Os advogados de Elon Musk mandaram uma notificação extrajudicial ao mantenedor do Nitter, um serviço legal que apresenta posts do X em uma interface diferente. A pessoa, que se identifica como zedeus, acatou a ameaça, derrubou a instância própria do Nitter e cessou o desenvolvimento.

Esses caras nem se importam mais em disfarçar a hipocrisia. Eles raspam a internet inteira para alimentar seus papagaios de inteligência artificial, mas usam da truculência financeira e assédio jurídico para perseguir indivíduos que fazem o mesmo — com fins mais nobres e em escala artesanal.

O XCancel, instância popular do Nitter que eu tenho usado há uns bons meses, continua de pé.

Atualização (19h33): O XCancel também caiu.

A poltrona de rolagem [de feeds] 
newcartographies.com

Digo logo de cara que tenho minha cota de textos desse assunto publicados aqui, o que não invalida a observação (em inglês) do Nicholas Carr em sua newsletter:

Odeio ser cínico, mas acho que a principal razão para a proliferação desses tipos de artigos [sobre usar menos o celular] é que eles são iscas algorítmicas. São sintomas da doença que prometem curar. Estamos viciados em ler sobre nosso vício em celulares. Se os materiais têm um valor terapêutico, provavelmente é menos em ajudar as pessoas a ganhar controle sobre a mídia do que em renovar uma fantasia tranquilizadora de tal controle.

O que nos leva a situações engraçadas, como dois viciados crônicos em celulares dando dicas de como usar menos o celular (podcast, em inglês).

Tenho a impressão de que o conteúdo criado como oferenda ao deus algoritmo se manifesta em qualquer assunto popular, mesmo que de nicho. Fisgam quem está à toa na internet, em seus múltiplos feeds com recomendações algorítmicas que exploram ao máximo qualquer manifestação mínima de interesse em dado tema.

Outro assunto, um subjacente, são os “PKMs”, ou gerenciamento de conhecimento pessoal, com seus métodos de organização desnecessariamente complexos e aquele gráfico legal de conexões gerado pelo Obsidian. A promessa é que ao organizar suas ideias em texto e conectá-las todas, você terá o super poder de jamais esquecer das coisas.

O desfecho para quem consegue sair desses ciclos intermináveis de conteúdo é o mesmo: para que tudo isso, afinal? (em inglês).

O que aprendemos nesse processo é que acho que a praça pública não é a direção em que queremos seguir. Essencialmente, acho que é útil como um mecanismo de descoberta, mas somos muito inspirados por empresas como o Reddit.

Mulher com traços asiáticos e cabelo escuro longo e liso, sorrindo.Rose Wang
COO do Bluesky.

Acho muito difícil que essa mudança seja bem sucedida no Bluesky.

O dado mais surpreendente da reportagem, porém, é o de que o Bluesky tem apenas 600 mil pessoas que publicam ativamente na plataforma.

Indigo une Bluesky e Mastodon no mesmo aplicativo

Ícone do aplicativo Indigo: roxo, com um círculo branco no meio e o topo da letra “i” recortado dentro do círculo.Tive a oportunidade de experimentar o Indigo antes do lançamento — no último dia 12 —, um aplicativo de rede social que unifica as linhas do tempo do Bluesky e Mastodon.

A dupla de desenvolvedores, Aaron Vegh e Ben McCarthy, tem experiência no assunto. É deles também o aplicativo Croissant, mais antigo, que permite publicar ao mesmo tempo no Bluesky, Mastodon e Threads. Vistos em conjunto, é como se o Indigo fosse uma evolução do Croissant — também dá para postar no Bluesky e no Mastodon ao mesmo tempo pelo Indigo.

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Para que serve o Mastodon? 
connectedplaces.online

O fediverso, em especial o Mastodon, ainda hoje sofre com a pecha de “complicado”. O seu grande diferencial, o sistema de instâncias federadas, é também seu calcanhar de Aquiles.

Há alguns anos, passei a recomendar o ingresso no fediverso/Mastodon via instância dos desenvolvedores, a mastodon.social, e o foco na linha do tempo pessoal. É mais simples de explicar e — imagino — de entender, mas algo se perde nesse caminho mais fácil.

