Fiquei bem contente com o comentário do leitor Igor e, ao mesmo tempo, um pouquinho preocupado. Como divulgar minha página? Como?, eu me pergunto.
Não manjo muito dessa área, na verdade, então o que posso fazer por ora é apresentar trabalho. Tomemos o dia de hoje. Foi um atípico por aqui, com muitos posts publicados. Apesar de ter mudado sensivelmente a linha editorial em relação ao início do blog, o compromisso de ser diferente se mantém. Acompanhe-me nesta sucinta reflexão:
São exemplos que trago não para me gabar, mas sim demonstrar o valor do Manual do Usuário. Nas redações de sites maiores certas urgências impedem esse trabalho marginal e por vezes mais demorado. Como não tenho o mesmo compromisso deles, consigo ir atrás dessas histórias. Já temos Gizmodo, Tecnoblog, Olhar Digital e Tecmundo, sem falar nos sites de tecnologia em inglês, cobrindo hard news e produzindo conteúdo original de qualidade; não quero competir, quero somar.
O Manual é um blog atípico por um monte de motivos, do modelo de negócio ao visual, passando pela abordagem e seleção dos assuntos de que trata. Este post é só um lembrete disso e um pedido a você para:
Ajudar a divulgar o blog. Vale um post no Facebook, um tweet, até o boca a boca. Concordo com o Igor, acho que deixo a desejar na promoção disso aqui, então qualquer reforço nessa área é bastante útil!
Assinar. O plano mais básico custa US$ 1 por mês, menos que um cafezinho. Pagando um pouco a mais, o preço de um cafezinho e um pão de queijo, você recebe a newsletter que todo mundo adora (amanhã sai uma nova), acompanha as gravações do podcast ao vivo e, o mais importante, me ajuda continuar tocando isso aqui. Considere assinar o Manual do Usuário.
Se faz parte de alguma startup, agência ou empresa, entrar em contato para levar seu produto aos meus super leitores. Ideias não faltam, o que falta é pintar alguém afim de apostar nelas.
Segunda-feira, neste post, citei o @congressedits, bot que monitora alterações anônimas feitas na Wikipédia a partir de IPs do Congresso norte-americano e as divulga no Twitter, como uma solução elegante e esperta para o problema. Por que não uma versão brasileira?
Pois bem, eis o @brwikiedits. Ele faz a mesma coisa do original britânico (@parliamentedits) e da variante do hemisfério norte citada acima, só que monitorando as redes das seguintes instituições brasileiras: Senado, STF, Câmara, Serpro, Procuradoria Geral da República, Dataprev, Petrobras, BCB, BB e Caixa.
O bot foi criado por Pedro Felipe (@pedrofelipee), desenvolvedor de 18 anos. Por e-mail, ele revelou como a ideia surgiu:
Há algumas semanas, pesquisando na Wikipédia, acabei caindo nas alterações das páginas e percebi que todas as edições anônimas tinham seus IPs registrados. Me veio à mente que algum serviço poderia monitorar e reportar mudanças feitas a partir da rede do nosso Governo e suas estatais. Logo depois o @congressedits surgiu e a etapa de desenvolvimento já estava eliminada, uma vez que o script por trás dele tem código aberto e qualquer um pode contribuir.
Até comecei a coletar alguns endereços que editam páginas do Palácio do Planalto e Câmara dos Deputados para tentar descobrir o intervalo de IPs. Foi frustrado, não consegui muita coisa e não era o bastante para começar o monitoramento, então deixei a ideia de lado. No começo dessa semana o escândalo explodiu e eu não poderia perder o timing.
Em vez de fazer a coleta dos intervalos de IP manualmente, o Pedro usou outra abordagem. Ele mesmo explica:
Todos os IPs estão registrados em nome de algum provedor, certo? Não sei se vou explicar com os termos corretos, mas os AS [sistema autônomo de roteamento] controlam vários intervalos de IPs. Todo provedor tem um.
Não foi tão simples como no exterior, onde os IPs de vários órgãos do governo americano estão disponíveis no Wikipédia, por exemplo. O que eu fiz foi buscar alguma lista com todos os AS brasileiros e caçar nomes dos órgãos e estatais. Com o código AS em mãos (ex. AS28629 Senado Federal), foi mais simples descobrir quais IPs estão sob seu controle.
Com o script em mãos, fiz algumas modificações, adicionei os IPs coletados, criei um perfil no Twitter e subi uma nuvem para monitorar. Ele funciona monitorando o IRC do Wikimedia, que publica todas as alterações anônimas com seus respectivos IPs num canal.
Ele diz que criou o perfil para dar mais transparência à questão e, também, pela diversão. As várias alterações que o pessoal da Petrobras fez hoje cedo na página do Digimon (!) são um exemplo.
