Fotos geradas por IA podem ser arte?

Na exposição Indomináveis Presenças, em exibição Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, até 30 de junho, são exibidas obras da artista Mayara Ferrão. Feitas com inteligência artificial generativa, elas emulam fotografias antigas a fim de “ressignificar o passado”: mulheres indígenas e escravizadas se beijando (exemplo), cenas que provavelmente ocorriam, mas de que não se tem registros por motivos óbvios.

O perfil do CCBB carioca no Instagram está batendo boca com alguns seguidores indignados com a promoção da arte criada com o auxílio da IA. Até em temas profundos, ainda sem respostas de quem vive de encontrar essas respostas (filósofos, no geral), o @ccbbrj está se posicionando:

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Links do dia

De segunda a quinta-feira, reúno os links mais legais da web em listas como esta. Quer mais? Tem no arquivo.

Meta e Yandex “deanonimizavam” dados de navegação web de usuários do Android (em inglês), Ars Technica. Qual a diferença entre um código malicioso de espionagem e um aplicativo da Meta? Isso mesmo, nenhuma.

BC lança hoje o Pix Automático: entenda como vai funcionar a nova forma de pagamentoO Globo.

Honor lança o celular mais caro do Brasil, o dobrável Magic V3, por R$ 20 milMobile Time. A vice-liderança é do iPhone 16 Pro Max, que sai por R$ 15,5 mil. Todos os valores são os sugeridos pelas fabricantes.

A Cannes-tástrofe de Bezos (em inglês), Discoursted. Bezos e sua noiva, Lauren Sànchez, foram a Cannes no mega-iate de US$ 500 milhões que queima centenas de litros de diesel por hora para ela ser homenageada por suas contribuições à preservação ambiental. A sátira está morta.

/e/OS 3.0 chega com controles parentais melhorados, novas ferramentas de privacidade e Murena Vault (em inglês), It’s FOSS News. Um dos “forks” do Android voltados à privacidade, o /e/OS remove todos os vestígios do Google do sistema operacional.

Splinter. Um app web para postar “fios” no Mastodon. Dica: para “quebrar” em posts manualmente, use o código =====.

Ephe. Um “papelzinho” digital efêmero, que abre direto no navegador web, para organizar as tarefas e pensamentos do dia. (Tem uma barra oculta no rodapé com informações e um menu. Demorei um tempo para encontrá-la.)

The Restroom Archive. Um caso de estudo contínuo que documenta e celebra banheiros públicos com varreduras 3D de banheiros em restaurantes, postos de combustíveis e cafeterias estadunidenses.

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Ação da Cidadania rompe parceria com iFood: “Lucro acima das condições básicas”O Globo.

Mercado Livre aciona Justiça para impedir bloqueio de site no BrasilFolha de S.Paulo.

Em breve, brasileiros poderão vender seus dados digitais (em inglês), Rest of World. Transformar dados pessoais em bens financeiros é uma boa maneira de acabar com os últimos fiapos de privacidade dos dados que os brasileiros temos. Bola fora, Dataprev! / Conversa no Órbita.

Vencedores do Apple Design Awards 2025 (em inglês).

Testamos a IA do Google que traduz reuniões no Meet em tempo real. Funciona mesmo?O Globo.

App do YouTube passa a exigir no mínimo iOS 16 (em inglês), MacRumors.

Vivo libera sistema anti-spam grátis para todosTecnoblog.

Day One libera criação ilimitada de diários no plano gratuito (em inglês). Note que as outras (severas) limitações a quem não paga continuam valendo.

Nox Minima. “Imprima e construa gratuitamente uma elegante e resistente cúpula tridimensional com as estrelas e constelações do céu da sua cidade.”

Chooser. Um app para você opinar e avaliar… qualquer coisa. Pode ser legal, pode ser um caos. (Não testei, mas estou tentado.) Gratuito, para Android e iOS.

Every 5×5 Nonogram. Um jogo colaborativo, em tempo real, para resolver todos os 24.976.511 quebra-cabeças do tipo. (Nunca tinha ouvido falar em nonogramas; parece que também são conhecidos como picross. Aqui tem um tutorial.)

Markdown no Bloco de notas do Windows 11

Minha reação instintiva à notícia de que o Bloco de Notas do Windows 11 ganhou suporte à formatação de texto foi de rechaçá-la. Que blasfêmia! Lendo a notícia, porém, pareceu-me algo interessante: a formatação é via Markdown, dá para alternar entre texto formatado e puro clicando em um botão e, o mais importante, desabilitar a formatação por completo nas configurações do app.

