Ter apps populares como Instagram e Waze não resolve o problema do Windows Phone


22/11/13 às 10h02

Nessa semana o Windows Phone recebeu o Instagram, app até então símbolo do descaso com a plataforma. De carona vieram o Waze, popular app de GPS com informações enviadas pelos próprios usuários, e o MixRadio, um app de streaming simples e inteligente da própria Nokia.

Foram passos importantes na consolidação da plataforma, que dia desses completou três anos de vida.

Não devo servir de parâmetro, mas no meu Android, com seus milhões de apps, não encho quatro páginas do app drawer com eles. Dos que uso efetiva e diariamente, cabem todos em uma tela inicial — e ainda sobra espaço.

Ter os apps certos, que nesse contexto significa os mais populares, foi o primeiro passo que a Microsoft deu, ainda que com certo atraso. No dia a dia esse esforço em trazer grandes nomes para a plataforma já se faz notar: na transição que fiz para um Windows Phone em testes aqui, senti falta de pouca coisa na experiência central de uso — leia-se nos apps que uso em ~80% do tempo.

Comparando as duas telas iniciais dá para ver que boa parte do que uso no Android está coberto pelo Windows Phone:

Android e Windows Phone, apps básicos cobertos.

Se havia dúvidas de que o Windows Phone era o terceiro cavalo do páreo, os lançamentos recentes de apps e os diferenciais da linha Lumia, especialmente as câmeras incríveis da Nokia, dirimiram elas. É preciso sempre ler com um pé atrás as comemorações de quem trabalha diretamente com o fruto da celebração, mas no caso deste tuíte do Joe Belfiore (onde, presumo, ele acidentalmente trocou 2013 por 2014) o cara tem razão em ficar feliz pelo Windows Phone:

Isso é muito bom, mas não é suficiente. Para a maioria, ter Instagram, Facebook e Twitter basta; mas as frustrações derivadas de apps estão longe de serem sanadas porque o Windows Phone continua correndo atrás de Android e iOS.

Guarde essas pedras aí, espere um pouco antes de xingar a minha mãe. Deixe-me terminar o raciocínio primeiro :-)

Não é nem o caso de grandes nomes ainda ausentes na plataforma, como Dropbox e Pocket. O próximo ponto onde a Microsoft precisa focar é em trazer apps-sensação para o Windows Phone, aqueles relativamente novos que fazem as manchetes dos sites de tecnologia e são baixados aos milhões nas lojas de apps dos concorrentes. Snapchat, Tinder, Lulu, Potluck, Shots of Me e outros de quem você talvez não tenha ouvido falar — ainda.

É bem provável que daqui um mês a maioria desses apps tenha caído no esquecimento, mas o efeito que o conjunto deles exerce em quem está nessa de smartphones e apps não pode ser ignorado. Em tempos tão efêmeros, estar na fileira principal de plataformas que recebem novos apps é um fator crucial. Não adianta muito receber Angry Birds, Fruit Ninja e Cut the Rope anos depois de eles terem aparecido na Play Store e na App Store.

Para não dizerem que é picuinha com a Microsoft, o Android também sofre com uma situação similar, só que nos tablets. Temos os (ótimos) do Google, alguns poucos adaptados e bem feitos, mas a oferta para aí. O que o sistema oferece não é suficiente para fazer frente ao iPad e seus apps educacionais e inovadores, principalmente os jogos. A Toca Boca, que já citei aqui em outra oportunidade, desenvolve apps infantis de extrema qualidade. Ela tem cerca de 20 disponíveis, todos com versões para iOS, apenas três na Play Store.

Tecnicamente, há tablets Android muito bons e que não devem muito a um iPad Air. Ano passado os Androids pequenos eram reconhecidamente superiores em especificações, principalmente tela, em relação ao iPad mini. Mas falta ainda o essencial, faltam apps que explorem o formato. É o mesmo que ter uma Ferrari sem gasolina, ou uma TV UltraHD sem programação compatível.

Nokia MixRadio é um exemplo de app inovador para Windows Phone.
Foto: Nokia/Reprodução.