O mais importante, porém, é que o @brwikiedits passa a monitorar instituições públicas importantes para eventuais alterações de viés político na Wikipédia. Especialmente agora, no período eleitoral, soluções do tipo contribuem bastante para tentarmos manter o nível das campanhas.
Estava passando o tempo em uma livraria no aeroporto de Cumbica, na última quarta-feira, quando encontrei esta revista:
Foto: Rodrigo Ghedin.
Por que você a esta vendo aqui? Porque a convite do Pedro (obrigado!), colaborei neste especial da Super Interessante.
Olha eu ali! Foto: Rodrigo Ghedin.
Fiquei bem contente — por ter colaborado e pelo resultado. Sou suspeito a falar, mas curti muito o material. Com dicas, recomendações diretas e dados interessantes, a revista trata de jogos, imagem, smartphones, apps etc, e termina com alguns exercícios de futurologia, mas aquela futurologia do bem, que analisa sinais contemporâneos para antecipar o que provavelmente será lugar comum amanhã.
Custa R$ 14 e já deve estar nas melhores bancas do país. Quem preferir a versão digital, tem no iba pelo mesmo preço.
Essa mudança foi possível graças ao Patreon, serviço que é similar ao Kickstarter, mas para projetos continuados. São seis planos que além de bancarem a existência do site, dão direito a benefícios variáveis, do mais básico (meu agradecimento e acesso ao grupo fechado do Facebook) ao mais avançado (com todos os benefícios, mais um canal direto comigo para tirar dúvidas).
Enfim, entre lá na página, veja o vídeo, leia as instruções e, se achar que o Manual do Usuário vale alguma coisa, torne-se um assinante.
Duas boas notícias, pessoal. A primeira é que após um breve hiato o nosso podcast voltará! A outra, é que agora será possível acompanhar a gravação ao vivo, mandar perguntas, interagir durante o papo.
A gravação do primeiro podcast do nosso retorno será hoje (10/7), às 21h40. Para acompanhá-la, é preciso ser assinante o Manual do Usuário — e esse é apenas um dos benefícios, além de viabilizar o funcionamento disso tudo aqui.
Da startup que cobrava US$ 15 por US$ 10 em moedas para a lavanderia ao Facebook e seu experimento que fazia as pessoas se sentirem miseráveis “pela ciência”, não são poucos os exemplos de desconexão da realidade saídos do Vale do Silício. Por que falta tanta sensibilidade em quem faz os gadgets, apps e a Internet que o mundo inteiro usa e adora?
Uma das culpadas é a obsessão por números, pela lógica. Para que computadores consigam entender seres humanos, precisamos ser reduzidos a números. No processo de “conversão”, claro, muitas nuances, particularidades, poréns e outros aspectos mais específicos são reformatados, simplificados. Esse assunto é fascinante e o melhor texto que já li a respeito foi este, de David Auerbach.
Mas não é só isso, afinal por mais que números e o reducionismo que aplicam existam, eles não brotam da terra. Alguém os criam, alguém semelhante a nós. Pessoas.
Recentemente Avery Pennarun, um engenheiro do Google, descreveu o que considera esse outro culpado: o excesso de confiança e de sucesso de quem atua nessa indústria. O argumento parece ilógico e é justamente por isso que chama a atenção e tem sentido. Segundo Pennarun, pessoas racionalmente inteligentes, capazes de argumentar e provar todas as suas teorias, acabam perdendo o tato, ignorando a intuição. Provas lógicas de inteligência nem sempre encerram discussões ou são a solução para um problema.
A assinatura do Manual do Usuário custa R$ 14 por mês. Foi uma forma que encontrei de ajudar a manter as coisas por aqui, incluindo eu que preciso comer, pagar o aluguel e me vestir, como todo ser humano, sem ter que recorrer a anúncios apelativos, que poluem o visual, deixam o site mais lento e avacalham sua privacidade. Alguns leitores já assinam o site, o que é bem legal!
O maior motivo para assinar o site é garantir a sua continuidade, mas quem se compromete com essa colaboração mensal ganha alguns benefícios também: um grupo fechado no Facebook onde rolam discussões construtivas e informações antecipadas do que acontece aqui; o direito a ter dúvidas respondidas por mim (se nunca respondi a sua dúvida, leitor não-assinante, eis o motivo); e eventuais promoções, descontos e brindes (nisso ainda estou devendo).
Estou sempre tentando trazer mais benefícios aos assinantes, e nesta semana um novo estreará: os reviews ao vivo. Na véspera da publicação de um review haverá uma vídeo conferência em grupo para mostrar o gadget, tirar dúvidas e jogar conversa fora sobre tecnologia. Eles serão agendados antecipadamente e disponibilizados depois, tudo isso apenas para assinantes.
