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“Algumas coisas ruins” podem acontecer com você, mas é um sacrifício que Sam Altman está disposto a fazer

por David Gerard

O fundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, participou na segunda (5) do podcast Decoded, do Politico, e passou o tempo todo desconversando sobre vários assuntos, mas uma frase dele, impressionante, deu o que falar:

Acho que uma das maiores diferenças entre nós e alguns dos, digamos, defensores mais rígidos da segurança em IA é que acreditamos que o mundo deveria aceitar que algumas coisas ruins aconteçam em troca dos benefícios dessa tecnologia e de as pessoas terem autonomia.

Que coisas ruins, Sam? Com quem essas coisas ruins vão acontecer, Sam?

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Reddit restringe leiaute clássico e encerrará feeds RSS

Sob o pretexto de barrar robôs de empresas de IA que saqueiam seu conteúdo, o Reddit restringirá ainda mais o acesso ao seu leiaute clássico (old.reddit.com). “Nos próximos meses”, somente quem o usou nos últimos seis meses e moderadores terão acesso a ele. Em nota relacionada, o Reddit avisou que, pelo mesmo motivo, desligará os feeds RSS da plataforma no dia 13/11. Via ArsTechnica.

São atitudes como essas que nos lembram que o Reddit não é um lugar amigável nem seguro para trocar ideias na internet. Há alternativas melhores.

IA no KDE Plasma

No final de agosto saiu o resultado de uma resolução geral a respeito do uso de IA generativa (LLMs) no Debian. Venceu a opção 5: “Uso responsável de IA generativa.” O desfecho — você já deve imaginar — deixou muita gente insatisfeita.

Nesta semana, foi a vez do projeto KDE ficar no meio do fogo cruzado ao tentar propor uma política de uso (ou não uso) de IA em seu código. Os ânimos se acirraram quando ~a internet descobriu que uma das palestras do Akademy, evento anual do projeto, propunha “um KDE com IA nativa, adorável e soberano” por duas pessoas que já estiveram envolvidas na programação do KDE, mas não mais.

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LLM AssBench 
assbench.com

O teste definitivo para as IAs generativas: qual cria o bumbum mais fidedigno. Tem vários modelos disponíveis e dá para ler o prompt (em inglês). Não se esqueça de avaliar, também, a reação da nádega ao tapinha. Dica do Renan, que se negou a responder onde diabos ele encontrou isso.

Coisas estranhas no editor de texto do macOS 27

A Apple seguiu a cartilha das empresas bitoladas em IA, adotando no macOS 27 a ausência de consentimento para instalar arquivão gigante da Apple Intelligence. Não quer a IA embebida no seu sistema? Azar.

O espaço ocupado pelos modelos locais é irrecuperável, mas pelo menos dá para desativar a maioria dos recursos de IA e a vindoura (no Brasil) Siri AI.

Olha… não é fácil.

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Desaceleração da IA: Aparentemente, você só precisa do Trump

por David Gerard

Num post de blog todo solene, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu uma desaceleração no desenvolvimento da IA. O chatbot é legal demais, sabe?

Devemos desacelerar o ritmo com que melhoramos as capacidades dos modelos de IA.

Você poderia pensar que o ritmo já estava desacelerando, mas Amodei disse ao CBS News Sunday Morning que:

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Da “trend” dos anos 1980 ao Apple Watch que espiona conversas, o que está em jogo é a percepção pública

Foto de um Apple Watch Ultra 4 no braço de alguém, mostrando a transcrição de uma conversa recente captada pelo recurso Live Rewind.

Não foram uma nem duas vezes em que publiquei materiais, neste blog, em tentativas de conscientizar as pessoas dos riscos de aplicativos virais que adulteram fotografias, como o FaceApp em 2019.

Somos seres curiosos. A promessa de olhar para um espelho mágico, que nos mostra velhos, em outro gênero ou numa época diferente é quase irresistível, uma força que faz muitos ignorarem os sinais de alerta, mesmo que óbvios.

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Alunos que não usam IA vão melhor em todos os quesitos

por David Gerard

Todo ano, a OCDE avalia estudantes no mundo todo por meio do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Os resultados de 2025 acabaram de ser divulgados. (Relatório em *.pdf.)

No mundo inteiro, as notas caíram nos últimos dez anos. Mas o PISA incluiu uma medida sobre IA. Como vão os alunos que usam o chatbot na escola?

Acontece que quem sai na frente não usa IA. Os gráficos mostram que os alunos que usam pouco ou nada de IA deixam no chinelo os que usam:

Nesses cenários, alunos que não usam IA superam os que usam, em média, por cerca de 20 pontos — o equivalente a mais ou menos um ano escolar à frente dos colegas.

O subtítulo do resumo afirma que “a relação entre o uso de IA e o desempenho escolar é complexa”. O que isso significa é que quem evita a IA se sai muito melhor.

