Reviews ao vivo: mais um motivo para assinar o Manual do Usuário

Uma lente.
Foto: David Zeuthen/Flickr.

A assinatura do Manual do Usuário custa R$ 14 por mês. Foi uma forma que encontrei de ajudar a manter as coisas por aqui, incluindo eu que preciso comer, pagar o aluguel e me vestir, como todo ser humano, sem ter que recorrer a anúncios apelativos, que poluem o visual, deixam o site mais lento e avacalham sua privacidade. Alguns leitores já assinam o site, o que é bem legal!

O maior motivo para assinar o site é garantir a sua continuidade, mas quem se compromete com essa colaboração mensal ganha alguns benefícios também: um grupo fechado no Facebook onde rolam discussões construtivas e informações antecipadas do que acontece aqui; o direito a ter dúvidas respondidas por mim (se nunca respondi a sua dúvida, leitor não-assinante, eis o motivo); e eventuais promoções, descontos e brindes (nisso ainda estou devendo).

Estou sempre tentando trazer mais benefícios aos assinantes, e nesta semana um novo estreará: os reviews ao vivo. Na véspera da publicação de um review haverá uma vídeo conferência em grupo para mostrar o gadget, tirar dúvidas e jogar conversa fora sobre tecnologia. Eles serão agendados antecipadamente e disponibilizados depois, tudo isso apenas para assinantes.

Dia desses fizemos um teste de viabilidade. Veja como foi:

A iluminação ficou devendo, e faltou a caixa de diálogo, problemas técnicos que foram sanados. Também me orientaram a fazer a barba, mas esse requerimento ainda está em análise :-)

O primeiro review ao vivo será do Chromebook da Samsung, nesta terça-feira (10/06), às 19h. Para assistir, assine o Manual do Usuário. E se tiver alguma dúvida sobre isso, os comentários abaixo e o formulário de contato estão aí para saná-la.

Novas vozes no podcast, que entra em férias

O semestre letivo está acabando ou já acabou, quinta-feira começa a Copa e… bem, é hora de puxar o freio de mão e descansar: o podcast ficará em stand by até o começo de julho.

E, aproveitando o assunto, um aviso aos desatentos. Recentemente o Manual do Usuário ganhou novas caras, digo, vozes no podcast. Entraram para o quadro fixo de membros Alexandre Roldão, da Globo News e do Lab Mídia; Henrique Martin, do ZTOP; e Matheus Bonela, criador de caos no Twitter. Cada programa continua com três apresentadores, ou seja, nós seis (Paulo e Joel continuam no barco!) faremos rodízio, o que transforma o podcast em uma espécie de coletivo.

O podcast é a única parte do site que para em junho. As áreas restantes, do Recorte aos reviews, passando por notícias comentadas e textos especiais, continuam a pleno vapor. Na Rádio UEM, que veicula o podcast toda terça, à meia noite, faremos reprises dos melhores episódios do semestre — alguns nunca foram ao ar pela rádio.

 

Com quantos pixels se faz uma boa tela? Para a LG e seu G3, com muitos

Ontem a LG apresentou o G3 em Londres, a nova versão do seu smartphone topo de linha. Não é de agora que as fabricantes que usam Android promovem saltos em especificações a cada geração dos seus aparelhos, mas em um ano sem grandes novidades no principal concorrente, o Galaxy S5 da Samsung, a LG aproveitou a brecha para empurrar os limites da tecnologia móvel mais para cima. Nesse contexto e ante o que foi mostrado, talvez seja de bom tom perguntar: toda essa tecnologia é desejável ou mesmo vantajosa para o usuário?

Quantos pixels você tem, tela do G3!

G3, novo smartphone topo de linha da LG.
Foto: LG.

Pode soar “neoludista” ou mesmo desdenhoso, mas o questionamento recai, principalmente, na tela do novo G3. Ela tem 5,5 polegadas, tamanho que anula quaisquer distinções que ainda pudessem existir entre “smartphones convencionais” e phablets. Aliás, enterremos o nome “phablet”; ele não faz mais sentido.

Não é bem o tamanho físico que emana preocupações. Por maior que seja a tela, ela aproveita bem a área frontal do G3, ocupando 76,4% dela. O smartphone é grande, claro, mas parece que a mágica da Motorola com o Moto X, capaz de tornar um aparelho com tela de 4,7 polegadas bastante “segurável”, foi replicada pela LG. Quem esteve no evento e testou o G3 diz que ele é confortável e parece “menos ridículo” do que os números poderia fazer pensar, mais leve, menor e confortável do que se imaginaria apenas lendo as especificações. E vamos enfrentar os fatos: com smartphones de 6 polegadas, a LG ainda está dentro da margem segura de celulares gigantescos que as pessoas ainda compram.

Nas 5,5 polegadas da tela do G3 a LG espalhou 2560×1440 pixels, resolução QuadHD, chegando a uma densidade incomum de incríveis 538 PPI (pixels por polegada, no inglês). Durante a apresentação, Ramchan Woo, chefe de planejamento de smartphones da LG, retificou uma das falas mais citadas de Steve Jobs nos últimos anos, a da tela Retina. Segundo o falecido co-fundador da Apple, o olho humano é incapaz de perceber diferença em telas com mais 300 PPI. Para Woo, o El Dorado da resolução está em colocar 300 linhas de pixels por polegada, e para chegar a tanto é preciso dobrar a densidade.

As telas Full HD do ano passado em tamanhos menores, chegando a ~450 PPI, penderam mais para o posicionamento de Jobs. Mas será que indo além, mais pixels farão diferença?

Comparativo microscópico da tela QuadHD do G3 com outras.
A tela do G3, no microscópio. Foto: GigaOm.

É difícil dizer sem ver. Nos hands-on já publicados, os jornalistas foram cautelosos. Elogios de sobra à tela, uma área onde a LG tem mandado bem há anos, mas nada específico ou particularmente entusiasmado relacionado à resolução. Essas impressões iniciais meio que adiantam a resposta à pergunta acima: provavelmente não. E nem entraram no mérito, por falta de tempo mesmo, de eventuais impactos à autonomia que uma resolução quatro vezes maior que o HD pode causar.

De qualquer forma, reservo-me para tecer comentários mais incisivos sobre o tema quando colocar minhas mãos em um G3 — ou meus olhos, para ser mais exato.

Novo G3 traz Android mais limpo.
Foto: LG.

G3: software mais simples, câmera com laser

Em outra área a LG também dobrou a aposta em busca de satisfazer o potencial futuro comprador do G3: software. Ela consolida os motes que, segundo a empresa, guiaram o desenvolvimento do novo smartphone: “Simples é o novo esperto” e “Aprendendo com você”.

É crítica constante aqui o excesso de interferências que as fabricantes fazem no Android. Os aparelhos da LG disputam com os da Samsung a liderança no segmento destruição de interfaces, com modificações estéticas de gosto bem duvidoso, configurações esquisitas e outras que, apesar de bem pensadas, vêm inexplicavelmente desativadas por padrão.

No G3, a LG parece ter contornado alguns desses problemas. O visual está “flat” e, pelas fotos e vídeos, menos horrendo que nos smartphones da empresa de 2013. Quanto às configurações, o aparente temor em confundir o usuário foi deixado de lado. O novo app da câmera seja o que talvez melhor representa essa nova mentalidade: com uma interface absolutamente enxuta, ela traz apenas dois botões discretos e transforma todo o viewfinder em disparador. Confiança no taco, era isso o que faltava!

Novo app de câmera do G3 é bem simples.
Câmera simplificada. Foto: The Verge.

Embora eu prefira experiências mais limpas, alguns recursos trazidos pelas fabricantes são de fato úteis. No caso da LG, o KnockOn/Knock Code, que libera o smartphone com dois toques na tela, os apps flutuantes, o de controle remoto para TV e outros aparelhos domésticos… A lista cresce e com ela cresce também o apelo da experiência original junto a usuários mais experientes. Já vi gente que discute em fóruns e comentários de blog de tecnologia, esse espécime difícil de agradar, dizendo preferir a ROM da LG a fazer root e instalar o CyanogenMod, graças aos mimos exclusivos. O G3 traz alguns novos, como o Smart Notice, um assistente do aparelho que indica apps que não estão sendo usados e dá outras dicas, e um teclado com altura personalizável.

É nesse sentido, investindo pesadamente em diferenciais, que a LG e outras fabricantes podem ganhar o amor dos usuários e se distanciarem do estigma de bloatware que impregna o Android desde sempre. O veneno que consumia a reputação delas pode, em doses cavalares, acabar sendo o antídoto para curar a desconfiança do público. Como bônus, o G3 traz recursos meio abandonados nas safras recentes de smartphones de ponta, mas apreciados: slot para cartão microSD e bateria removível.

Disponível em cinco cores, o sucessor do bem recebido G2 deve, de qualquer forma, chamar a atenção positivamente quando for lançado. A recepção morna do Galaxy S5 deu espaço para a LG em 2014 e ela está sabendo aproveitar o momento: de pequenos vazamentos controlados a números enormes, ainda que não seja lá tudo aquilo na prática, só pelo barulho que está fazendo já dá para considerar o G3 uma pequena vitória na intrincada guerra dos smartphones.

Preço e disponibilidade

Na Coreia do Sul, lar da LG, o G3 começa a ser vendido hoje. Nos demais países chega em junho, ancorado por 170 operadoras. Ainda não há data especificada, nem preço, para o Brasil, mas em breve a subsidiária local da LG deve anunciar esses e outros detalhes.

Quem é você, leitor?

Multidão para o Global Day of Prayer, em West Ham, Inglaterra.
Foto: H/Flickr.

Quase todo site realiza pesquisas periódicas para conhecer melhor o público, com o Manual do Usuário não seria diferente. É uma necessidade para o braço comercial, aquele que permite às coisas continuarem funcionando de maneira sustentável, e de quebra acaba respingando no editorial também, dando apontamentos importantes para quem escreve (eu, no caso).

A primeira pesquisa do tipo no Manual do Usuário é rápida e praticamente indolor. Sete perguntas, todas as obrigatórias de múltipla escolha, e você não precisa se identificar. Responda ai, é importante:

A pesquisa terminou em 10 de abril, às 8h. Obrigado a todos que responderam!

Se tiver alguma dúvida, os comentários estão abertos.

Deixei as outras novidades do Manual do Usuário para fevereiro a fim de colocar logo no ar o novo layout do blog. E aí, gostou?

Ele é responsivo, o que significa que se adapta automaticamente às telas menores de tablets e smartphones. É nas grandonas, porém, que o layout brilha — dê uma olhada no review do Moto X, já adaptado. Dá para colocar fotos enormes no meio do texto, vídeos, preencher as laterais com gráficos e imagens menores… Fica lindo.

Alguns detalhes precisam ser arrumados, como o “Responses”/“Comments” não traduzido, mas o grosso está pronto. Se flagrar alguma coisa fora do lugar, deixe um comentário aí embaixo.

E não ache que isso é tudo. Tem mais coisa boa a caminho. 2014 será divertido.

O que esperar da tecnologia (e do Manual do Usuário) em 2014

Embora não tenha colocado nenhum rótulo ou outro indicador aqui, o Manual do Usuário ainda está se encontrando. Achar esse norte não é fácil, acredite. O ano prestes a acabar poderá ser visto, no futuro, como o ponto de transição na forma com que encaramos a Internet e o oceano de informação que despejamos nela diariamente. O Manual é um pequeno exercício nesse sentido.

O stream de informações atingiu seu ápice em 2013. O agora, o eternamente em construção, o falar de tudo e o não querer perder nada. Na bela coluna em que observa e discute esse fenômeno, Alexis Madrigal diz acreditar que em breve as pessoas cairão na real e pedirão a volta de conteúdo estruturado, atemporal, duradouro.

Será? As manchetes forçadas do Upworthy e as infinitas listas de temas óbvios do Buzzfeed lotando linhas do tempo e feeds de notícias permeadas por reclamações e reclamações de reclamações colocam essa esperança contra a parede. O que a salva é que a Internet é um lugar bem grande. Da mesma forma que o conteúdo apagável começa a ser seriamente considerado, o duradouro também pode fazer seu retorno triunfal. Já vem fazendo, na realidade, com features, longform e o Slow Web em alta. Em 2014 haverá mais diversidade no que passa pelo stream — e mais vida fora dele.

Previsões, ou desejos para 2014

Em seu livro A Estrada do Futuro, Bill Gates resume a sinuca de bico que é fazer previsões:

“(…) Este livro pretende ser um livro sério, embora daqui a dez anos possa não parecê-lo. Tudo aquilo que eu tiver dito de certo será considerado óbvio. O que estiver errado será considerado cômico.”

Encare o que vem a seguir mais como desejos do que previsões — assim ganho o direito de errar sem ter dedos apontados lá na frente :-)

Nunca me agradou esse clima de torcida na tecnologia, ver o “seu” sistema ganhar dos outros, dar risada e se sentir genuinamente feliz com o tropeço de uma empresa. Menos disso ano que vem, por favor. Não dou bola para picuinhas do tipo aqui e fico feliz em ver que vocês, leitores, também não entram nessa pilha.

A passos incrementais, mas evoluindo sempre, a tecnologia segue firme como ditadora e distração da vida moderna. Se até ontem queríamos smartphones mais potentes e telas mais densas, o próximo passo é a computação contextual: sistemas que se antecipem às nossas vontades usando sinais secundários. Coisas que eram de ficção científica alguns anos atrás já fazem manchetes surpreendentes, como a do drone da Amazon, e o que era excitante até então se transforma em commodity. Nada de errado, porém, em ver o iPhone e o Galaxy S virarem lugar comum; os preços caem, o smartphone se populariza e mais gente ganha acesso a essas telinhas legais.

O afogamento na tecnologia me parece um caminho sem volta. A computação vestível e a Internet das coisas conectará tudo e todos. Não sei quando, mas acredito que em breve. Na mesma proporção virão as críticas sobre o excesso de tecnologia e sobre o excesso de produção de conteúdo. Encontrar o meio termo disso tudo será um dos grandes desafios nessa segunda metade da década.

Talvez um bom parâmetro para o momento seja o garotinho do comercial da Apple. Registrar bons momentos é legal, vê-los todos através de um celular, privando-se deles com a justificativa do relato, não. Já disse aqui que bom senso é relativo. Com as mudanças comportamentais que a tecnologia estimula, saber quando deixar o celular de lado será, mais do que um traço de bom senso (seja lá qual for a sua medida disso), uma habilidade valiosa e apreciável.

E quando estivermos com o celular na mão, vamos… pensar melhor no que publicar, no que opinar. Embora o Facebook nos pergunte incessantemente o que estamos pensando, não é preciso dizê-lo a todo momento, sobre todo e qualquer assunto. Lá, no Twitter, em qualquer lugar que nos incite a opinar usando um gadget, que pensemos (mesmo!) duas, três, várias vezes antes. Se vale a pena mesmo discutir e se a discussão é, no fim das contas, salutar.

Michel Laub clama por um guia que nos ensine como não falar sobre as amenidades da vida e as notícias do cotidiano:

“Algumas coisas são inegociáveis, claro, mas nem toda ponderação é sinônimo de relativismo covarde. Assim como nem toda omissão. Pierre Bayard escreveu um ensaio divertido chamado ‘Como Falar dos Livros que Não Lemos’ (Objetiva).

Gostaria que alguém escrevesse um com a tese oposta: como resistir em falar dos livros que lemos, dos filmes que vimos, do que aparece na TV ou do que comemos no almoço, e do trânsito e da poluição e da péssima qualidade dos serviços na cidade e assim por diante.”

Parece brincadeira. Se for, é uma amargamente verdadeira. Faz falta um guia desses.

Planos para o futuro

A premissa do Manual do Usuário, este pequeno espaço na Internet que gerencio, é abordar tecnologia e comportamento derivado dela com os dois pés no chão e uma boa dose de crítica. Não falar de tudo é parte do serviço que presto: a privação do ruído faz um bem enorme, permite que você se alimente mais com o que importa e deixe o banal de lado.

Essa curadoria às avessas será cada vez mais importante. Se antes o trabalho era garimpar conteúdo nas escassas pedreiras da Internet, hoje ele abunda de todos os lados e a maior dificuldade é peneirá-lo em busca do que faz a diferença. Daí a excepcional resposta de quem se aventura com newsletters: conteúdo com começo, meio e fim, ponto. As pessoas sentem falta disso e quando encontram essas pequenas pepitas de ouro em meio a tanto pedregulho, apreciam-nas.

Ainda estou em busca do ponto de equilíbrio para o Manual do Usuário. Fazendo uma análise de fim de ano, acho que nesses dois meses de vida do blog fui bastante rígido com a linha editorial do blog. Em 2014 devo publicar mais posts. Nem todos serão enormes como os que já foram ao ar, mas cada um deles será importante. Considere isso uma resolução de ano novo.

Encerro hoje os trabalhos no Manual do Usuário em 2013. Para o ano que vem, além desse refinamento na linha editorial o blog ganhará um novo layout (está ficando lindão!) e tentarei torná-lo sustentável de maneiras não muito… convencionais. Vocês participarão mais também, e acho que essa será a parte mais bacana.

Boas festas e nos vemos em 2014!

Imagem do topo: SpectralDesign/Flickr.

Manual do Usuário, o blog de tecnologia que será (quase) sempre o último a falar

Em uma das minhas últimas idas a São Paulo reuni alguns amigos em uma cafeteria da Alameda Santos e, sendo a maioria jornalistas que escrevem ou já escreveram sobre tecnologia, o papo acabou descambando para esse lado.

O Pedro levantou as sobrancelhas de alguns dos presentes quando disse que, hoje, se houver três notícias de tecnologia revelantes por dia é muito, e que todo o resto é basicamente dispensável.

Aquilo ficou martelando a minha cabeça.

Mais recentemente, Evan Williams, do Blogger, Twitter e Medium, disse ao TechCrunch algo na mesma linha:

“Notícias em geral não importam na maior parte do tempo e a maioria das pessoas estaria melhor se gastasse seu tempo consumindo menos delas e mais ideias com efeitos de longo prazo.”

Ele também disse que blogs de tecnologia são escritos por incompetentes e todos muito ruins, mas esse é outro papo :-)

A importância que a tecnologia de consumo ganhou na vida das pessoas, principalmente depois do “boom” dos smartphones em 2007~2008, fez crescer também a atenção dada a essa área. Mesmo com esse fator jogando contra as declarações do Pedro e do Ev, uma análise menos apressada revela que talvez não seja mesmo preciso gastar tanto teclado para manter os interessados por dentro do que rola e que, com certeza, há muito ruído no noticiário de tecnologia. Na Internet de modo geral, mas especialmente nessa área.

Existe uma série de culpados que força boa parte da imprensa a dar atenção a rumores, falar incessantemente de Apple, entrar nas briguinhas de fanboys e apelar para curiosidades que mereceriam no máximo um tuíte, mas o principal é a publicidade. Ainda calcada em métricas questionáveis como page views, ela coloca o bom jornalismo contra a parede. É um problema crônico e de longa data sobre o qual não me prolongarei muito aqui — aos interessados, e recomendo que todos estejamos, leiam isto.

Outras questões meio relacionadas merecem crédito também, como o tratamento que alguns veículos dão ao tema, como se tudo fosse super incrível e maravilhoso, e aos leitores, ignorando a bagagem e o conhecimento deles, mantendo aquele desnivelamento típico de professor-aluno de escolas antiquadas, como se a relação site-leitor fosse uma via de mão única.

Dá para fugir disso? Dá para fazer diferente? Acho que sim, e é isso o que tentarei neste Manual do Usuário.

Mas… quem é você?

Este sou eu.
Foto: Laura Mariane/Arquivo pessoal.

Oi, meu nome é Rodrigo Ghedin — esse cara boa pinta aí em cima. Sou bacharel em Direito, estudo Comunicação e nunca trabalhei com outra coisa que não jornalismo de tecnologia. Comecei nisso, aos trancos e barrancos, em 2002, e desde então integrei equipes de alguns sites e blogs muito legais.

Tudo começou no WinAjuda, site próprio que criei quando ainda estava no Ensino Médio e, oito anos depois, vendi para uma editora. Em 2009 fui para o Meio Bit, onde fiquei por dois anos. Depois teve os meteóricos seis meses de Gemind, no final de 2011, minha segunda investida independente que fracassou por ser muito ambiciosa e, em certa medida, ingênua. Nesse meio tempo, colaborei timidamente com o TechTudo, da Globo.com, assinando uma coluna sobre a Microsoft. No começo de 2012 fui para o Gizmodo.

Lá, aprendi muito sob a batuta do Pedro e, depois, do Leo, ao lado do Felipe, Nina, Giovanni, Daniel, André e Ana, e com o apoio de todo o corpo de profissionais da F451 — é um punhado de gente! Mesmo remotamente, deu para sentir mais ou menos o clima de uma redação e apurar a visão que eu tinha desse universo. Ter mais cautela, mais paciência, ser mais curioso. No fim, acho que aprendi a ser mais profissional.

Esse caminho, com umas partes das quais me orgulho um bocado, algumas viagens fascinantes e uns encontros não muito legais da minha cara com o muro, culmina neste blog que você está lendo, no Manual do Usuário.

Mais um blog de tecnologia?

