Links do dia

De segunda a quinta-feira, reúno os links mais legais da web em listas como esta. Quer mais? Tem no arquivo.

Criptografia de ponta a ponta no RCS do iOS? (em francês), @TiinoX83/xcancel. Foram encontrados indícios no segundo beta do iOS 26.3. É a peça que falta para que o RCS seja uma alternativa equiparável aos melhores apps de mensagens do mercado.

Aplicativo “Você está morto?” vira sucesso na China em meio ao aumento de pessoas que vivem sozinhasO Globo. Que deprê…

Linux Mint 22.3 “Zena” (em inglês). As mudanças visíveis são um novo menu Iniciar e novos aplicativos para informações do sistema e ferramentas de administração. Esta é uma versão de suporte prolongado (até 2029).

Apple Creator StudioManual do Usuário. O “pacote Adobe” da Apple encolhe a barreira de entrada para os aplicativos profissionais da empresa. Até assinatura pode ser boa às vezes.

Firefox 147 (em inglês). A primeira atualização de 2026 do Firefox foca em melhorias de bastidores, como suporte a WebGPU em chips da Apple e padronização dos diretórios de cache e configurações no Linux (válida apenas para novos perfis ou instalações). A única novidade mais visível é o PiP automático ao alternar de uma aba que esteja tocando vídeo.

BTN-1 Macro Deck. Tecladinho de quatro teclas (mecânicas!) feito especialmente para ser integrado ao Home Assistant. Lá fora, por ~US$ 35.

CColorPaletter. Um gerador de paletas de cores bonitão e totalmente gratuito. Aperte a barra de espaço para gerar uma nova.

Discos do Brasil. Trabalho primoroso de catalogação da música brasileira, criador por Maria Luiza Kfouri (1954–2023). Dica do Renato.

Links do dia

De segunda a quinta-feira, reúno os links mais legais da web em listas como esta. Quer mais? Tem no arquivo.

Apple e Google oficializam parceria para usar Gemini na nova Siri (em inglês), @NewsFromGoogle/xcancel. A única coisa boa que se extrai desta notícia é a cutucada com um bastão de beisebol que as duas empresas deram na OpenAI.

Bose abre seus alto-falantes inteligentes antes de encerrar o suporte (em inglês), Ars Technica. Em vez de transformar produtos antigos em lixo eletrônico, a Bose liberou a documentação da API dos alto-falantes da linha SoundTouch. Deveria ser algo normal, exigido por lei, mas cá estamos — mais uma vez — exaltando uma empresa por fazer o mínimo.

Como desativar anúncios de bet no GoogleNúcleo. O Google, muito bonzinho, exige que você brigue com as opções labirínticas das configurações de privacidade para se esquivar de golpes.

Nunca usei uma trackball, mas a Nape Pro da Keychron parece perfeita (em inglês), The Verge. Acessório curioso apresentado na CES 2026. Pode ser usado embaixo do teclado, nas laterais ou segurando na mão. Ainda sem data de lançamento ou preço.

OG Preview Lab. Ferramenta online que oferece prévias para diversas plataformas de como links aparecerão naqueles cartões (OG tags, para os entendidos). Ótimo para usar antes de compartilhar algo.

Pi Clock. Um relógio que exibe as horas dentro de dígitos do pi. Teclas 1–5 alteram o relógio (a tecla 5 ativa o modo gamer).

enclose.horse. Use todas as barreiras para impedir que o cavalinho fuja e, ao mesmo tempo, deixá-lo com o maior espaço possível. Um desafio novo por dia, gratuito.

A caixa-preta da influência: ser criador de conteúdo dá dinheiro mesmo?  uol.com.br

Os novos profissionais multimídia (criadores de conteúdo) não têm vida fácil. Rafaela Polo tentou desvendar os segredos da “caixa preta” do faturamento dos influenciadores. Encontrou dados desanimadores, como os da Influency.me, uma plataforma de de influência:

Só na plataforma Influency.me havia mais de dois milhões cadastrados em 2025 — um número que cresceu 64% em relação ao levantamento de 2024.

