Um efeito colateral curioso da semana usando apenas Linux foi o tanto que meu computador contatou servidores externos.

Em um dia típico, o macOS faz até 9 mil requisições, a maioria tendo como destino domínios/servidores da Apple. (Não parece ser algo nefasto; são domínios de previsão do tempo e conexão com o iCloud, por exemplo.) Já o mini PC com Debian fez 3,3 mil no dia mais intenso de uso. Colhi os dados dos relatórios do NextDNS.

Outro recorte legal é o das conexões com o “GAFAM” (grupo que reúne Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft): no Debian, ~20% delas batem nos servidores dessas empresas. No macOS, +50%. (Ignore os números absolutos; peguei dados semanais para o Debian e mensais para o macOS, porque mal toquei no macOS semana passada.)

Significa que a Apple me “espiona”? Também, mas outra leitura possível é a de que, concomitante à espionagem, o macOS é um sistema mais “vivo”, ou seja, tem mais recursos que dependem de uma conexão à internet para funcionarem.

Atualização (15h05): Adicionei um “concomitante à espionagem” no último parágrafo. A redação anterior, como apontaram nos comentários, dava a entender que a outra leitura possível era de que a Apple não espiona os usuários.

Heynote, um bloquinho de anotações para desenvolvedores

Ícone do Heynote, o nome do aplicativo em duas linhas, com fundos em tons diferentes de verde.

Sou um grande entusiasta dos bloquinhos de texto — não posso ver um que já fico alvoroçado. O Heynote traz como diferencial o foco em desenvolvedores.

Além do óbvio suporte às sintaxes de diversas linguagens de programação, o Heynote trabalha com blocos para dividir as anotações.

Aperte Ctrl + Enter para criar um novo bloco. A separação funciona também para a seleção do conteúdo, ou seja, um Ctrl + A seleciona apenas o conteúdo do bloco em foco.

Ah, também serve de calculadora “esperta”, do tipo que cria variáveis e faz pequenas conversões — parecida com aplicativos como Numi e Soulver.

Desenvolvido por Jonatan Heyman, o Heynote tem o código aberto.

Heynote / Linux, macOS e Windows / Gratuito

LibreWolf, um fork mais privado do Firefox configurado de fábrica

Silhueta branca de um lobo dentro de um círculo azul.

O LibreWolf é, nas palavras dos desenvolvedores, “uma versão customizada do Firefox, focada em privacidade, segurança e liberdade”.

Isso talvez confunda algumas pessoas. O Firefox já não é “focado em privacidade, segurança e liberdade”? Sim, mas sendo um produto de alcance maior, é preciso encontrar o equilíbrio entre proteções e facilidade de uso.

Sem essa amarra, o LibreWolf se posiciona como um fork do Firefox configurado de fábrica com as melhores opções de privacidade e segurança. O que é um adianto para quem compartilha das preocupações do projeto.

Parte do seu apelo é esse mesmo: um punhado de configurações alteradas do padrão do Firefox. Não só, porém. Outras vantagens do LibreWolf são a remoção de alguns incômodos (Pocket, estou olhando para você), uBlock Origin instalado por padrão e recursos de conveniência que ferem a natureza livre do software, como DRM para vídeos, desativados.

Algo não mencionado, mas que me agrada bastante no LibreWolf, é o visual e recursos espartanos dele. É algo mais direto ao ponto. E se algum recurso fizer falta (para mim, por exemplo, é o Firefox Sync), é bem provável que dê para reativá-lo com alguns cliques.

LibreWolf / Linux, macOS e Windows / Gratuito

Download (site oficial) »

TimeDeposit registra o tempo gasto em projetos em qualquer dispositivo Apple

Ícone de uma ampulheta com rosto contra fundo rosa.

Precisando registrar o tempo gasto em tarefas de projetos distintos? Se você usa sistemas da Apple, o TimeDeposit é uma boa pedida.

A característica mais legal é que tem aplicativo para tudo: iPadOS, iOS, macOS e watchOS. A sincronização dos dados é feita via iCloud e os apps se integram bem aos respectivos sistemas — ícone na barra de menus do macOS, Atividades Ao Vivo no iOS, widgets no watchOS.

O TimeDeposit funciona com tarefas e projetos. É possível fazer os registros em tempo real, iniciando um cronômetro no app, ou depois (em caso de esquecimento), com a criação de sessões completas.

