Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil

Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil, por Tatiana Dias no The Intercept:

Nessa edição do relatório [da Fairwork], a primeira feita no Brasil, foram avaliadas seis empresas — e a nota máxima foi 2, colocando o país entre os piores lugares do mundo para os trabalhadores de plataformas.

Rappi, GetNinjas e Uber Eats zeraram — isso significa que não pontuaram absolutamente nada nos critérios de “trabalho decente”. O Uber atingiu a mísera nota 1. O iFood e a 99, as empresas melhor avaliadas, conseguiram uma risível nota 2 — e isso depois de se movimentarem, ao saberem da existência do ranking, para cumprir alguns dos critérios levantados pelos pesquisadores.

A íntegra do relatório pode ser baixada no site da Fairwork.

Governo chinês alivia comissões pagas por restaurantes a aplicativos de delivery

por Shūmiàn 书面

Novas regulações emitidas pelo governo para plataformas do enorme mercado de entrega de comida chinês devem ajudar a vida dos restaurantes. As gigantes de entrega Meituan e Ele.me deverão reduzir as comissões que cobram dos estabelecimentos, conta o SCMP. A notícia veio no final de fevereiro, a partir da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, em um contexto de alívio econômico na pandemia, e já resultou em queda do valor de mercado das empresas. Ano passado, a Meituan havia sido multada em 3,4 bilhões de yuans por ações monopolistas.

Resta ver como isso pode afetar os entregadores. No início de 2021, alguns governos locais na China estavam estudando aumentar os direitos desses trabalhadores precarizados, em meio à prisão de uma liderança da causa. Alguns meses depois, a decisão da Suprema Corte sobre o fim da jornada 996 incluía entregadores e motoristas de aplicativos. Vale essa re-recomendação que já demos: a matéria (em mandarim) sobre a relação injusta entre entregadores e algoritmos dos aplicativos dos quais dependem. Aqui a tradução não oficial, esforço de Jeffrey Ding, do ChinaAI, e colaboradores.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a Speedbird Aero a realizar entregas comerciais com drones no país. A empresa é parceira do iFood e as duas já haviam realizado testes com a tecnologia em Campinas (SP) e entre Aracaju e Barra dos Coqueiros (SE). A autorização prevê entregas de até 2,5 kg num raio de 3 km. Com a autorização, o iFood quer expandir o programa. Via Anac, Folha de S.Paulo.

Os smartphones dos entregadores

Os smartphones dos entregadores, por Bruno Romani e Tiago Queiroz no Estadão:

Esqueça o iPhone ou o Galaxy S: sob essa perspectiva, o negócio bilionário das plataformas de delivery está escorado num mar de modelos básicos, e quase nunca novos, de Motorola e Samsung — é um retrato mais fiel também do mercado brasileiro de smartphones. Isso significa que a bateria seca mais rápido, o GPS não entende direito a localização e os aplicativos engasgam. Tudo isso, claro, interfere diretamente no trabalho.

[…]

Ainda que fosse mais barato, o smartphone da Apple [iPhone] não seria muito útil no trabalho. Os trabalhadores lembram que os apps para entregadores do iFood e da Rappi só funcionam com Android, sistema operacional do Google. O iFood largou o iPhone em dezembro de 2020. Assim, apenas o Uber Eats é compatível com o celular da Apple.

O serviço de entregas de restaurantes do Uber Eats será desativado no Brasil em 8 de março. A saída da Uber deverá consolidar ainda mais o segmento nos dois líderes, iFood e Rappi. No Brasil, restará o serviço de entregas de mercado e outros estabelecimentos, feito pela Uber em parceria com a startup chilena Cornershop. Outra mudança no app do Uber Eats é que a partir desta quinta (6) a modalidade de pagamento com dinheiro em espécie deixa de ser oferecida. A Uber ressaltou que o serviço de caronas segue funcionando e que o volume de viagens já é maior que no período anterior à pandemia. Via CNN, LABS News.

O projeto de lei (PL) que estabelece medidas protetivas aos entregadores durante a pandemia de covid-19 foi apresentado em 4 de abril de 2020 e só agora, 5 de janeiro de 2022, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), ou seja, 1 ano e 8 meses de tramitação de uma lei sensível ao tempo. (O enrosco foi na Câmara, que só aprovou o PL em 1º de dezembro de 2021.) Na sanção, Bolsonaro vetou a distribuição de vale-refeição pelos aplicativos por meio dos programas de alimentação do trabalhador, segundo o governo porque isso acarretaria renúncia de receita sem estimativa do impacto no orçamento federal e de medidas compensatórias. Via G1.

A cidade do Rio de Janeiro começou a testar o Entrega.Rio, serviço de delivery via aplicativo que não cobra taxa dos restaurantes e promete maior rentabilidade aos entregadores. Nesta fase, que vai até 4 de janeiro de 2022, apenas servidores da prefeitura poderão fazer pedidos. Que ideia maluca, essa: oferecer um serviço a preço de custo para beneficiar restaurantes, entregadores e, no fim, o próprio cliente, que deverá pagar menos pelas refeições. Via Diário do Rio.

Uma correção: GTA V não foi exatamente o primeiro jogo transformado pelo iFood em peça de propaganda. O leitor Juliano César apontou que já existia algo similar no jogo de mundo aberto PK XD. Não encontrei notícias ou comunicados oficiais, mas uma consulta no YouTube revela vários vídeos em que os jogadores vestindo mochilas do iFood participam de “missões” que consistem em entregar pizza para outros personagens em troca de moedas.

A parte mais intrigante: o PK XD nasceu como um jogo do PlayKids, uma plataforma de streaming e atividades infantis, e foi desenvolvido pela Afterverse, que posteriormente o incorporou ao seu portfólio. As duas empresas, PlayKids e Afterverse, são da Movile, a holding que também é dona do… iFood.

PK XD é fortemente baseado em Roblox. O jogo completou dois anos neste mês de setembro. Os dois títulos da Afterverse, PK XD e Crafty Lands (clone de Minecraft), têm 50 milhões de usuários ativos.

O iFood inovou e lançou o primeiro simulador de emprego precarizado do mercado. A experiência funciona dentro de um servidor brasileiro do jogo GTA V, o Cidade Alta. Nela, o jogador assume o papel de um entregador e pode receber cupons em troca do trabalho — de dinheirinho virtual e de dinheiro de verdade, para usar no app do iFood.

Segundo Paulo Benetti, CEO da Outplay, dona do servidor onde a dinâmica do iFood acontece, “as experiências e os desafios são muito similares ao dia a dia de um entregador da vida real”. Curioso para saber se o entregador virtual passa fome caso sofra um acidente e fique impossibilitado de trabalhar, se ele pode ser desligado a qualquer momento sem explicações ou se tem que fazer mais horas com o tempo porque o valor das entregas vai minguando na medida em que mais entregadores são recrutados. Via Canaltech.