Eu não tinha me ligado nisso até ler este texto do Laurens Hof no blog Connected Places. Ele faz uma distinção muito sagaz da experiência no fediverso, entre a camada da instância e a da federação, e argumenta que a maioria das pessoas vive na camada da federação (linha do tempo):

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Redes sociais afetam adultos também

Existe ainda alguma dúvida de que redes sociais são prejudiciais para crianças e adolescentes? O ano de 2026 encaminha-se para o fim dessa fábula.

A Austrália já baniu o acesso de menores de 16 anos às plataformas sociais.

No Brasil, o chamado ECA Digital, com uma série de novas obrigações para sites e aplicativos a fim de mitigar os perigos da internet a que menores estão sujeitos, está prestes a entrar em vigor — com algumas aberrações perigosas, como a “verificação de idade”.

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Trend da IA

Vi-me em um experimento curioso por puro acaso: observar as reações das pessoas avessas à inteligência artificial — meio que todo mundo que usa Bluesky e/ou Mastodon — à “trend da IA”.

O acaso decorre de eu estar alheio ao Instagram. Faz umas três semanas que não abro o app, usando aquele arranjo do bloqueio direto no DNS. Tenho frequentado apenas Bluesky e Mastodon.

A primeira dificuldade foi entender a qual “trend da IA” estavam se referindo. Descobri que é uma de caricaturas, ou da pessoa pedir uma imagem de si mesma em seu trabalho. Ou as duas coisas, não sei.

O mais curioso foi o contato limitado às reclamações. Não vi sequer uma imagem gerada por IA dessa “trend” nos locais que frequento. Desse ponto de vista, a situação toda se parece com uma esquizofrenia coletiva.

Suponho que as pessoas vejam a “trend da IA” no Instagram, no TikTok e no Status do WhatsApp. Do meu lado, tanto faz. Somos seres curiosos e a visão que uma inteligência artificial tem de nós mesmos atiça a curiosidade. Entendo a motivação e acho ela válida.

A divulgação das imagens é mais difícil de entender se fechamos a análise nisso, mas ampliada, como parte de uma questão mais profunda — a da publicização sem limites da vida privada em plataformas ditas sociais —, é como funcionamos no momento. Já as reclamações ruidosas em becos digitais onde as pessoas que geram e curtem essas imagens *não* estão… sei não. Evitável, talvez?

Minha companheira pediu uma caricatura minha à IA, antes de eu saber que era uma “trend”. Saiu algo estereotipado, com erros tangenciais. Não curti, não.

Tirinha. Personagem diz ao computador: “diga ‘estou vivo’”. Computador responde: “ESTOU VIVO”. Personagem diz: “meu deus.”
Tirinha: @inpc@go.mxtthxw.art.

Dos “estudos” da Anthropic que alegam que o Claude fez isso ou aquilo à Moltbook, uma “rede social de IAs” (o que, aparentemente, é mentira), é sempre a mesma história retratada na tirinha acima: pessoas mandando a IA se comportar de tal forma ficam chocadas quando a IA se comporta de tal forma.

A respeito da Moltbook e da sua base, o OpenClaw, limitarei-me a dar um conselho*: não use. A ferramenta escancara as portas da sua vida digital privada, com consequências imprevisíveis.

* Limito-me a isto porque, acho eu, a imprensa tem feito um enorme desserviço ao legitimar essa bobajada.

Menores sem redes na Austrália / Instagram esconde Lula / Versão estável do Cosmic

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. Recomendo que você dê uma olhada no arquivo de links para descobrir mais links. É bem legal!

Austrália bane menores das redes, 0:41

Austrália bane menores das redes; entenda impactos e a tensão com Big TechsStartups.

Instagram esconde perfil do Lula na busca, 4:37

Bug no Instagram esconde da busca perfis de políticos e jornaisNúcleo.

Conversa no Órbita.

Versão estável do Cosmic, 8:02

Pop!_OS 24.04 LTS lançado: Uma carta do nosso fundador (em inglês).

Cosmic é um ótimo desktop Linux, mas ainda limitado (em inglês), @TheLinuxEXP/YouTube.

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Seu celular é uma casa falsa , no Manual do Usuário.

Boas festas e feliz 2026! ✨

Chineses contra iFood / Recurso hilário do X / Celular velho prejudica a economia

Está no ar a pesquisa anual para conhecer quem lê (e ouve) o Manual do Usuário. Leva menos de 3 minutos para responder e ajuda um bocado o projeto. Responda: https://tally.so/r/xXVV7d

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Chineses contra o iFood, 0:24

Keeta “ataca” Grande SP e foca na experiência do entregadorStartups.

99Food chega a Curitiba e promete restaurantes com preços iguais ao cardápioBanda B.

Recurso hilário do X (antigo Twitter), 4:29

Estadunidenses estão mantendo o mesmo celular/computador por mais tempo e isso está prejudicando a economia (em inglês), CNBC.

A polarização dos EUA se tornou o bico do resto do mundo (em inglês), 404 Media.

Celular velho prejudica a economia, 7:05

X expôs uma vasta rede secreta de influência visando estadunidenses (em inglês).

Meta não é um monopólio / “Agentes” de IA no Windows

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Meta não é um monopólio, 0:26

O teste simples que derrubou o caso da FTC contra a Meta (em inglês), Platformer.

Como o TikTok ajudou a Meta a vencer um caso antitruste (em inglês), New York Times.

Para ser franco, o Instagram foi adquirido para eliminar um concorrente, e isso foi ok para a FTC (em inglês), Pixel Envy.

CEO do Mastodon, 7:06

Meu próximo capítulo com o Mastodon (em inglês).

RCS na Claro, 9:53

Claro lançará RCS para iPhones em 2026; TIM já testa o serviço em pilotoMobile Time.

“Agentes” de IA no Windows, 10:57

Microsoft alerta que agentes de IA do Windows 11 podem abrir as portas para novos riscos à segurança (em inglês), Windows Central.

“O fato de as pessoas não se impressionarem por podermos ter uma conversa fluente com uma IA superinteligente que pode gerar qualquer imagem/vídeo me deixa boquiaberto.” Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI.

Reprogramando a Mozilla: Fazendo pela IA o que fizemos pela web (em inglês).

STF e o artigo 19 / Novo Lerama / Baixa no streaming pirata

Dois episódios em duas semanas? É um novo recorde para este podcast. (Disse no podcast que hoje era 8 de novembro porque, a princípio, publicaria o podcast nessa data, aí mudei de ideia e só lembrei da marcação tarde demais.)

1:13 STF e o artigo 19 do Marco Civil da Internet:

Voto do ministro Luiz Fux *.pdf

Meta está faturando uma fortuna com uma avalanche de anúncios fraudulentos, mostram documentos (em inglês), Reuters.

Fraude, IA e dinheiro falso, Projeto Brief.

7:54 Lerama:

Novo Lerama.

Lerama e diretório de newsletters brasileiras se fundem e ganham novos recursos.

10:41 Baixa no streaming pirata:

Operação na Argentina derruba acesso de milhares de brasileiros a gatonetUol.

12:45 RCS na TIM:

iOS 26.2 beta ativa suporte ao RCS para clientes da TIM no BrasiliHelp BR.

RCS em iPhones no Brasil.

“Pix das mensagens”, ou um plano para destronar o WhatsApp no Brasil.

Três opções para aumentar a privacidade no LinkedIn

O LinkedIn alterou seus termos de uso para compartilhar mais dados com a Microsoft para fins publicitários. É de praxe, nada muito novo ou preocupante, mas achei legal que, no documento em que explica as mudanças, o LinkedIn incluiu links diretos para as três opções que, ao serem desativadas, impedem o compartilhamento de tais dados. Obrigado…?

É só clicar nos links, estando logado(a), e desativar todos:

Aproveite o embalo e desative também o compartilhamento de conteúdo para treinar IAs generativas.

Adeus ao fediverso

Em dezembro de 2023, este blog ingressou no fediverso. Graças a um plugin do WordPress, o publicador usado no Manual, passou a ser possível acompanhar as novidades daqui sem sair do Mastodon, Pleroma, GoToSocial ou qualquer outra aplicação compatível com o protocolo.

Nesses quase dois anos, o plugin evoluiu bastante. E vai evoluir mais, a julgar pelo planejamento dos desenvolvedores, a ponto de — se tudo correr bem — no futuro ser possível transformar blogs em atores completos no fediverso.

Apesar disso, pretendo remover o suporte ao ActivityPub em breve. Eis os motivos.

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