Isso significa que há dois milhões de pessoas vivendo de dinheiro que ganham com as redes sociais? Não é bem assim. Pelo contrário: é complicado ganhar dinheiro com internet. Desses que estão no Influency.me, só 1,5% declaram ganhar mais de R$ 50 mil por mês. A maioria ganha pouco: 25% diz que recebe R$ 500 e 33% entre R$ 500 e R$ 2.000 mensalmente.

Traduzindo em números absolutos, cerca de 30 mil ganham mais de R$ 50 mil/mês. Os que praticamente pagam para trabalhar (ganhos de até R$ 2 mil/mês) são mais de 1,1 milhão.

Tenho comigo a teoria de que trabalhar com influência digital é o mesmo que virar vendedor. A CEO da Mynd, Fátima Pissarra, concorda:

[…] para a CEO da Mynd, todo influenciador tem que partir da premissa de que é um vendedor, já que resultados de links afiliados podem trazer receita de forma mais imediata. “A afiliação está crescendo muito. Tem perfis com 100 mil seguidores ganhando cerca de R$ 300 mil só de comissão por mês”, diz.

 

O APOIA.se avisou, em mensagem enviada por e-mail (e só, aparentemente), o vazamento do nome completo, e-mail, endereço de entrega e identificadores internos de quem faz ou já fez apoios pela plataforma. A falha foi identificada no dia 6/1. A empresa afirmou que os dados vazados “não revelam diretamente quais campanhas você apoiou, seus interesses ou preferências”.

Livro de janeiro: “Orbital”, da Samantha Harvey

O primeiro livro do calendário oficial do nosso clube de leitura será Orbital, da Samantha Harvey, publicado no Brasil pela DBA editora:

Capa do livro “Orbital”, de Samantha Harvey, publicado no Brasil pela DBA editora.

Quatrocentos quilômetros acima da Terra, quatro homens e duas mulheres — dos Estados Unidos, do Japão, da Inglaterra, da Itália e da Rússia — compartilham a estação espacial internacional. Em um período de vinte e quatro horas, a uma velocidade de vinte e oito mil quilômetros por hora, eles dão dezesseis voltas ao redor do planeta.

Cada órbita é um capítulo breve deste tour de force de beleza contemplativa: da calculada rotina espacial de cada um dos astronautas e cosmonautas — os exames de sangue diários, os experimentos científicos —, das implicações emocionais com aqueles que deixaram na Terra — a morte de um familiar, um casamento sem amor — e dos diálogos mais ou menos reveladores entre eles, Orbital extrai indagação filosófica e instantes de arrebatamento.

Com uma pesquisa profunda e um repertório poético transbordante, Samantha Harvey lança sobre o planeta e a humanidade — tão poderosos, tão frágeis — um olhar afetuoso: um astronauta é “um animal que não apenas testemunha as coisas, mas ama o que testemunha”.

Tive a oportunidade de lê-lo ano passado e foi uma leituras das mais agradáveis. Será um prazer relê-lo e conversar a respeito com a comunidade do Manual do Usuário.

O clube de leitura promove dois debates para cada livro lido:

  • Uma conversa por áudio (e/ou vídeo, a critério dos participantes), entre quem assina o blog. A de Orbital será no dia 7/2 (um sábado), das 10h ao meio-dia.
  • Aqui no blog, em um post publicado no mesmo dia 7/2. Os comentários ficarão abertos por 30 dias.

Aos assinantes, o link para a sala do debate por áudio e vídeo será enviado pela newsletters, algumas horas antes do início.

Boa leitura!

iOS 26 ainda patina para ganhar espaço entre usuários de iPhone  cultofmac.com

Ed Hardy encontrou um dado interessantíssimo nos números do StatCounter:

[…] Cerca de quatro meses após o lançamento [do iOS 26], em meados de setembro, apenas ~15% dos usuários de iPhone têm alguma versão do novo sistema instalada. Isso segundo dados de janeiro de 2026 da StatCounter. Em vez disso, a maioria dos usuários permanece em versões anteriores.

