Migalhas do iOS 18.1 e gravação de ligações nativa no iPhone

A Apple atualizou seus sistemas operacionais nesta segunda (28). O iOS 18.1 e macOS 15.1 focam na Apple Intelligence, os recursos de IA que, por ora, estão disponíveis apenas em dispositivos definidos no idioma inglês estadunidense. / apple.com

As novas versões são tão insignificantes que o comunicado à imprensa sequer foi publicado na sala de imprensa brasileira da Apple.

Há alguns detalhes (migalhas?) no iOS 18.1 para quem fala outros idiomas:

  • O seletor de emojis agora mostra emojis maiores;
  • Na tela de bloqueio, notificações agrupadas de um mesmo app passam a exibir um contador do total de não lidas;
  • A Central de Controle ganhou novos controles, incluindo botões individuais de conectividade.

Deve ter uma ou outra coisa perdida ali que não encontrei. Detalhes.

Não sei se isso é do iOS 18.1 ou se já tinha no iOS 18: agora é possível gravar ligações no iPhone. (Print, outro print.)

Colegas jornalistas, regozijai-vos!

Durante uma chamada, basta tocar em um novo botão no canto superior esquerdo da tela. Uma mensagem de voz anuncia ao interlocutor o início da gravação e o áudio é salvo no aplicativo Notas.

Nos iPhones em inglês estadunidense, a Apple Intelligence transcreve o áudio. Só de ter a gravação, porém, já um adianto — e existem ótimas ferramentas externas para transcrevê-lo.

Curtas

Notícias e curiosidades que me chamaram a atenção durante a semana.

Começou na segunda (9), nos EUA, o segundo julgamento contra o Google por práticas monopolistas, desta vez no negócio de publicidade digital. No anterior, por monopólio do mercado de buscas online, o Google perdeu. / oglobo.globo.com

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O melhor anúncio do evento do iPhone 16 não foi um novo produto, mas sim a conversão dos AirPods Pro 2 em um aparelho auditivo. Foi um feito tanto técnico quanto político: governos eleitos que bateram de frente com um cartel que cobrava caro por dispositivos especializados e era blindado pela agência reguladora estadunidense do setor. Matt Stoller contou esta história em sua newsletter. / thebignewsletter.com (em inglês)

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A história do Flappy Bird foi uma bela (e curta) tragédia que, como toda propriedade intelectual nesses tempos esquisitos em que vivemos, não pôde ser deixada em paz. Dez anos após sumir da App Store, o jogo será relançado em 2025 maior e mais complexo. / 9to5mac.com (em inglês)

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O povo do Linux Mint vai dar um trato no tema padrão do Cinnamon, o ambiente gráfico feito por eles. Como o Mint usa um tema próprio, diferente, o padrão do Cinnamon acabou meio esquecido e, apesar disso, é usado por outras distros sem modificações. (Facilitaria se trabalhassem em um só, não?) / omgubuntu.co.uk (em inglês)

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A lista de alternativas ao Twitter fracassadas aumentou com o aviso de que o Cohost fechará as portas em breve. O serviço se junta ao Post.News e ao T2/Pebble — em comum, todos eram fechados/proprietários. / cohost.org (em inglês)

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O Mastodon liberou geral a vinculação do autor de posts aos cartões de links espalhados na plataforma. (Antes, um domínio precisava da bênção dos desenvolvedores.) Por ora, o recurso está limitado às versões de testes do Mastodon 4.3, que já roda na .social. Veja um exemplo: é aquele “Mais de Rodrigo Ghedin” ali. / @Gargron@mastodon.social (em inglês)

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A Meta liberou uma URL fixa para mandar aos teimosos, que insistem em usar o Threads em vez do Mastodon, quando pedirmos a eles para habilitarem a federação (leia-se: compatibilidade com o fediverso/Mastodon/etc.). Anote aí: https://www.threads.net/settings/account/fediverse. Espalhe! / techcrunch.com (em inglês)

