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Meta AI no WhatsApp: Privacidade e desativação da inteligência artificial

Para muita gente, a Meta AI que pipocou no WhatsApp é a primeira interação com IA generativa. O encontro tem causado algumas frustrações e gerado ansiedade.

Sem rodeios: não é possível desativar a Meta AI.

Poderia ser, mas não é do interesse da Meta, que quer, com esse movimento, tomar a dianteira na corrida da IA generativa. Acostume-se com aquela rodinha colorida na busca.

Há relatos de que dá para remover a bolinha que aparece no topo da tela, ao lado dos botões de câmera e iniciar conversa. A opção Mostrar botão Meta AI estaria na área Conversas, nas configurações do WhatsApp. Aqui, porém, não a encontrei. / idec.org.br

Neste site, é possível impedir o uso de interações com a Meta AI para treinar as IAs da Meta.

Note que conversas pessoais e em grupos são criptografadas de ponta a ponta e não são usadas para esse fim. A solicitação acima diz respeito apenas a conversas com a Meta AI e a mensagens em que a IA é invocada em um grupo. / faq.whatsapp.com

Curioso que esse comportamento acabou sendo uma frustração para alguns, como o Gustavo. Não dá para agradar a todos. / manualdousuario.net/orbita

PabloNet: “espelho” que estiliza o reflexo em tempo real com IA 

Há um debate ferrenho em curso a respeito da validade da IA no campo da arte. Matthieu Le Cauchois acredita que a IA pode, sim, criar arte, e criou um bom exemplo: um “espelho” (na verdade, é uma câmera ligada à tela com moldura de quadro) que estiliza em tempo real a pessoa “refletida” usando o StreamDiffusion. O resultado ficou bem legal! Tem alguns vídeos no blog dele. / matthieulc.com (em inglês)

O descaso da Meta com a moderação de conteúdo é visível na Meta AI…

O descaso da Meta com a moderação de conteúdo é visível na Meta AI, inteligência artificial generativa que apareceu no WhatsApp e outras plataformas da empresa. / about.fb.com

A Folha de S.Paulo notou que ao ser questionada sobre o segundo turno da eleição para prefeito em São Paulo, a Meta AI fornece informações erradas e até sem sentido, como atribuir a liderança nas pesquisas a um candidato que não está na disputa. / folha.uol.com.br

Repliquei o experimento com os candidatos de Curitiba. A Meta AI começa a responder, mas no meio da “digitação” o texto some e é substituído por uma mensagem padrão, que direciona o usuário ao site do TSE. Veja o vídeo.

E pensar que a mesma Meta que libera uma IA que pode dar “respostas imprecisas ou inapropriadas” (palavras da empresa) a uma semana do segundo turno em várias capitais, em 2022 adiou em meses o lançamento das comunidades no Brasil para não zoar as eleições.

Meu primeiro contato com a Meta AI foi em um grupo de amigos no WhatsApp, que perguntaram o que ela sabia do “Rodrigo Ghedin”. Para a IA, sou “conhecido por sua participação em programas de debate e análise política” e tenho “uma longa trajetória profissional, tendo atuado em jornais, revistas e emissoras de televisão”. Nem eu sabia dessas coisas!

[…] O chamado “boom da IA” em que estamos agora na real vende duas coisas, e nenhuma precisa ser muito boa: uma maneira de automatizar o trabalho que você não valoriza o suficiente para contratar um ser humano para fazê-lo ou, no mínimo, uma maneira de esconder os seres humanos que fazem esse trabalho para que você possa se sentir melhor a respeito da miséria que você paga a eles.

— Ryan Broderick.

Bom resumo — ainda que meio cínico — do que a inteligência artificial generativa, e talvez num geral, representa de fato.

O comentário foi feito em um texto sobre os robôs Optimus, da Tesla, mostrados na última quinta (10), desta vez controlados remotamente por seres humanos. / garbageday.email (em inglês)

O mercado de tecnologia empurra soluções capengas e …

O mercado de tecnologia empurra soluções capengas e baratas como substitutas às reais. Por que, por exemplo, falar com um ser humano no atendimento de empresas se robôs podem fazer o mesmo serviço custando menos, ainda que sejam piores?