O único contra é que esta solução não funciona para equipes. É somente para uso individual. Outro ponto negativo é a tradução da interface para o português, aparentemente feita por alguém que não fala português. Não se pode ter tudo…

Em dias normais, o TimeDeposit tem limitações e não sincroniza com calendários na versão gratuita. Para liberar esses recursos, é exigido um pagamento único. Nesta terça (16), porém, o app sai de graça, via Indie App Santa.

TimeDeposit / iPadOS, iOS, macOS e watchOS / Freemium

Download (app universal) »

O Authy costuma aparecer nas recomendações de leitores do Manual quando pedem por aplicativos de OTP. Aos que usam o app, atenção: a versão para computadores (Linux, macOS e Windows) será descontinuada em agosto de 2024. Via Central de ajuda do Authy (em inglês), que também será fechado, só que na próxima segunda (15).

A Apple liberou as versões 17.2 do iOS/iPadOS e 14.2 do macOS Sonoma nesta segunda (11). (E, também, atualizações para watchOS, tvOS e HomePod.) Os grandes destaques são o novo aplicativo de diário no iOS, Journal, e o suporte a múltiplos cronômetros simultâneos no macOS (finalmente!!!!).

É sempre uma boa esperar alguns dias antes de instalar uma atualização, como o recente desastre no Debian 12.3 nos mostrou, mas se você não se aguentar e instalar aí, conta para mim como ficou o app Journal — e os múltiplos cronômetros no macOS. Via Apple (em inglês), MacMagazine.

Um aplicativo de escrita que pensa por você é um robô que corre no seu lugar.

— iA.

Com esta frase de efeito e um discurso de como adequar a inteligência artificial gerativa ao seu premiado editor de texto, a iA iniciou uma campanha para criar hype em torno do lançamento do iA Writer 7.

E… o resultado é meio meh? A prometida abordagem é um esquema quase todo manual que ajuda a diferenciar texto (colado) gerado por IAs como ChatGPT das intervenções do ser humano. (Veja o vídeo no anúncio do iA Writer 7.) Confesso que esperava mais.

Hotlist

Ícone do Hotlist: um sinal de correto (“v”) branco, em chamas, contra um fundo preto.

Para listas temporárias e/ou diárias, o Hotlist é uma boa pedida.

O aplicativo cria uma lista na barra de menus do macOS, e ali fica toda a interface dele. É possível criar novas tarefas, riscá-las, tudo como manda o figurino. O ícone do app na barra é um contador de tarefas pendentes.

Outros detalhes legais do Hotlist é que ele é recheado de atalhos no teclado, se integra com apps de terceiros e tem um sistema de plugins baseado em JavaScript.

O app é gratuito. Na tela de “compra”, basta selecionar “0” para obtê-lo sem custos. Se quiser dar uns trocados ao Rik Schennink (desenvolvedor) em agradecimento, basta escolher o valor na mesma tela.

Hotlist / macOS / Gratuito.

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Clay

Ícone do aplicativo Clay para iOS: fundo preto e a palavra “Clay” escrita em branco.

Alguns anos atrás, foi moda a categoria de aplicativos “CRM pessoal”, que pega a ideia do CRM corporativo (gerenciador de relacionamentos) e a adapta às nossas relações pessoais.

O app Clay é um que surgiu naquela onda. Nessa semana, o app chegou à versão 2.0 com uma nova-velha abordagem: o mundo corporativo, com uma versão para equipes. De quebra, ganhou um banho de loja e tornou o plano pessoal gratuito (limitado a 1 mil contatos).

Com o Clay, é possível puxar interações do e-mail e de redes sociais, registrar detalhes, eventos (como aniversários) e encontros com contatos e definir lembretes para não passar muito tempo sem dar um alô às pessoas que importam em sua vida.

A empresa garante que dados de conexões e outras informações do usuário são criptografadas de ponta a ponta (política de privacidade, em inglês).

Clay / iOS, macOS, web e Windows / Gratuito (uso pessoal).

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ogpk (opengraph peek)

Ícone do Terminal do pacote de ícones Papirus.

O protocolo Open Graph é quase onipresente na web: tags que são lidas por redes sociais, aplicativos de mensagens e outros, que se convertem em cartões mais bonitos que o link cru (subjetivo; eu prefiro links crus).