Os que usam IA, no máximo, empatam. Alguns vão um pouquinho melhor — mas também calha de serem mais ricos.

A introdução do relatório aponta o óbvio:

Da mesma forma que não ficamos em forma assistindo a esportes, mas praticando esportes, a aprendizagem não acontece pelo consumo de conteúdo, mas por meio de um produtivo esforço cognitivo ao se deparar com material novo.

Claro, o relatório então tenta dar razão para os dois lados:

Se fizermos isso direito, a IA vira um andaime, não uma muleta. Uma ferramenta para pensar, não um substituto do pensamento.

Mas eu diria que existe uma única abordagem responsável diante da máquina de fazer lição de casa na educação: não usar. Quem sai ganhando é quem fica para trás.

Publicado originalmente no Pivot to AI em 8/9/2026.

E se em vez de controlar cada movimento do seu personagem em um jogo, você pudesse dizer a ele o que deseja e vê-lo viver, agir e se conectar com os outros por conta própria no mundo virtual em constante mudança?

Microsoft
Project VEGA, “vibe gaming”

Traz aquele meme do filme Jurassic Park. (“Seus cientistas estavam tão preocupados se conseguiriam ou não, que não pararam para pensar se deveriam.”)

LibreOffice bate recorde de downloads após declarar não ter recursos de IA

O LibreOffice 26.8, lançado em 26/8, tornou-se a atualização mais popular do software, uma alternativa livre ao Microsoft Office disponível há quase duas décadas. Em uma semana, o instalador foi baixado mais de 1 milhão de vezes — sem contar as atualizações via repositórios de distribuições Linux.

Alguém poderia dizer que as melhorias no sistema de escrita e na tipografia são uma sensação entre ONGs, órgãos governamentais e escritórios que usam o LibreOffice. Coloco as minhas fichas em um “não recurso”, porém: a declaração de que o LibreOffice não traz recursos de inteligência artificial generativa devido à (falta de) privacidade da tecnologia.

Um dia depois de celebrar o recorde de downloads e a ampla repercussão, a The Document Foundation (TDF), que gere o software, detalhou o posicionamento em um post intitulado “Sim, não ter IA é um recurso agora”.

O texto, assinado por Italo Vignoli, diz que a TDF “não rejeita a inteligência artificial de pronto”, mas que a tecnologia ainda não atende a uma lista exaustiva de princípios para ser incluída como padrão. Os tais princípios são:

  • Execução controlada pelo usuário.
  • Nenhum conteúdo pode deixar o computador sem autorização.
  • Sem telemetria de qualquer natureza.
  • Sem dependência de um único fornecedor.
  • Sem comprometimentos ao formato [de arquivos].
  • Totalmente opcional.

Por ora, a TDF recomenda plugins da comunidade para integrar IA ao LibreOffice.

O posicionamento distinto da TDF “não tem quase qualquer relação com a tecnologia”, prossegue o texto antes de cutucar rivais que pularam de cabeça na IA. Para a fundação, a IA “justifica aumento de preços e intensifica a manutenção de todos os documentos dentro da própria infraestrutura” da empresa, que depende da venda de assinaturas.

O detalhamento da The Document Foundation pode decepcionar quem entendeu a declaração no lançamento do LibreOffice 26.8 como um manifesto anti-IA.

Quaisquer que sejam os motivos, o caso do LibreOffice 26.8 responde a uma dúvida que eu e outros temos desde 2023: se todo o mercado agora oferece IA embutida em softwares de toda sorte, será que não há espaço para alternativas *sem* IA se destacarem? Aparentemente, sim.

OpenAI: GPT-6 é totalmente uma Inteligência Artificial Geral, caras

por David Gerard

A OpenAI anunciou a mais nova e levemente atualização de seus modelos de chatbot, o GPT-6 Astra.

Trata-se de uma tímida atualização do GPT-5. Quase chamaram de GPT-5.7, mas a Anthropic tem feito um bom marketing do seu novo modelo Fable como um “hacker de bolso”, então a OpenAI precisava fazer barulho.

Ah, e o GPT-6 Astra atingiu a inteligência artificial geral! Aparentemente.

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O LibreOffice 26.8 não contém recursos de IA generativa. Os documentos não são transmitidos para serviços remotos para processamento e nenhum componente da suíte requer acesso à internet para funcionar. Esta é uma posição deliberada. Qualquer organização que lide com dados confidenciais, legalmente sigilosos ou pessoais precisa saber para onde esses dados vão, e a única garantia que sobrevive a uma auditoria é que ele não saia da máquina.

Ícone do LibreOffice, uma folhinha com um canto dobrado.Italo Vignoli
LibreOffice

À parte as justificativas filosóficas, ecológicas ou éticas, a que o LibreOffice oferece para rejeitar recursos de IA generativa se situa no plano pragmático. Muito do que é produzido em editores de texto é sigiloso. Trata-se, pois, de uma questão de privacidade.