(É por essas e outras que é sempre bom ler além do título da notícia. O do blog da Microsoft que anunciou este recurso, por exemplo, não menciona Markdown, o que me fez esperar pelo pior.)

O Editor de Texto, bloco de notas do macOS, oferece formatação rica (formato *.rtf). É horrível. Acho que só a uso quando abro o aplicativo pela primeira vez após reinstalar o sistema ou ao ligar um computador novo. Minha primeira atitude é trocar o padrão para texto puro, nas configurações.

Dito isso, adoraria que o Editor de Texto do macOS tivesse suporte nativo a Markdown, nem que fosse apenas um destaque de sintaxe, ou seja, sem a renderização da formatação.

Voltando ao Bloco de Notas do Windows, soube que a versão que vem sendo atualizada pela Microsoft com coisas legais (Markdown) e questionáveis (Copilot/IA) nos últimos três anos é, na real, um aplicativo novo. E que o antigo, aquele que passou mais de duas décadas abandonado pela Microsoft, continua acessível em C:\windows\system32\notepad.exe. E que se o novo for desinstalado, o antigo vira padrão automaticamente. É bom ter um becape quando grandes mudanças atingem um software até então confiável.

(Pelo menos é oque diz este comentarista do Ars Technica. Não tenho um PC com Windows para verificar as informações.)

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Meta planeja trocar humanos por IA para avaliar riscos sociais e à privacidade (em inglês), NPR. O que poderia dar errado?

Apple contesta ordem da UE para aumentar a compatibilidade com produtos rivais (em inglês), Wall Street Journal. O jogo de palavras da Apple para levar o debate à privacidade (o que não é o caso) é algo digno de nota.

Roku nunca fez tanta coisa, mas foco ainda é seu ingrediente secreto (em inglês), FastCompany. Reportagem cheia de detalhes da história e do modelo de negócio da Roku, a única plataforma de streaming independente (e a maior de todas).

Mais da metade dos 100 vídeos mais vistos de saúde mental no TikTok contém desinformação, diz estudo (em inglês), The Guardian.

Playground do Buttondown. Os amigos do Buttondown, serviço de newsletter que uso no Manual, lançaram um “playground” do editor deles. É isso o que eu vejo quando estou editando uma newsletter 😁

Subscribe Openly. Atire o primeiro mouse quem nunca bateu em um paredão de código XML ao tentar cadastrar um feed RSS. Este projeto propõe uma “landing page” para feeds. Mais uma criação do James (em inglês).

Redirector. Extensão para Firefox, Chrome, Edge e Opera que permite programar redirecionamentos automáticos entre domínios com base em expressões regulares.

Yet Another DNS Benchmark. Google? Cloudflare? NextDNS? O nosso Renan Altendorf criou esta ferramenta bonitona e cheia de detalhes para comparar servidores públicos de DNS. (Se você não sabe o que é isso, pode ignorar sem qualquer prejuízo.)

Assisti a Idiocracia (2005), do Mike Judge, seguindo uma dica que peguei ali no Órbita. O filme se passa em 2505 e “prevê” uma enorme regressão cognitiva da humanidade. Duas pessoas congeladas em 2005 e acordadas no futuro servem de parâmetro para o declínio, ou como ponto de vista do espectador naquele futuro distópico.

Fiquei fascinado com os vislumbres da sociedade idiotizada de 2505 na nossa, aqui em 2025. Marcas dando nomes a todas as coisas, serviços e lugares, o presidente dos EUA, a violência generalizada, “mas tem eletrólitos”. Meio sem querer, até a suposta raiz do problema — a procriação desenfreada de seres humanos burros — já se faz presente, mas subvertida como parte da distopia.

É como se estivéssemos 480 anos adiantados e, não bastasse isso, superando algumas das previsões de Judge.

A era do ninguém se importa

Um dos últimos deslizes motivados por IA generativa, a indicação de livros que não existem em um “suplemento especial” dos jornais estadunidenses Chicago Sun-Times e Philadelphia Inquirer, gerou mais uma onda de críticas à tecnologia.

Dan Sinker definiu o momento como a “era do ninguém se importa”:

O autor não estava nem aí. Os editores do suplemento não estavam nem aí. O pessoal dos negócios dos dois lados da venda do suplemento não estava nem aí. O pessoal da produção não estava nem aí. E o fato de ter levado *dois dias* para alguém descobrir essa cagada épica impressa significa que, no fim das contas, o leitor também não estava nem aí.

É tão emblemático do momento em que vivemos, a “era do ninguém se importa”, onde coisas completamente descartáveis são produzidas de qualquer jeito para as pessoas basicamente ignorarem.

