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Antena de telefonia móvel.

O que esperar do 5G e qual a participação do Brasil no desenvolvimento do novo padrão


30/6/16 às 13h29

Nossos computadores são rápidos e portáteis, nunca tivemos tantos smartphones em uso como agora e, aos poucos, começamos a nos deparar com as “coisas” mais improváveis conversando com a Internet. O cenário, que já é outro em relação àquele de alguns anos atrás, quando o padrão 4G foi fechado, será ainda mais diferente em breve, quando o 5G for comum. Embora ainda distante da disponibilidade comercial, prevista para ter início em 2020, muita gente já pensa e trabalha em cima do novo padrão.

É assim que as gerações das telecomunicações móveis surgem: com bastante cuidado, pesquisa e antecedência. E desta vez o benefício não será apenas celulares com conexões mais rápidas; muitas e diferentes coisas, de carros a geladeiras, passando por sensores e coisas que ainda sequer imaginamos serão conectadas à Internet através do 5G.

Como nasce o 5G

Fruto de um trabalho colaborativo que envolve gente do mundo inteiro, o 5G é um desafio e tanto. Isso porque para ser um padrão de fato são necessários a pesquisa, muitos acordos e a capacidade de prever da melhor forma possível como será o uso da Internet daqui a alguns anos.

Até agora, as gerações de Internet móvel têm seguido um cronograma estável. Da primeira, apresentada pela Nordic Mobile Telephone nos países nórdicos em 1982, até o 4G, padronizado em 2012, o intervalo entre elas tem sido de mais ou menos dez anos. Se tudo correr como o previsto, esse intervalo médio será mantido e, em 2020, veremos as primeiras redes 5G comerciais entrando em operação no mundo. Ou seja, ainda falta um pouco para termos smartphones e “coisas” (no sentido mais amplo da palavra) beneficiados pelos avanços que o novo padrão promete trazer. Até lá, ainda há muito trabalho pela frente.

O 5G e as gerações anteriores são definidos por grupos de pesquisadores, governos e empresas de todo o planeta unidos pelo 3GPP, um projeto colaborativo que fica sob o guarda-chuva da União Internacional das Telecomunicações (ITU na sigla em inglês). Cada uma dessas três categorias de grupos contribui da melhor forma: os pesquisadores com a parte técnica; os governos com o fomento à pesquisa e a regulação; e as empresas com a parte comercial — engenharia de produtos, viabilidade financeira etc.

A fim de entender melhor como se dá esse processo, o Manual do Usuário conversou com Luciano Leonel Mendes, doutor em comunicações digitais pela Unicamp com pós-doutorado na Universidade de Dresden, na Alemanha. Ele leciona no Inatel, em Santa Rita do Sapucaí-MG, onde também coordena a pesquisa no Centro de Referência em Radiocomunicações, que, entre outras atribuições, atua junto ao governo brasileiro visando atender as demandas estratégicas da área.

Fachada de um dos prédios do Inatel.
Foto: Inatel.

Um dos trabalhos do Centro é pesquisar as demandas do Brasil para 5G. Segundo Luciano, “hoje ainda não existe um padrão 5G; ele existirá em meados de 2020. Toda essa discussão que estamos tendo agora é de concepção do que será esse padrão: quais os problemas que temos que resolver? Quais os serviços que o mercado deseja oferecer ao consumidor? Quais são as novas formas de renda que esses serviços podem trazer às operadoras e fabricantes de equipamentos?”

Em outras palavras, o que alguém pode chamar de “demora” é, em última instância, um trabalho extensivo para atingir o melhor denominador comum entre as muitas partes e mitigar possíveis deficiências do padrão. Afinal, velocidades insanas podem ser alcançadas com tecnologias atuais, mas a custos proibitivos à maioria e sem interoperabilidade entre dispositivos. Note, pois, que é um esforço que transcende a técnica. É preciso política para comportar as demandas mais importantes de participantes com interesses nem sempre perfeitamente alinhados.

Os trabalhos no 5G começaram em 2008 com a formação de um programa de pesquisa e desenvolvimento na Coreia do Sul. Estados Unidos e algumas nações europeias entraram no debate propondo projetos de pesquisa alguns anos mais tarde, em 2012. O Brasil também está inserido por meio de instituições com o Inatel. Isso nos é especialmente importante porque, pela primeira vez, estamos participando do debate no tempo certo e não depois que um padrão é estabelecido como aconteceu com o nosso 4G para áreas rurais e o padrão brasileiro de TV digital1. De acordo com Luciano, “nós não estamos correndo atrás, nós estamos na condição de realmente contribuir com a definição de um padrão global. É o grande diferencial dessa pesquisa.”

Os avanços que o 5G promete

Coisas conectadas pelo 5G.

Dialogar com outros países durante o desenvolvimento do 5G permite que coloquemos em pauta demandas especialmente importantes para o Brasil no intuito de torná-las parte fundamental do padrão. Uma delas é a questão das redes sem fio de longo alcance.

Já tentamos adaptar padrões para uso em áreas rurais e outras similares, ou seja, com baixa densidade populacional. Não deu exatamente certo porque o ecossistema, que decorre do padrão vigente e inclui equipamentos, modelos de negócio e as próprias empresas, não considera esses cenários, o que gera complicadores de ordem comercial.

“O problema é que a tecnologia usada é local, então a gente desenvolve uma solução que é mais ou menos adequada para os padrões desenvolvidos à comunicação móvel para um problema específico do Brasil, uma solução caseira para um problema muito grande. Não existe uma aceitação global da solução empregada, então a gente fica com uma restrição de mercado que acaba gerando pouco volume de equipamentos. O preço fica caro e tudo isso torna a solução inviável do ponto de vista comercial”, resumiu Luciano.