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A Sony anunciou o PlayStation 5 Pro, com preço sugerido (lá fora) de US$ 699. Juro que tentei, mas é difícil encontrar as diferenças para o PS5 convencional nos vídeos comparativos. Nenhuma palavra sobre Brasil, por enquanto. / blog.playstation.com (em inglês)

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A OpenAI lançou um novo LLM, chamado o1, o primeiro capaz de “raciocinar” usando uma “cadeia de pensamentos”. O anúncio coincide com a notícia de que Sam Altman está tentando levantar +US$ 6,5 bilhões, o que, tenho absoluta certeza, é uma mera coincidência. / openai.com, pivot-to-ai.com (ambos em inglês)

Quem liga se o iPhone 16 foi “feito para IA” e será caro?

Anunciado como “o primeiro iPhone feito do zero para inteligência artificial”, o recém-anunciado iPhone 16 tem mais similaridades que diferenças em relação a todos os modelos lançados desde o iPhone 12, de 2020. Isso inclui o preço.

O modelo base, com 128 GB de memória, chegará ao Brasil por R$ 7.799, aumento de 6,9% em relação ao preço do iPhone 15 de 2023 (R$ 7.299). É o segundo iPhone mais caro em valores nominais, atrás apenas dos R$ 7.999 do iPhone 12.

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Cadê você?

Novas ondas da tecnologia de consumo geram novos hábitos, alguns deles estranhos. Quando a internet móvel em celulares se popularizou, por exemplo, muita gente achou divertido dizer ao mundo por onde passava em aplicativos como o Foursquare.

Embora os motivos para alguém não fazer isso sejam vários e óbvios e o Foursquare seja apenas uma sombra do que foi naqueles anos malucos, uma variação da prática continua muito viva e, para alguns, embrenhada no cotidiano.

Na newsletter de tecnologia da Bloomberg, Ellen Huet comentou a transformação do aplicativo Buscar, da Apple, em uma espécie de mini-rede social baseada em geolocalização.

Existem bons motivos para dividir com alguém a sua localização precisa e em tempo real, como combinamos de nos encontrarmos com alguém. O uso inicial era esse, explica Ellen, mas, hoje, ela diz que o compartilhamento “se transformou em um sinal de intimidade digital e confiança”. Para os mais novos, é ainda pior:

O hábito digital também se tornou mais popular entre as gerações mais jovens. Alguns na geração Z veem isso como um rito de amizade ou um marco indicando proximidade.

O Snapchat tem um recurso tão popular quanto o Buscar da Apple — ao menos nos Estados Unidos. A Meta, que oferece o mapa no WhatsApp, vem testando o recurso no Instagram, com uma abordagem menos utilitária, mais parecida com a do Snapchat.

Um pouco influenciado pela leitura (em andamento) de A geração ansiosa, em que Jonathan Haidt explica a fixação dos jovens pelo celular, em parte, pelo que chama de “segurismo”, um eufemismo bobo dele para a superproteção dos adultos, me peguei pensando se esse Big Brother com os amigos em um mapa digital não é mais um sintoma da solidão crônica que todos, independentemente da idade, enfrentamos nesses áridos anos 2020.

O movimento anti-IA chegou à fotografia digital

O Google segue chapado de IA generativa. No lançamento da linha de celulares Pixel 9 — que vêm recheados de recursos que adulteram fotos com IA —, Isaac Reynolds, diretor de produto da câmera dos Pixel, disse que o lance do Google é gerar memórias, e não fotografias.

Os exemplos mostrados pelo The Verge de um desses recursos, o “Reimagine”, dão uma boa ideia de como uma “memória” pode se revelar um completo delírio — e ter implicações sérias no mundo real.

Embora o Google seja o mais entusiasmado com a adulteração de fotos, a overdose de pós-processamento não é de agora nem exclusiva dessa empresa.

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Maus-tratos ao Kindle e a iPhones

Toda fabricante de gadgets tem uma “câmara de tortura” para testar a durabilidade deles. A Amazon abriu as portas da sua para mostrar os maus-tratos que o Kindle sofre para garantir que ele fique inteiro tanto quanto possível.

