O escritório do Baidu no Brasil

Pintura na parede do escritório do Baidu.

No Brasil há quase três anos, o Baidu ainda luta contra o estigma que a palavra “chinês” possui por aqui e para desfazer o estrago que equívocos em sua estratégia inicial no país causaram. O Manual do Usuário foi dar um rolê no escritório da empresa em São Paulo, no bairro Cidade Monções, na região da Berrini, próximo ao Brooklyn. É o primeiro e, até agora, único dos chineses na América Latina.

Conhecido por seu buscador, que no momento passa por uma reformulação e deve ser relançado em breve, o Baidu reviu sua estratégia desde que chegou ao Brasil. A principal mudança é que ele deixou de lado as campanhas do tipo “deseja instalar também?” em que seus programas eram baixados e instalados em conjunto com outros sem que o usuário sequer percebesse.

Felipe Zmoginski, gerente de marketing da empresa que nos recebeu na sede do Baidu no Brasil para uma conversa, reconheceu que a chegada no país foi feita de forma equivocada. Segundo ele, esse tipo de campanha é recorrente não só em outras companhias1, mas também em outros mercados. No Egito, por exemplo, as pessoas veem como vantagem receber mais programas do que esperavam.

Aqui no Brasil há uma rejeição forte ao modelo. Essa campanha agressiva, atrelada ao fato de que na época o Baidu era uma marca desconhecida por aqui, e uma chinesa, acabou dificultando o início das operações. Por isso, em 2015, em paralelo à mudança de postura o Baidu fez uma ação que contava com um ator do grupo Porta dos Fundos e um canal telefônico gratuito para ajudar os usuários que desejassem remover seus aplicativos do computador.

Hoje, com o Baidu Browser sendo reformulado, o Google da China, como alguns gostam de chamar o Baidu, segue apostando em apps para diversas plataformas como o Baidu Antivírus (Windows) e o Du Speed Booster (Android). Além disso, o Baidu é um dos nomes por trás da ABO2O, uma entidade privada e sem fins lucrativos que reúne mais de 30 empresas e três fundos de investimentos com o objetivo de fomentar o empreendedorismo local. A empresa também toca o seu próprio programa de aceleramento, o Baidu Acelera. Nessa iniciativa, o Baidu cede crédito para os aplicativos acelerados colocarem anúncios nos programas da empresa chinesa — que, importante dizer, só são baixados se o usuário clicar. E isso só falando em Brasil: globalmente, a empresa que ocupa a 11ª posição no ranking da Forbes e investe em áreas bastante diversificadas como gadgets vestíveis, deep learning (liderada pelo ex-Googler e gênio da área Andrew Ng), inteligência artificial e carros autônomos.

O escritório

Logo do Baidu na entrada do escritório em São Paulo.

Em São Paulo, a equipe de cerca de 20 pessoas do Baidu divide o escritório com o Peixe Urbano, empresa adquirida no final de 2014. Como todo espaço de trabalho de empresa de Internet, o do Baidu é engraçadinho e reúne algumas das tecnologias que a companhia já comercializa em seu país de origem.

Pelúcias no escritório do Baidu.

Boneco caixa de som do Baidu.

A área de trabalho, por exemplo, é monitorada por câmeras Wi-Fi integradas ao serviço de nuvem do Baidu. Além delas, o espaço conta com uma balança Wi-Fi que sincroniza dados da saúde dos funcionários, como peso e percentual de gordura, e envia esses dados, de forma privada, para os smartphones dos usuários.

Balança conectada do Baidu.

Outros gadgets utilizados no dia a dia são de vídeo conferência, aspirador-robô para limpeza do ambiente e até copos inteligentes que monitoram o volume de líquido bebido ao longo do dia. Nesses casos, de acordo com o Baidu, os dados são enviados para uma conta privada do usuário na nuvem. Na China, o Baidu oferece dois terabytes de espaço gratuito para usuários de seus serviços, algo que por aqui dificilmente seria mal visto mesmo aqui…

Pintura na parede e objetos decorativos no Baidu.

