O chatbot de IA do DuckDuckGo

Eu gosto muito da abordagem para IA da Apple pré-“Apple Intelligence”. Há anos a empresa (e o Google pré-ChatGPT, justiça seja feita) espalha pequenas melhorias em seus sistemas sem estardalhaço nem esfregar na cara dos usuários que aquilo é IA. Ou “AI”, que seja.

Um dos usos mais frequentes que faço é o do tradutor embutido no macOS e iOS. Seleciono um texto, clico com o botão direito e, no menu, peço para traduzi-lo. A tradução é ok e tenho botões para copiá-la ou, se possível, substituir o trecho original pelo traduzido.

Enfim. O que quero dizer é que, deixando de lado todas as implicações ambientais, trabalhistas e éticas, às vezes é difícil não usar um ou outro recurso de IA generativa.

Nesses casos, é legal ter uma camada de proteção contra a vigilância das empresas menos comprometidas com a privacidade dos usuários.

A Apple promete essa proteção nas consultas que seus usuários fizeram ao ChatGPT. Não é preciso esperar pela “AI” nem comprar um iPhone 15 Pro para tal, porém.

O DuckDuckGo, que já blindava o usuário da vigilância da Microsoft (o índice do DDG é baseado no Bing), lançou um “AI Chat” que faz o mesmo para grandes modelos de linguagem (LLMs), ou seja, permite conversar com IAs generativas sem que seus dados fiquem expostos a empresas como a OpenAI.

Outro aspecto legal do AI Chat do DDG é a oferta de outros LLMs. Além do ChatGPT 3.5 Turbo, temos o Claude 3 da Anthropic e dois de código aberto: o Llama 3, da Meta, e o Mixtral, da startup francesa homônima.

O sonho do iPad “Pro” foi adiado outra vez

Os 15 jornalistas e youtubers obcecados em usar o iPad como se fosse um notebook devem estar frustrados com a Apple. Havia a expectativa (nutrida por eles) de que o anúncio antecipado do iPad Pro com tela OLED, em maio, seria “complementado” com novos recursos super poderosos guardados para o iPadOS 18.

E… não deu em nada.

O destaque da nova versão do iPadOS é um aplicativo de calculadora que faz contas de um jeito mais lento, mas mais legal — escrevendo com o Apple Pencil, se você tiver um.

Ouro de tolo

Foto em preto e branco de milhares de trabalhadores na Serra Pelada.

Se a inteligência artificial é a nova corrida do ouro, vale a velha máxima de que faz dinheiro de verdade quem vende pás e picaretas.

No caso, as pás e picaretas da IA (sem duplo sentido; acho) são os chips H100 e variações da Nvidia, empresa que vive tropeçando em mercado “revolucionários” que dependem de quantidades abismais de processamento computacional.

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Tecnologias anti-inteligência artificial

Uma nova rede social fez barulho esta semana com uma proposta diferente: ela é anti-IA. Chama-se Cara e é uma espécie de Instagram misturado com portfólio. Atraiu artistas — o que não é de se estranhar —, mas viralizou o bastante para ser comentada em outros círculos. (Ganhou um tópico no Órbita, aliás.)

Não me parece ser algo que valha o seu ou o meu tempo. É mais uma rede fechada que, se vingar — uma remota possibilidade —, será vendida, fechada ou corrompida por anúncios invasivos daqui a alguns anos. As defesas contra a coleta de imagens para treinar IAs são frágeis e não há qualquer garantia de que funcionem.

Em junho de 2023, uma construtora na Bélgica deu uma zoada no ChatGPT para se promover. Era marketing de ocasião, tipo quando perfil de empresa no Twitter pega carona em memes. Sinal de que o objeto da gozação chegou ao grande público — e, no caso dos memes, sua sentença de morte.

O caso da Cara chama a atenção porque não usa a IA como gancho para uma piada. Ela leva esse posicionamento a sério. É tipo quando alguém sai do Instagram ou do Twitter e vai para o Mastodon sem ter outro assunto que não falar de como o Instagram e o Twitter são ruins, ou seja, é insustentável.

