A chegada de dezembro precipita uma inundação de “retrospectivas” das grandes plataformas de tecnologia, aquele período festivo em que iFood, Spotify, Apple Music… Google Maps (??) e sei lá mais quem esfregam na nossa cara o tanto de dados que coletam e, de quebra, ainda convencem muita gente a fazer propaganda de graça.

Não é obrigatório compartilhar, mas se quiser, pode. De qualquer maneira, recomenda-se paciência e, se possível, manter distância das redes sociais até 2026.

Chineses contra iFood / Recurso hilário do X / Celular velho prejudica a economia

Está no ar a pesquisa anual para conhecer quem lê (e ouve) o Manual do Usuário. Leva menos de 3 minutos para responder e ajuda um bocado o projeto. Responda: https://tally.so/r/xXVV7d

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Chineses contra o iFood, 0:24

Keeta “ataca” Grande SP e foca na experiência do entregadorStartups.

99Food chega a Curitiba e promete restaurantes com preços iguais ao cardápioBanda B.

Recurso hilário do X (antigo Twitter), 4:29

Estadunidenses estão mantendo o mesmo celular/computador por mais tempo e isso está prejudicando a economia (em inglês), CNBC.

A polarização dos EUA se tornou o bico do resto do mundo (em inglês), 404 Media.

Celular velho prejudica a economia, 7:05

X expôs uma vasta rede secreta de influência visando estadunidenses (em inglês).

Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Em agosto, o iFood bateu a marca de 100 milhões de pedidos em um mês. “O centésimo milionésimo pedido de agosto foi feito às 12h54m do sábado passado, último dia do mês: um combo de hambúrguer, refrigerante e batata frita entregue em Lins (SP)”. / oglobo.globo.com

***

Mais de 40% da receita do Telegram em 2023 veio de negócios relacionados a criptomoedas. No período, a empresa faturou ao todo US$ 342,5 milhões e teve prejuízo de US$ 108 milhões. / ft.com (em inglês)

***

O fornecimento de dados biométricos preocupa 60% dos brasileiros com acesso à internet. O dado consta na segunda edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados, do Cetic. / cetic.br

O projeto Fairwork divulgou a segunda edição do relatório de trabalho plataformizado no Brasil. Em 2023, foram analisadas dez plataformas de diferentes segmentos, das quais apenas três pontuaram — AppJusto, iFood e Parafuzo.

O número é igual ao da edição 2022, mas com outros nomes (à exceção do iFood) e uma nova nota máxima, de 3/10 pontos, obtida pelo AppJusto, estreante na pesquisa. Em outras palavras, ainda há muito a ser feito para assegurar condições justas de trabalho a quem depende das plataformas digitais.

O relatório também chamou a atenção ao lobby intenso que as plataformas têm feito no país para “convencer a opinião pública sobre seu ponto de vista, muitas vezes de maneira sutil ou como washing — ou seja, tentativa de limpar a imagem”.

Lembra aquela representação contra o iFood junto ao CADE, em que a Abrasel, a Rappi e a Uber acusavam o iFood de práticas anticompetitivas (fechar contratos de exclusividade com restaurantes)? Chegou ao fim.

O iFood firmou um acordo com o órgão antitruste, a Rappi comemorou, parece que ficou tudo bem — menos para Uber e 99, que não aguentaram a espera e saíram do mercado de entregas de refeições.

Os termos, descritos pelo Brazil Journal:

Segundo o acordo, o iFood não poderá assinar mais contratos com redes com mais de 30 lojas, e eles não poderão durar mais de dois anos. Além disso, os acordos em vigor com as redes menores – e que já tem a duração superior a dois anos – deixam de valer em seis meses, e o iFood só poderá recontratar com estes restaurantes depois de um ano.

No total, o iFood não poderá ter mais do que 25% de seu volume de vendas ligados a restaurantes exclusivos.

O acordo também estipula que, nos municípios com mais de 500 mil habitantes, a quantidade de restaurantes exclusivos não poderá ultrapassar 8% do total de estabelecimentos ativos na plataforma do iFood.

Via Brazil Journal.

A Apple enviou ao AppleInsider um posicionamento a respeito da suspeita de que aplicativos como o iFood poderiam ter explorado uma falha no iOS e acessado a localização do iPhone sem autorização.

A empresa negou esse cenário e deu mais detalhes da falha corrigida no iOS 16.3. Segundo a Apple, ela só podia ser explorada em aplicativos fora da “sandbox” no macOS, mas foi propagada para os outros sistemas da casa mesmo assim, ainda que “eles nunca tenham estado em risco”.