Dia desses fizemos um teste de viabilidade. Veja como foi:
A iluminação ficou devendo, e faltou a caixa de diálogo, problemas técnicos que foram sanados. Também me orientaram a fazer a barba, mas esse requerimento ainda está em análise :-)
O primeiro review ao vivo será do Chromebook da Samsung, nesta terça-feira (10/06), às 19h. Para assistir, assine o Manual do Usuário. E se tiver alguma dúvida sobre isso, os comentários abaixo e o formulário de contato estão aí para saná-la.
Novas vozes no podcast, que entra em férias
O semestre letivo está acabando ou já acabou, quinta-feira começa a Copa e… bem, é hora de puxar o freio de mão e descansar: o podcast ficará em stand by até o começo de julho.
E, aproveitando o assunto, um aviso aos desatentos. Recentemente o Manual do Usuário ganhou novas caras, digo, vozes no podcast. Entraram para o quadro fixo de membros Alexandre Roldão, da Globo News e do Lab Mídia; Henrique Martin, do ZTOP; e Matheus Bonela, criador de caos no Twitter. Cada programa continua com três apresentadores, ou seja, nós seis (Paulo e Joel continuam no barco!) faremos rodízio, o que transforma o podcast em uma espécie de coletivo.
O podcast é a única parte do site que para em junho. As áreas restantes, do Recorte aos reviews, passando por notícias comentadas e textos especiais, continuam a pleno vapor. Na Rádio UEM, que veicula o podcast toda terça, à meia noite, faremos reprises dos melhores episódios do semestre — alguns nunca foram ao ar pela rádio.
Ontem a LG apresentou o G3 em Londres, a nova versão do seu smartphone topo de linha. Não é de agora que as fabricantes que usam Android promovem saltos em especificações a cada geração dos seus aparelhos, mas em um ano sem grandes novidades no principal concorrente, o Galaxy S5 da Samsung, a LG aproveitou a brecha para empurrar os limites da tecnologia móvel mais para cima. Nesse contexto e ante o que foi mostrado, talvez seja de bom tom perguntar: toda essa tecnologia é desejável ou mesmo vantajosa para o usuário?
Quantos pixels você tem, tela do G3!
Foto: LG.
Pode soar “neoludista” ou mesmo desdenhoso, mas o questionamento recai, principalmente, na tela do novo G3. Ela tem 5,5 polegadas, tamanho que anula quaisquer distinções que ainda pudessem existir entre “smartphones convencionais” e phablets. Aliás, enterremos o nome “phablet”; ele não faz mais sentido.
Não é bem o tamanho físico que emana preocupações. Por maior que seja a tela, ela aproveita bem a área frontal do G3, ocupando 76,4% dela. O smartphone é grande, claro, mas parece que a mágica da Motorola com o Moto X, capaz de tornar um aparelho com tela de 4,7 polegadas bastante “segurável”, foi replicada pela LG. Quem esteve no evento e testou o G3 diz que ele é confortável e parece “menos ridículo” do que os números poderia fazer pensar, mais leve, menor e confortável do que se imaginaria apenas lendo as especificações. E vamos enfrentar os fatos: com smartphones de 6 polegadas, a LG ainda está dentro da margem segura de celulares gigantescos que as pessoas ainda compram.
Nas 5,5 polegadas da tela do G3 a LG espalhou 2560×1440 pixels, resolução QuadHD, chegando a uma densidade incomum de incríveis 538 PPI (pixels por polegada, no inglês). Durante a apresentação, Ramchan Woo, chefe de planejamento de smartphones da LG, retificou uma das falas mais citadas de Steve Jobs nos últimos anos, a da tela Retina. Segundo o falecido co-fundador da Apple, o olho humano é incapaz de perceber diferença em telas com mais 300 PPI. Para Woo, o El Dorado da resolução está em colocar 300 linhas de pixels por polegada, e para chegar a tanto é preciso dobrar a densidade.
As telas Full HD do ano passado em tamanhos menores, chegando a ~450 PPI, penderam mais para o posicionamento de Jobs. Mas será que indo além, mais pixels farão diferença?
É difícil dizer sem ver. Nos hands-on já publicados, os jornalistas foram cautelosos. Elogios de sobra à tela, uma área onde a LG tem mandado bem há anos, mas nada específico ou particularmente entusiasmado relacionado à resolução. Essas impressões iniciais meio que adiantam a resposta à pergunta acima: provavelmente não. E nem entraram no mérito, por falta de tempo mesmo, de eventuais impactos à autonomia que uma resolução quatro vezes maior que o HD pode causar.
De qualquer forma, reservo-me para tecer comentários mais incisivos sobre o tema quando colocar minhas mãos em um G3 — ou meus olhos, para ser mais exato.
