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Para que isso [IA] não seja uma bolha, por definição é necessário que os benefícios sejam muito mais uniformemente distribuídos. Acho que um sinal revelador de que seja uma bolha seria se só falássemos das empresas de tecnologia. Se tudo o que falamos é o que está acontecendo do lado da tecnologia, então a IA é entrega apenas o lado da oferta.

Homem calvo, de óculos de grau, sorrindo.Satya Nadella
CEO da Microsoft

Hm, tenho más notícias para você, Satya…

Em outro trecho da entrevista, pescado pelo Pivot to AI, Nadella diz que as empresas precisam se reorganizar em torno da IA para aprender, na prática, como usá-la nos negócios. Destruir o que está funcionando para aprender um ~inovação que talvez ajude-as a… fazerem o que faziam antes?

O fim de semana pareceu um episódio de Succession na OpenAI, com tentativas de restabelecer Sam Altman como CEO, de derrubar o conselho que o demitiu na sexta (17) e uma interferência forte da Microsoft, maior financiadora da startup e dona de quase 50% do braço comercial da OpenAI, pega de surpresa pela demissão do executivo.

No fim, o conselho prevaleceu e apontou um novo CEO (Emmett Shear, co-fundador e ex-CEO da Twitch), e a Microsoft levou Altman, Greg Brockman (co-fundador e ex-presidente da OpenAI) e “colegas”, para “liderarem uma nova equipe de pesquisa em IA avançada” dentro da empresa. Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse ainda que sua empresa segue comprometida com a OpenAI. Via @satyanadella/LinkedIn, The Verge (em inglês).

Atualização (11h): A versão original desta nota afirmava que a Microsoft detém quase 50% da OpenAI. Na real, ela detém quase 50% do braço comercial, com intuito de lucro, da OpenAI. (A estrutura corporativa da OpenAI é uma salada.) Perdão pelo deslize!

Inteligência artificial: a que custo?

Muita gente acha que a inteligência artificial gerativa mudará o mundo. É provável que sim, de diversas maneiras. Entre outras — uma que as empresas do setor não gostam de abordar —, piorando ainda mais a emergência climática.

Quase um ano depois do ChatGPT dar o ar da graça, começam a pipocar estudos que dimensionam o impacto ambiental da tecnologia.

O consumo de água da Microsoft, principal financiadora da OpenAI e que fornece os potentes servidores em nuvem usados pela dona do ChatGPT, saltou 34% entre 2021 e 2022, segundo um relatório ambiental da própria empresa.

No Google, o aumento no consumo de água no mesmo período foi de 20%.

Pesquisadores independentes atribuem o aumento ao uso intenso necessário para treinar os grandes modelos de linguagem (LLMs) e processar os comandos dos usuários de IAs.

Uma pesquisa ainda não publicada, de pesquisadores da Universidade da Califórnia, estimou que cada sessão de 5 a 50 perguntas e/ou mensagens para o ChatGPT consome cerca de 500 mililitros de água. Uma garrafinha d’água para escrever um e-mail robótico ou fazer uma “pesquisa” com resultados imprecisos e/ou inventados, ou — no eufemismo do Vale do Silício — em que a IA “alucina”.

Outra, esta de um doutorando da Universidade de Amsterdã, prevê que até 2027 o consumo energético de serviços de IA poderá ser o equivalente ao dos Países Baixos, um país inteiro.

As empresas de tecnologia estão em uma nova corrida do ouro, sim, mas até agora só conseguiram garimpar prejuízo.

O GitHub Copilot, assistente para programação da Microsoft baseado no ChatGPT, custa US$ 10 por mês e dá US$ 20 de prejuízo, em média, segundo informações de uma fonte próxima à empresa dada ao Wall Street Journal (sem paywall).

Tanto Microsoft quanto Google cobram US$ 30 mensais para liberar os poderes da IA gerativa em suas aplicações de escritório. Esse valor é somado ao valor padrão da assinatura básica, sem IA.

No início do ano, Satya Nadella, CEO da Microsoft, dizia que a IA “tirava o Google para dançar”, como se a nova tecnologia tivesse potencial para acabar com a hegemonia do rival nas buscas na web.

Nadella foi ouvido como testemunha no julgamento antitruste contra o Google, movido pelo Departamento de Justiça dos EUA, ainda em andamento. O executivo se retratou: “Chame [aqueles comentários] de a exuberância de alguém que tem 3% de participação [de mercado].”

De que outras maneiras a IA gerativa mudará o mundo? Na real, ninguém sabe. Nadella teme que as mudanças trazidas ajudem a manter as coisas como elas são, ou seja, que a IA sedimente a liderança monopolista do Google no setor.

O Google, por sua vez, parece meio perdido.

A Bloomberg obteve mensagens de um grupo no Discord, criado por funcionários do Google, para colher feedback de usuários entusiastas do Bard, rival do ChatGPT.

“O maior desafio em que ainda estou pensando”, escreveu Cathy Pearl (sem paywall), líder de experiência do usuário do Bard, “[é] para que LLMs [grandes modelos de linguagem, base das IAs] são realmente úteis? Digo, que façam a diferença mesmo. A ser descoberto.”

Foi a coisa mais estranha em que já trabalhei.

— Satya Nadella, CEO da Microsoft

Na Code Conference, nos Estados Unidos, Satya comentou a ocasião em que a Microsoft quase comprou a operação norte-americana do TikTok para satisfazer os caprichos do então presidente Donald Trump, em agosto de 2020. Via GeekWire (em inglês).

Por que Mark Zuckerberg, Tim Cook, Bill Gates e Satya Nadella jogaram baldes de gelo nas próprias cabeças?

