Paulo Freire na era digital

Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, tornou-se assunto espinhoso no Brasil nos últimos anos. Seu nome é gasolina em discussões inflamadas nas redes sociais que transbordam para embates políticos no mundo real — ou vice-versa.

Ao lado de outras quimeras da polarização entre direita e esquerda, como comunismo, ideologia de gênero e meritocracia, o pensamento de Paulo Freire é discutido com paixão por gente que, ao que tudo indica, nunca sequer folheou um de seus livros. Ou, se sim, de duas, uma: não os entendeu, ou serviu-lhe a carapuça.

Ainda que evite embates (virtuais ou não), às vezes eles são inevitáveis. Num desses, dei-me conta de que nunca havia lido o autor, de quem o meu conhecimento se limitava à batida frase invocada em várias das contendas que envolvem seu nome:

Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.

O que é curioso, dado que a frase não consta em Pedagogia do oprimido, de 1974, em que ele trata do assunto.

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Entrevista com Ludmila Primo, da newsletter Meus Discos, Meus Livros

Nota do editor: Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no diretório de newsletters brasileiras. Leia as outras entrevistas.

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Meus Discos, Meus Livros.

Fale um pouco de você, Ludmila.

Olá, me chamo Ludmila e não vou usar esse espaço para falar o que faço profissionalmente, que é como comumente as pessoas se descrevem. Eu sou uma mulher de 36 anos num eterno aprender a ser gente. E a leitura, a música e a escrita são meios que me ajudam nessa jornada de entender o que se é.

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Sora, vídeos gerados por IA e seu uso na publicidade brasileira

A OpenAI liberou o Sora, IA generativa de vídeos, para assinantes do ChatGPT Plus (US$ 20/mês) e ChatGPT Pro (US$ 200/mês). Marques Brownlee tem um bom vídeo a respeito — ele teve acesso antecipado ao sistema. / openai.com, youtube.com/@mkbhd (ambos em inglês)

Não é loucura imaginar vídeos “falsos” do Sora sendo usados em produções profissionais. Digo isso porque sem o Sora, imagens e vídeos feitos com outras IAs já estão aparecendo na TV.

Algumas semanas atrás, estranhamos (aqui em casa) um comercial da Unifael. As peças mostram fotos pra lá de estranhas de supostos alunos. Não há qualquer sinalização do uso de IA generativa. / youtube.com/@UNIFAEL, youtube.com/@UNIFAEL

Nesta segunda (9), vi um comercial curtinho na TV da Ligga (Copel Telecom pós-privatização) que me chamou a atenção. A peça não está no YouTube da empresa, mas há outra, publicada há um mês, feita com imagens geradas por IA. (O aviso aparece aos 29 segundos do vídeo). / youtube.com/@liggavc

Ainda em seu voto, o ministro Dias Toffoli incluiu marketplaces, como Amazon, Mercado Livre e Shopee, às plataformas com responsabilidade sobre conteúdo de terceiros. Nesse caso, sobre a venda de produtos irregulares. / folha.uol.com.br

Em paralelo, Vicente Aquino, do Conselho Diretor da Anatel, justificou na recusa de um recurso da Amazon contra multa da agência pela venda de produtos não homologados, que “marketplaces não são meras vitrines virtuais, mas assumem papel ativo e indispensável na comercialização dos produtos”. / convergenciadigital.com.br

O ministro Dias Toffoli defendeu, nesta quinta (5), a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. Ele relata um dos dois casos que estão sendo julgados a respeito da responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos de terceiros. / folha.uol.com.br

É uma postura polêmica, provavelmente sem unanimidade na corte. Toffoli argumenta que, embora os conteúdos sejam de terceiros, as plataformas se beneficiam deles: “Ao recomendá-los ou impulsioná-los a um número indefinido de usuários, o provedor acaba se tornando corresponsável pela sua difusão.”

Entrevista com Marcio, da newsletter Imagina Só

Hoje é dia de estreia no Manual! Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no nosso diretório de newsletters brasileiras. Espero que goste!

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Decisão do Cade equipara App Store brasileira à da União Europeia

O Cade, em decisão preliminar de um processo movido pelo Mercado Livre contra a Apple, em 2022, determinou uma série de medidas que quebram os monopólios da distribuição e das compras dentro de apps da Apple no iOS e iPadOS. / gov.br

A notícia veiculada primeiro pela agência Reuters cita apenas que a Apple está obrigada a, em até 20 dias, permitir a compra de serviços ou produtos fora de apps (ou seja, publicizar links para seus próprios sites) e a permitir o uso de opções alternativas de pagamentos dentro de apps. / reuters.com

A pena pelo não cumprimento das determinações é de multa de R$ 250 mil por dia.

A notificação do Cade lista uma medida mais profundas: a distribuição de apps por lojas alternativas e via download direto (“sideloading”) (cláusula 5, I, d), equiparando o cenário brasileiro ao europeu. / sei.cade.gov.br

O TechCrunch lembra que decisões similares já foram ou serão impostas na Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em cada um desses casos, a Apple instituiu regras específicas restritas às jurisdições. / techcrunch.com (em inglês)

Quantos países mais precisarão obrigar a Apple a ajustar as regras da App Store para que a empresa as mude no mundo inteiro?

