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Rdio muda modelo de negócios e passa a oferecer versão gratuita

Rdio agora é gratuito.
Imagem: Rdio.

O Rdio, último bastião dos serviços de streaming de música sem versão gratuita, cedeu. A última reformulação do serviço coloca playlists geradas por algoritmos e pessoas em destaque e torna o acesso gratuito — com aqueles anúncios intermitentes para quem não estiver disposto a pagar.

Além disso, o visual foi levemente alterado e o menu lateral, simplificado. A tela inicial, rebatizada para Tendências, tem um resumão do que está rolando na sua rede de contatos e com os artistas que você segue. A Coleção, que permitia criar uma biblioteca de álbuns dentro do acervo de milhões de músicas que o Rdio oferece, passou a se chamar Favoritos e a englobar playlists também. Há outras mudanças menores e, no geral, a interface respira melhor agora.

O foco em playlist e a abertura ao modelo freemium são respostas a outros serviços do tipo, em especial o Spotify. O Rdio não divulga número de usuários ou quaisquer outras métricas, mas especula-se que sejam menores.

As mudanças já valem para o Brasil e, enquanto as cotas publicitárias não são preenchidas, calhaus dão dicas de uso e apresentam funções do serviço. No mínimo, ele tem potencial de ensinar as pessoas a pronúncia correta de “Rdio”.

Independente e a caminho do Android e iOS, o futuro do MixRadio é incerto

Tela inicial do MixRadio.
Imagem: Microsoft.

Como parte do seu plano de reestruturação, a Microsoft se desfará do MixRadio, um app de streaming de música herdado da Nokia.

Ao Guardian, Jyrki Rosenberg, responsável pelo MixRadio, disse que ele se tornará independente, continuará vindo pré-instalado nos Lumias e, talvez o mais importante, deve ganhar versões para Android e iOS.

Embora faça streaming de música, o MixRadio diverge um pouco das ofertas de Spotify, Rdio, Deezer e Xbox Music. Ele não tem música sob demanda, é num esquema mais parecido com rádio — ou, se você estiver familiarizado, com o Pandora. Sempre que testo algum Windows Phone acabo usando-o, e é bem legal por ser “frictionless”: você abre, indica um artista e ele monta a playlist baseada nisso e nas curtidas suas nas músicas. Mais simples, impossível.

No Brasil o MixRadio só está disponível na versão gratuita. Em alguns dos 31 países onde existe, os usuários podem pagar uns trocados por mês (£ 3,99 no Reino Unido) e obter vantagens como cache de playlists para ouvir offline e pular músicas sem limites (na versão grátis o limite é de cinco por hora).

Embora a chegada ao Android e iOS abra possibilidades, o MixRadio terá dificuldades em se manter sem uma gigante por trás. Players muito maiores não têm vida fácil — o Spotify, maior do gênero, já perdeu US$ 200 milhões desde que foi lançado.

Os trunfos do MixRadio são a presença forte no Windows Phone e a facilidade de uso: dispensa cadastro, não exige pagamento, é só abrir e dar o play. Se isso, mais a chegada a outras plataformas mais populares, serão suficiente para ganhar relevância comendo pelas beiradas, ninguém sabe. O futuro do MixRadio é tão incerto quando era o da Nokia pós-aquisição pela Microsoft.

Nos EUA, streaming e vinil sobem, arquivos digitais e CDs descem

David Bakula, vice-presidente sênior da Nielsen:

“Com a transmissão sob demanda passando 70 bilhões de músicas nos primeiros seis meses de 2014, o streaming continua a ser uma parte significativa da indústria da música. O crescimento anual de 42% do streaming e o aumento de 40% dos vinis em relação ao recorde do ano passado mostram que o interesse em comprar e consumir música continuam altos, com dois segmentos bem distintos da indústria expandindo substancialmente.”

O relatório da Nielsen contempla as vendas de todas os formatos de música nos EUA dentro do primeiro semestre de 2014. No todo, o mercado encolheu 3,3%, porcentagem baixa e que somada aos números superlativos acima, mostram que embora a forma de se ouvir música esteja mudando, o interesse por ela segue estável.

CDs tiveram uma queda de 19,6% em relação ao mesmo período de 2013. Combinadas, as vendas de álbuns e faixas digitais (no modelo da iTunes Store) caíram 12%. Os 42% de aumento no consumo via streaming contemplam áudio e vídeo; sozinho, o de áudio teve um salto de 50,1% em um ano.

