Como robôs de IA te manipulam e minam a sua privacidade

Sob o risco de estar entre as primeiras vítimas da inteligência artificial em uma eventual rebelião das máquinas, restrinjo minhas interações com as IAs generativas (ou robôs de conversação) do presente a uma frieza protocolar.

Acesso o site, pergunto ou peço o que preciso, recebo a resposta, fecho o site. Nada de chamá-la por nome, pedir por favor, agradecer ou ficar de conversa mole. Evito ao máximo antropomorfizá-la. Trato-a pelo que é: uma máquina estatística jorrando palavras que fazem sentido, não uma nova forma de vida senciente — ao menos, até o momento.

Tratar a IA de modo protocolar é, para mim, uma maneira de manter a linha que nos separa bem demarcada a fim de evitar uma improvável — mas não impossível — “psicose de IA”, uma pira em que a pessoa acredita de verdade que a IA tem vida.

Um relatório recém-publicado pelo Centro para Democracia e Tecnologia (CDT, na sigla em inglês), de autoria das pesquisadoras Ruchika Joshi, Adinawa Adjagbodjou e Michal Luria, trouxe mais argumentos favoráveis à minha postura junto às IAs generativas.

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Na abertura da Build 2026, a Microsoft fez jus à natureza do evento — focado em desenvolvedores — e anunciou, entre outras coisas, um punhado de novidades para tornar o Windows 11 mais palatável a esse público. A linuxificação do Windows segue a pleno vapor, agora com coreutils nativo e suporte a contêineres no Windows Subsystem for Linux (WSL). De resto, muita coisa envolvendo “agentes” de IA — o grande tema deste ano —, incluindo suporte nativo ao OpenClaw.

Cobrança de tokens no GitHub Copilot aumentará custos em até 150 vezes

por David Gerard

Há anos sabemos que os fornecedores de chatbots de IA operam com grandes perdas. A OpenAI gastava US$ 2,35 para cada US$ 1 de receita em 2024, e só piorou desde então. A Anthropic continua aumentando seus preços. Sabíamos que um dia os preços subiriam bastante.

Mencionamos em abril como a Microsoft estava migrando todos os clientes do GitHub Copilot para a cobrança por uso.

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VS Code da Microsoft diz que o Copilot escreveu todo o seu código

por David Gerard

O Microsoft Visual Studio Code (VS Code) é um editor de texto para programação. Nas versões 1.117 e 1.118, se você usar o autocompletar — incluindo aquele com a tecla Tab —, ele marca seu commit com “Co-authored by Copilot” (em tradução livre, “Co-criado pelo Copilot”). Mesmo que você não tenha usado o Copilot. Mesmo que você tenha a opção chat.disableAIFeatures ativada:

A parte mais preocupante é que eu já tinha verificado a mensagem do commit antes de fazer o envio. Apaguei a mensagem em inglês gerada pelo Copilot e escrevi manualmente a minha própria mensagem. No entanto, após o commit ser criado, o histórico final do git ainda continha a linha de co-autoria do Copilot.

Isso chegou ao topo do Hacker News no sábado. Dmitriy Vasyura, engenheiro de software principal no VS Code, desculpou-se pela mudança:

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Limites de uso do Claude Code: A Anthropic aperta os clientes

por David Gerard

A Anthropic — slogan: “somos vice porque pregamos o apocalipse da IA com mais força” — tem um ótimo negócio. Todo programador ruim e aspirante a programador ruim ama o Claude Code, seu amontoado de lixo vibe-codado favorito! A receita da Anthropic está nas alturas!

Exceto pelo pequeno detalhe de que a Anthropic vende o Claude Code com um prejuízo enorme. A Anthropic gasta de US$ 8 a US$ 13,50 para cada dólar que entra.

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Muda tudo na IA na Microsoft: Mustafa Suleyman vira catastrofista do apocalipse da IA

por David Gerard

Em meados de março, a Microsoft anunciou um remanejamento de lideranças. As divisão corporativa e doméstica do Copilot serão unidas e passarão a incluir modelos de IA e o Office 365. Oba.

