Com nova CEO, Mozilla demite 5% e passa a focar no Firefox e em “IA confiável”

O TechCrunch obteve o memorando das mudanças anunciadas pela Mozilla, que há poucos dias trocou a CEO — saiu Mitchell Baker, entrou Laura Chambers, ex-CEO da Willow Innovations e com passagens por Airbnb, PayPal e eBay.

Praticamente todas as iniciativas recentes — instância do Mastodon, produtos de segurança (VPN, Relay etc.) e Hubs (espaço virtual/3D) — perderão espaço. O foco volta a ser o Firefox e, também, “IA confiável”.

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Firefox Focus, uma alternativa mais saudável às pesquisas rápidas do Arc Search

Ícone do Firefox Focus: silhueta de raposa de fogo envolvendo um globo, com cores negativas (em relação ao ícone padrão do Firefox).

A The Browser Company fez (mais) barulho há poucos dias com o lançamento do Arc Search, um navegador web reimaginado para celulares.

Um dos seus destaques é o acesso rápido à busca: ao abrir o aplicativo (disponível apenas para iOS), a pessoa é recepcionada por um campo de busca e o teclado já expandido.

Eu já tinha visto isso em algum lugar… lembrei! Foi no Firefox Focus, um app lançado pela Mozilla em 2015.

Pode-se dizer que o Firefox Focus é um app complementar ao Firefox convencional. É para consultas rápidas e despreocupadas; nada do que é pesquisado ali fica salvo em históricos e coisas do tipo. Com um toque (ou com o tempo), todo o histórico recente é esquecido.

Outra característica bacana é a proteção contra rastreamento e anúncios invasivos, mais potente que a (já excelente) do Firefox convencional. Dá até para bloquear o carregamento de fontes externas.

O Firefox Focus não tem a inteligência artificial do Arc Search, que “lê” seis páginas do termo pesquisado e constrói uma (supostamente) melhor, mas tem três duas vantagens em relação a esse:

  1. A já mencionado proteção contra rastreamento/bloqueador de anúncios invasivos;
  2. Versão para Android; e
  3. Opções de buscadores alternativos (no Arc Search, é Google ou Google).

Atualização (12h26): Desde a versão 1.0.1, o Arc Search permite alterar o buscador padrão. As opções são limitadas, porém. (Obrigado pelo aviso, Martinatti!)

Firefox Focus / Android, iOS / Gratuito

uBlacklist bloqueia domínios dos resultados de buscas online

Ícone da uBlacklist: um sinal de proibido com contornos em preto.

A extensão uBlacklist é uma daquelas que deveriam ser recurso nativo em buscadores ou navegadores web. Com ela instalada, é possível vetar domínios de aparecerem nos resultados de buscadores.

Vamos pegar um exemplo aleatório aqui… pinterest.com. Ao topar com ele nos resultados de uma pesquisa, basta clicar no link “Block this site” para que futuras pesquisas não retornem resultados desse domínio.

(Dá para usar expressões regulares e padrões para definir bloqueios.)

Outro recurso legal é a possibilidade de se inscrever em listas de bloqueio, mais ou menos como algumas extensões de bloqueio de anúncios funcionam. No repositório existem algumas disponíveis.

O contrário, ou seja, destacar domínios específicos nos resultados da pesquisa, também é possível.

A uBlacklist funciona em vários buscadores — Bing, Brave, DuckDuckGo, Ecosia, Qwant, Searx, Startpage.com, Yahoo! Japão e Yandex. É possível fazer backup e sincronizar configurações pelo Dropbox ou Google Drive.

uBlacklist / Chrome, Firefox e Safari / Gratuita

A Mozilla criou um “issue tracker”, batizado de Platform Tilt, para documentar “problemas técnicos nas principais plataformas de software que colocam o Firefox em desvantagem em relação ao navegador nativo”. Boa iniciativa para pressionar Apple, Google e Microsoft, que se aproveitam de suas plataformas para favorecerem Safari, Chrome e Edge, respectivamente. Via Mozilla (em inglês).

StreetPass: encontre perfis verificados para seguir no Mastodon

Ícone do StreetPass: cubo roxo em visão isométrica com uma linha pontilhada branca no meio.

No Mastodon, a verificação de perfis é feita com o auxílio de sites/domínios. Se você tem ou está ligado a algum site (da sua empresa, por exemplo), basta inserir uma linha de código no site referenciando seu perfil para que o link desse site fique verde e com um tique no Mastodon.

(Veja o meu, com os links do Manual, do meu site pessoal e do meu blog verificados.)

Aproveitando-se dessa dinâmica, o engenheiro de software Tyler Deitz criou uma extensão que ajuda a encontrar perfis para seguir no Mastodon, a StreetPass.

O uso é dos mais simples. Instale-a (tem versões para Chrome, Firefox e Safari) e navegue normalmente. Nos bastidores, a StreetPass detecta quando um site visitado tem um perfil correspondente verificado no Mastodon e salva esse perfil.

Depois de um tempo, clique no ícone da extensão para ver a lista dos perfis detectados e, se for do seu interesse, segui-los.

Um detalhe importante é que nenhum dado jamais escapa do seu computador. Toda a coleta e processamento dos dados é feita localmente, no navegador. Aos curiosos (e/ou desconfiados), o código-fonte é aberto.

StreetPass / Chrome, Firefox e Safari / Gratuita

LibreWolf, um fork mais privado do Firefox configurado de fábrica

Silhueta branca de um lobo dentro de um círculo azul.

O LibreWolf é, nas palavras dos desenvolvedores, “uma versão customizada do Firefox, focada em privacidade, segurança e liberdade”.

Isso talvez confunda algumas pessoas. O Firefox já não é “focado em privacidade, segurança e liberdade”? Sim, mas sendo um produto de alcance maior, é preciso encontrar o equilíbrio entre proteções e facilidade de uso.

Sem essa amarra, o LibreWolf se posiciona como um fork do Firefox configurado de fábrica com as melhores opções de privacidade e segurança. O que é um adianto para quem compartilha das preocupações do projeto.

Parte do seu apelo é esse mesmo: um punhado de configurações alteradas do padrão do Firefox. Não só, porém. Outras vantagens do LibreWolf são a remoção de alguns incômodos (Pocket, estou olhando para você), uBlock Origin instalado por padrão e recursos de conveniência que ferem a natureza livre do software, como DRM para vídeos, desativados.

Algo não mencionado, mas que me agrada bastante no LibreWolf, é o visual e recursos espartanos dele. É algo mais direto ao ponto. E se algum recurso fizer falta (para mim, por exemplo, é o Firefox Sync), é bem provável que dê para reativá-lo com alguns cliques.

LibreWolf / Linux, macOS e Windows / Gratuito

Download (site oficial) »

Um dinossauro contempla o fim da web

Neste episódio, eu falo dos sentimentos que tenho ao pensar no futuro da web e do experimento que tenho feito para usá-la melhor: desativando JavaScript, cookies e fontes personalizadas durante a navegação, com o auxílio de uma extensão de bloqueio de anúncios/conteúdo.

Se preferir, leia a transcrição.

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Desde o último episódio, um leitor tornou-se assinante: Pedro Augusto Barros Lemos. Obrigado!

YouTube coloca atraso de 5 segundos a quem usa Firefox e o apocalipse de bloqueadores de anúncios no Chrome

Diversos relatos no Reddit acusam o Google de acrescentar um atraso artificial, de 5 segundos, ao site do YouTube quando aberto pelo Firefox.

Mudando o user-agent para o Chrome, ou seja, “enganando” o YouTube para que o site pense que o acesso é via Chrome, o atraso some.

Questionado pelo site 404 Media, o Google não negou o atraso, mas disse tratar-se de parte da investida contra bloqueadores de anúncios: “Usuários que têm bloqueadores de anúncios instalados podem experimentar um acesso aquém do ótimo, independentemente do navegador que estejam usando.”

Deve ser coincidência que apenas um navegador rival esteja apresentando o “acesso aquém do ótimo”.

Note que não é um problema generalizado, tal qual a blitz anti-bloqueadores de anúncios do Google. Eu tentei reproduzir o problema aqui, sem sucesso. A 404 Media e publicações especializadas em Android, como o Android Authority, também não.

Em nota relacionada, o Google retomou o cronograma do novo formato para extensões do Chrome, chamado Manifest V3, que deve enfraquecer as que bloqueiam anúncios.

A partir de junho de 2024, versões de testes do Chrome trarão a novidade. Nos meses seguintes, a depender dos “dados” obtidos nas versões de testes, o Manifest V3 chegará à versão estável.

Quem usa bloqueadores de anúncios no Chrome terá suas extensões desativadas, caso elas não tenham sido adaptadas, ou convertidas para versões mais simples, adequadas ao Manifest V3.

Talvez seja um bom momento para dar outra/uma nova chance ao Firefox. Ele já é o navegador recomendado pelo uBlock Origin, a melhor extensão de bloqueio de anúncios, e, em breve, essa distinção ficará ainda maior.

(O Firefox adotará o Manifest V3 para fins de compatibilidade, só que sem os limites arbitrários que limitam bloqueadores de anúncios que o Google adotou.) Via 404 Media, Ars Technica (em inglês).

Unprocrastinator

Ícone do Unprocrastinator: bonequinho branco, com os braços atrás da cabeça, relaxando, com um símbolo de proibido sobre ele. Fundo escuro.

A extensão Unprocrastinator cria um pedágio de 30 segundos quando você tenta acessar algum site. É tempo suficiente para refletir: eu quero mesmo me expor à radioatividade do Twitter de novo?

O tempo é fixo, e isso é de propósito. Segundo o criador da extensão, Zhenyi Tan, 30 segundos “é demorado o bastante a ponto de ser pouco irritante, mas não tão demorado para te fazer querer desativar a extensão imediatamente”.

Dica dele: não cadastre muitos sites de uma vez. “Pode ser mais frustrante do que útil”, diz.

Unprocrastinator / Safari (iOS, macOS) / R$ 2,90 (App Store).