Por que tanta gente assiste a vídeos de jogos no YouTube e no Twitch?

Google pode comprar Twitch.
YouTube + Twitch?

Fontes da Variety dizem que o Google, através do YouTube, está na iminência de anunciar a compra do Twitch por mais de US$ 1 bilhão. O serviço é uma plataforma gratuita de streaming de vídeos feitos por proprietários de consoles de última geração. Parece muito dinheiro? Talvez — o próprio YouTube foi comprado em 2006 por US$ 1,65 bilhão –, mas há interesse e dinheiro nesse mercado de streaming. Por mais estranho que pareça a quem é de fora, ver gente jogando é um grande filão.

Lançado em meados de 2001 por Justin Kan e Emmett Shear, cofundadores do Justin.tv, o Twitch alcançou rapidamente o status de local para transmitir e assistir vídeos ao vivo de jogos. Ele vem incorporado nos novos consoles (Xbox One e PlayStation 4) e PC, e já foi palco de experimentos curiosos envolvendo jogos, como o Twitch Plays Pokémon e o robô que joga Threes, um sensacional e difícil jogo para smartphones. A empresa diz receber mais de 45 milhões de visitantes únicos por mês.

Números grandiosos e a crescente popularidade das transmissões ao vivo de jogatinas dá nós na cabeça de quem está fora desse universo. Por que alguém assistiria a uma mídia criada para ser jogada, para ser interativa?

Um fenômeno mais conhecido é o dos vídeos de Minecraft. São muitos canais, aqui e lá fora, recheados de aventuras, reuniões de amigos, MODs malucos. Esses canais desfrutam de popularidade e faturamento em cima da flexibilidade que o jogo oferece. Em sua análise, o Aquino comenta as alegrias que compartilhou com seu filho, companheiro de aventuras no jogo da Mojang:

“Temos nossas próprias lendas, momentos de alegria e tensão alternados em um mundo que forjamos na medida em que descobrimos. (…) Com desafios auto-impostos vem problemas auto-impostos e narrativas pessoais que não podem ser replicadas. É a tal da narrativa emergente.”

É isso o que se compartilha nos vídeos de Minecraft. E essa é só uma das possibilidades. Nos e-sports, partidas tão frenéticas e tensas quanto uma final de futebol são vistas por muita gente. Finais de futebol virtual, inclusive.

O confronto derradeiro do mundial de League of Legends ano passado foi visto por 32 milhões de pessoas; a final do “brasileirão”, por mais de 8 milhões. Todo ano a EVO, torneio mundial de jogos de luta, comove uma parte considerável da Internet. Eventualmente, recompensa o público com batalhas memoráveis.

Ver pessoas fazendo algo que está ao alcance de todos em um nível acima da média é o que faz a audiência desses canais. É a mesma lógica dos esportes.

Embora desempenhe um papel importante nesse contexto, o YouTube não fincou sua bandeira no vídeo ao vivo. Daí o interesse (e o caminhão de dinheiro) do Google para ser relevante em uma das poucas subáreas da área “vídeo na Internet” em que não está absurdamente distante do segundo colocado.

Nem Google, nem Twitch confirmaram ainda o negócio, e caso ele se concretize, provavelmente passará pela avaliação dos órgãos regulatórios anti-monopólio dos EUA. Não que precisemos de mais provas, mas essa aí apenas soma contra àquela ideia, retrógrada, de que video game é só coisa de criança.

Spotify no Brasil: demorou, mas ele chegou (mais ou menos). Tarde demais?

O Spotify, serviço de streaming de músicas mais popular do planeta, há meses ensaia sua estreia no Brasil. Dependendo do ponto de vista (e do veículo de comunicação que você acompanha), dá para dizer que ele já chegou. É hora de abandonar as ofertas estabelecidas no Brasil e correr para o Spotify? Calma, muita calma nessa hora.

O Spotify já chegou oficialmente ao Brasil?

Aviso no site brasileiro do Spotify.
Spotify está chegando ao Brasil.

Resposta simples: sim.