É verdade que o arsenal que sites dispõem para se defenderem da pilhagem da OpenAI, Google e outras empresas de inteligência artificial é bem fraco. Ainda assim, chama a atenção o fato de que 99% de ~4 mil veículos jornalísticos brasileiros não fazerem o mínimo — bloquearem o acesso via robots.txt. / nucleo.jor.br

De acordo com Artur Coimbra, diretor de saída da Anatel, a investida da agência contra o telemarketing abusivo resultou em 162 bilhões de chamadas evitadas até outubro. Ele mesmo fez a conta: dá 797 chamadas por brasileiro. / convergenciadigital.com.br

Passadas as eleições municipais, o governo do Paraná levou à Assembleia Legislativa um projeto de privatização da Celepar, a empresa de TI do estado. / bemparana.com.br

O governador Ratinho Jr. (PSD) tem feito aqui o que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prometeu para o Brasil, mas não cumpriu: impor uma agenda agressiva de privatizações.

A Celepar é uma espécie de Serpro/Dataprev do estado. A exemplo das estatais federais, guarda dados pessoais de todos os paranaenses.

Bolsonaro tentou privatizar Serpro e Dataprev durante o seu mandato. Não conseguiu. / congressoemfoco.uol.com.br, salveseusdados.com.br

A oposição questiona o regime de urgência e lacunas no projeto apresentado por Ratinho Jr., como a que permitiria a transferência de contratos sem licitação com o Poder Público, uma prerrogativa da Celepar, à empresa vencedora do certame — arranjo que, segundo o Plural, pode estar em desacordo com a Lei de Licitações. / plural.jor.br

A ANPD mostrou seus dentes e determinou que o TikTok tome medidas imediatas para mitigar o uso da plataforma por crianças e, em paralelo, instaurou processo administrativo para apurar práticas irregulares da plataforma no tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes. / gov.br/anpd

As medidas imediatas contra a ByteDance/TikTok consistem em desativar o acesso sem cadastro ao feed “Para Você” em até 10 dias úteis e a apresentação de um “plano de conformidade” em até 20 dias úteis.

As determinações, anunciadas nesta segunda (4), resultam de um processo de fiscalização iniciado em 2021. Ela foca em um princípio da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) de observância do “melhor interesse” de crianças e adolescentes. / convergenciadigital.com.br

ONGs que trabalham na proteção de menores no ambiente digital, como o Instituto Alana, gostaram da medida. O Núcleo lembra que a lógica do “For You” do TikTok — fluxo de vídeos recomendados acessíveis sem cadastro — existe em plataformas similares de vídeos curtos, como Kwai e YouTube Shorts. / nucleo.jor.br

Saiu a TIC Domicílios 2024, o raio-x anual do uso da internet no Brasil feito pelo Cetic. A chamada do Convergência Digital parte de um dado interessante: em 20 anos, trocamos a lan house pelo celular — 60% dos brasileiros conectados o fazem exclusivamente pelo celular. / convergenciadigital.com.br

Um criminoso leva, em média, 7 minutos para transferir o dinheiro de um golpe para uma conta laranja e sacá-lo, segundo o Nubank. / mobiletime.com.br

Como evitar golpes financeiros via ligações — e até se divertir com eles

por Sommelier de Golpe

É raro um texto ser publicado aqui sem assinatura (o nome de quem o escreveu), mas acontece. O sommelier de golpes pediu para permanecer anônimo a fim de não atrair a ira de golpistas que porventura chegarem até aqui. (Se você for um golpista, ponha a mão na consciência e saia dessa vida!!)

Se você lê o Manual do Usuário, é provável que esteja atento aos golpes online. Deve já ter avisado os familiares e amigos e, quando recebe uma mensagem ou chamada do tipo “identificamos uma compra de um iPhone 12 Max na sua conta”, já saca que não é legítimo e evita qualquer prejuízo. (Afinal, como é que o banco ia saber exatamente o item comprado por você, né?)

Senti-me compelido a virar “sommelier de golpe” depois que algumas pessoas queridas se tornaram vítimas. São pessoas inteligentes, estudadas, afeitas a tecnologia, mas que foram pegas em um momento de fragilidade qualquer e foram seduzidas pela lábia dos golpistas.

O sucesso dos fraudadores, na minha análise, é uma mistura de gatilhos de marketing, entendimento dos fluxos de atendimento do telemarketing (tanto “turnover” ia acabar tendo efeitos colaterais) e vulnerabilidades emocionais que todos nós passamos em um dia ou outro.

Decidi atender a todos os golpistas que me ligam sempre que possível. Se não estivesse num momento ruim e com tempo sobrando, conversaria até onde conseguisse. Cada minuto ao telefone comigo, na condição de pessoa que entende da lógica do golpe e que se dispõe a estar atenta ao longo da conversa, seria um minuto a menos ao telefone com alguém mais vulnerável.

Virei sommelier de golpe por curiosidade também e, com o tempo, por pura farra: queria ocupar o tempo dos golpistas na condição de alguém que não cairia no golpe. De quebra, queria entender um pouco mais da engenharia social usada por eles para conseguir me antecipar e precaver pessoas próximas (e você, agora!) sobre como não cair em armadilhas.

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Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Saiu a nova edição da pesquisa TIC Kids Online Brasil. Ela mostra que embora 93% da população brasileira com idades entre 9 e 17 anos esteja conectada à internet, apenas 3 em cada 10 crianças são supervisionadas pelos pais ou responsáveis com recursos de restrição de conteúdo. / convergenciadigital.com.br

A SaferNet encaminhou um relatório ao Ministério Público Federal, Polícia Federal e autoridades francesas em que denuncia que +1,25 milhão de usuários do Telegram no Brasil estão em grupos que vendem e compartilham imagens de abusos sexuais e nudez não consensual. / convergenciadigital.com.br

Essa caberia no post de apps atualizados, mas preferi colocar aqui: após um hiato de 19 anos, o aplicativo WinDirStat ganhou uma atualização. (E das grandes, cheio de novidades.) / blog.windirstat.net (em inglês)