Um dos poucos acertos do Facebook no que diz respeito à privacidade foi ter implementado a criptografia de ponta a ponta como padrão e obrigatória no WhatsApp em 2016. O recurso é útil, mas não é uma panaceia a despeito do que a empresa diz em seus comunicados e ao responder críticas.

Os “rótulos nutricionais” para apps que a Apple implementou em suas lojas em dezembro evidenciam isso. Dos de mensagens mais populares, o WhatsApp é o que mais coleta meta dados — que revelam muito sem quebrar a criptografia, e que o Facebook usa para direcionar anúncios e refinar recomendações automáticas em outras propriedades, como a rede social Facebook e o Instagram.

Acesse a página do WhatsApp na App Store, role até o subtítulo “Privacidade do app” e toque no link “Ver detalhes”, à direita. Em contrapartida, veja quais dados e para quê iMessage (da própria Apple), Telegram e Signal (o melhor deles) coletam. A diferença é chocante. Via Forbes (em inglês).

O Telegram lançou um recurso interessante para grupos chamado “chats de voz”. É um meio termo entre ligações de áudio e as tradicionais mensagens de áudio, como as do WhatsApp. No grupo que tem o chat de voz ativado, uma sala à parte é criada para as pessoas ouvirem e falarem, uma de cada vez, de modo contínuo. As animações do post-anúncio passam uma ideia melhor do funcionamento.

Já faz algumas versões que o Telegram implementa versões grandes, animadas e até com som (!) de emojis populares em mensagens enviadas apenas com o emoji em questão. Para quem prefere os emojis convencionais, basta desativar a opção Emoji Grande — ela está em locais diferentes, dependendo da plataforma, então é mais fácil usar a busca das opções para encontrá-la. Via @DicasTelegram.

A título de curiosidade, os emojis com som são estes: ?, ⚰️, ?, ?‍♂️, ?‍♀️, ? e ❤️. Para ouvi-los, envie um e, depois que a animação terminar, toque no emoji.

As atualizações do Telegram sempre impressionam. É incrível como recursos aparentemente simples são desenvolvidos ao extremo. Da última, publicada nesta sexta (30), destaco a localização em tempo real: agora o app te notifica quando o contato estiver próximo e mostra, no mapa, a direção em que ele se movimenta. Também tem novidades nas mensagens fixadas, estatísticas de canais, playlists de arquivos de áudio, novos emojis animados do Dia das Bruxas (e um joguinho com o ?) e, no Android, animações mais suaves.

Aliás, do post oficial:

A nova versão com estes recursos está disponível para todos os nossos usuários no Android via Google Play ou Arquivo APK. Se você está no iOS, você receberá a atualização assim que: a) a Apple terminar de analisar ela OU b) você decidir migrar para o Android. ?

Via Telegram.

A configuração padrão é tudo o que importa

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As reportagens bombásticas publicadas pelo The Intercept Brasil no último domingo (9) deflagraram uma guerra entre entusiastas de tecnologia. De um lado, defensores do Telegram; do outro, seus detratores. (É meio maluco, mas a tecnologia de consumo é cheia dessas histórias de brigas entre “fãs” de marcas: Intel vs. AMD, iPhone vs. Android, Windows vs. macOS… agora parece que até banco tem fãs.)

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Procuradores, políticos e jornalistas relataram, nas últimas semanas, que tiveram suas contas no Telegram invadidas. A verificação em duas etapas (2FA, na sigla em inglês) do Telegram é uma senha adicional — e opcional — que o aplicativo pede ao ser instalado em um novo aparelho. Ela se soma ao código de login, enviado por SMS ou notificação em outros aparelhos que já tenham o app. Ao combinar algo que você tem (código de login) com algo que só você sabe (senha da 2FA), sua conta no Telegram fica mais protegida contra tentativas de invasão.

No aplicativo, entre em Configurações, depois em Privacidade e Segurança e, nesta tela, em Verificação em duas etapas. Clique em Configurar Senha Adicional e, na telas seguintes, insira uma senha e confirme ela. Na sequência, o app pedirá um lembrete de senha e um e-mail de recuperação, para caso você se esqueça da senha da 2FA. Ao informar o e-mail, será preciso confirmá-lo com uma senha temporária que será enviada ao endereço.

Para aprender como ativar a autenticação em duas etapas no WhatsApp, leia isto.

Como as conversas da Lava Jato no Telegram podem ter sido vazadas ao The Intercept Brasil

Neste domingo (9), o site The Intercept Brasil publicou uma série de reportagens revelando diálogos em que o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, e o ex-juiz federal Sergio Moro trocavam informações e colaboravam nos bastidores quando integravam a força-tarefa da Lava Jato. A origem das conversas, desenroladas no aplicativo Telegram, teria sido uma fonte anônima, e o material, segundo o jornalista e fundador da publicação, Glenn Greenwald, é vasto — “um vazamento muito maior do que o do caso Snowden”, disse à Folha.

Como a fonte conseguiu acesso a esses dados? O The Intercept Brasil, obviamente, não divulga detalhes. Pelas características das matérias publicadas até aqui, é possível fazer algumas conjecturas.

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O que o Telegram tem que o WhatsApp não tem?

Talvez você já tenha sido intimado por um amigo ou colega a baixar o Telegram em seu smartphone. Os fãs — alguns, praticamente evangelizadores — do aplicativo russo costumam ser insistentes no trabalho de conversão de usuários do WhatsApp ao deus, digo, rival Telegram. Segundo eles, o Telegram é muito melhor que o WhatsApp. Será?

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Telegram e Telegram X, os dois apps oficiais do rival do WhatsApp, foram removidos da App Store. Pelo Twitter, Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, disse que foram “alertados pela Apple de que conteúdo inapropriado foi disponibilizado aos usuários e ambos os apps removidos da App Store”, e que quando proteções forem implementadas, espera que os apps retornem.

Quem já tem o Telegram ou o Telegram X instalado não é afetado; os apps continuam funcionando normalmente.

Políticos estão começando a usar o Telegram por causa do recurso de Chat Secreto

Nos Estados Unidos e no Brasil a justiça tem esbarrado na criptografia de sistemas domésticos, gratuitos e populares durante a coleta de provas em ações criminais. Do iPhone ao WhatsApp, a garantia é de que tudo o que é seu está protegido — dos segredos mais sórdidos a provas criminais, mas também as fotos de família e as conversas sem rumo nos grupos de bate-papo. E, apesar dos entraves com a justiça, que são totalmente passíveis de discussão, no geral isso é bom e toda essa privacidade, fácil e acessível, deve ser celebrada.

Mas há um passo além que pode ser dado por aqueles que se preocupam muito com privacidade ou que tenham que lidar com assuntos mais sensíveis ou, se expostos, vexatórios e até incriminadores. Ele atende pelo nome de Telegram. Se você nunca teve a curiosidade de explorar o potencial de segurança desse app ou sequer sabe do que ele é capaz, continue comigo. (mais…)