Mas é um “sim” cheio de “poréns”. Quem entra no site oficial do Spotify hoje dá de cara com uma mensagem em letras garrafais dizendo “Spotify está chegando ao Brasil”, com um formulário para deixar seu e-mail e, em algum ponto futuro e não especificado, receber um convite para usar o serviço antes do lançamento oficial1. Sim, uma tática para gerar hype muito popular no longínquo ano de 2004, quando Orkut e Gmail eram também um clube semi-fechado, mas que ainda encontra adeptos dez anos depois.

Tenho uma conta lá faz alguns anos criada para usar o Spotify via VPN, uma forma de acesso que “engana” servidores. No caso, o Spotify achava que eu estava em um país onde ele já atuava — primeiro Inglaterra, depois Estados Unidos. Quando soube que o serviço estava operando por aqui em caráter de testes, bastou mandar um e-mail para o suporte (em português mesmo) solicitando a migração da conta. Em poucos minutos o meu Spotify ficou verde e amarelo, tornou-se acessível sem VPN e passou a aceitar pagamentos com meu cartão emitido no Brasil ou PayPal.

Spotify, agora num pretinho básico.
Novo Spotify para Windows.

Daquela época para agora, o Spotify mudou um pouco. A maior diferença é o cliente desktop, meio que uma exigência dadas as limitações do web. A nova versão, que apareceu dia desses, trouxe um visual negro bem mais refinado e, enfim, a possibilidade de salvar álbuns para acessá-los rapidamente, de um local específico, em vez de ter sempre que recorrer à busca ou criar playlists.

Tivesse sido lançado há uns dois anos, o Spotify seria uma escolha quase natural. Hoje, com Rdio, Deezer e Xbox Music brigando feio pela preferência do cliente, o cenário é outro. Como o Spotify se sai frente a esses concorrentes, principalmente o Rdio, que uso no dia a dia?

Spotify ou Rdio? Uma questão de abordagem

Assino o Rdio há uns bons anos e gosto muito do serviço. O que não me impediu, claro, de pagar uns trocados no Spotify para ver como ele está atualmente.

Aliás, já no pagamento nota-se uma aparente vantagem para o recém-chegado: ele é mais barato. Mesmo cobrando em dólar, na ponta do lápis os US$ 5,99 pelo plano mais completo, que inclui o uso de apps móveis, sai mais em conta que os R$ 14,90 do Rdio — uma diferença, feita a conversão com o dólar a R$ 2,19 (cotação de ontem) e acrescido o IOF (6,38%), de pouco mais de R$ 1. Ok, é de fato mais barato, mas a diferença é tão ínfima que outros fatores podem torná-la irrelevante. E para quem assina duas contas, a ausência de um plano familiar no Spotify, que existe no Rdio, acaba invertendo a pequena economia observada nos planos individuais.

Focando no plano individual, são esses “outros fatores” que complicam um pouco a situação do Spotify, ao menos para o meu perfil de uso. Ele tem uma pegada diferente em dois aspectos-chave: organização e descoberta de músicas.

O Spotify é todo sobre playlists. Se você quiser baixar músicas para ouvi-las desconectado da Internet, precisa criar uma playlist ainda que seja composta apenas por músicas de um mesmo álbum. Há uma obsessão por playlists que ignora outras formas de ouvir música, e uma delas em especial, o álbum completo, faz muita falta.

O Rdio também oferece playlists, mas dá mais atenção à organização por álbuns na Coleção. Curtiu um álbum, quer ouvi-lo mais vezes e tê-lo sempre à mão? Acrescente-o à Coleção e, opcionalmente, torne-o acessível offline. São dois cliques para cada ação, que é desencadeada em todos os dispositivos conectados à sua conta. Rápido e fácil, sem enrolação.

Organização por álbuns é central no Rdio.
Minha coleção no Rdio.

Não tenho muito saco para playlist e encaro muitos álbuns como trabalhos completos, fechados, que em certos casos merecem ser ouvidos de cabo a rabo. A nova interface do Spotify remedia esse defeito parcialmente: agora existe uma seção “Minhas músicas”, onde dá para acrescentar álbuns. Ainda falta, porém, a sincronia offline.

Mais importante que isso é a descoberta de novas músicas. O Spotify confia muito no Facebook (houve uma época em que ele só funcionava atrelado à rede social nos EUA) e mistura indicações de amigos com recomendações do algoritmo em uma aba “Descobrir” que é tudo, menos organizada.