Existem diversas maneiras de verificar as tags OpenGraph. O aplicativo ogpk (de “opengraph peek”), criado por Alasdair Monk, é uma delas: com ele, é possível visualizar tais tags pelo terminal, incluindo a imagem (og:image).

A sintaxe é bem simples:

ogpk [link]

Caso queira exibir a imagem na saída, adicione o parâmetro --p, assim:

ogpk [link] --p

Também é possível criar um arquivo *.json com os resultados:

ogpk [link] --json

ogpk / Linux, macOS / Gratuito.

Unprocrastinator

Ícone do Unprocrastinator: bonequinho branco, com os braços atrás da cabeça, relaxando, com um símbolo de proibido sobre ele. Fundo escuro.

A extensão Unprocrastinator cria um pedágio de 30 segundos quando você tenta acessar algum site. É tempo suficiente para refletir: eu quero mesmo me expor à radioatividade do Twitter de novo?

O tempo é fixo, e isso é de propósito. Segundo o criador da extensão, Zhenyi Tan, 30 segundos “é demorado o bastante a ponto de ser pouco irritante, mas não tão demorado para te fazer querer desativar a extensão imediatamente”.

Dica dele: não cadastre muitos sites de uma vez. “Pode ser mais frustrante do que útil”, diz.

Unprocrastinator / Safari (iOS, macOS) / R$ 2,90 (App Store).

LookAway

Ícone do aplicativo LookAway.

O LookAway é um pequeno aplicativo para a menubar que te lembra de se afastar do monitor a intervalos regulares para cuidar dos olhos.

Existem vários do tipo; o que me chamou a atenção neste é a elegância e o cuidado evidente do desenvolvedor Kushagra Agarwal. Os alertas são suaves, com avisos prévios e a possibilidade de adiá-los ou ignorá-los. O LookAway fica atento a períodos de inatividade e a videochamadas, e adapta o timer nessas circunstâncias.

A descrição do site oficial faz todo sentido: “É sutil, esperto e totalmente personalizável.”

  • Site oficial.
  • Plataforma: macOS.
  • Licença: Proprietário.
  • Preço: US$ 6,99 (1 licença), US$ 11,99 (2) ou US$ 19,99 (5), com 7 dias de teste gratuito.

Vez ou outra reclamo, digo, comento aqui do receio que tenho com grande atualizações de software. Desde que atualizei para o macOS 14 Sonoma, o Command + `, que alterna entre janelas do mesmo aplicativo, está quebrado no Safari 17. Parece bobo, mas uso bastante. Já saiu o macOS 14.1 e… nada de correção. Via r/MacOS (em inglês).

Como lidar com atualizações anuais de sistemas operacionais?

Neste episódio do podcast, falo das atualizações de sistemas operacionais. Do iOS ao Windows, passando por macOS e os diferentes sabores de Linux, todos têm cadências próprias, quase sempre muito aceleradas, de atualizações — e nem sempre pelos motivos mais nobres. No monólogo, falo como lido com isso.

Citei dois posts sobre o Daylio, um aqui no Manual e outro no meu blog pessoal.


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Dangerzone mitiga o risco de ataques via documentos ou imagens adulterados

Documentos e imagens podem ser vetores para a disseminação de vírus e outras pragas digitais. O aplicativo Dangerzone ajuda a mitigar esse risco.

Como? Com “sandboxes” isoladas do sistema operacional e uma ideia engenhosa de desconstrução e reconstrução dos arquivos suspeitos.

Transcrevo (e traduzo) a descrição do site oficial:

Você dá a ele um documento no qual não sabe se pode confiar (por exemplo, um anexo de e-mail). Dentro de uma “sandbox”, o Dangerzone converte o documento em um PDF (se ainda não for um) e, em seguida, converte o PDF em dados brutos de pixels: uma enorme lista de valores de cores RGB para cada página. Então, em uma “sandbox” separada, o Dangerzone pega esses dados de pixels e os converte de volta em um PDF.

O aplicativo lida com arquivos *.pdf, documentos do Microsoft Office e LibreOffice e alguns formatos de imagens.

Um projeto da Freedom of the Press Foundation, o Dangerzone é gratuito, tem o código aberto e versões para Linux, macOS e Windows. Baixe-o aqui.