Objetos decorativos no escritório do Baidu.

Enfeite chinês do Baidu.

Baias no escritório do Baidu.

Mais baias no escritório do Baidu.

Vending machine do Baidu.

Funcionários do Peixe Urbano trabalhando em suas baias no escritório em São Paulo.
Peixe Urbano, que divide espaço com o Baidu.

Cozinha e TV no escritório do Baidu no Brasil.

Patrocínio do Baidu na camisa do Rio Claro.
Em 2015 o Baidu patrocinou o time de futebol Rio Claro, que disputou a Série A do Paulista.

Pintura em detalhe no escritório do Baidu no Brasil.

Frases de inspiração no Baidu.
A frase é do Gandhi, mas poderia ser do próprio Baidu no ocidente.
  1. Algo que a Microsoft, por exemplo, fez durante anos com Internet Explorer, MSN Messenger e Skype e pouca gente reclamou.

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45 comentários

  1. No meu computador foi e esta instalado um droga chamada “HAO123”, esta porcaria altera minha pesquisa e minha página inicial, QUERO SABER COMO REMOVER ESTE PROGRAMA.

    Aguardo uma resposta e-mail

  2. Dados de saúde monitorados pelo empregador… gente, que medo.

    Um exemplo absurdo: os caras te demitem seis meses antes de você descobrir que tem um problema grave de saúde, por exemplo (e quem assistiu o Terms and Conditions May Apply sabe que isso não é tão absurdo assim…)

    E eu estava preocupado com um mero ponto biométrico no meu trabalho… Estou me sentindo no século XIX: panóptico total.

  3. “…….No Egito, por exemplo, as pessoas veem como vantagem receber mais programas do que esperavam…….”

    Além de tudo é um mentiroso. Em lugar nenhum do mundo alguém fica feliz em instalar alguma coisa no seu computador sem a sua anuência.

    Chamou os egípcios de idiotas e ainda colocou um país destruído, sem poder, sem frente governamental, como referência em tecnologia.

    1. Sem contar que usar o Egito como exemplo de acesso á internet é no mínimo risível, senão vejamos um trecho desse texto de 2011:

      “O país tem poucas das chamadas redes autônomas (AS, na sigla em inglês), que são as pequenas redes que, quando conectadas entre si, formam a internet. Existem ainda menos provedores internacionais que conectam o país. Desconectar o Egito, portanto, não foi difícil. O Egito possui cerca de 3500 redes, mas apenas seis provedores internacionais.”

      Texto completo: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/02/saiba-como-o-egito-se-desligou-da-web-e-o-que-e-feito-para-furar-bloqueio.html

  4. Realmente as empresas chinesas não entendem o consumidor brasileiro e vivem de comparações de mercados bem “fraco” em relação a experiência de usuários

  5. “No Egito, por exemplo, as pessoas veem como vantagem receber mais programas do que esperavam.”
    Kkk, imaginei a situação aqui, o cara ficando empolgado com um programa ganho de brinde.

    1. Me parece q o esforço do MdU e da Emily é entender como é a internet fora da bolha dos serviços e marcas consagradas. Pelo menos isso tem se delineado nos programas do ‘Guia prático’. E a internet e seus uso é muito diversa, daí não me surpreende q a comparação com o Egito não seja de todo despropositada.

      1. Já não posso falar, ñ acompanho o mdu, mas pretendo, (pelo menos ta na lista das coisas pra começar a fazer com regularidade) o que inclui escutar o podcast. Mas de qq forma, se for, legal. Não temos isso em nenhum lugar, hoje (acho).

          1. tem algum plugin com opção modo leitura, algo do tipo?
            Aqui aparece.

  6. A pergunta que não quer calar é: “como o Baidu ganha dinheiro de forma criminosa”? Para mim, Uber e Baidu entram no mesmo pacote. Vai junto o 123sites, os programadores de adwares… :p

  7. A minha grande crítica ao Baidu era a barra que ele instalava nos navegadores, em especial em páginas do Blogspot, cheia de anúncios. Um antivírus em si sempre é interessante, mas não aquele lixo.