No Rdio, a tela inicial apresenta álbuns em alta na sua rede de contatos. O esquema de amizades é independente e assíncrono, como no Twitter. Seguir pessoas com gostos similares aos seus é a garantia de receber boas indicações — comigo sempre funcionou.

Abaixo de cada álbum aparecem fotos dos contatos que ouviram-no, e esses rostos conhecidos são poderosos para me levar à descoberta de novas músicas. Para mim, é onde o Rdio ganha de lavada: além de uma mecânica em geral melhor, por estar oficialmente há mais tempo no Brasil ele tem mais usuários, entre os quais muitos amigos e conhecidos em quem presto atenção na hora de procurar coisas novas (e boas!) para ouvir.

O Rdio ainda tem alguns mimos bacanas, como o modo Controle Remoto (que uso um bocado, já que ouço bastante música na TV enquanto trabalho no computador) e interfaces bem bonitas tanto na web quanto nos apps móveis.

Qualidade e acervo

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Screenshots do Rdio e Spotify, tocando HAIM, no iPhone.
Rdio e Spotify no iPhone.
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Para ouvidos destreinados com fones simples, as diferenças na qualidade do áudio entre Spotify e Rdio são irrelevantes.

O Spotify parece mais acertado tecnicamente. O serviço usa um sistema peer-to-peer (P2P) bastante engenhoso e confia em arquivos OGG de bitrate altíssimo para entregar a melhor qualidade possível da forma mais rápida. E é rápido mesmo, em muitos casos mais que o Rdio.

Só que essa diferença é mínima, incapaz de distanciar muito os dois serviços, e a qualidade sonora dos dois beira a equivalência. Neste teste publicado no Medium, a constatação foi de que ambos têm qualidade aceitável. O Spotify apresentou uma pequena vantagem, mas uma que, repetindo, a ouvidos menos sensíveis com fones abaixo da faixa dos US$ 100 não fará diferença.

Em termos de acervo, vez ou outra me deparo com algum buraco no Spotify ou no Rdio2. O abismo entre os dois é pequeno, pelo menos dentro do que costumo ouvir, e tende a encolher ainda mais. Ponto para o Spotify por permitir mesclar arquivos MP3 do próprio usuário às músicas do catálogo.

A música em si, o fim desses e outros serviços de streaming, caminha para a comoditização. O que sobra para eles se diferenciarem uns dos outros são detalhes, recursos, os facilitadores e pequenos agrados para usuários mais exigentes.

Ah sim, e preço.

O trunfo do Spotify: ser gratuito

Não é preciso pagar para usar o Spotify. Ele oferece um plano gratuito cheio de anúncios, gráficos e sonoros, além de músicas com qualidade levemente reduzida.

É tentador, especialmente em mercados onde pagar por música não é algo tão natural, como o nosso. Parece uma troca justa num primeiro momento: toda a música que você quiser de graça, com banners e uns spots comerciais a cada poucas canções.

Tem quem conviva com isso, mas convenhamos: é profundamente irritante, no meio de uma sessão legal, entrar um “Un Dos Tres!” estridente do Ricky Martin daquele comercial da Fiat. Ou algo fora do tom em uma playlist para quem está curtindo uma fossa.

https://twitter.com/dremacedo/status/454088501836120064

O Deezer, que melhorou bastante (mas bastante mesmo!) seus apps desde que estreou no Brasil, também oferece um plano gratuito suportado por anúncios.

De qualquer forma, se você tem o mínimo de apreço por música e não está no perrengue para pagar o próximo aluguel, faça um esforço e arque com a mensalidade de um desses. Qualquer um.

Qualquer um? Sim, porque embora eles tenham particularidades e sejam melhores em um aspecto ou outro, no que interessa, ouvir música, todos são bem competentes. Em qualidade e acervo, Rdio, Spotify, Deezer, Xbox Music estão muito próximos. E como eles, mesmo os apenas pagos, oferecem períodos de degustação gratuitos, vale a pena fazer o teste. Não custa nada, literalmente, e permite ter uma noção do que você ganha e perde optando por cada um.

Ah, e bem-vindo ao Brasil, Spotify.

  1. Das coincidências da vida: algumas horas após fechar a edição deste post recebi o convite para usar o Spotify no e-mail que havia deixado na página brasileira do serviço há alguns meses.
  2. Nesse quase um mês usando os dois serviços alternadamente, só me deparei com uma lacuna: Sleigh Bells. O Spotify tem, o Rdio, não.