Além disso, o 5G promete velocidades maiores, com picos de até 10 gigabit por segundo — cem vezes maior que o alcançado com o 4G. O aumento exponencial da taxa de transmissão de dados de uma nova geração é historicamente o benefício mais óbvio e um dos mais aguardados pelos consumidores. Entre a segunda e quarta gerações, foi também o principal aspecto que motivou a evolução. Agora, embora ainda esteja presente, esse ponto deixou de ser protagonista. As atenções estão voltadas à Internet das Coisas (“IoT” na sigla em inglês), que pede recursos que não são oferecidos pelo 4G.

Mesmo considerando apenas dispositivos que já usamos hoje, em meia década a quantidade desses que estarão conectados deve praticamente dobrar. A Ericsson diz que, em quatro anos, 6,1 bilhões de pessoas terão smartphones e 90% deles estarão conectados à Internet. O 5G, que ainda será novidade, prevê o acesso simultâneo de mais dispositivos em relação ao 4G. E, por “mais”, é muito mais, uma enormidade. Tem que ser assim, já que não serão só smartphones conectados: também de acordo com os suecos da Ericsson, a Internet das Coisas levará outros 20 bilhões de “coisas” à rede, totalizando 26 bilhões em 2020. E isso é só o começo.

Conectar essa infinidade de dispositivos por vezes de tamanho e recursos reduzidos, com baixa latência (fala-se em menos de 1 milissegundo) e sem consumir muita energia é o grande desafio à Internet das Coisas e, consequentemente, também do 5G.

muita coisa bizarra e facilmente descartável sendo apresentada nessa fase incipiente da IoT, em parte devido às limitações de conectividade. No futuro, porém, aplicações mais específicas, com retornos mais tangíveis e de maior apelo estarão disponíveis e aí a conexão à Internet por um padrão que garanta a viabilidade dessas soluções passará a ser imprescindível.

Imagine não ter que se preocupar com manutenção, por exemplo. Em vez disso, sensores conectados detectarão alterações e te dirão o que e quando precisa ser feito. Estenda esse raciocínio a todos os outros objetos e situações de uma casa, depois replique ele à indústria, comércio, ruas, espaços públicos… E nem entramos no que pode surgir de novidade — porque… bem, é impossível prever. Será um mundo muito diferente.

Do 4G para o 5G

O 4G não foi feito para esse cenário. Ele é ótimo para ver vídeos em trânsito e usar a Internet no celular sem ter saudade do Wi-Fi dos dias bons que temos em casa, mas para por aí. E, pelo fato do 4G ainda não ser onipresente, falar em 5G neste momento, na próxima geração, pode deixar alguém intrigado.

A Sinditelebrasil, associação das operadoras de telecomunicações do país, disse, em janeiro, que os acessos 4G no Brasil já haviam ultrapassado os 22 milhões e que a rede estava presente em 410 municípios, alcançando 54% da população. Ainda estamos na fase de massificação da tecnologia e ela desfrutará de alguns anos de uso intenso antes que o governo e a indústria se movimentem para implementar a próxima geração.

Em paralelo a isso, o 5G está sendo feito para um mundo novo, um cheio de dispositivos conectados e possibilidades infinitas. O assunto foi recorrente no MWC deste ano, em Barcelona, e deve continuar em pauta até o fechamento das especificações do padrão e o início da sua implementação, previstos para o início dos anos 2020. Testes nesse sentido já estão sendo realizados e as discussões pela escolha das melhores ideias, em andamento.

Nossos pais perderam a conta de quantos produtos com motores tinham em casa. Nós, perdemos a conta daqueles que tinham chips. A próxima geração não saberá dizer de cabeça quantas coisas conectadas à Internet existirão em uma casa. Apesar dos detalhes não estarem definidos, o 5G já tem contornos fortes o bastante, uma participação pluralizada na sua concepção e casos de uso claros para garantir o interesse dos envolvidos. Num futuro bem próximo, conectividade à Internet será tão trivial quanto a energia elétrica é em boa parte do planeta.

Oferecimento: Cursos EaD do Inatel

Chamada para inscrição nos cursos EaD do Inatel.

Parte do desenvolvimento do 5G é feito no Centro de Referência em Radiocomunicações do Inatel. Esse e outros trabalhos, como o desenvolvimento de um radar para a Defesa Aeroespacial Brasileira, resultam do esforço de pesquisadores de lá. Há 50 anos, o Inatel oferece cursos da área de engenharia das telecomunicações e fomenta e desenvolve a pesquisa na área.

Se você se interessou pelos cursos oferecidos pelo Inatel, mas não tem disponibilidade de se mudar para Santa Rita do Sapucaí, cidade mineira onde fica o instituto, os cursos à distância (EaD) são uma ótima oportunidade de se atualizar e acrescentar novas habilidades ao currículo.

Com duração entre 45 e 70 horas, os cursos começam em agosto e há vários disponíveis em áreas como redes, sistemas de TV digital, comunicação via satélite, desenvolvimento mobile e tecnologia celular. Eles são feitos do conforto de casa, com o auxílio de livros digitais, vídeo aulas explicativas, jogos para testar o conhecimento e interação por meio de fóruns, bate-papos e vídeo chats, sempre com o acompanhamento de professores capacitados e contato com profissionais atuantes que permite o networking.

Conheça e inscreva-se nos cursos EaD do Inatel!

Foto do topo: Ervins Strauhmanis/Flickr.

  1. Baseado no japonês com algumas modificações na compressão de vídeo e na interatividade.

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