo produzido pela redação é muito difícil; em veículos com um grande volume de produção, como são os jornais generalistas, ainda mais. Isso acontece porque o tempo é finito, a atenção dos leitores, limitada, e a competição por ela muito acirrada. Some às dificuldades a diminuição crescente dos acessos diretos dos leitores às capas dos sites.

Neste cenário, qualquer possível fonte de crescimento da audiência ou para fidelizar quem já conhece a marca é vista como um oásis no meio do deserto. E as publicações estão sedentas.

Isso explica a indiscrição delas, por vezes agressiva como a do print acima, nas tentativas de conquistarem um espaço cativo na área nobre do celular, a das notificações. Talvez uma abordagem mais tranquila, mostrando as vantagens das notificações (elas existem!), surtisse melhor efeito a longo prazo. Talvez não. Na dúvida, a maioria das publicações apela para a força bruta, colocando pop-ups e outros alertas intrusivos à frente do conteúdo na esperança de angariar permissões de gente digitalmente iletrada ou toques acidentais no botão “Sim”.

Em um mundo (ou publicação) ideal, notificações só são usadas para notícias urgentes ou para recomendar grandes reportagens. Quantas dessas um jornal publica por dia? Uma? Duas? Há dias em que nada digno do rótulo “urgente” acontece. Por outro lado, produzir reportagens especiais é caro e trabalhoso, o que vai na contramão das redações, cada vez mais enxutas e com menos recursos para trabalharem. Qualquer uso além desses dois estressa a atenção do leitor e enfraquece a força que a notificação teria se bem usada, estigmatizando um recurso que, fosse bem usado, seria útil a todos.

Por fim, as notificações dos apps também acrescentam à estafa do leitor/usuário. São tantas, boa parte delas irrelevantes, que a área de notificações passou de solução simples e eficiente para saber o que aconteceu durante períodos distante do dispositivo para se tornar, ao lado do e-mail corporativo, mais um fardo com que o usuário tem que lidar em sua vida digital.

Outro motivo para preocupação

Além da chateação, há outro motivo oculto e pouco falado para se preocupar com as notificações de sites: a privacidade.

Subir um sistema próprio de gerenciamento e disparo de notificações push não é tecnicamente trivial, por isso a maioria recorre a fornecedores especializados nisso.

Curiosamente, algumas dessas empresas não cobram nada pelo serviço. Não é por benevolência. A OneSignal, talvez a mais famosa fornecedora de soluções de notificações push para sites, é gratuita até 30 mil assinantes. Uma leitura em sua política de privacidade esclarece o porquê: ela reserva o direito de coletar dados diversos, do endereço de e-mail às páginas visitadas pelo usuário final (você, que ativa a notificação), passando pela lista de apps instalados, meta dados diversos e a inserção de um cookie que permite identificar o usuário. Esses dados são compartilhados (vendidos) com anunciantes, empresas de publicidade e plataformas para os mais variados fins. O bom e velho modelo de negócio que impregnou o Vale do Silício e tem causado tanto estrago por aí.

Por incrível que pareça, existem empresas piores nesse sentido. A brasileira Netdeal oferece uma série de serviços de “retargeting” — entre eles, notificações push. Seu site sequer dispõe de uma política de privacidade.

No Manual do Usuário, caso implementasse notificações para os posts publicados aqui, usaria o sistema da Pushpad. Com sede na Itália, o serviço é pago, adere ao Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), não gera perfis dos usuários finais (que recebem as notificações), coleta o mínimo necessário de dados e não os repassa a terceiros.

Como desativar notificações de sites

O resultado desta bagunça é uma tremenda aversão às notificações emitidas por sites. As dos apps são mais difíceis de serem evitadas, seja pela maneira como são oferecidas, seja pelo que elas prometem (novas mensagens no WhatsApp ou o alerta de que o pedido do delivery de comida ou a carona da Uber está chegando, por exemplo). Já os sites não têm essa “vantagem”. É mais fácil ignorá-las, não importa quão insistentes eles sejam ou importante seja o site em seu dia a dia. E ignorá-las fica ainda fácil com a ajuda dos próprios navegadores.

A maioria dos navegadores modernos oferece um sistema para exibir notificações de sites. Todos os que têm o recurso apresentam configurações granulares, que permitem revisar decisões tomadas para cada site específico, e quase todos têm uma mais drástica, que interessa especialmente àqueles não suportam aquela caixinha pedindo permissão para enviar mais caixinhas de notificações: a que desativa o recurso por completo. Feito isso, aqueles pop-ups chatos que travam a janela perguntando se você quer receber notificações do site em questão param de aparecer.

Abaixo, explico como desativar as notificações de sites nos principais navegadores web disponíveis no mercado.

Chrome

Tela das configurações do Chrome para desativar notificações de sites.

No Android, toque no menu dos três pontinhos e, depois, em Configurações. Na tela que aparece, toque em Configurações do site e, depois, em Notificações. Ali, desative tocando no ícone azul da opção Notificações, no topo da tela (da imagem acima).

No Chrome para computadores o caminho é parecido, com ligeiras diferenças. Clique no botão dos três pontinhos e, depois, em Configurações. Na parte inferior da página, clique em Avançado. Em seguida, na parte Privacidade e segurança, clique em Configurações de conteúdo e, depois, em Notificações. Agora, basta selecionar a opção Bloquear tudo.

Firefox

Tela de configurações do Firefox com a parte de permissões para notificações de sites.

No computador, clique no ícone dos três riscos no canto superior direito e, depois, em Preferências. No menu à esquerda, clique em Privacidade e segurança. Agora, role a página até o bloco Permissões e clique no botão Configurações… do item Notificações. Na tela que surgir, basta clicar na caixa Bloquear novas solicitações pedindo permissão para exibir notificações e, em seguida, no botão Salvar alterações.

Safari

Tela de preferências do Safari mostrando para desativar notificações de sites.

Abra as configurações do Safari indo no menu Safari e, depois, clicando em Preferências — ou pelo atalho Command + , (vírgula). Na tela de preferências, clique na aba Sites. Na lista à esquerda, clique em Notificações. Por fim, basta desmarcar a caixa Permitir que sites peçam permissão para enviar notificações por push.

O iOS não permite que sites disparem notificações, não importa se o usuário esteja no Safari, Chrome ou qualquer outro disponível na App Store.

Edge

Não é possível desativar completamente a oferta de notificações por sites no Edge, navegador da Microsoft que é padrão no Windows 10.

Ícones da imagem do topo: The Noun Project.

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