Pintura na parede do escritório do Baidu.

O escritório do Baidu no Brasil


13/5/16 às 10h32

No Brasil há quase três anos, o Baidu ainda luta contra o estigma que a palavra “chinês” possui por aqui e para desfazer o estrago que equívocos em sua estratégia inicial no país causaram. O Manual do Usuário foi dar um rolê no escritório da empresa em São Paulo, no bairro Cidade Monções, na região da Berrini, próximo ao Brooklyn. É o primeiro e, até agora, único dos chineses na América Latina.

Conhecido por seu buscador, que no momento passa por uma reformulação e deve ser relançado em breve, o Baidu reviu sua estratégia desde que chegou ao Brasil. A principal mudança é que ele deixou de lado as campanhas do tipo “deseja instalar também?” em que seus programas eram baixados e instalados em conjunto com outros sem que o usuário sequer percebesse.

Felipe Zmoginski, gerente de marketing da empresa que nos recebeu na sede do Baidu no Brasil para uma conversa, reconheceu que a chegada no país foi feita de forma equivocada. Segundo ele, esse tipo de campanha é recorrente não só em outras companhias1, mas também em outros mercados. No Egito, por exemplo, as pessoas veem como vantagem receber mais programas do que esperavam.

Aqui no Brasil há uma rejeição forte ao modelo. Essa campanha agressiva, atrelada ao fato de que na época o Baidu era uma marca desconhecida por aqui, e uma chinesa, acabou dificultando o início das operações. Por isso, em 2015, em paralelo à mudança de postura o Baidu fez uma ação que contava com um ator do grupo Porta dos Fundos e um canal telefônico gratuito para ajudar os usuários que desejassem remover seus aplicativos do computador.

Hoje, com o Baidu Browser sendo reformulado, o Google da China, como alguns gostam de chamar o Baidu, segue apostando em apps para diversas plataformas como o Baidu Antivírus (Windows) e o Du Speed Booster (Android). Além disso, o Baidu é um dos nomes por trás da ABO2O, uma entidade privada e sem fins lucrativos que reúne mais de 30 empresas e três fundos de investimentos com o objetivo de fomentar o empreendedorismo local. A empresa também toca o seu próprio programa de aceleramento, o Baidu Acelera. Nessa iniciativa, o Baidu cede crédito para os aplicativos acelerados colocarem anúncios nos programas da empresa chinesa — que, importante dizer, só são baixados se o usuário clicar. E isso só falando em Brasil: globalmente, a empresa que ocupa a 11ª posição no ranking da Forbes e investe em áreas bastante diversificadas como gadgets vestíveis, deep learning (liderada pelo ex-Googler e gênio da área Andrew Ng), inteligência artificial e carros autônomos.

O escritório

Logo do Baidu na entrada do escritório em São Paulo.

Em São Paulo, a equipe de cerca de 20 pessoas do Baidu divide o escritório com o Peixe Urbano, empresa adquirida no final de 2014. Como todo espaço de trabalho de empresa de Internet, o do Baidu é engraçadinho e reúne algumas das tecnologias que a companhia já comercializa em seu país de origem.

Pelúcias no escritório do Baidu.

Boneco caixa de som do Baidu.

A área de trabalho, por exemplo, é monitorada por câmeras Wi-Fi integradas ao serviço de nuvem do Baidu. Além delas, o espaço conta com uma balança Wi-Fi que sincroniza dados da saúde dos funcionários, como peso e percentual de gordura, e envia esses dados, de forma privada, para os smartphones dos usuários.

Balança conectada do Baidu.

Outros gadgets utilizados no dia a dia são de vídeo conferência, aspirador-robô para limpeza do ambiente e até copos inteligentes que monitoram o volume de líquido bebido ao longo do dia. Nesses casos, de acordo com o Baidu, os dados são enviados para uma conta privada do usuário na nuvem. Na China, o Baidu oferece dois terabytes de espaço gratuito para usuários de seus serviços, algo que por aqui dificilmente seria mal visto mesmo aqui…

Pintura na parede e objetos decorativos no Baidu.

Objetos decorativos no escritório do Baidu.

Enfeite chinês do Baidu.

Baias no escritório do Baidu.

Mais baias no escritório do Baidu.

Vending machine do Baidu.

Funcionários do Peixe Urbano trabalhando em suas baias no escritório em São Paulo.
Peixe Urbano, que divide espaço com o Baidu.

Cozinha e TV no escritório do Baidu no Brasil.

Patrocínio do Baidu na camisa do Rio Claro.
Em 2015 o Baidu patrocinou o time de futebol Rio Claro, que disputou a Série A do Paulista.

Pintura em detalhe no escritório do Baidu no Brasil.

Frases de inspiração no Baidu.
A frase é do Gandhi, mas poderia ser do próprio Baidu no ocidente.
  1. Algo que a Microsoft, por exemplo, fez durante anos com Internet Explorer, MSN Messenger e Skype e pouca gente reclamou.

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