Por outro lado, fico pensando se, em algum momento futuro, a IA não se transformará em uma espécie de gordura trans da tecnologia, um recurso indesejado, nada digno de se gabar, mas tolerado, mais ou menos como o assalto à privacidade que plataformas e aplicativos comerciais fazem e estamos aí, cientes e paralisados — ou quase; o dedão ainda se mexe para rolar a tela.

Instagram testa anúncios não puláveis no feed do Instagram

A ojeriza à IA de (parte) das pessoas não é a única explicação do sucesso repentino — ainda que limitado — da Cara. A toxicidade do Instagram talvez seja um incentivo ainda maior.

Nesta semana, a Meta confirmou que está testando anúncios não puláveis no feed. Para estarem cogitando isso, significa que estão confiantes de que os usuários engolirão mais essa.

A Meta é uma versão moderna daqueles testes bizarros que Skinner e Milgram faziam nos anos 1960. “Que prática abusiva e/ou repulsiva a gente vai colocar no Instagram hoje a fim de determinar o máximo que as pessoas toleram antes de desinstalarem o aplicativo?” Pelo visto, isso ainda vai longe.

Telegram Stars

Pavel Durov, CEO do Telegram, anunciou a “Telegram Stars”, uma moeda virtual, comprada com dinheiro de verdade pelos sistemas da Apple e do Google, para ser usada dentro dos mini-aplicativos da plataforma. Detalhe: só dá para sacar os “Stars” convertendo-os para a criptomoeda TON, dentro da plataforma Fragments. (Não pergunte, eu também não entendo direito.)

Como disse alguém no nosso grupo no Signal, Durov está convertendo dinheiro real em dinheiro de Banco Imobiliário que ele mesmo imprime — e ainda diz que vai subsidiar a taxa de 30% da Apple e Google, o que é fácil quando o único dinheiro de verdade na reta não é o seu.

Gênios (Durov e o leitor)!

Implementação do Recall, do Windows 11, é um pesadelo de segurança

O Recall do Windows 11, sistema de IA que tira prints da tela e permite pesquisar por tudo o que você viu, é muito mal implementado. Textos da tela são convertidos em texto puro e salvos sem qualquer proteção no disco. Já existe até uma ferramenta, com o sugestivo nome TotalRecall, que facilita a extração dos dados.

Não duvido que a Microsoft volte atrás ou, no mínimo, atrase o Recall para fazer o básico — consertar essas brechas antes do lançamento. Se não for pedir muito, seria legal se fosse um recurso opcional e não ativado por padrão, como o é nas versões de teste que já estão rodando por aí.

Quantificando o projeto tiny-Small do SmolPhone 

Pesquisadores da Universidade de Rennes, na França, criaram um projeto chamado SmolPhone que explora o uso de dois chips, um mais fraco e econômico, outro mais potente, a fim de criar um celular com recursos esperados em smartphones cuja bateria dure uma semana longe da tomada. No paper abaixo, curtinho, eles exploram a ideia em um protótipo com o Raspberry Pi.

As duas mesas de trabalho do Daniel Carvalho

Nesta seção, leitores do Manual mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. Veja outras mesas e, se puder, envie a sua.

Opa! Meu nome é Daniel Carvalho, tenho 25 anos e moro no interior de MG. Atualmente trampo como analista de sistemas, especificamente como desenvolvedor backend PHP para uma empresa do ramo de cartórios de protesto.

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Stratagems: Esculturas com CDs 

Para a exposição Stratagems, Tara Donovan usou centenas de CDs achados, descartados ou reciclados. Se não tivesse lido que são CDs, jamais adivinharia a “matéria-prima” pelas esculturas em si. Em Nova York, na galeria Pace, até 16 de agosto.

O único navegador web possível

Não sei se estamos em uma era em que escolher um navegador web é fácil ou muito difícil. As evidências apontam para uma resposta ambivalente.

De um lado, se ignorarmos questões outras que a experiência de uso, é fácil. Vive-se a ilusão da escolha — tão típica do capitalismo tardio — no que tange ao Chromium, projeto de código-aberto do Google que move o Chrome e uma variedade de outros navegadores, como Edge, Opera e Brave.

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