Ele foca na IA, mas tenho comigo que o problema é mais profundo e anterior. Suplementos do tipo já existiam antes e, embora deslizes dessa natureza fossem raros, o fato deste ter levado dois dias para ser notado implica que do lado do leitor ninguém se importa, sim, e há muito tempo, muito antes da popularização da IA generativa.

Fico imaginando quanta coisa já não foi impressa para não ser lida ou, no máximo, ser lida e ignorada. Ou, no digital, quanta coisa não é publicada não para ser lida e gerar ações ou fazer pensar, mas para preencher espaço, ganhar a atenção para direcioná-la a anúncios ou coisas do tipo.

A “era do ninguém se importa” pode ser lida como a segunda fase da revolução das máquinas de conteúdo.

Rob Horning levantou esse argumento de modo mais completo e elegante, como lhe é costumeiro:

O fato de que os LLMs conseguem gerar quantidades infinitas de conteúdo explicitamente “falso”, com os vestígios de intenção e presença humanas profundamente diluídos através de inúmeras camadas de processamento e concatenação, poderia, espera-se, desmistificar não apenas aquela posição específica do sujeito que busca refúgio seguro em “textos reais” — ou seja, um álibi num “suplemento real” para os prazeres duvidosos que tais suplementos sempre proporcionaram —, mas também a fantasia de acessar a autenticidade perfeita através da mídia.

Entrevista com Fábio Friedrich, da newsletter Amo Medicina

Qual é a sua newsletter?

Amo Medicina.

Fale um pouco de você, Fábio.

Sou Fábio Friedrich, curitibano de 32 anos, casado, pai de pet e praticante de crossfit. Sempre fui apaixonado por tecnologia e marketing, com um olhar atento para as tendências que transformam mercados.

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Celulares Jovi, da chinesa Vivo Mobile, começam a ser vendidos em junhoO Globo. Tiveram que inventar um nome diferente para o mercado brasileiro por causa da operadora Vivo. “Jovi”… será que cola?

Automattic retoma contribuições ao WordPress após pausa de cinco meses (em inglês), The Repository. Estaria Matt Mullenweg capitulando?

Sites de “amigos artificiais” ganham popularidade no Brasil e atraem atenção de Meta e GoogleFolha de S.Paulo. Bons comentários das fontes consultadas pela reportagem.

Influenciadores são prisioneiros de seus seguidores, diz Renato Ortiz (podcast), Folha de S.Paulo. Bate-papo com o autor do recém-lançado Influência (Alameda).

IA do Google diz que ainda estamos em 2024 (em inglês), Wired. Complicado.

Feeds RSS de colunas e blogs da Folha de S.Paulo. Uma das belezas do RSS é poder separar o joio do trigo.

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WhatsApp vai parar de funcionar em alguns celulares a partir de 1º de junhoO Globo. O iPhone mais recente da lista é o SE de primeira geração 6S. (A nota cita, erroneamente, que o SE de 1ª geração é afetado.) Já do lado Android, Galaxy S3 e Nexus 4 são os destaques.

As novidades da OneUI 8 (em inglês), 9to5Google. A sétima versão do sistema para celulares da Samsung ainda está sendo distribuída e os testes públicos da próxima já começaram.

Câmeras ao vivo da natureza. Dezenas (centenas?) de transmissões ao vivo de locais selvagens do mundo inteiro. Mó paz 😌

Mullvad Leta. Um buscador “proxy” da Mullvad, que acessa os índices do Google e do Brave de maneira privada.

Entre a Meta anunciando que sua IA, Meta AI, atingiu 1 bilhão de usuários e o Google que os AI Overviews são usados por 1,5 bilhão, fico curioso em saber quantas dessas pessoas fazem o uso intencional do recurso, ou que preferem-no àqueles que a IA substitui.

Os AI Overviews aparecem no topo das buscas, sem opção de desligamento. O Meta AI suspeito que muita gente aciona sem querer ao tocar naquele botão horrível no WhatsApp, nos resultados da pesquisa dos três apps ou ao tentar marcar uma pessoa em um grupo digitando uma arroba.

Muito fácil chegar a números enormes quando já se tem uma plataforma gigante. Acho que isso nem entra na discussão. A questão é alardeá-los como tais números fossem conquistados, e não impostos.

Conversando sobre internet na capital baiana

Estou em Salvador (BA) participando do 15º Fórum da Internet no Brasil, o FIB15. Vim para apresentar um novo podcast de entrevistas, o Nós da Internet, e para corrigir uma falha pessoal, a de nunca ter participado de um FIB antes.

