O Ecosia, um buscador web que direciona seu lucro à ação climática, pergunta se existe alternativa “verde” de inteligência artificial generativa no título desta página e, no título do mesmo post, responde que “a IA mais verde chegou”.
A “IA mais verde”, esse paradoxo, é a que o Ecosia acabou de lançar integrada ao seu buscador. A implementação é idêntica à do Google, com um resumos (“AI Overviews”) antes dos resultados e um chatbot a um clique de distância. A diferença evidente é que existe um botão para desativar os AI Overviews. A menos óbvia, mas crucial neste caso, é a promessa de que:
Como uma empresa sem fins lucrativos, podemos nos dar ao luxo de fazer as coisas de forma diferente. A busca por AI usa modelos menores e mais eficientes, e evitamos completamente recursos de alto consumo de energia, como a geração de vídeo.
Faltam detalhes (quais modelos?) e o exemplo é disparatado (nenhum buscador com IA oferece geração de vídeos).
Eu não sou contra IA generativa. Dizê-lo seria hipócrita, porque faço usos pontuais. (E em outro buscador, a do DuckDuckGo.)
É por isso que fico balançado com notícias como essa e a do Firefox investindo tudo em IA. Por mais que entenda o apelo, parece-me estranho um serviço que tenha a ação climática como razão de existir embarcar numa onda tão voraz por energia que está reativando usinas nucleares e fazendo as big techs abandonarem suas promessas de reduzirem suas pegadas de carbono.
A “IA mais verde”, afinal, é não ter IA. Ignorá-la, ao menos até que a curva de adoção se estabilize e os efeitos ao meio-ambiente sejam melhor compreendidos, seria coerente e até um diferencial nesse mar de empresas, serviços e produtos oferecendo IA só porque sim.