Voltando ao Windows Phone e continuando com a analogia televisiva, hoje é como se o sistema tivesse acesso à programação aberta/básica: Globo, Record, Band e RedeTV, o arroz com feijão do meio, estão todos lá. Mas faltam os canais específicos da TV a cabo, a opção de ver vídeos da Internet, as possibilidades que uma plataforma difundida pode (e deve, se quiser ser popular) oferecer. Faltam mais MixRadios, um app muito bom saído dos laboratórios da Nokia e sem igual em outras plataformas.

O ponto positivo desse cenário é que agora que a escassez de apps já não é mais um problema tão grave, desenvolvedores talvez se sintam incentivados a apostarem no Windows Phone. O que não significa, nem de longe, que é um nó fácil de se desfazer. O Android, quando era a única alternativa viável ao iOS, sofreu bastante para alcançar paridade com o sistema da Apple no tocante a lançamentos de apps — e até hoje é preterido em alguns casos, como os do Shots of Me e Potluck. De qualquer maneira, o prognóstico para usuários de Windows Phone, hoje, é mais animador do que era um ano atrás. Ainda há esperança.

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15 comentários

  1. sera que é custo alto pra microsoft ou para lançarem app para o WP, como pode o W8.1 para pc e lixo, agora para wp é otimo.

  2. Parabéns Ghedin! Estou adorando a pegada pegada nova do Manual do Usuário, sentia falta de um site como esses no meu feed :)
    Agora falando especificamente sobre o post, acho interessante sua analogia, mas eu diria que ainda falta muito pro Windows Phone alavancar, além de apps específicos e lançamentos interessantes, acho que o que mais faz falta no Windows Phone são os apps da Google, creio que muita gente sente falta de um app básico para o Gmail, assistir vídeos no YouTube também é sofrível, além de outras ferramentas úteis como o Tradutor, Maps (sei que o Nokia Mapas não deve em nada), Google Agenda, etc. Mas um ponto é realmente indiscutível, pra grande massa de pessoas, o Windows Phone está agora bem servido, com a tríade de redes sociais móveis presentes, joguinhos a rodo e alguns poucos apps de leitura.
    Mais uma vez parabéns pelo blog, nem sempre quantidade é qualidade, e você esta aqui mostrando que de qualidade você entende!

  3. Eu sempre ouço esse argumento de que não é necessário ter milhões de apps sendo que a maioria das pessoas instala apenas 10 ou 15. Então, pra que tanto?

    Oras, senhores! Claro que ninguém vai instalar centenas de aplicativos, mas uma quantidade elevada, torna mais provável que encontremos aquele app específico, que interessa a poucas pessoas, mas para essas pessoas é um app extremamente útil. Coisas como um app que traz um catálogo com a indicação da isca artificial mais adequada para cada peixe. Um app que informa todos os terremotos registrados no mundo em tempo real, com a localização precisa em coordenadas de GPS e o grau Richter. Coisas assim. As pessoas que instalariam esses apps, sejam porque será útil no seu trabalho ou por gosto, também tem apenas 10 ou 15 apps instalados, mas tem esses apps muito específicos, que dificilmente aparecerão no Windows Phone. Por isso uma loja recheada é bom. É mais provável acharmos esses apps muito específicos.

    Pensem nos milhões e milhões de usuários de iPhone e Android. Muitos deles, mas muitos mesmo, devem ter instalado um app raro, desconhecido do grande público, mas que o sujeito adora e usa muito. E comparando todos esses usuários deve ser muito difícil achar dois com o mesmo app específico. Por isso todo dono de iPhone e Android tem Facebook, Instagram, Twitter, Foursquare, etc, todos com o mesmo “cardápio”básico dos apps de massa, mas também com um ou dois apps bem específicos. E o pessoal do Windows Phone? Eles agora também tem o mesmo “cardápio” de massa, mas não tem aqueles apps específicos.

    Ora, pra ficarmos restritos aos apps de massa, basta um feature phone que já venha com o Instagram, Facebook, Twitter, Foursquare…

    1. É isso mesmo que acontece pra mim, e os apps específicos que você cita são apps que apenas a liberdade do Android me oferecem (e não são um ou dois ;D).

      São alguns apps que ajudam muito, e fazem MUITA coisa que não é possível nos outros. Eu até gosto do WP, mas pra mim ainda parece BEM incompleto.