Aqui, tive privilégio de entrevistar gente que fez e faz a internet brasileira. E em grande estilo: em um estúdio-aquário lindão montado no meio do centro de convenções. Esse da foto acima.

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Com fim de julgamento antitruste, destino da Meta agora está nas mãos de um juizFolha de S.Paulo. Não há prazo para a decisão, mas o juiz do caso disse que trabalhará “rapidamente”. O resultado poderá “quebrar” a Meta e forçá-la a se desfazer do Instagram e/ou WhatsApp.

Decisão da UE: App Store da Apple ainda viola o DMA, tem 30 dias para se adequar (em inglês), 9to5Mac. A má-vontade da Apple chega a ser palpável.

Apenas 34% dos alunos prefere professor a celular para tirar dúvidasMobile Time. Cada vez mais difícil entender as novas gerações.

Telegram e xAI fecham parceria para levar IA Grok ao app de mensagens (em inglês), @durov/Telegram. A xAI vai pagar US$ 300 milhões e dividirá a receita de assinaturas feitas via Telegram. O acordo vale por um ano.

SteamOS oferece ganhos enormes em desempenho e duração de bateria comparado ao Windows 11 (em inglês), Windows Central. Lembrando que o SteamOS é uma variante do Arch Linux modificada pela Valve. Com ele, nesses testes a bateria durou mais que o dobro em sessões de jogos.

CSS Minecraft. Uma implementação na web, sem JavaScript, só CSS e HTML, das dinâmicas de Minecraft.

Game Boy Yourself. Suba uma imagem e veja ela “convertida” para o visual do Game Boy original e aplicada a uma moldura do video game portátil da Nintendo. (Tenha paciência após escolher a imagem; o processamento é feito no servidor.)

Links do dia

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Nick Clegg: Demanda de artistas em relação a direitos autorais é impraticável (em inglês), The Times. Obrigar as empresas a pedirem permissão para capturar os dados usados para treinar IAs “basicamente acabaria com a indústria de IA neste país [Reino Unido] da noite para o dia.” Não sabia que Clegg tinha saído da Meta.

CEO da Cloudflare: bloqueios motivados por pirataria de futebol pode custar vidas; “Rezo para que ninguém morra” (em inglês), TorrentFreak. Pirataria de livros e audiovisual para treinar IA, pode. Pirataria de transmissões esportivas, não — nem que se tenha que derrubar meia web para barrar os piratas.

CGI.br lança proposta de princípios para a regulação de redes sociais e abre consulta para receber contribuições da sociedade, NIC.br.

Huawei lança tablets MatePad no BrasilMobile Time. É o primeiro dispositivo em cinco anos que a Huawei lança no Brasil. Saem com o HarmonyOS.

iFood firma parceria e traz viagens do Decolar para usuários do seu appMobile Time. Primeiro a Uber, agora a Decolar… estaria o iFood tentando virar um “super app”?

WhatsApp para iPad. Do nada, “boom”: WhatsApp para iPad.

Raízes russas e profissionais brasileiros são vantagem contra cibercrime, diz CEO da KasperskyFolha de S.Paulo. Sempre saudável saber mais de uma perspectiva diferente da hegemônica.

powRSS (em inglês). Inspirado no “Discovery” do Bear Blog, este feed público é atualizado diariamente para “dar a todo site uma chance honesta de se destacar”.

Lazy Tetris. Uma variante do famoso Tetris que tira todos os fatores geradores de estresse (pontuação, tempo, gravidade) para focar no que a pessoa que criou o jogo mais gosta: empilhar peças.

Um dos links desta segunda (26) foi o Just a QR Code, um gerador de QR codes simples, direto, sem anúncios nem rastreadores invasivos.

O Just a QR Code nasceu da insatisfação de Gabe Schuyler com geradores online do tipo. “Não é possível criar um site de uma página que use JavaScript para gerar QR codes? Algo que eu possa salvar no disco e rodar localmente?”, ele se perguntou.

E disso nasceu o Just a QR Code. Os custos operacionais o próprio Gabe se dispôs a bancar. Em troca, ele pede:

Se você achar [o Just a QR Code] valioso, pague por ele criando sua própria coisa útil para o mundo e disponibilize-a de graça. Vamos tomar a web amigável de volta, derrubando uma ferramenta irritantemente monetizada de cada vez!

É esse espírito que move o PC do Manual. Que, a propósito, tem duas ferramentas de geração de QR codes, uma geral e outra para o ingresso em redes Wi-Fi.