O LibreOffice 26.8 não contém recursos de IA generativa. Os documentos não são transmitidos para serviços remotos para processamento e nenhum componente da suíte requer acesso à internet para funcionar. Esta é uma posição deliberada. Qualquer organização que lide com dados confidenciais, legalmente sigilosos ou pessoais precisa saber para onde esses dados vão, e a única garantia que sobrevive a uma auditoria é que ele não saia da máquina.

Ícone do LibreOffice, uma folhinha com um canto dobrado.Italo Vignoli
LibreOffice

À parte as justificativas filosóficas, ecológicas ou éticas, a que o LibreOffice oferece para rejeitar recursos de IA generativa se situa no plano pragmático. Muito do que é produzido em editores de texto é sigiloso. Trata-se, pois, de uma questão de privacidade.

Preços de memórias subiram 500% no último ano — por causa da IA

por David Gerard

Empresas de IA fecharam acordos no ano passado para comprar praticamente toda a memória disponível no mundo. Nos EUA, os preços estão de 5 a 10 vezes maiores do que há apenas um ano.

A Gigabyte lançou uma nova placa-mãe para PCs que usa memórias DDR4, apenas porque as DDR5 estão impossíveis de encontrar. E com um processador de quatro anos atrás.

A Computer Base apurou que os preços na Alemanha subiram 350%. Discos rígidos e SSDs dobraram de preço.

E não é só o preço que sobe: às vezes você não encontra memória alguma. Isso prejudica mais as fabricantes de sistemas, em especial as grandes. A Apple não consegue manter o MacBook Air em estoque:

Fontes de varejistas dizem que a Apple está com dificuldades para manter o notebook em estoque, e que as remessas de novas unidades estão mais restritas do que eles conseguem se lembrar.

A Apple já tinha problemas no fornecimento do Mac Mini e do Mac Studio. Os preços dos seus celulares também devem aumentar.

As três grandes fabricantes de memória — Samsung, Micron e SK Hynix — preveem que, mesmo se a IA quebrar amanhã, a escassez continuará até 2028 ou mesmo 2030. Não se modifica uma linha de produção da noite para o dia.

A CXMT, fabricante chinesa de memória, estreou na Bolsa de Valores de Xangai fazendo barulho. A CXMT tem 9% do mercado de memória e deve chegar a 12% em 2027. A Apple pediu permissão ao governo dos EUA para usar os chips da CXMT.

A CXMT pode aliviar um pouco a pressão sobre os preços, mas não agora. Cuide bem do que você já tem.

Publicado originalmente no Pivot to AI em 19/8/2026.

O estado da comunidade [WordPress] 2026 
thewpocc.org

Saiu o resultado da pesquisa independente sobre a comunidade do WordPress, realizada pelo coletivo WP Open Community.

Ela representa uma crítica fortíssima aos rumos do WordPress e, principalmente, à liderança de Matt Mullenweg. Por exemplo, 73,8% disseram se sentir mais pessimistas em relação ao projeto do que 24 meses atrás. Quando perguntados em relação ao software de código aberto em geral, a visão negativa caiu para 23,9%. A maior fonte de problemas, com 73,3% afirmando terem sofrido ou testemunhado ocorrências, refere-se à governança e liderança.

O uso de inteligência artificial generativa no WordPress desagrada a maioria, mesmo entre quem usa IA no trabalho.

No discurso de encerramento do WordCamp US, na quarta (19), Mullenweg trouxe esse dado da pesquisa e sugeriu que “talvez a gente só precise dar novos nomes ao que estamos fazendo [com IA]”, como “automação”, segundo o relato do blog The Repository. Penso comigo que essa reação se soma às evidências de uma liderança que não ouve a comunidade.

Como a marca d’água em texto do Claude funciona 
anthropic.com

Todos os grandes provedores de LLMs serão obrigados, pelo AI Act da União Europeia, a adicionar marcas d’água no conteúdo gerado, incluindo texto. A Anthropic, dona do Claude, explicou o seu método:

Grandes modelos de linguagem, como o Claude, funcionam gerando uma palavra de cada vez. A cada nova palavra, o modelo escolhe entre uma lista de candidatas possíveis, selecionando no fim a mais coerente ou provável com base no texto anterior. Pegue a frase “O tempo hoje estava frio e…”. É muito improvável que a próxima palavra seja “açucarado”. Mas é bem provável que seja “nublado” ou “cinzento”. Na maioria dos casos, não faz muita diferença para o leitor qual dessas duas últimas palavras o modelo escolhe — o sentido da frase permanece praticamente o mesmo de qualquer forma. Em situações assim, a escolha é decidida por um número aleatório.

A marca d’água usa justamente essas escolhas de baixo impacto — que se repetem muitas vezes ao longo de um texto gerado — para deixar um padrão nas respostas do Claude. Esse padrão é imperceptível para quem lê, mas identificável por qualquer um que tenha uma chave capaz de decodificá-lo. Quando a marca d’água é usada, as escolhas continuam sendo feitas de forma aleatória, mas a origem dessa aleatoriedade muda. Em vez de recorrer a um gerador de números aleatórios qualquer para escolher a próxima palavra, o sistema usa a chave e as palavras anteriores para definir qual palavra o modelo deve escolher. Ou seja, as palavras que o Claude escolhe continuam sendo aleatórias, mas agora é possível verificar a sequência de palavras e checar se ela é compatível com as escolhas que o Claude faria caso estivesse usando aquela chave. Se for, dá para calcular a probabilidade de que o texto tenha sido gerado pelo Claude.