Foto: LG.
G3: software mais simples, câmera com laser
Em outra área a LG também dobrou a aposta em busca de satisfazer o potencial futuro comprador do G3: software. Ela consolida os motes que, segundo a empresa, guiaram o desenvolvimento do novo smartphone: “Simples é o novo esperto” e “Aprendendo com você”.
É crítica constante aqui o excesso de interferências que as fabricantes fazem no Android. Os aparelhos da LG disputam com os da Samsung a liderança no segmento destruição de interfaces, com modificações estéticas de gosto bem duvidoso, configurações esquisitas e outras que, apesar de bem pensadas, vêm inexplicavelmente desativadas por padrão.
No G3, a LG parece ter contornado alguns desses problemas. O visual está “flat” e, pelas fotos e vídeos, menos horrendo que nos smartphones da empresa de 2013. Quanto às configurações, o aparente temor em confundir o usuário foi deixado de lado. O novo app da câmera seja o que talvez melhor representa essa nova mentalidade: com uma interface absolutamente enxuta, ela traz apenas dois botões discretos e transforma todo o viewfinder em disparador. Confiança no taco, era isso o que faltava!
Embora eu prefira experiências mais limpas, alguns recursos trazidos pelas fabricantes são de fato úteis. No caso da LG, o KnockOn/Knock Code, que libera o smartphone com dois toques na tela, os apps flutuantes, o de controle remoto para TV e outros aparelhos domésticos… A lista cresce e com ela cresce também o apelo da experiência original junto a usuários mais experientes. Já vi gente que discute em fóruns e comentários de blog de tecnologia, esse espécime difícil de agradar, dizendo preferir a ROM da LG a fazer root e instalar o CyanogenMod, graças aos mimos exclusivos. O G3 traz alguns novos, como o Smart Notice, um assistente do aparelho que indica apps que não estão sendo usados e dá outras dicas, e um teclado com altura personalizável.
É nesse sentido, investindo pesadamente em diferenciais, que a LG e outras fabricantes podem ganhar o amor dos usuários e se distanciarem do estigma de bloatware que impregna o Android desde sempre. O veneno que consumia a reputação delas pode, em doses cavalares, acabar sendo o antídoto para curar a desconfiança do público. Como bônus, o G3 traz recursos meio abandonados nas safras recentes de smartphones de ponta, mas apreciados: slot para cartão microSD e bateria removível.
Disponível em cinco cores, o sucessor do bem recebido G2 deve, de qualquer forma, chamar a atenção positivamente quando for lançado. A recepção morna do Galaxy S5 deu espaço para a LG em 2014 e ela está sabendo aproveitar o momento: de pequenos vazamentos controlados a números enormes, ainda que não seja lá tudo aquilo na prática, só pelo barulho que está fazendo já dá para considerar o G3 uma pequena vitória na intrincada guerra dos smartphones.
Preço e disponibilidade
Na Coreia do Sul, lar da LG, o G3 começa a ser vendido hoje. Nos demais países chega em junho, ancorado por 170 operadoras. Ainda não há data especificada, nem preço, para o Brasil, mas em breve a subsidiária local da LG deve anunciar esses e outros detalhes.
Quase todo site realiza pesquisas periódicas para conhecer melhor o público, com o Manual do Usuário não seria diferente. É uma necessidade para o braço comercial, aquele que permite às coisas continuarem funcionando de maneira sustentável, e de quebra acaba respingando no editorial também, dando apontamentos importantes para quem escreve (eu, no caso).
A primeira pesquisa do tipo no Manual do Usuário é rápida e praticamente indolor. Sete perguntas, todas as obrigatórias de múltipla escolha, e você não precisa se identificar. Responda ai, é importante:
A pesquisa terminou em 10 de abril, às 8h. Obrigado a todos que responderam!
Se tiver alguma dúvida, os comentários estão abertos.
Deixei as outras novidades do Manual do Usuário para fevereiro a fim de colocar logo no ar o novo layout do blog. E aí, gostou?
Ele é responsivo, o que significa que se adapta automaticamente às telas menores de tablets e smartphones. É nas grandonas, porém, que o layout brilha — dê uma olhada no review do Moto X, já adaptado. Dá para colocar fotos enormes no meio do texto, vídeos, preencher as laterais com gráficos e imagens menores… Fica lindo.
Alguns detalhes precisam ser arrumados, como o “Responses”/“Comments” não traduzido, mas o grosso está pronto. Se flagrar alguma coisa fora do lugar, deixe um comentário aí embaixo.
E não ache que isso é tudo. Tem mais coisa boa a caminho. 2014 será divertido.
Compre nas respectivas lojas usando os links do Manual e reequilibre seus chakras — o site recebe uma pequena comissão que não altera o valor que você paga: