Quem quer um relógio modular?

A Blocks Wearables, que tinha me escapado totalmente na última CES, foi a Taiwan apresentar os últimos progressos do seu smartwatch modular. Ele rodará Android normal (nada do Wear) e usará o onipresente Snapdragon 400, mesmo SoC que a maioria dos smartwatches já à venda usa.

Não sei se é uma coisa minha, mas um relógio, que já é um negócio pequeno, composto por peças ainda menores como se fosse um jogo de Lego parece-me uma ideia ruim.

O mesmo vale para o Project Ara, do Google. Uma das coisas mais legais de smartphones e Ultrabooks modernos é eles não terem partes móveis. Essa vantagem meio que se perde com a natureza modular. Outra é a integração, de hardware e hardware/software, que só um projeto coeso e fechado em si mesmo pode entregar. A distância (física) dos componentes e o modo como eles se integram, e a variedade de módulos distintos que terão que encontrar um denominador comum (baixo) para funcionarem juntos, devem afetar o desempenho.

Talvez mais do que impeditivos técnicos (o Google tem um monte de gente esperta para contorná-los), questiono se pessoas normais estão mesmo interessadas em algo assim1. No meu caso, mesmo o meu “gadget” montado, o computador desktop, há anos não vê uma plaquinha nova e só de pensar em comprar uma, ter que abrir a caixa e fazer a troca, já bate uma deprê. Eu sei, isso é pessoal; mas é preciso um público mínimo diferente de mim, disposto a ficar montando relógio e celular, e comprando pedaços deles esporadicamente para que o conceito seja comercialmente viável.

A propósito, o Project Ara fez uma aparição na última Google I/O. Rafa Camargo, líder de software do Google ATAP, encaixou um módulo de câmera num aparelho que passou a funcionar na hora, sem precisar de reinicialização. Tecnicamente falando, um feito e tanto! O Google pretende iniciar um programa piloto do Ara ainda este ano, em… Porto Rico. Por que lá? Talvez seja isto:

  1. Acho que a maioria dos leitores do Manual gosta da ideia, mas reitero: somos um perfil fora da curva.

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3 comentários

  1. Pois sou totalmente a favor deste projeto modular! Pense em poder trocar a câmera, o processador, adicionar mais memória (seja RAM ou FLASH) conforme sua necessidade ao invés de ter de comprar e pagar outro novo para um upgrade.
    Entendo a questão da compatibilidade e otimização porém deve ter posto isto no roadmap.

    Quanto ao relógio não sei dizer pois não utilizo, e é estranho ver o mesmo SoC de um moto g dentro de um wearable tão diminuto.

  2. Um celular, que tem liberdade pra ter uma telona de 6″ que comporte bastante área e até um pouco mais de profundidade do que a média dos aparelhos atuais, pra dar espaço pros módulos, já é difícil de fazer, imagina um relógio, em que o espaço é tão, mas tão mínimo, que o hardware dos que são feitos atualmente é menor do que o necessário, tanto é que todo review fala de certa lentidão/engasgos e, no caso de relógios, e inaceitável que aumentem em largura/altura pra não virar o relógio do Faustão, e nem em profundidade pra não parecer aqueles relógios que tinham chiclete dentro.

    Ou seja, sem nem analisar o interesse do mercado, tecnicamente já não faz o mínimo sentido.

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