A IA segue a mesma lógica.

Na quinta (10), tempestades solares “baixaram” a aurora boreal, trazendo o show de luzes natural a regiões onde ele não costuma ser visto. / g1.globo.com

No Threads, o perfil da Meta sugeriu, a quem perdeu o espetáculo, que “fizesse o seu próprio com [imagens artificiais d]a Meta AI”. O texto é acompanhado por algumas feitas pela IA. Um dos posts mais deprimentes da história dos posts ruins de marcas (todos) em redes sociais. / @meta@threads.net

Vincular ao celular

Alguns leitores chamaram a minha atenção ao aplicativo Vincular ao Celular, do Windows, em resposta à dica do scrcpy, um app de código aberto para espelhar celulares Android em computadores.

O Vincular ao Celular tem essa função, mas — segundo a Microsoft — ela é restrita a alguns modelos Android da Samsung e Honor.

Para todos os demais, os recursos do Vincular ao Celular lembram os do KDE Connect, como acesso a mensagens, ligações, notificações e fotos pelo computador Windows. O mesmo vale para o iPhone.

Nos comentários do post original, o Victor deu uma dica legal para o scrcpy: usando o parâmetro -S, ou seja, scrcpy -S, a tela do celular não fica ligada no espelhamento.

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Novidades e atualizações

[Android, iOS, web, Windows] Repaginada no Copilot, que ganhou voz, visão e uma estética mais “calma”, herança da startup Inflection, adquirida pela Microsoft. / theverge.com

[iOS] Croissant é um novo app que permite postar no Bluesky, Mastodon e Threads ao mesmo tempo. / croissantapp.com

[macOS] Daily é um novo app de listas de tarefas baseado em datas e cheio de atalhos no teclado. Ah, e é gratuito. / dscp.team

[Linux, macOS, Windows] O Firefox 131 traz permissões temporárias para sites, miniatura de abas ao passar o mouse sobre elas e um novo ícone para a lista de abas. / mozilla.org

[Terminal] Kew é um player de música estiloso que roda na linha de comando. / github.com

[Android] Quer testar o Thunderbird para Android? A versão beta foi disponibilizada aos interessados. / blog.thunderbird.net

Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Após três anos no escuro, o X voltou a liberar um relatório de transparência, este referente ao primeiro semestre de 2024. Apenas 2.361 contas foram punidas por publicar conteúdo de ódio. É um número bem menor que o do último relatório do Twitter pré-Musk, quando 1,043 milhão de contas foram punidas pelo mesmo motivo. / wired.com (em inglês)

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A Microsoft anunciou o investimento no Brasil de US$ 14,7 bilhões, em três anos, em chips da Nvidia e AMD destinados à inteligência artificial. / folha.uol.com.br

Sam Altman criou um blog, ou uma página. Tenho a sensação…

Sam Altman criou um blog com um texto intitulado “a era da inteligência” que, imagino, não foi revisado pelos marqueteiros da OpenAI. Não tanto por estar publicado em um domínio com o nome de Altman, mas mais porque é um texto medíocre, tão ruim e repleto de promessas grandiosas, vazias e/ou não verificáveis que acho que nem o ChatGPT seria capaz de gerar.

“É possível que tenhamos superinteligência em alguns milhares de dias (!)”, escreve Altman. “Alguns milhares de dias” significa uns bons anos em que ele poderá continuar engambelando meio mundo com uma IA que está longe de fazer qualquer coisa que promete. “Pode demorar mais, mas estou confiante de que chegaremos lá.” Opa, talvez demore um pouco mais, mas espere aí sentado que chegaremos lá. Um dia. Talvez. A gente vai se falando.

Vou te poupar de ler aquilo porque as +1 mil palavras podem ser resumidas em uma linha: “IA será revolucionária em breve, quero mais dinheiro.”