  8. “uma entidade privada e sem fins lucrativos que reúne mais de 30 empresas e três fundos de investimentos”

  9. E qual o objetivo do artigo, somente apresentar o lugar? Tipo minha mesa de trabalho?
    Não falaram nada mais específico sobre como vão trabalhar por aqui, iniciativas mais concretas para mudar essa péssima imagem que possuem?
    Nem falar nada sobre o Peixe Urbano? O mercado dessa área de cupons?
    Seria mais interessante…
    Sei lá, ficou meio perdido.

    1. me pareceu uma rara oportunidade de ver como é o ambiente de uma empresa chinesa aqui no brasil.

        1. mas aí só indo pra saber, mas não é igual. tem suas particularidades e mesmo o “igual” talvez seja o ímpeto de “igualar” já existente na china.

          1. Eu acho que o @fredmmtt:disqus se referia às praxes e (por que não) clichês de escritórios de empresas de tecnologia. É algo quase inconsciente e que se repete em outras áreas — escritórios de advocacia só não são mais iguais uns aos outros porque decoração é cara. Deve haver diferenças e é provável que, se elas existirem, seja muito mais de comportamento do que em objetos/decoração, mas no fundo todos têm muitas similaridades.

            Exemplo bem maluco disso: a relação entre a redução nas vendas de mesas de ping-pong em San Francisco e o possível estouro da bolha de empresas de tecnologia: http://www.wsj.com/articles/is-the-tech-bubble-popping-ping-pong-offers-an-answer-1462286089

          2. Me pareceu uma decepção do ponto de vista arquitetônico. A mim, em oparticular, me pareceu uma tentativa de emular os outros escritórios assim como os serviços. Mas posso estar influenciado demais pela leitura do Martel…

      1. Cara, agora falando sério:

        Eu quanto técnico em informática e analista de sistemas, acho bem difícil eles limparem essa barra. Podem até conseguir, mas vão ralar bastante. O nome Baidu é muito sujo e está associado somente à coisas ruins.

        O buscador em si não tem muita relevância no Brasil e o pouco market share é oriundo de instalações contra a vontade do usuário. Acho mesmo que a Baidu deveria focar em programas de otimização para PCs, mas que esses programas realmente OTIMIZASSEM os computadores. Falo isso pois trabalhei muito tempo com suporte e sei que a maior necessidade é de um computador otimizado. Tem gente aí com uns 20 ~ 30 programas iniciando junto com o Windows, desse jeito não há nenhum i7 5º geração que dê conta. Outra coisa que a Baidu poderia fazer era algum mecanismo de proteção para os navegadores (aqui incluo todos e não somente o Spark Browser), pois esse é outro grave problema enfrentado pelos usuários. Página inicial sequestrada, barras de pesquisas adulteradas e etc…

        Enfim, vamos ver no que vai dar. Gostei de saber que eles estão empenhados em mudar a imagem. Vou até mandar meu curriculum pra lá hahaha.

  10. Gente, e essas 4 calculadoras embaixo do monitor?
    Achei o espaço bem enxuto, imaginava algo mais atrevido até.

  11. Vai ser difícil apagarem a imagem negativa que criaram. E, na boa, comparar com o Brasil com o Egito foi pesado heim.

      1. kkkk… devem ter montado a estratégia deles baseado nesse vídeo… mas acabaram com o tchan ralado… kkkk

      2. AJHAHAHAHAHAHAHAHAHHA
        Cara, to no TDC esperando a trilha começar e “li” teu comentário. Soltei uma sonora gargalhada aqui na sala! Me olharam achando que eu era maluco! Mas eles só irão ter certeza daqui a pouco, quando eu colocar o vídeo para tocar no último volume, no momento que começar a trilha!
        hahahahahahaha

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