JavaScript e o futuro da web, com Felipe Moura e Jaydson Gomes
#publi A BrazilJS Conf, maior evento de tecnologia da América Latina, volta ao presencial com uma proposta que vai além do código. Será nos dias 25 e 26 de abril, no Auditório Araújo Vianna em Porto Alegre (RS).
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Neste episódio do podcast, recebo Felipe Moura e Jaydson Gomes, da BrazilJS e On2, para uma conversa animada. Falamos da BrazilJS Conf e o apelo de eventos presenciais, do estado do JavaScript e o que a inteligência artificial representa para o futuro da web.
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Papo descontraído e alto nível. Estão de parabéns!
Eu nunca havia pensado que o consórcio do JavaScript não pode implementar qualquer nome para novas funções, pois precisa levar em consideração todos os frameworks já existentes, do contrário pode quebrar inúmeros sistemas pelo mundo. Tenso!
Agora, dizer que as linguagens de alto nível são tudo a mesma coisa é difícil de entender em qualque escala. As diferenças podem ser abissais.
E dizer que JavaScript é fácil é um tanto controverso. As limitações da linguagem são tão claras que não por acaso temos incontáveis frameworks que prometem estender e aprimorar seu uso, e no final das contas esse dito ‘ecosistema javascript’ é um completo caos que vive em frenética mudança há literalmente décadas. Então na prática, não, JavaScript não é fácil, pelo contrário, é um inferno ter que estar o tempo inteiro se atualizando com tudo, inclusive quebras brutais de paradigma, como foi o caso do medonho React.
SPA (Single Page Application) é uma das maiores atrocidades já inventadas. E tem muita gente que ainda chamam isso de moderno. Mais aqui: https://adamsilver.io/blog/the-problem-with-single-page-applications/
Muito interessante o que um deles falou sobre o rumo das tecnologias relacionadas ao JavaScript, como o Angular e TypeScript, ser algo fomentado por um indústria com interesses no mínimo duvidosos. Mas, como ele mesmo diz mais pra frente, na prática ninguém mais desenvolve pra web usando JavaScript puro, então o que acaba acontecendo é que o uso real da linguagem é atrelado a essas tecnologias adicionais, e esses troços são geralmente muito ineficientes, inclusive do ponto de vista de desenvolvimento. Pra mim a crise está mais do que clara; que venha WebAssembly ou coisa do tipo.
Mais pra frente eles defendem conhecer melhor a linguagem pra evitar usar dependências desnecessárias. Isso foi muito lúcido! Defendo que a esmagadora maioria dos sites hoje nem sequer precisaria usar um framework, com o bônus de serem mais leves e rápidos de desenvolver (sim!).
E, assim como o Ghedin, eu não consigo ser otimista com relação ao ataque da AI aos profissionais da área. A analogia feita por um deles com as criptomoedas como promessa de substituírem o dinheiro normal não foi exatamente boa. Ao menos pra mim era evidente o fiasco, até do por conta do ataque ambiental descabido. De todo modo, a tecnologia de AI programando surgiu não tem 2 anos direito. Como disse o Marques Brownlee, o que estamos vendo hoje é o pior estágio dessas tecnologias que vamos ver daqui pra frente. E os saltos não são lineares — vide o Sora da OpenAI.
A crise no setor de programação hoje não tem uma causa única, mas os números assustam: 300 mil pessoas demitidas por ano, e 2024 prometendo o mesmo (https://layoffs.fyi/). Não me parece possível que a indústria (ainda que esteja em crescimento!) contrate em algum momento todo mundo que anda demitindo nos últimos meses. Isso sem contar a nova horda de recém formados chegando no mercado todo ano.
Como a maioria das crises, essa também não começa com um evento pontual, mas sim um processo gradual, até que nos damos conta de que mudou, e em definitivo. Me espanta, porém, o fato de o capitalismo estar comendo a própria cauda e isso não parecer problemático nem para quem está no topo da pirâmide.