Como é possível tanta gente esperta não perceber que a maior “alucinação” expelida pela IA foi esse Sam Altman? / ia.samaltman.com (em inglês)

Em notas relacionadas:

  • OpenAI está se preparando para se livrar da parte sem fins lucrativos e assumir-se a empresa comum que é, sedenta por dinheiro e poder, e, no processo, dar a Altman um quinhão das ações. / reuters.com (em inglês)
  • Duas lideranças da OpenAI, Mira Murati (CTO) e Bob McGrew (CRO), e Barret Zoph (VP de pesquisa), anunciaram suas saídas da OpenAI. / cnbc.com, techcrunch.com (ambos em inglês)

O wordfreq, projeto que monitora mudanças na linguagem…

O wordfreq, projeto que monitora mudanças na linguagem da humanidade usando a web como referencial, parou de ser atualizado. Culpa das IAs generativas: “Acredito que ninguém tenha dados confiáveis do uso da linguagem por seres humanos pós-2021”, escreveu Robyn Speer, criadora do projeto.

“Então, eu não quero trabalhar em nada que possa ser confundido com IA generativa, ou que possa beneficiar a IA generativa. A OpenAI e o Google podem coletar seus malditos dados, e espero que eles tenham que pagar um preço muito alto por isso. Eles mesmos fizeram essa bagunça.” / github.com (em inglês)

Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

A F-Droid fez a limpa em seus repositórios e arquivou 316 aplicativos que se encontram abandonados. Eles continuam disponíveis, mas não por padrão: é preciso ativar a opção de exibir apps arquivados. / f-droid.org (em inglês)

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A Samsung colocou à venda no Brasil o Galaxy Ring, seu “anel inteligente”, pela bagatela de R$ 3.499. Meio caro, né? / g1.globo.com

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Já é lugar comum aquele dado de que gerar lero-lero com o ChatGPT consome uma garrafinha d’água, por isso achei legal o Washington Post juntar uns cientistas, debruçar-se em pesquisas e trazer dados mais concretos. O consumo de água varia de acordo com a região/matriz energética. Nos EUA, o pior lugar analisado foi o estado de Washington, onde gerar um e-mail de 100 palavras com o GPT-4 consome 1.468 ml de água. (O texto é bem legal e cheio de gráficos bacanas.) / washingtonpost.com

Alguém descobriu que o LinkedIn usa o conteúdo…

Alguém descobriu que o LinkedIn usa o conteúdo publicado na plataforma para treinar inteligências artificiais generativas. Tem um botão enterrado nas configurações que, promete o LinkedIn, bloqueia o seu conteúdo de ser usado para esse fim. Siga por aqui para acessá-lo.

Não sei se esse botão é novo, só sei que o uso de conteúdo para treinamento de IA não é de agora. Em março, publiquei no próprio LinkedIn:

Não que seja surpreendente, mas desanimei em saber que o LinkedIn está usando tudo que escrevo aqui para treinar IA. Coisa chata, parece que agora tem alguém bisbilhotando tudo, o tempo todo e em todo lugar.

Talvez o melhor a se fazer seja parar de escrever no LinkedIn.

Quem liga se o iPhone 16 foi “feito para IA” e será caro?

iPhone 16 e 16 Plus, ambos azuis e vistos de lado, exibindo botões e parte da tela.

Anunciado como “o primeiro iPhone feito do zero para inteligência artificial”, o recém-anunciado iPhone 16 tem mais similaridades que diferenças em relação a todos os modelos lançados desde o iPhone 12, de 2020. Isso inclui o preço.

O modelo base, com 128 GB de memória, chegará ao Brasil por R$ 7.799, aumento de 6,9% em relação ao preço do iPhone 15 de 2023 (R$ 7.299). É o segundo iPhone mais caro em valores nominais, atrás apenas dos R$ 7.999 do iPhone 12.

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Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 2/9

A Americanas vai encerrar o Ame, seu braço financeiro, como parte das medidas para estancar a sangria aberta pela fraude colossal descoberta no início de 2023. / neofeed.com.br

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Terça, 3/9

Foi lançado, em um evento em São Paulo, o Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial (OBIA), que terá por objetivo monitorar o uso de IA no país. / mobiletime.com.br

Todos os modelos da YubiKey 5, da Yubico, têm uma falha criptográfica que permite sua clonagem da chave. Embora não seja corrigível, é difícil explorar a falha: é preciso acesso físico à chave, conhecimento técnico e equipamentos que custam ~US$ 11 mil. / arstechnica.com (em inglês)