Se você ainda não viu, não deve demorar muito para surgir o vídeo de alguém, famoso ou não, derrubando um balde de água gelada na própria cabeça. Essas pessoas enlouqueceram?

Na verdade, não. A brincadeira se chama “Desafio do Balde de Gelo” e é uma iniciativa da ALS Association, dos EUA, ONG que luta em todas as frentes contra a esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa progressiva e fatal — saiba mais. Ao ser desafiado, você grava um vídeo jogando gelo na cabeça e desafia três amigos a repetir o feito; quem se negar ou não conseguir, precisa fazer uma doação à ALS Association. É parecido com aquele desafio bávaro que viralizou aqui no último carnaval, mas com um fim (bem) mais nobre. (mais…)

Satya Nadella redefine a Microsoft: menos burocracia, foco em produtividade e usuários

Satya Nadella, CEO da Microsoft.
Foto: Microsoft.

No recém-iniciado ano fiscal de 2015, o CEO da Microsoft Satya Nadella enviou um e-mail para todos os seus funcionários (também disponível na web, para qualquer um ler) no qual, em meio a muitos “nós vamos fazer isso e aquilo”, tenta especificar quais rumos a empresa tomará. É tempo de repensar o papel da Microsoft — mais uma vez.

Não faz muito tempo que o agora ex-CEO Steve Ballmer lançou o mantra “dispositivos e serviços” e tratou de simplificar o alto escalão dos seus comandados com a iniciativa Uma Microsoft. Nadella, CEO faz pouco tempo, resolveu mexer em tudo isso. Em termos bem resumidos, ele quer acelerar processos, diminuir a burocracia interna e focar em produtividade. (mais…)

Quem é Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft?

Satya Nadella, o novo CEO da Microsoft.
Foto: Microsoft/Reprodução.

Em agosto do ano passado a Microsoft abriu a temporada de caça a um novo CEO. Steve Ballmer, no posto havia quase 13 anos, sairia do cargo em algum ponto dos 12 meses seguintes. Hoje cedo, bem antes do que todos imaginavam, a Microsoft anunciou seu novo líder: Satya Nadella.

Nadella não é muito conhecido junto ao grande público. Até entre acionistas e outros círculos que acompanham e se preocupam com a Microsoft, seu nome não é (ou não era) facilmente associado à sua pessoa. Quem é, afinal, o novo CEO da Microsoft?

Quem é Satya Nadella?

Nascido na Índia em 1967, casado e pai de três filhos, Nadella é formado em engenharia elétrica e tem mestrado em ciência da computação — alguém da área da tecnologia, e não de vendas, volta a estar à frente da Microsoft.

Fã de poesia e apaixonado por cricket, dizem nos bastidores que ele é um profissional colaborativo, estável e que emana simpatia dos seus comandados, características importantes em ambientes tão competitivo e, consequentemente, estressante como devem ser os corredores da Microsoft, ótimas para reter talentos.

O novo CEO da Microsoft entrou na empresa em 1992 vindo de uma breve passagem pela Sun Microsystems. Nesses mais de 20 anos esteve envolvido em vários projetos lá dentro, a maioria com foco corporativo.

Até ontem Nadella era vice-presidente da divisão de nuvem e empresas da Microsoft. A transição para a nuvem, com produtos como o Windows Azure, ofertas corporativas e a infraestrutura de serviços enormes, como Xbox, Bing e Office, é atribuída a ele. A divisão que lidera não é de ganhar manchetes, mas tem sido uma das mais rentáveis da Microsoft nos últimos anos.

Satya Nadella assume o cargo de CEO da Microsoft em um momento delicado. O Windows tem perdido relevância, puxado pelo declínio nas vendas de computadores tradicionais e a ascensão (em vendas e preferência dos consumidores) de dispositivos móveis. Paralelamente, a empresa luta para ganhar espaço nesses mercados que minam seu produto carro-chefe, segmentos que há cinco anos ainda eram embrionários ou sequer existiam, como nos de smartphones e tablets.

Além de levantar a bola da face voltada ao mercado de consumo, outros desafios do novo CEO, talvez até mais imediatos, são dar continuidade ao grande plano de reestruturação da Microsoft, anunciado por Ballmer em meados do ano passado, e acomodar a Nokia, comprada por US$ 7,2 bilhões em setembro último, na estrutura da empresa.

Não são esperadas mudanças drásticas, pelo menos a princípio, na gestão de Nadella. No e-mail que enviou aos funcionários da Microsoft, ele disse que está ali pelo mesmo motivo que, ele acredita, levou a maioria dos funcionários a entrarem lá: “mudar o mundo através da tecnologia que dê poder às pessoas para que elas façam coisas incríveis”. O e-mail traz alguns insights bons sobre a visão que ele tem da tecnologia e quais caminhos a Microsoft deve seguir a longo prazo.

Gates retorna, Ballmer vai para o conselho

Os homens fortes da Microsoft.
John Thompson e os três CEOs que a Microsoft já teve. Foto: Microsoft/Reprodução.

A dança das cadeiras afetou outras pessoas do alto escalão da Microsoft. Como Nadella assume imediatamente a função, Ballmer cai fora — agora ele é membro do Conselho de Diretores.

Bill Gates, até então membro e chairman do Conselho, ganhou um novo título: Conselheiro de Tecnologia. Ele passará mais tempo na Microsoft, nas palavras do comunicado à imprensa, “ajudando Nadella a moldar a tecnologia e o direcionamento de produtos”. A cadeira de presidente do Conselho fica para John Thompson.

Para se aprofundar no assunto: