O problema dos encurtadores de links

Um legado ruim e pouco comentado do Twitter foi os encurtadores de links. Eles surgiram da necessidade: nos primórdios, o Twitter limitava posts a 140 caracteres e não fazia distinção entre texto e links.

Enquanto se limitavam ao Twitter, tudo bem. A natureza efêmera daquela plataforma reduz a importância do encurtador. Um post “morre” (e, com ele, o link encurtado) em algumas horas, dias no máximo. Quando é algo feito para durar, é aí que surgem os problemas.

Existem duas abordagens para links curtos, aquela em que você traz o domínio curto e a em que adota o de uma empresa.

A primeira é a da autonomia. O problema é que ela dobra os cuidados e gastos com domínios. Acho que só empresas se preocuparam com isso. Embora já tenha cogitado adotar um link curto para o Manual, não fiz isso porque, a princípio, é um compromisso perpétuo. Deixar de pagar a renovação do domínio curto é, além de uma quebra de confiança com os leitores, uma brecha para que alguém mal intencionado o registre e tente aplicar golpes se passando por mim.

A segunda era a da segurança. Ou assim se pensava. O do Google (goo.gl), por exemplo, lançado em 2009, está em processo de encerramento. A partir de 25/8 deste ano, todos os links já encurtados no Google deixarão de funcionar.

O Bitly, talvez a empresa mais bem sucedida da área, anunciou dia desses que passou a exibir uma página própria antes da encurtada, a “prévia do destino”, a fim de veicular anúncios. Vale apenas para contas gratuitas.

Usar o ChatGPT consome uma garrafa d’água de 500 ml; e daí?

Das óbvias às delirantes, é longa a lista de preocupações com a inteligência artificial surgidas desde o final de 2022, quando o ChatGPT tomou do metaverso ou dos NFTs o título de “tecnologia do futuro”.

Tenho pensado muito a respeito de uma delas: o uso excessivo de energia e água, necessários para dar conta da sede insaciável de big techs e startups por mais dinheiro1.

Qual o custo ambiental de terceirizar tarefas ingratas ao ChatGPT, como escrever relatórios que ninguém lê ou gerar uma imagem de feliz aniversário àquela tia, com quem você não fala há seis anos, no grupo da família no WhatsApp?

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Se às vezes você tem a impressão de que existem muitas distros Linux quase… 

Se às vezes você tem a impressão de que existem muitas distros Linux quase idênticas, dê uma olhada no Tiny Core: pequenina (a base tem 17 MB 🤏), ela carrega todo o sistema na RAM e roda até em computadores super antigos — pelo menos 46 MB de RAM; a configuração recomendada é a partir de Pentium 2 com 128 MB de RAM.

IA chinesa censura temas sensíveis na China e água é molhada

Às vezes a imprensa descobre (ou finge que descobre) que a água é molhada e publica coisas como esta, que estampou todos os jornais semana passada: “DeepSeek se autocensura quando perguntado sobre alguns temas políticos da China.”

Vindo de onde vem, seria notícia se uma inteligência artificial generativa chinesa não censurasse tais temas.

Não me recordo (e fiquei com preguiça de procurar) se, nos últimos dois anos e meio, alguém se deu ao trabalho de testar o Copilot da Microsoft na criação de códigos que mencionem palavras como “sexo” ou “gênero”. Até duas semanas atrás, a IA cruzava os braços (figurativamente falando) ao topar com elas, segundo esta conversa no GitHub, um serviço da Microsoft.

E, veja: longe de mim defender a China, o PCCh ou quem quer que seja. É que, embora às vezes se tenha a impressão de que não, todo mundo tem teto de vidro.

Aliás, dado que o novo governo estadunidense tem como principal política pública destruir dados e documentos de gente que eles odeiam, quanto tempo até as big techs de lá, todas em lua de mel com Trump, dizerem “amém” e fazerem o mesmo?

Via Baldur Bjarnason (em inglês).

Embora incentivemos as pessoas a usarem sistemas de IA em suas atribuições para ajudá-las a trabalhar de forma mais rápida e eficaz, não use assistentes de IA para se candidatar [a um emprego]. Queremos entender seu interesse pessoal na Anthropic sem a mediação de um sistema de IA e também queremos avaliar suas habilidades de comunicação não assistidas por IA. Por favor, indique “Sim” se você leu e concordou.

— Formulário de inscrição para vagas abertas na Anthropic, uma startup de IA (dona do Claude).

Via Simon Willison.

A mesa de trabalho da Patrícia

Nesta seção, leitores do Manual mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. Veja outras mesas e, se puder, envie a sua.

Oi, meu nome é Patrícia e sou paulista. Trabalho em casa desde 18/3/2020.

Eu tinha uma mesa bem grandona (1,8m) e vendo uns vídeos do canal Pitadas de Ergonomia, descobri que ela era também muito alta para mim. Decidi trocar minha mesa por algo mais certinho e funcional. Tenho essa mesa há um ano e, olha… gavetas, melhor coisa mesmo, viu! O puff embaixo da mesa é pra esticar as canelas.

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Entrevista com Jacqueline Lafloufa, da newsletter Umas coisas que eu li por aí

Nota do editor: Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no diretório de newsletters brasileiras. Leia as outras entrevistas.

Qual é a sua newsletter?

Umas coisas que eu li por aí.

Fale um pouco de você, Jacqueline.

Sabe a criança que é a última escolhida no jogo de vôlei na escola? Comecei assim. Apesar de não ser boa nos esportes, encontrei outros espaços bacanas de convivência (tipo a biblioteca), temas que me interessavam (como a novidade dos computadores) e fui descobrindo gente que conectava comigo em outros assuntos e aprendendo sobre coisas novas.

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Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Bitwarden: A partir de fevereiro, quem não tem a autenticação em dois fatores (2FA) configurada em sua conta terá que confirmar, por e-mail, novas sessões em dispositivos desconhecidos.

Kiwi Browser: O repositório do Kiwi Browser foi arquivado e o projeto não terá mais atualizações a partir deste sábado (1º/2). / Android

Podcatcher: Um novo app de podcasts gratuito. / iOS

Thunderbird 134.0: Além das tradicionais correções, ganhou suporte a notificações em tempo real. / Linux, macOS, Windows

RsyncUI: Uma interface gráfica para o ótimo rsync. / macOS

Thunderbird dará destaque para ciclo rápido de atualizações

Lançado na segunda (27), o Thunderbird 134.0 trouxe um sistema de notificações em tempo real na versão para computadores. É a única novidade da versão, que também traz diversas correções.

Na terça (28), Corey Bryant, gerente de operações do Thunderbird, anunciou que o canal “Release”, que tem um ciclo mais rápido de atualizações (mensal), passará a ser o padrão no site do Thunderbird a partir de março.

Até então, o projeto dava prioridade à ESR, de suporte estendido e atualizada anualmente. O objetivo é aumentar a base instalada do canal “Release”, que hoje responde por 0,27% do total, para pelo menos 20% até o final do ano.

Via Omg! Ubuntu (em inglês).

O aplicativo plSSStream monitora, em tempo real, o nível do tanque de urina da… 

O aplicativo plSSStream monitora, em tempo real, o nível do tanque de urina da Estação Espacial Internacional e o exibe na barra de menu do macOS. Por quê? “Pelo ridículo”, explica a mente por trás do app — que, aliás, também funciona no iOS e no visionOS, embora você tenha que compilar o app para rodá-lo nesses sistemas.

ProtonPass não mantém senhas nos dispositivos para acesso offline

Quando os serviços da Proton ficaram indisponíveis na madrugada desta quinta (30), algumas pessoas (eu também!) descobriram que o gerenciador de senhas ProtonPass não mantém uma cópia das senhas no dispositivo. Elas existem apenas na nuvem.

O pior é que existe um “modo offline”, porém ela vem desativada por padrão e é exclusivo da versão paga do ProtonPass.

Quem ouve tanta música?

A Deezer comemorou seus dez anos com um punhado de anúncios. Um deles me chamou a atenção: segundo o streaming francês, cerca de 10 mil faixas feitas por inteligência artificial são adicionadas por dia à plataforma, o que representa 10% do total, o que significa que todo dia (repito: todo dia) são 100 mil novas músicas chegando aos streamings. Parafraseando Caetano, quem ouve tanta música? / mobiletime.com.br