Sim, mas um diferente. E é nessa diferença que ele se justifica.

Se tudo correr bem, você ficará satisfeito ao fim de cada leitura que fizer aqui, terá compreendido e internalizado o tema proposto e, talvez, ficará com um gostinho de quero mais que poderá ser saciado na seção de comentários.

A ideia é levar aquele papo de três notícias por dia (no máximo!) ao pé da letra, apegar-se à filosofia slow web1 e oferecer conteúdo único e de alta qualidade. Você não lerá nada exatamente novo aqui. Não tenho e nem quero o compromisso de ser o primeiro a dar uma notícia, não é essa a ideia. O objetivo é dar a notícia que importa e de maneira completa. Contextualizada, questionada, esmiuçada.

Além das notícias, há outra parte importante nessa receita: os textos longos, bem trabalhados, demorados, como alguns que fiz nos últimos meses pelo Gizmodo — veja isto e isto para entender. Lá fora chamam esse estilo de “longform journalism”; aqui, já ouvi falar em “leitura de fôlego”, mas não tenho certeza se esse é o termo correto. E não importa. O que interessa é que serão textos fora da curva, lapidados, redigidos depois de muita leitura, pesquisa e reflexão. Note que até o visual do blog denota esse ar mais… artesanal. (Aliás, curtiram?) Os assuntos? O que for legal e/ou importante.

Quando Tim Stevens, ex-editor-chefe do Engadget, anunciou sua ida à CNET, ele escreveu em seu blog:

“Embora a cena de notícias de tecnologia esteja muito saturada, ainda há um monte de histórias não contadas apenas esperando atrás das cortinas. Quando o ritmo das notícias é intenso dessa forma, poucos escritores têm o luxo ou a paciência de se aprofundar, não só para responder o que determinado objeto é, mas por que ele é. Que fatores contribuíram para seu design, seu desempenho, seus recursos e seu custo? E então, depois que os reviews são publicados e a indústria se move em sua sua eterna obsessão para saber o que vem a seguir, como o que já está aqui se encaixa de fato em sua vida? Cada novo produto e avanço tecnológico tem uma história. Trabalharei para contar, de forma exaustiva e respeitosa, essas histórias.”

Longe de mim comparar-me ao Tim, mas ler esse parágrafo reforçou a ideia de que havia essa lacuna e que as condições eram favoráveis para tentar.

Legal! Por onde começo?

Foto de cima da Type Cover anexada a um Surface Pro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Pensei em explicar logo de cara a linha editorial do Manual do Usuário, mas talvez seja mais divertido se vocês verem essas coisas nascendo aqui e ali. O arquivo já conta com algumas notícias recentes. Novos estão a caminho, incluindo os especiais a que me referi acima. Os podcast serão trazidos para cá e, por ora, podem ser ouvidos direto da fonte (caso queira assiná-lo, este é o feed RSS e aqui ele na iTunes Store). Recomendo também dar uma lida no “Sobre”, especialmente o trecho onde explico como planejo manter isso funcionando — você pode ser parte importante para fechar os números no final do mês e é, sem dúvida, a mais importante no que condiz a termos de uso e privacidade.

Como é praxe hoje, acompanhe as novidades via TwitterFacebook, Google+, RSS ou assinando a newsletter gratuita do site. Você também pode se tornar assinante e ganhar acesso ao “lado B” do site, com alguns benefícios como a versão “premium” da newsletter. Nela, além do resumão semanal deste blog, compilo e comento links bacanas que encontro por aí. Quem assina, adora.

(Pretendo publicar apenas links dos posts, um “giro de notícias” diário e responder dúvidas no Twitter do Manual do Usuário. Para um papo mais descontraído e comentários rápidos sobre tecnologia, além de umas piadas ruins e tuítes sem nexo ocasionais, siga meu perfil pessoal por lá.)

Os comentários, como dito, estão abertos. Lerei todos, responderei quando convir. Puxe um banquinho, abra a geladeira, pegue uma cerveja e não se sinta intimidado para falar. Isso será legal!

  1. Slow web é um movimento recente que chama a atenção para a celeridade da informação na web e de como isso nos faz mal. Como uma analogia ao Slow Food, Jack Cheng prega, em seu manifesto, que desaceleremos e saibamos aproveitar o que a web tem de melhor em vez do que ela oferece mais rápido. Escrevi sobre isso no PapodeHomem.