A título comparativo, em janeiro de 2025, cerca de 63% dos usuários de iPhone tinham alguma versão do iOS 18 instalada.

A curva de adoção do iOS 26 é atípica, e por uma larga margem. Anos anteriores (2023, 2022) entregaram números mais parecidos com os de 2024, do iOS 18.

Agradeço a todos os amigos que seguem firmes no iOS 18. Eu não resisti e atualizei o meu e, embora ache o Liquid Glass do iOS o menos pior entre todos os dispositivos com que tive contato, ainda assim é a versão mais esquisita desde que comecei a usar iPhone, há mais de uma década.

Espero que esses números acendam um alerta no departamento de design da Apple.

Atualização (17h10): É possível, embora não confirmado, que uma alteração no “user-agent” do Safari esteja causando distorções nos números do StatCounter. Outras fontes, porém, reforçam a suspeita de adoção mais lenta do iOS 26, mesmo que numa intensidade menor.

Mais uma vez o Google ameaça os 3 bilhões (!) de usuários do Gmail com recursos do Gemini (IA). Desta vez, a mudança é dramática: a caixa de entrada será “inteligente”, o que seria tentador se os modelos de IA fossem capazes de resumir certo e não fossem propensos a erros. Por ora, o novo Gmail está sendo liberado para estadunidenses que pagam os caros planos de IA do Google. A medida profilática é desativar todos os recursos de IA do Gmail: nas configurações, aba Geral, desmarque a opção Ativar os recursos inteligentes no Gmail, Chat e Meet. De nada!

Profissão: criador de conteúdo

Tremo na base quando alguém me pergunta o que eu faço. O que eu faço? Não sei. Costumo responder “sou jornalista”, definição que está longe de me descrever, apenas para matar o assunto.

“Tenho um blog” é outra resposta a que recorro quando a carga de paciência está cheia. A ela sucedem-se perguntas inevitáveis, como “mas você consegue viver só disso?”, e comentários do tipo “eu já tive um blog, ganhava uns trocados com AdSense”.

A fundação da Célere embolou ainda mais o meio-campo. “Tenho uma pequena agência que presta serviços de tecnologia para jornais digitais.” Correto, mas cansei só de escrever. E, sendo bem pedante, isso não é “o que eu faço”, é “onde eu trabalho”. Parte do tempo. Porque tem o blog ainda.

(mais…)

[…] O que aprendemos ao longo deste último ano, em especial do ponto de vista do consumidor, é que eles não estão comprando [computadores] por causa de IA. Na verdade, acho que a IA provavelmente os confunde mais do que os ajuda a entender um resultado específico.

Homem branco, com barba por fazer e sorrindo.Kevin Terwilliger
Líder de produtos da Dell

Surpreende que a primeira fabricante a mandar a real sobre “PCs com IA” seja a Dell, parceria de primeira hora da Microsoft na iniciativa dos notebooks Copilot+.

Note, porém, que a citação completa sinaliza que a Dell não vai parar de investir em IA, apenas que a tecnologia deve deixar de ser o carro-chefe do marketing. Ela começa assim: “Estamos muito focados em oferecer recursos de IA de um dispositivo — na verdade, tudo o que estamos anunciando [na CES] tem uma NPU nele —, mas o que aprendemos…”

Sua vida digital não é sua: a batalha oculta pela liberdade do software  fsf.org

Sou muito simpático ao software livre. (E lamento não usar mais softwares do tipo.) No blog da Free Software Foundation, Jason Self reforça a importância das quatro liberdades do FOSS em face do aprendizado de máquina — que, neste contexto, se confunde com o que chamam por aí de “inteligência artificial”. Ele o define assim:

[…] software que não apenas segue instruções, mas aprende e toma decisões autônomas. É um novo e poderoso tipo de código, e se tornou a caixa preta mais profunda já criada.