A solução é a mesma que o Google criou e usa desde 2024 no Gemini, chamada SynthID-Text.

Tem gente arrancando os cabelos por causa dessa mudança. Como digo há algum tempo, para mim tanto faz.

Além disso, é provável que apareçam (se já não existirem) sistemas simples que substituam algumas palavras por sinônimos, o que (em tese? Alguém me corrija se for o caso) quebraria a assinatura digital do SynthID-Text. Ainda no campo das suposições, imagino que jogar o texto em outro LLM e pedir para substituir algumas palavras e estruturas já surta efeito.

Independentemente de qualquer coisa, está na hora de quem usa IA generativa para criar texto assumir os seus BOs, né?

Acho que a primeira coisa que ocorre às pessoas quando esse assunto vem à tona é o uso da marca d’água para apontar dedos e humilhar quem os usa. É possível imaginar, porém, outros usos, como auxiliar na triagem de solicitações a órgãos públicos, que, como Ronaldo Lemos apontou em sua coluna na Folha de S.Paulo deste domingo (16), já está afogando governos e a Justiça de vários países.

Como experimento hipotético, imagine que apenas uma pessoa tivesse um advogado superinteligente. Ela teria uma vantagem injusta no tribunal — mesmo que sua posição estivesse errada no mérito. Isso levaria a uma sociedade pior. Mas agora imagine que todos tenham um advogado superinteligente. A justiça seria aplicada de forma muito mais justa e eficiente do que é hoje. Quando as pessoas são empoderadas, elas naturalmente se fiscalizam mutuamente e fiscalizam o poder das instituições maiores.

Homem branco, olhando de lado, com semblante preocupado.Mark Zuckerberg
Co-fundador e CEO da Meta

Talvez o Zuck devesse empregar esses advogados de IA superinteligentes nas demandas da Meta. Mesmo com os melhores advogados (de carne e osso) que o dinheiro pode pagar, a empresa acumula uma série de derrotas nos tribunais estadunidenses, acusada de causar danos a menores de idade com seus aplicativos viciantes. A última foi semana passada (6), no Novo México.

A frase acima saiu de um textão do CEO da Meta, “O futuro da IA é para todos”. Alguém ainda leva esse vômito de platitudes, mentiras e promessas vazias a sério? Deve ser o quarto ou quinto que ele assina. Nenhum resistiu ao tempo. Teve o das mensagens criptografadas no Instagram em 2019, o da “comunidade global” de 2017, o do metaverso de 2021… note o padrão.

Este cara usou o Claude para plagiar um aplicativo sem querer

Terry Godier, que fez fama em uns cantos da web no começo do ano com um ensaio sobre RSS e seu posterior aplicativo para iOS, o Currents, lançou outro chamado Dark Hours, esse na web mesmo, após a Apple supostamente tê-lo rejeitado por conter elementos da astrologia, o que as políticas da App Store vetam e Godier, a princípio, negou que fosse o caso.

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[Revista] Time começou a servir anúncios a agentes de IA 
digiday.com

Em outras palavras, os anúncios dão a marcas como a Ally e o Project Management Institute mais uma alavanca para influenciar sua presença nas buscas por IA generativa. Os LLMs podem captar as informações da marca a partir do anúncio e indexá-las, o que pode moldar as respostas geradas por IA, que por sua vez podem influenciar as pessoas que usam esses mecanismos de resposta baseados em IA.

Talvez a minha ideia de “envenenar” IAs com um texto oculto por esteganografia não seja tão maluca assim.

O que o VAR do futebol nos diz sobre a IA

Cabine do VAR (assistente de vídeo).

por Brian Merchant

Eu exagerei nos jogos da Copa Mundo masculina deste ano. Foi sensacional. Estava em Paris, onde o torneio tomou conta de tudo: dos bares às brasseries, passando pelos celulares das pessoas no metrô. À noite, dava para ouvir gritos de comemoração vindos de quarteirões de distância, não importava onde você estivesse — pela França sempre que ela jogava, claro, mas também pela Argentina e por Messi ou por qualquer golaço. Também dava para ouvir muitas vaias (o jogo da França contra o Paraguai nas oitavas de final foi rico nesse quesito) e boa parte dessas vaias, hoje, é direcionada ao VAR, o assistente de vídeo.

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Uso legal do ChatGPT Work que ouvi ontem à noite: Conecte as agendas da sua família e explique o que seus filhos gostam. Toda manhã ao levá-los à escola, faça-o [ChatGPT] criar um podcast que aborde o jogo de futebol de um filho naquela tarde, o próximo aniversário de outro, algumas notícias etc.

Homem branco, com cabelo escuro e curto, com olheiras.Sam Altman
Co-fundador e CEO da OpenAI

Essa vai para o rol das grandes ideias dos caras de IA. Como alguém respondeu no X, “E se você apenas conversasse com seus filhos?”

Google desmantela o AlphaFold e lá se vai a IA que curaria o câncer

por David Gerard

O AlphaFold era um sistema de aprendizado de máquina do Google DeepMind. Ele fazia a predição da estrutura de proteínas.

Ele era razoavelmente bom em prever estruturas de proteínas. Chamou atenção do público por se sair muito bem nos benchmarks do Critical Assessment of Structure Prediction (CASP).

O AlphaFold fez alguns trabalhos úteis, principalmente como um extra para ajudar biólogos a prever uma estrutura em que estavam trabalhando. Muitos biólogos não achavam ele grande coisa. Alguns, achavam. E tudo bem.

Estou dizendo “era” e “fazia” porque o Google encerrou o AlphaFold.

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