Tela do Instalador do Google Chrome para Windows 10.

Google lança app para Windows que serve apenas para baixar o Chrome


19/12/17 às 13h57

O declínio do Windows como plataforma dominante explicitou o descaso do Google com a Microsoft. A empresa jamais se deu ao trabalho de adaptar seus apps à Microsoft Store (loja de apps do Windows) e faz software para o sistema no estrito limite do que mantém os usuários em seus domínios. Daí o próprio Chrome (web/buscador) e o app de backup do Google Drive.

Uma piada antiga e não muito engraçada entre usuários de Windows é que o Internet Explorer (e, agora, o Edge) só serve para baixar um navegador melhor. Foi o Firefox por um bom tempo; hoje, é o Chrome. O Google, que nunca havia publicado o Chrome na Microsoft Store, fez isso nesta terça (19). Ou quase: trata-se de um “instalador”, que consiste apenas em um botão que abre o navegador padrão do sistema para baixar o Chrome pelo meio convencional. O Google transformou aquela piada ruim em realidade.

Atualização (20/12, às 8h50): Horas depois de a notícia do “instalador” se espalhar, a Microsoft removeu o “app” do Google da Microsoft Store sob a alegação de que ele violava as políticas da loja.

Mesmo que quisesse fazer diferente, seria preciso mexer bastante em um eventual Chrome distribuído pela Microsoft Store para que ele fosse aceito lá. A Microsoft obriga que navegadores web usem o EdgeHTML e o motor de JavaScript do Edge para aceitá-los em sua lojinha.

É a mesma política da Apple na App Store do iOS. Todos os navegadores para iPhone e iPad são, essencialmente, roupagens diferentes para o WebKit, o motor do Safari (navegador da Apple). (Curiosidade: recentemente, a Microsoft lançou o Edge, seu navegador, para iOS.) Os diferenciais ficam em recursos e serviços construídos em cima do motor base. Então o Edge e o Firefox do iOS, entre outras coisas, sincronizam dados do usuário com suas contrapartes “reais”, as versões para computadores.

Voltando ao Google, a empresa tem uma variante do Chrome para iOS. No Windows, o incentivo para isso é menor porque o Chrome completo, com o motor do Google, o Blink, está a dois cliques de distância. A Microsoft até inventou um Windows 10 S que só executa apps da Microsoft Store, mas ele ainda está longe de ter qualquer influência no mercado.

Os usuários mais assíduos, do tipo que deixam comentários em lojas de apps, estão indignados, porém não será surpresa (e um tanto curioso) se, daqui a algum tempo, o “Instalador do Google Chrome” for um dos apps mais populares da Microsoft Store.

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16 comentários

  1. “O declínio do Windows como plataforma dominante”

    De onde saiu isso?
    A MS ainda tem 89% de market share no Desktop.

    O plano de negócios do Google pra não mexer no Chrome do Windows deve ser outro.

      1. Deveras desonesto. Uma afirmação dessas induz qualquer um ao erro. Dizer que o Windows está em declínio como plataforma dominante sem ressalvas faz crer que temos outro player desktop.

        E sim, eu já imaginava que era essa a justificativa/ponto-de-vista, até porque conheço as fontes usadas no MdU (acho que o Anderssen Horowitz ou o Benedict Evans falam desse gráfico/approach num podcast do a16z, inclusive).

        Sinceramente, me lembrou o MacMagazine (que é mais um fã clube do que um blog sobre tecnologia) dizendo uns anos atrás que a Apple era a maior fabricantes de computadores do planeta colocando iPads lado-a-lado com outros PCs.

        1. “Desonesto” é meio pesado :(

          Eu concordo contigo que há diversas formas de analisar os mesmos dados. IDC e Gartner, por exemplo, discordam da definição de tablet por critérios que não fazem sentido em contexto.

          Quando escrevo “plataforma dominante”, não estou discriminando desktops ou smartphones; penso no que as pessoas usam primariamente para acessar a internet — e, como você mesmo reconhece, é uma abordagem a que o leitor do Manual do Usuário já está acostumado.

          1. Acho que é um problema de perspectiva mesmo.

            Não influencia em quase nada, exceto em quem lê sem saber que existem diferenças entre as duas plataformas.

            O recorte de “as pessoas usam internet” também é válido, mas, não aborda o todo e, como eu disse, qualquer pessoa que leia isso vai ser induzida ao erro sem olhar nas entrelinhas. Usando isso eu posso afirmar que o Linux é a segunda plataforma mais usada, afinal, Android é Linux (ainda é), o que induziria ao erro tanto quanto o primeiro.

            Não vai mudar absolutamente nada, as pessoas vão continuar comprando “computador Windows” e “telefone Android” na sua imensa maioria (qualquer coisa fora disso é nicho).

  2. A melhor coisa a se fazer é a Microsoft desistir dessa loja de Apps e se tornar novamente o bom e velho Windows XP, simples e pratico.

    1. Essa loja de apps deveria ter sido implementada lá no windows Xp!
      Lembram que havia a opção ‘adicionar e remover programas’ mas na realidade só dava pra remover? hahaha
      a Microsoft estava acomodada e talvez nunca cogitou que aplicativos pudessem ser instalados a partir de uma loja gerenciada por eles mesmos.

      1. É bacana quando o OS gerencia um repositório, ou alguns conjuntos de bibliotecas, justamente por conta de existir uma preocupação com a estabilidade dos recursos no sistema, como acontecem com as distribuições de Linux. Já essa loja do Windows 10 é desagradável, bagunçada, mal integrada com o restante do OS… É bem difícil levar a sério que isso vá pra frente de verdade. Minha impressão é de que a Microsoft vai empurrando até chegar a um ponto insustentável e a gente leia uma manchete “Fim da Windows Store: Microsoft assume as más decisões e nova versão do Windows 10 volta às raízes”, algo como aconteceu com o “menu iniciar”. hahaha

      2. Dava pra adicionar sim! Por ali você conseguia rodar os instaladores, e conseguia ativar ou desativar recursos do Windows – inclusive as ferramentas do sistema.

        1. Isso! Mas era muito rudimentar. O usuario precisava inserir a mídia de instalação.
          Imagine se fosse como hoje, com tudo feito pela internet, vinculado a conta online e cartão de crédito. Seria muito mais facil e rentavel para o desenvolvedor distribuir software.

    2. Poxa, acho que é o contrário. Gerenciar apps pela loja é que é mais simples e prático: o próprio sistema lida com dependências, a descoberta (em tese) é melhor e os processos de instalação e remoção de apps, direto e não deixa resíduos no sistema.

      A Microsoft Store ainda tem muitas arestas e, na real, acho que não existe loja perfeita, mas o modelo é muito melhor que a bagunça e a insegurança da era pré-Windows 8. Voltar a ele, isso sim seria um retrocesso.

    3. Cara, discordo completamente. O Windows simplesmente não atualizava nada. A loja centraliza isso, já é algo grandioso para quem viveu o tempo das trevas dos disquetes ou CDs de atualização, dos downloads de updates para as coisas mais simples…