O texto apresenta a IA como uma ameaça para revisitar as bases do movimento. O que é sempre bom e, vez ou outra (como neste caso), revela histórias desconhecidas do público (ou a mim, pelo menos). É por uma dessas, a da criação do conceito de software livre, que trouxe este link para cá:

No Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, um programador chamado Richard Stallman ficou frustrado com uma nova impressora a laser da Xerox que vivia emperrando. Sua solução era simples: modificar o programa para notificar automaticamente os usuários na rede sobre o congestionamento, economizando tempo e frustração de todos. O problema era que ele não tinha permissão; o código-fonte do programa era um segredo. Embora um programador em outra universidade tivesse o código, ele estava vinculado a um acordo de confidencialidade e se recusou a compartilhá-lo. Isso não foi apenas um inconveniente; foi uma crise ética em miniatura. Um problema prático se tornou impossível de resolver, não por razões técnicas, e definitivamente não porque era melhor assim. Uma barreira foi colocada intencionalmente para negar aos usuários o controle sobre o software que eles usavam.

Esse momento de frustração acendeu a centelha para o movimento do software livre.

Na próxima vez que a minha impressora emperrar, encararei a situação com um pouco mais de animação. Forçando um pouco a barra, ela tem um quê de sagrado, pois reproduzem o momento da criação do software livre. Amém!

Pessoas que usam um mouse da Logitech no macOS passaram algumas horas com as funcionalidades limitadas. Um certificado expirado dos apps Logitech Options+ e G HUB causou a confusão. A falha, ridícula, pelo menos serviu para as pessoas descobrirem utilitários alternativos melhores para este fim. (O melhor software, porém, é nenhum software; mouse bom se garante sem essas coisas, hehehe!)

Doppi, o player mais legal para seus arquivos de música

Botão de “play” branco contra um fundo azul arroxeado.

Na minha primeira aventura no retorno aos arquivos de música (*.mp3, *.flac), em 2023, mencionei um aplicativo para iOS, o Doppi. Foi ele o escolhido para me acompanhar na segunda tentativa, desta vez bem-sucedida.

Por isso, achei que valia dar maior destaque ao app (“o player mais legal para seus arquivos de música”). Além de ótimo, nesse intervalo ele ganhou novos recursos sensacionais:

(mais…)

CEOs da tecnologia: Os funcionários PRECISAM estar no escritório. Não dá para fazer o trabalho remotamente.

Também CEOs da tecnologia: A maioria dos funcionários pode ser substituída por IA. Hospedada remotamente.

Dell e Microsoft, gênios do marketing

Lembra quando a Warner Bros. mudou o home do seu streaming de HBO Max para Max e, menos de um ano depois para HBO Max de volta? Ou quando a pessoa mais rica do mundo provou que dinheiro não tem relação com inteligência e jogou a marca “Twitter” no lixo? Gênios do marketing!

Talvez seja o capitalismo tardio, talvez efeito colateral de novas drogas rolando entre os manda-chuvas das empresas mais poderosas do mundo. Ou apenas estupidez mesmo. Fato é que a prática está se espalhando, e rápido.

No início de 2025, a Dell reformulou sua linha de notebooks e aposentou nomenclaturas tradicionais, incluindo a XPS, talvez a mais lembrada após a MacBook, da Apple. O objetivo era simplificar. Ninguém entendeu nada.

Corta para 2026 e a Dell anunciou na CES, para a surpresa de ninguém, que voltará a usar a marca XPS.

Correndo por fora, temos a Microsoft. Ao acessar o site office.com, deparamo-nos com esta pérola (destaque meu):

Bem-vindo ao aplicativo do Microsoft 365 Copilot

O aplicativo Microsoft 365 Copilot (anteriormente Office) permite que você crie, compartilhe e colabore em um só lugar com seus aplicativos favoritos, agora incluindo o Copilot.*

Imagine só, trocar a marca que é sinônimo de aplicativos básicos de produtividade há três décadas por… Copilot, um gerador de lero-lero que geral não gosta e quando usa, só o faz obrigado pelo empregador.

Bom para nós. Quanto menos associarmos softwares críticos a marcas comerciais das big techs, melhor. Vida longa ao Microsoft 365 Copilot — ou qualquer outro nome ruim que Word, Excel e cia. venham a ter no futuro.