Movimentos estranhos em público

A compulsão por telas é um problema generalizado — quem diz que não tem, é porque ainda não se deu conta. Eliminar a tela, mantendo o aparato tecnológico conectado à internet, é uma possível saída?

Venho pensando nisso desde que coloquei um Apple Watch no meu pulso. (Ele já saiu dali.) O relógio da Apple realizou a profecia feita por Claudinho e Buchecha em 1998 e, de repente, eu conseguia controlar o calendário — e muitas outras coisas — sem utilizar as mãos.

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Aguentei o Apple Watch por quatro meses

Considero-me uma pessoa decidida, embora tenha meus pontos fracos. Gastos substanciais, como o de dispositivos eletrônicos, são sempre uma novela. A do Apple Watch durou alguns anos.

No final de 2025, foi ao ar um capítulo especial com uma grande reviravolta, típica dos melhores novelões. Sem pensar muito, procurei pelo Apple Watch Series 10 mais barato no varejo. Comprei. A minha lógica foi aproveitar a “entressafra” de versões e a desvalorização do modelo anterior, uma boa estratégia neste ano em que o recém-lançado Series 11 trouxe pouquíssimas novidades.

Caixa de 46 mm, cor rosa dourado, pulseira esportiva branca. Comprado. Alguns dias depois, o relógio apareceu em casa. Com outra pulseira, uma loop esportiva roxa. Acabei ficando com ela porque os modelos com a outra que havia pedido estavam em falta. Foi a entressafra…

A novela teve seu (possível?) capítulo final, um abrupto, no último dia 20 de abril, quatro meses após o início da fase em que passei a usar um Apple Watch.

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Acho super legal o entusiasmo e o esforço do Eric Migicovsky para ressuscitar o relógio Pebble. (O visual e as especificações finais do Pebble Time 2 acabaram de sair.) Dito isso, pergunto-me se o Pebble tem espaço no mercado em 2025, com as prateleiras repletas de alternativas mais capazes, bonitas e/ou baratas. É um negócio só para nostálgicos e o próprio Eric, certo?

Dois relógios lado a lado: Core Time 2 (preto, com tela colorida) e Core 2 Duo (branco, com tela preto e branco).
Foto: Core Devices/Divulgação.

Olha quem voltou! E que rápido — não faz dois meses que o Google abriu o código do PebbleOS. Os relógios são produtos da Core Devices, a nova empresa de Eric Migicovsky, fundador da finada Pebble.

O Core 2 Duo (US$ 149) é um Pebble 2 com componentes internos atualizados. Já o Core Time 2 é o “relógio dos sonhos” do Eric, com tela colorida, caixa e botões de metal e sensor de batimentos cardíacos.

São relógios para um público bem específico. Neste post, Eric diz que eles não são para quem precisa de “um relógio perfeito e bem acabado”, para atividades esportivas/exercícios físicos, e que não devem ser comparados ao Apple Watch. Ainda assim, bem bacana. Parece que a loja rePebble envia para o Brasil (frete de US$ 25), mas ai meu bolso com esse dólar caro…

Eric publicou outro post para ajustar as expectativas de quem tem iPhone. As limitações artificiais da Apple torna a experiência com os novos relógios pior. “A solução mais fácil é comprar um celular Android”, segundo ele 😁