Algumas semanas atrás, a Apple abriu as portas da sua ao youtuber Marques Brownlee para mostrar os testes com iPhones.

EUA acusam Apple de monopolizar mercado de celulares

Estou lendo a acusação do Departamento de Justiça e 17 estados estadunidenses contra a Apple, por monopólio do mercado de celulares. (Íntegra aqui, *.pdf, em inglês.) Eles acusam a Apple de práticas anticompetitivas no mercado de celulares que levam ao aumento de preços e maior dificuldade aos consumidores para trocarem de aparelhos e ecossistema.

Numa primeira leitura incompleta (~2/3), sinto que a falta de foco nas acusações enfraquece o argumento contra a empresa. Há áreas em que ele é forte, como a restrição a partes do sistema (“tap to pay”, envio/recebimento de SMS), mas outras meio estranhas, como a dos “super apps” (uma panaceia no Ocidente, mas que só funciona na China — talvez pela sabotagem continuada da Apple a apps do tipo?) e superadas (restrição a apps que fazem streaming de jogos da nuvem, que caiu em fevereiro).

Um trecho saboroso é um em que os procuradores resgatam críticas de Steve Jobs feitas à Microsoft em 1998. O então CEO da Apple criticava o monopólio da rival e suas “táticas sujas” para atingir a Apple. A acusação também atribui ao processo antitruste contra a Microsoft a abertura aproveitada pela Apple para deslanchar o iPod e o iTunes às custas da compatibilidade com o Windows.

O iOS 17.3, lançado nesta segunda (22), traz a Proteção de Dispositivo Roubado, uma opção que gera obstáculos (exigência de biometria e atraso de 1h) para alterar configurações sensíveis do celular e da conta Apple. O recurso vem desativado por padrão. Obrigado aos ladrões estadunidenses; é graças às ações deles, e não dos nossos, que a Apple se mexeu. O link ao lado traz detalhes e o passo a passo para ativar a novidade. Via Apple.

iOS 17.3 trará modo para proteger iPhones após furtos e roubos

Finalmente a Apple deu atenção à epidemia de furtos e roubos de celulares. A primeira versão de testes do iOS 17.3, liberada nesta terça (12), traz um recurso chamado “Proteção do Dispositivo Roubado” (tradução livre).

Quando o recurso está ativado, algumas ações sensíveis, como alterar senhas, desativar o Modo Perdido e redefinir o iPhone, passam a exigir autenticação biométrica (Face ID ou Touch ID) se o celular estiver longe de locais familiares. Para ações cruciais, como mexer na Conta Apple, desativar a biometria ou trocar o código de acesso do iOS, além da biometria, é preciso esperar uma hora para ter acesso a eles.

Teria a Apple olhado para o caos que se instalou no Brasil? Na verdade, não. Entre fevereiro e abril deste ano (2023), o Wall Street Journal publicou reportagens (e vídeos) mostrando um esquema nos Estados Unidos em que iPhones eram furtados em bares.

Como sempre, é preciso que um problema se manifeste em casa para que a big tech tome providências. Por aqui, falamos desse assunto desde, pelo menos, junho de 2021. Via Wall Street Journal (em inglês), MacMagazine.

A Apple liberou as versões 17.2 do iOS/iPadOS e 14.2 do macOS Sonoma nesta segunda (11). (E, também, atualizações para watchOS, tvOS e HomePod.) Os grandes destaques são o novo aplicativo de diário no iOS, Journal, e o suporte a múltiplos cronômetros simultâneos no macOS (finalmente!!!!).

É sempre uma boa esperar alguns dias antes de instalar uma atualização, como o recente desastre no Debian 12.3 nos mostrou, mas se você não se aguentar e instalar aí, conta para mim como ficou o app Journal — e os múltiplos cronômetros no macOS. Via Apple (em inglês), MacMagazine.