Quem compra celulares simples em 2015? Quase 600 milhões de pessoas


5/6/15 às 9h13

O último celular lançado pela Microsoft custa US$ 20, tem 4 MB de RAM, tela de 1,4 polegada, não roda Windows Phone, nem tem suporte a conexões 3G. Ele sucede um aparelho que, em quase dois anos, vendeu 80 milhões de unidades. O (novo) Nokia 105 representa uma categoria em declínio, mas que ainda responde por números consideráveis.

A CCS Insight, uma firma de consultoria, estima que em 2015 serão vendidos 590 milhões de dumbphones e featurephones, celulares simples que, embora possam ter um ou outro recurso comum em smartphones, carecem de todos deles. Em 2014 no Brasil, segundo a IDC, foram vendidos 70,3 milhões desses aparelhos, uma alta de 7% em relação ao ano anterior.

Com smartphones vendidos por menos de R$ 300, quem ainda compra celulares super simples? Para Leo Mirani, da Quartz, três perfis:

  • Compradores de primeira viagem, que nunca tiveram um celular antes. Eles se concentram na África, Índia, China e América Latina, e engloba também crianças de países mais ricos que têm o primeiro contato com a tecnologia.
  • Pessoas que não gostam de smartphones, não usam Facebook, nem se importam com apps e todas as coisas legais que eles fazem. Chame-os de neoluditas ou o que quiser, mas esse povo existe.
  • Quem já tem um smartphone e precisa de uma segunda linha, ou viaja muito e ter um celular simples, com bateria duradoura e que conversa com diversas frequências de rede é importante. Inclua aqui, ainda, aqueles que têm um celular simples para momentos mais arriscados, como fazer trilha, acampar, ir a festivais de música ou… você sabe, andar no centro de grandes cidades à noite.

Note que, com exceção das crianças do primeiro grupo, para todos os demais a simplicidade do dumbphone não é empecilho e, não raro, é uma vantagem — menos distrações, mais autonomia. E por ser um mercado que, embora relativamente ao dos smartphones, seja pequeno (e esteja encolhendo), é grande o bastante para que se crie serviços e negócios em seu entorno.

O M-PESA, por exemplo. É um dos sistemas de pagamento móvel mais desenvolvidos do mundo, e funciona por… SMS. O Facebook, em parceria com a empresa singapurense U2opia, funciona em celulares simples via USSD (o sistema que você usa para consultar o saldo do pré-pago) e tem 17 milhões de usuários em 36 países.

Quando falamos em números superlativos, como nos da telefonia móvel e da Internet, mesmo as pequenas oportunidades são grandes se comparadas às de setores menores da economia. Quase tudo tem escala e encontra grupos de usuários interessados em número suficiente para viabilizar o negócio.

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19 comentários sobre “Quem compra celulares simples em 2015? Quase 600 milhões de pessoas”

  1. Eu uso porque preciso de uma segunda linha para falar com meu irmão que usa Oi por causa da empresa.

  2. Faltou o meu grupo, o de quem comprou um dumbphone pra ouvir rádio! Num tempo onde o Moto X falha nisso, só assim mesmo. Comprei um da Nokia basicamente só pra isso e deu um banho de autonomia num desses mp3 players da vida que usava.

  3. Eu! Eu! Que saudades do meu Nokia 116, Acho que era esse o número do meu diabrete que nunca me deixou sem bateria.
    Reconheço o valor do “espertofones”, como disse o Bruno, mas no mais das vezes, com exceção da facilidade do banco e da fotografia de momento, só uso o meu para telefonar.

  4. eu tinha um samsung B2710 q eu acho não ser considerado smartphone apesar dele fazer umas coisas bem legais. o carregava pq fiquei frustrado com a autonomia de um smartphones da motorola q já tive e me deixou na mão. esse por ter especificações militares, aguentaria qualquer coisa em tese. acabei passando pro meu pai, pq a necessidade do smarthphone voltou e felizmente a bateria dura bem mais agora. mas ainda sinto falta de algo simples, resistente e com especificações mais voltadas a situações de emergência e extremas, afinal um desses pode te salvar de enrascadas. ele tinha um esquema de apertar o botão do volume umas três vezes seguidas e disparar sms com pedido de ajuda a algumas pessoas listadas e qdo ligassem pra vc de volta ele atendia automaticamente e deixava captando o som ambiente…

    1. Comprei um lg l20 para ser mp3 player. Baixei o spotify, tem radio, pequeno. Excelente pra levar em corridas ou caminhadas, academia! Tenho um g3 que ficaria grande demais. .

      1. Quando troquei meu primeiro smartphone, um Galaxy 5 (não confundir com Galaxy S5), mantive ele um bom tempo comigo para corrida. Só tinha instalado o Endomondo e algumas músicas ou podcasts, e funcionava bem — apesar da demora para sincronizar localizar o sinal do GPS.

      2. Quando troquei meu primeiro smartphone, um Galaxy 5 (não confundir com Galaxy S5), mantive ele um bom tempo comigo para corrida. Só tinha instalado o Endomondo e algumas músicas ou podcasts, e funcionava bem — apesar da demora para sincronizar localizar o sinal do GPS.

  5. Eu me encaixo no 3º perfil, tenho um dumb da samsung que só ligo quando vou pra lugares mais “arriscados”. Você se sente mais tranquilo sem nada de valor que possa ser roubado.

  6. Eu conheço um neoludita especificamente de Smartphone e um de outro tipo, o “Tech rehab”, que gosta tanto de smartphone que teve transtornos na vida e na saúde e por isso precisou se distanciar contra a própria vontade (já perdi o contato com esses dois).

  7. Quem compraria (dumb)phone em 2015? Eu! :) Se for tri chip, melhor ainda :) Se bem que penso na “necessidade disso” de manter três linhas, em tempos de whatsapp, facebook e etc…

    …e esta ultima parte da frase cria o dilema: um telefone tri-chip ou um smartphone com redes sociais?

    Edit: EI, TEM SNAKE NESTE CELULAR, SENHORES!!! COBRINHA!!! WANT!!!

    1. É uma reflexão interessante. Por várias vezes pensei em comprar um segundo chip, porque na verdade a maioria dos meus contatos não é da mesma operadora que eu, e meu smartphone é dual chip. Mas… eu ligo tão pouco! Quase toda a comunicação é feita por WhatsApp e Facebook. De vez em quando um email, mas esse eu uso muito mais para receber que enviar. De vez em nunca, rola até um SMS!

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