      E bom, eu devo ter mais ou menos 100 apps instalados no meu celular, haha :P

  4. Eu não vejo mais que os problemas sejam app, mas é a falta de grandes fabricantes que adotam o Windows Phone.
    apenas a Nokia não irá salvar o ecossistema. a Samsung investe tambem, mas não vai investir a ponto de colocar a linha Galaxy em queda. A Huawei tambem matem o foco em Android. a HTC passou por mal bocados devido a concorrencia. a LG não quis nem saber e a Sony não vai usar Windows Phone pois os recursos Xbox ofuscariam o ecossistema PlayStation.

    Nesse meio todo a Nokia conseguiu aumentar a participação de WP, mas mesmo assim o ritmo de crescimento de Android e iOS ainda é tremendo, enquanto os demais sistemas vão afundando….
    E a tendencia é que o smartphone substitua totalmente o featurephone.

  5. Aplicativos que para mim são considerados básicos para poder me aventurar no Windows Phone são complicados de aguardar, preciso de aplicativos do Google. Gmail, Calendário ou uma boa integração dos aplicativos do WP com esses serviços. O que você diz sobre isso, Ghedin? Fazem falta esses aplicativos ou os oferecidos pela Microsoft tem bom sincronismo com os serviços?

    Quando tentei usar o aplicativo de calendário do Windows 8 com meu calendário do Google o gerenciamento não foi bom.

    1. possuo wp 8 e uso tbm o email do gmail e pra mim não vejo nenhum problema e nem no calendário e tão pouco nos contatos. infelizmente não há integração com o google+

  6. Há os aplicativos específicos e temporários também. Por exemplo, eu achei legal os apps do Lollapalooza e Virada Cultural, mas dura um fim de semana sua utilidade. Ou aplicativos da USP, por exemplo, que possui um público mais limitado que os demais. Esse tipo de app só chegará no Windows Phone com a popularidade mesmo.

  7. Legal seu texto. Já usei ios, Android e agora wp, realmente foi paixão a primeira vista, já tava meio cansado das mesmices dos outros e resolvi me aventurar por aqui, uso desde o lançamento do L800 e realmente a plataforma teve melhorias enormes. Sobres os app não sinto falta de nada em relação ao ios e ao Android, todos os app q uso são usuais no meu dia-a-dia e tem papel fundamental do meu trabalho e lazer. Porem vejo um árduo caminho para wp8, acredito que a MS deveria investir recursos no desenvolvimento do ecossistema, ela já ta fazendo isto com a integração com o office e brevemente segundo rumores com a integração com o Windows 8 além de claro com o Xbox ONE, que consequentemente fará com sua tv. Mas o desafio da MS e poder entregar opção de apps aos usuários e oferecer suporte a um sistema que tem data final de suporte, pq a duvida que mais vejo nos fóruns é se a Microsoft irá fazer com o wp8 o q fez com o wp7, eu acredito que tudo tem seu prazo de validade e mais cedo ou mais tarde terá limitações, claro que esperamos q se estenda o máximo possível. Eu acredito que não ocorrerá com o wp8 o q aconteceu com o wp7 devido principalmente ao market share que é muito maior, não da pra cometer o msm erro duas vezes.

  8. Realmente, falta apps de ‘criativos’. Hoje eu tenho um Lumia 620 e só tenho apps úteis, ou apps que apareceram para o Windows Phone muito tempo depois, o 6snap por exemplo, que saiu ontem…
    A Microsoft tenta fazer algo do gênero, mas de maneira errada… Sou desenvolvedor para Windows Phone e Windows 8, e a Microsoft faz vários concursos para desenvolvimento de aplicativos oferecendo prêmios muito bons (meu 620, por exemplo), mas nesses concursos ela explora apenas a quantidade de aplicativos, porque o que importa é ter muitos aplicativos disponíveis na loja… Ela queria ter números… Não sei se esse cenário vai mudar, mas…
    A microsoft até já fez concursos focados na qualidade (dando de prêmio uma moto Harley, por exemplo), mas eles são bem raros se comparado com os restantes.

    []’s

    1. Paulo, eu até entendo seu ponto, mas também entendo o ponto da Microsoft. para os usuários comuns, o NÚMERO faz diferença. Eu mesmo conheço um amigo que usa Android porque a loja tem XXX milhões de apps e o Windows Phone não.