Quadrilha rouba R$ 80 milhões em equipamentos da Samsung 

A fábrica da Samsung em Campinas (SP) foi assaltada na madrugada desta segunda-feira (7), no Parque Imperador, às margens da Rodovia Dom Pedro I. Segundo a Polícia Civil, aproximadamente 20 criminosos renderam funcionários e vigias, e usaram sete caminhões próprios para levar cerca de 40 mil peças, entre tablets, celulares e notebooks. A carga é avaliada em R$ 80 milhões, de acordo com os policiais responsáveis pela investigação. Ninguém ficou ferido.

(…)

Para a Polícia Civil, os criminosos tinham muitas informações sobre os procedimentos da empresa. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), e estiveram no local funcionários da Samsung, da empresa de segurança privada, além de representantes de uma seguradora. Imagens da multinacional, rodovias e da cidade são avaliadas em busca de pistas sobre suspeitos.

Do Gizmodo:

O R7 diz que eles então renderam os funcionários e pediram para tirar a bateria dos celulares – assim ninguém chamaria a polícia.

Se fosse uma fábrica da Apple…

Criminosos roubam iPhone e pedem a senha do iCloud à vítima 

Juliana Carpanez, no UOL:

Durante a ação, chamou atenção a abordagem dos ladrões em relação à tecnologia. Os assaltantes pediram as senhas dos computadores, do iCloud (serviço de armazenamento em nuvem da Apple, que o criminoso chamou de “aiclôude”) e decidiram formatar o PC corporativo (“zerar” seu conteúdo) ainda dentro do carro.

Depois do sequestro, um dos comparsas alterou o perfil da vítima no WhatsApp, colocando sua própria foto – a imagem foi entregue à polícia, para ajudar na identificação. Segundo Marcos, a pessoa da foto dirigia o carro de onde saíram os outros dois assaltantes.

No iOS 7 a Apple implementou um mecanismo chamado Bloqueio de Ativação no Find My Phone que permite transformar o iPhone em um peso de papel remotamente, caso ele seja perdido ou tenha sido roubado. Mais detalhes aqui.

Essa novidade diminuiu a incidência de roubos de iPhones em algumas localidades. Segundo esta matéria do New York Times, em San Francisco a queda foi de 38%, em Londres, de 24% e em Nova York, 19%. Não localizei números relativos ao Brasil, mas pelo caso exposto acima é provável que o Bloqueio de Ativação também esteja surtindo efeito aqui — tanto que os ladrões já estão cientes do “problema”.

A próxima versão do Android, anunciada no início da semana, trará um recurso semelhante. A eficiência do método na prevenção de assaltos é indiscutível, e os casos de sucesso da sua aplicação podem aumentar o conhecimento acerca desse obstáculo no uso de aparelhos roubados. O que me leva a pensar: passar a senha do iCloud será o novo “não reaja ao assalto”?

Ainda bem que existem réplicas de R$ 300 para enganar o ladrão, né?

Apple e Google fazem as pazes nos tribunais para combater um inimigo comum: o sistema de patentes

Fachada de uma Apple Store.
Foto: Adam Fagen/Flickr.

Em várias partes do mundo, com maior incidência nos EUA, empresas de tecnologia vão aos tribunais regularmente reclamar da concorrência. Não por estratégias de marketing ou táticas de vendas agressivas, mas por infrações de patentes. Indo na contramão dessa tendência, sexta-feira Apple e Google anunciaram um cessar fogo que pode, em última instância, beneficiar a todos.

Nos últimos anos a Apple apareceu bastante no noticiário pelo afinco com que recorreu aos tribunais para defender suas propriedades intelectuais. O caso mais famoso, ainda em trâmite, foi o processo movido nos EUA contra a Samsung, uma rixa quase pessoal do ex-CEO Steve Jobs, que a classificou como “guerra termonuclear” e foi motivada principalmente pelas similaridades entre o Galaxy S, da concorrente, e seu iPhone.

Batalhas judiciais paralelas se desenrolaram contra HTC, Motorola e outras, as quais somadas com imbróglios alheios, transformaram o setor da alta tecnologia de consumo em uma intrincada rede de acusações. O infográfico abaixo, do começo de 2012, dá uma boa dimensão do emaranhado que são essas relações:

Infográfico mostrando processos entre empresas de tecnologia.
Quem processava quem em janeiro de 2012. Infográfico: Verizon/PCMag.com.

Em 2010 a Motorola, então independente, acusou a Apple de infringir algumas das suas patentes, incluindo relacionadas à 3G e essenciais ao funcionamento de um smartphone. A Apple contra-atacou, e a disputa vem se desenrolando desde então em uma corte na cidade de Chicago. Ou vinha, já que o anúncio da última sexta pôs um fim nela e em outras envolvendo as duas.

Com a compra da Motorola Mobility em 2012, o Google levou seu portifólio de patentes e herdou as disputas judiciais da empresa adquirida. O Google atua em processos de fabricantes que usam sua tecnologia, como no talvez maior caso do gênero nos EUA, a já mencionada disputa entre Apple e Samsung, mas nesse caso se viu envolvido diretamente como parte — e como a venda da Motorola Mobility à Lenovo ainda não foi finalizada, ela continua respondendo nele.

Na declaração conjunta que encerrou essa disputa, as duas se comprometeram a, além de retirarem as acusações (cerca de 20, nos EUA e Alemanha, segundo o GigaOm), cooperarem na reforma do sistema de patentes. A mensagem foi a seguinte:

“Apple e Google concordaram em remover todos os processos em trâmite que existem diretamente entre as duas empresas. Apple e Google também concordaram em trabalhar conjuntamente em algumas áreas da reforma de patentes. O acordo não inclui trocas de licenças.”

O sistema de patentes norte-americano é duramente criticado pela abrangência e facilidade com que aprova pedidos, mesmo os mais absurdos. Um caso recente foi a patente conquistada pela Amazon para fotografias de coisas contra um fundo branco. Outra, mais antiga, foi a conversão para links de certas mensagens encontradas em mensagens de e-mail, base de um dos processos da Apple contra a HTC. Para além dos smartphones, encontramos coisas ainda mais descabidas, como a patente da roda (?) e a de um penteado para disfarçar a calvície.

É por essas e outras que a decisão conjunta de Apple e Google transcende as implicações jurídicas que decisões do tipo têm. Na real, essas disputas são mais sobre intimidação do que reparação monetária; alguns milhões de dólares não fazem nem cócegas em quem lucra bilhões a cada trimestre. A consequência mais importante desse anúncio é o desejo compartilhado de reformar um sistema que invariavelmente tira o foco da inovação e drena recursos que, de outra forma, poderiam ser investidos no aperfeiçoamento e barateamento da tecnologia.