Satya Nadella redefine a Microsoft: menos burocracia, foco em produtividade e usuários

Satya Nadella, CEO da Microsoft.
Foto: Microsoft.

No recém-iniciado ano fiscal de 2015, o CEO da Microsoft Satya Nadella enviou um e-mail para todos os seus funcionários (também disponível na web, para qualquer um ler) no qual, em meio a muitos “nós vamos fazer isso e aquilo”, tenta especificar quais rumos a empresa tomará. É tempo de repensar o papel da Microsoft — mais uma vez.

Não faz muito tempo que o agora ex-CEO Steve Ballmer lançou o mantra “dispositivos e serviços” e tratou de simplificar o alto escalão dos seus comandados com a iniciativa Uma Microsoft. Nadella, CEO faz pouco tempo, resolveu mexer em tudo isso. Em termos bem resumidos, ele quer acelerar processos, diminuir a burocracia interna e focar em produtividade.

Produtividade, nesse caso, não se restringe a Office, como o mesmo lembra. “Mudaremos o significado de produtividade para além de apenas produzir alguma coisa, para incluir o empoderamento das pessoas com novas ideias. Criaremos ferramentas para serem mais preditivas, pessoais e úteis”. Como exemplos, cita a Cortana, que faz todo o trabalho pesado de gerenciamento de agenda e se antecipa aos anseios do usuário, e coisas como o AzureML, que dá a desenvolvedores o poder de machine learning, e o Skype Translator, que “derruba barreiras e muda o mundo”.

A nova Microsoft, em um gráfico.
Imagem: Microsoft.

Logo no começo da sua carta, Nadella destaca: “No nosso núcleo, a Microsoft é uma empresa de produtividade e plataforma para o mundo baseado em mobilidade e nuvem”. É uma frase que resume mas, ao mesmo tempo, deixa algumas questões em aberto. Fala-se de foco em Windows Phone, mas pelo histórico recente, Android e iOS não estão fora dos planos. A sensação é de que com suas franquias (Lumia e Surface), a Microsoft quer mostrar aos parceiros como fazer direito. Isso, claro, sem deixar de oferecer ferramentas de produtividade para plataformas rivais. A Microsoft quer estar onde as pessoas estão, e está disposta a passar por cima das suas próprias criações a fim de alcançar esse objetivo.

O desafio se estende para dentro de casa. Nadella quer colocar tudo em ordem e simplificar a vida de quem trabalha na Microsoft — ou seja, a produtividade vai além dos produtos finais, deve ser alcançada inclusive internamente. Ele promete modernizar processos de engenharia para que eles sejam “obcecados pelos clientes, orientados por dados e velocidade, e focados em qualidade”. O objetivo é diminuir o lapso que existe entre uma boa ideia que surge lá e a chegada dela ao mercado. Também promete relativizar mudanças de cargos e mudar um tanto a cultural da empresa.

Tudo isso não parece muito diferente do que a Microsoft já vinha fazendo. São muitas as frentes em que ela atua, de Azure e Windows Server (o “Cloud OS” a que Nadella se refere) a coisas mais consumer-friendly, como Xbox, que ganhou um trecho dedicado na declaração do CEO e é uma parte importante no “usuário duplo” citado na carta, aquele que trabalha e se diverte com a mesma fundação tecnológica/digital. De fora, manter esses galhos tão distantes trabalhando em harmonia parece bem difícil, embora possível; ter um norte definido deve ajudar.

A Microsoft perdeu o timing da revolução móvel, mas ainda tem oportunidades de aproveitá-lo. Ao falar em “reinventar a produtividade para pessoas que estão nadando em um mar crescente de dispositivos, apps e redes sociais”, Nadella deixa muita coisa em aberto, e de uma delas pode vir a nova galinha dos ovos de ouro, o que Windows e Office foram durante 20 anos.

A área mais promissora, como aponta Dan Frommer na Quartz, é no back-end, fornecendo estrutura e recursos para que outras empresas e desenvolvedores criem experiências usando a nuvem. No terceiro trimestre do ano fiscal de 2014, a divisão do Azure teve um aumento nos lucros de 150%, enquanto todas as divisões, na média, permaneceram estagnadas. No futuro, você talvez usará mais tecnologia da Microsoft do que imagina. E é nos bastidores que a saúde financeira dela e a garantia de um futuro parecem estar.

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