Mustafa Suleyman não vai mais comandar a IA na Microsoft — esse cargo vai para Jacob Andreou, que chegou à Microsoft vindo do Snapchat no ano passado. Suleyman passará a chefiar exclusivamente a iniciativa de Superinteligência da Microsoft.

Meu primeiro pensamento foi que as vendas de IA estavam ruins e Suleyman estava sendo “rebaixado lateralmente”. Mas é mais estranho do que isso — Suleyman está se tornando um crente do apocalipse da IA.

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Uma falha crítica foi descoberta no Bloco de notas (CVE-2026-20841). Aquele editor outrora simples do Windows, que só exibia texto puro, sabe? Que a Microsoft maculou com Markdown (vetor desta falha), Copilot e sei lá mais o quê? Um invasor poderia colocar um link malicioso em um arquivo Markdown que, ao ser clicado pela vítima, executaria códigos remotamente. Uma correção foi disponibilizada pela Microsoft nas atualizações de rotina, liberadas nesta terça (10).

Indústria da IA não aceita “não” como resposta

Há dias estou com uma frase do David Bushell na cabeça:

Mais alguém notou que a indústria de IA não aceita “não” como resposta? A IA está sendo forçada em cada canto da tecnologia. É incompreensível a eles que alguns de nós não estejam interessados.

David reclamava de ter recebido comunicados da Proton oferecendo a Lumo, sua IA generativa, mesmo tendo sinalizado expressamente que não queria receber mensagens do tipo. O pior é que a Proton, em vez de assumir o erro e desculpar-se, insistiu em justificativas absurdas para dizer que não havia erro. Só cedeu quando um executivo entrou na jogada, e só depois do post viralizar.

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Para que isso [IA] não seja uma bolha, por definição é necessário que os benefícios sejam muito mais uniformemente distribuídos. Acho que um sinal revelador de que seja uma bolha seria se só falássemos das empresas de tecnologia. Se tudo o que falamos é o que está acontecendo do lado da tecnologia, então a IA é entrega apenas o lado da oferta.

Homem calvo, de óculos de grau, sorrindo.Satya Nadella
CEO da Microsoft

Hm, tenho más notícias para você, Satya…

Em outro trecho da entrevista, pescado pelo Pivot to AI, Nadella diz que as empresas precisam se reorganizar em torno da IA para aprender, na prática, como usá-la nos negócios. Destruir o que está funcionando para aprender um ~inovação que talvez ajude-as a… fazerem o que faziam antes?

Dell e Microsoft, gênios do marketing

Lembra quando a Warner Bros. mudou o home do seu streaming de HBO Max para Max e, menos de um ano depois para HBO Max de volta? Ou quando a pessoa mais rica do mundo provou que dinheiro não tem relação com inteligência e jogou a marca “Twitter” no lixo? Gênios do marketing!

Talvez seja o capitalismo tardio, talvez efeito colateral de novas drogas rolando entre os manda-chuvas das empresas mais poderosas do mundo. Ou apenas estupidez mesmo. Fato é que a prática está se espalhando, e rápido.

No início de 2025, a Dell reformulou sua linha de notebooks e aposentou nomenclaturas tradicionais, incluindo a XPS, talvez a mais lembrada após a MacBook, da Apple. O objetivo era simplificar. Ninguém entendeu nada.

Corta para 2026 e a Dell anunciou na CES, para a surpresa de ninguém, que voltará a usar a marca XPS.

Correndo por fora, temos a Microsoft. Ao acessar o site office.com, deparamo-nos com esta pérola (destaque meu):

Bem-vindo ao aplicativo do Microsoft 365 Copilot

O aplicativo Microsoft 365 Copilot (anteriormente Office) permite que você crie, compartilhe e colabore em um só lugar com seus aplicativos favoritos, agora incluindo o Copilot.*

Imagine só, trocar a marca que é sinônimo de aplicativos básicos de produtividade há três décadas por… Copilot, um gerador de lero-lero que geral não gosta e quando usa, só o faz obrigado pelo empregador.

Bom para nós. Quanto menos associarmos softwares críticos a marcas comerciais das big techs, melhor. Vida longa ao Microsoft 365 Copilot — ou qualquer outro nome ruim que Word, Excel e cia. venham a ter no futuro.