A Microsoft anunciou a chegada de novos chips de Intel e AMD capazes de transformar notebooks em “PCs Copilot+”, ou seja, preparados para inteligência artificial. / blogs.windows.com (em inglês)

O Bluetooth 6.0 chegou. A principal novidade é o que chamam de “channel sounding”, recurso similar ao provido pelos chips U da Apple para localização precisa de dispositivos. / bluetooth.com (em inglês)

O Google liberou a versão aberta (AOSP) do Android 15. Ainda levará algumas semanas (ou meses, a depender do dispositivo) para chegar a celulares do mundo todo. / android-developers.googleblog.com

Após subir em +50% a mensalidade do Meli+, o Mercado Livre anunciou um novo plano mais barato e o fim do programa de pontos. / macmagazine.com.br

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Quinta, 5/9

O YouTube abriu o leque de novidades esta semana. A plataforma anunciou ferramentas para proteger criadores de IAs e deepfakes, expansão global da vinculação de contas de adolescentes à “Central da Família” e limitação na recomendação repetitiva de conteúdos problemáticos, como os que comparam atributos físicos e perda de peso. / blog.youtube, blog.youtube (em inglês), blog.youtube

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Sexta, 6/9

Na surdina, o Telegram alterou seus termos de uso para passar a moderar conteúdo de conversas privadas. / theverge.com (em inglês)

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 26/8

O Google iniciará, na próxima segunda (2/9), a construção de um centro de engenharia em São Paulo, dentro da Cidade Universitária da USP. A previsão é de que a obra fique pronta em 2026. / folha.uol.com.br

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Terça, 27/8

A Anatel espera implementar, ainda este ano, o programa “Origem Verificada”, que identificará “chamadores frequentes”, como bancos e operadoras, em ligações ao celular do consumidor. São dois objetivos: reduzir o incômodo e os golpes. / oglobo.globo.com

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Quarta, 28/8

Após ser preso no último sábado (24) ao desembarcar de seu avião na França, Pavel Durov, CEO do Telegram, foi solto após pagar fiança com a condição de não deixar o país, que o acusa de não colaborar com investigações criminais. / g1.globo.com

A Automattic anunciou a intenção de migrar mais de meio bilhão de blogs do Tumblr para a infraestutura do WordPress. Segundo a empresa, será “uma das maiores migrações técnicas da história da internet”. Sem prazo para conclusão. / automattic.com (em inglês)

O Bluesky liberou uma rodada de recursos “anti-tóxicos” aos usuários. Tem várias coisas legais, como remover o post de outro que o cita (“quoted”). / bsky.social (em inglês)

A Meta continua liberando, a conta gotas, a integração do Threads ao fediverso. Desta vez, respostas a posts de outros usuários vindas do fediverso passaram a ser visíveis a todos. / techcrunch.com (em inglês)

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Quinta, 29/8

Trabalhadores do Serpro entraram em greve nesta semana. Eles pedem reajuste salarial. / convergenciadigital.com.br

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Sexta, 30/8

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou bloquear o acesso ao X (antigo Twitter) no Brasil após o empresário Elon Musk descumprir a determinação de indicar um representante legal no país. / g1.globo.com

A ANPD liberou a Meta para coletar dados dos usuários brasileiros para treinar IA, após a empresa adequar sua conduta, com mais transparência e uma maneira facilitada aos usuários de negar esse uso de seus dados. / gov.br

O movimento anti-IA chegou à fotografia digital

Mão mexendo no app Halide, selecionando o novo modo “Process Zero”.

O Google segue chapado de IA generativa. No lançamento da linha de celulares Pixel 9 — que vêm recheados de recursos que adulteram fotos com IA —, Isaac Reynolds, diretor de produto da câmera dos Pixel, disse que o lance do Google é gerar memórias, e não fotografias.

Os exemplos mostrados pelo The Verge de um desses recursos, o “Reimagine”, dão uma boa ideia de como uma “memória” pode se revelar um completo delírio — e ter implicações sérias no mundo real.

Embora o Google seja o mais entusiasmado com a adulteração de fotos, a overdose de pós-processamento não é de agora nem exclusiva dessa empresa.

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