Segue abaixo o comunicado oficial (tradução minha):

Na Apple, acreditamos firmemente que os usuários devem escolher quando compartilhar seus dados e com quem. Semana passada, emitimos um alerta para uma vulnerabilidade de privacidade que só poderia ser explorada a partir de aplicações “unsandboxed” no macOS. A base de código que corrigimos é compartilhada pelo iOS e iPadOS, tvOS e watchOS, portanto a correção e o alerta foram propagados para esses sistemas operacionais também, apesar do fato de que eles nunca estiveram em risco.

A sugestão de que esta vulnerabilidade poderia ter permitido que aplicativos burlassem os controles do usuário no iPhone é falsa.

Um relato também sugeriu incorretamente que um aplicativo iOS estava explorando esta ou outra vulnerabilidade para burlar o controle do usuário sobre os dados de localização. Nossa investigação concluiu que o aplicativo não estava burlando os controles do usuário através de nenhum mecanismo.

Só fica a dúvida do que aconteceu no iPhone do Guilherme. Terá sido um “glitch” (uma falha na interface do iOS)?

Via AppleInsider (em inglês).

Atualização (11/2): A Apple emitiu um posicionamento ao AppleInsider negando que a falha mencionada abaixo tenha sido explorada e que o iFood tenha burlado os controles de privacidade do iOS.

O leitor Guilherme Teixeira notou algo estranho em seu iPhone no início de janeiro: o aplicativo do iFood estava acessando a localização do aparelho sem ter permissão para tal.

Quando Guilherme compartilhou essa curiosidade no nosso grupo do Telegram (para apoiadores), ficamos intrigados. Outro leitor respondeu: “iFood passando a perna na Apple.” Parece loucura. Mas… será?

Dois prints do iOS mostrando o aplicativo do iFood acessando a localização do aparelho mesmo sem permissão para tal.
Imagens: Guilherme Teixeira/Reprodução.

É uma hipótese reforçada pelas notas de lançamento do iOS 16.3, liberado pela Apple no dia 23 de janeiro. Entre outras, ela lista a falha CVE-2023-23503, submetida por um pesquisador anônimo, que permitia que um aplicativo conseguisse “ignorar as preferências de privacidade [do Maps]”.

A falha está em modo “reservado” no banco de dados do sistema CVE, ou seja, os detalhes ainda não foram publicados.

Guilherme disse que, depois que reiniciou o iPhone, o aplicativo do iFood voltou ao normal, ou seja, antes do iOS 16.3 ser disponibilizado.

Pode ter sido outra coisa? Uma falha pontual? Um erro de exibição do iOS? Pode. Mas que é uma estranha coincidência, isso é.

O Manual do Usuário entrou em contato com a assessoria de imprensa do iFood pedindo um posicionamento. Eles receberam a demanda, pediram mais detalhes e mais prazo, que foi concedido, mas o posicionamento ainda não havia chegado até a publicação desta nota. O post será atualizado assim que ele chegar.

Atualização (1/2, às 17h30): Segue o posicionamento do iFood na íntegra:

O iFood reforça que a segurança de dados é prioridade em seu negócio e na relação com os consumidores, entregadores e restaurantes. Os dados coletados são utilizados apenas para as finalidades previstas em nossa Declaração de Privacidade.

Neste caso, após análise minuciosa pela equipe de tecnologia, não foi identificado nenhum código no aplicativo iFood que permite o acesso a localização do usuário sem autorização, mas ainda assim, a empresa permanece à disposição para esclarecer qualquer dúvida referente ao assunto ou qualquer suposta falha, de modo a contribuir para trazer mais segurança à plataforma.

Presente em mais de 1700 cidades no Brasil e referência em delivery online, o iFood realiza investimentos constantes em segurança, tecnologia e monitoramento para identificação e correção de possíveis falhas e melhoria contínua do aplicativo.

Alguns eventos importantes no setor de aplicativos de entregas/caronas das últimas semanas:

  • A 99 encerrou o serviço de delivery com entregadores parceiros. Agora, o 99Food funciona apenas como marketplace, ou seja, os entregadores são todos vinculados a restaurantes ou terceiros. Via Mobile Time.
  • A Sis Express, maior operador logístico (terceirizada/intermediária) do iFood no Brasil, faliu. Em novembro de 2022, o The Intercept denunciou as investidas abusivas da Sis Express e do iFood contra um entregador youtuber. Via iFood.
  • O governo Lula conseguiu um feito: agradar empresários do setor e representantes dos entregadores/motoristas. O desafio agora é convergir as promessas feitas aos dos lados da mesa. Via Folha de S.Paulo.