Visão aérea do mouse Logitech G502 ao lado de um notebook.

Homem de 30 e poucos anos compra um mouse gamer


21/11/18 às 13h40

Recentemente constatei que, com a exceção da cama, passei a maior parte da minha vida sentado em uma cadeira olhando para uma tela de computador. Após lidar alguns dias com este que muito provavelmente foi o insight mais deprimente que você leu hoje, decidi investir uma parte do décimo terceiro em conforto quando estiver desgastando as minhas retinas lendo comentários raivosos na internet. #Lifehack: A melhor maneira de lidar com a opressão do capitalismo é servindo-se dele.

Sempre usei mouse e teclado simples. Nos últimos anos, em casa, cheguei a abdicar desses acessórios. Usava os embutidos do notebook — mesmo ele ficando 90% do tempo parado em cima de uma mesa —, acelerando o processo de destruição das minhas costas dada a terrível ergonomia desse dispositivo.

Não mais! Resolvi me dar um bom mouse, um bom teclado e um suporte para elevar o notebook. E como a Black Friday está aí, escolhi esperar: fiz uma boa pesquisa, coloquei as melhores opções que julguei em uma lista e marquei um lembrete no celular para me lembrar da data.

Para a minha surpresa, porém, o mouse que havia escolhido já ganhou um desconto com quase duas semanas de antecedência. Black Week? Black Month? Sei lá. Comprei.

Eu não jogo video game há muitos anos. Mesmo assim, acabei com este famigerado mouse gamer que mais parece um Transformer travado no meio da transformação de objeto do cotidiano em robô assassino. Cheguei à conclusão de que, luzes espalhafatosas e design questionável à parte, os mouses gamers são atualmente o pináculo da tecnologia de mouses — e os únicos, entre os modelos de ponta, que ainda usam fio.

Detalhe de uma mão segurando um mouse gamer da Logitech.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O mouse chegou há alguns dias. Ele é realmente muito confortável, desde que você seja destro. (É o meu caso.) O cabo do mouse é de tecido, o que teoricamente o deixa mais resistente. Ele tem uma rodinha com dois modos de funcionamento, um mais duro e outro que faz ela se comportar como um carro na banguela descendo a ladeira. E botões. Este negócio tem onze botões. Ainda não sei o que farei com tantos botões, mas já configurei dois deles para avançar e voltar páginas no navegador, o que é bem legal.

O cúmulo do preciosismo é uma caixinha que vem no pacote repleta de pequenos pesos de metal que podem ser colocados dentro do mouse, unicamente para deixá-lo mais pesado. A galera da empresa pensou em tudo!

Um ponto negativo é que para explorar todo o potencial do meu mouse gamer, tive que instalar um programa horrível e pesado no computador. Por ele, consigo configurar perfis de uso, sensibilidade do laser, funções dos botões, comandos em macro… é tanta coisa que tenho receio de, sem querer, programá-lo para desempenhar atividades ilícitas na deep web.

Tela de configuração dos botões do mouse gamer.
Socorro.

Uma das partes mais fascinantes deste programa é que ele traz um sistema de análise de superfície que otimiza o arrastar do mouse. (Talvez estivesse faltando trabalho na empresa e os caras começaram a inventar umas coisas, tipo essa, só de sacanagem.) Enfim. Engoli meu ceticismo e fiquei girando o mouse em “oito” por uns bons minutos. Não notei diferença quando o programa me avisou que tinha terminado a análise, mas talvez porque estou usando o mouse direto em uma mesa de compensado e não em um mousepad gamer com desenhos de soldados matando pessoas.

Mesmo que quisesse ignorar toda essa complexidade, não teria como escapar do programa: ele é o único caminho possível para desligar as luzes do mouse e deixá-lo com menos cara de “tenho 12 anos, veja como sou rebelde e arrojado”.

Estou velho demais para isso.

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