O único navegador web possível

Não sei se estamos em uma era em que escolher um navegador web é fácil ou muito difícil. As evidências apontam para uma resposta ambivalente.

De um lado, se ignorarmos questões outras que a experiência de uso, é fácil. Vive-se a ilusão da escolha — tão típica do capitalismo tardio — no que tange ao Chromium, projeto de código-aberto do Google que move o Chrome e uma variedade de outros navegadores, como Edge, Opera e Brave.

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A autoestima inabalável do homem branco hetero etc. do Vale do Silício

Se deus criou o ser humano à sua imagem, não é de se estranhar que as IAs generativas falem de tudo, até do que não sabem, como a autoestima de especialistas no assunto. Afinal, foram criadas por startupeiros do Vale do Silício que se acham deuses.

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De mudança para o Signal

Na quarta (29), migramos o grupo de bate-papo do Manual do Telegram para o Signal. Eis os motivos.

Aquele papo esquisito Pavel Durov, CEO do Telegram, atacando as mulheres do Signal e o próprio Signal, não me desceu bem. Não foi a única estranheza do projeto, que, por exemplo, desde sempre flerta com criptomoedas e esquema suspeitos envolvendo elas.

Em algum momento dessa semana, pensando com meus botões, lembrei-me que em fevereiro o Signal passou a ocultar o telefone de quem não te tem na agenda de contatos.

A obrigatoriedade de expor o telefone era um grande empecilho para a criação de grupos com desconhecidos e semi-conhecidos, como o do Manual, lá dentro.

Felizmente, não mais.

Nosso grupo de bate-papo — agora no Signal — é fechado para quem apoia o Manual. A assinatura custa a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano. (Sou suspeito a falar, mas mesmo eu, que não sou grande entusiasta de grupos em apps de mensagens, curto muito o nosso.)

Se você consegue ler isto, você não é uma máquina

Como um projeto acadêmico, a designer Gittit Szwarc criou uma fonte que humanos conseguem ler, mas máquinas não, e um zine (que usa a tal fonte) com textos curtos sobre sua relação com as máquinas.

A mesa de trabalho da crítica de cinema Ieda Marcondes

Meu nome é Ieda Marcondes, sou crítica de cinema. Mantenho um site, o iedamarcondes.com, e também produzo e participo de podcasts sobre filmes e séries.

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Como o git funciona

Todo mundo sabe que a maneira certa de aprender a usar o git é tentar uns comandos até dar certo e, depois disso, repetir ad nauseaum. Para quem ainda está na primeira parte ou (bate na madeira!) quer aprender git de verdade, este resumão (memorex?) da Julia Evans é um ótimo ponto de partida.

Se preferir, baixe o *.pdf.

Buttondown: newsletter para pessoas como eu e você

A exemplo de muitos empreendedores digitais, o estadunidense Justin Duke achou que podia fazer um serviço de newsletters melhor que o TinyLetter, que ele usava para mandar notícias a amigos e familiares.

Em 2016, motivado pelas falhas constantes do TinyLetter, àquela altura já esquecido pelo Mailchimp — que adquirira o pequeno serviço anos antes —, Justin lançou o Buttondown.

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Sam Altman não sabe interpretar filmes — um problema para nós e a Scarlett Johansson

O fiasco da voz do ChatGPT “inspirada” na da Scarlett Johansson reforçou minha teoria de que as grandes mentes do Vale do Silício não sabem interpretar filmes e livros. Ou talvez não os assistam até o final. Ou as duas coisas.

De qualquer forma, o que poderia ser apenas um constrangimento se torna um problemão quando as obras favoritas desses ~gênios bilionários e poderosos são distopias.

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Linux terá espaço em notebooks “Copilot+”

A grande novidade da semana da Microsoft foi o lançamento de uma nova categoria de notebooks, chamados PCs Copilot+.

Eles trazem chips ARM da Qualcomm que, as duas empresas juram de pés juntos, são capazes de fazer frente aos da Apple, que desde 2020 fazem os da Intel e AMD passarem vergonha e demolem qualquer justificativa objetiva para alguém comprar um notebook de +US$ 1 mil de outra marca ou com outro sistema operacional.

Há motivos para acreditar que desta vez, depois de algumas tentativas frustradas de levar ao Windows à arquitetura ARM (a mesma dos chips da Apple e de celulares), é pra valer.

O Snapdragon X Elite que move esta fornada de notebooks Copilot+ tem as digitais da Nuvia, startup formada por ex-engenheiros da Apple, que a Qualcomm adquiriu em 2021.

À parte a promessa de lidar com um pé nas costas com recursos de IA, como o Recall e traduções em tempo real em texto (legendas) e áudio, a migração para a arquitetura ARM, se tudo correr bem, deve trazer maior autonomia de bateria e desempenho aos notebooks com Windows.

Do seu lado, a Microsoft disse ter otimizado o sistema para os chips ARM e criado uma camada de emulação para softwares x86 chamada Prism. Se for tão boa quanto a equivalente da Apple, a Rosetta 2, a escassez de apps específicos para ARM num primeiro momento deverá ser indolor aos consumidores.

Os notebooks Copilot+ não serão baratos. O preço mínimo dos da Microsoft e de parceiros, como Asus, Dell e Lenovo, é de US$ 999, o que os coloca no território do MacBook Air, o campeão de vendas da Apple e alvo prioritário da Microsoft nessa investida — não foram poucas as comparações feitas durante a apresentação.

A notícia é boa para mais gente, incluindo quem não gosta do Windows. Em paralelo à colaboração com a Microsoft, a Qualcomm está trabalhando para fazer o seu Snapdragon X Elite rodar suave no Linux. Vários recursos já foram incorporados às versões 6.8 e 6.9 do kernel e o que falta já está mapeado para as duas próximas.

No planejamento da Qualcomm, em novembro teremos acesso a instaladores fáceis e totalmente compatíveis do Ubuntu e Debian.

A julgar pelas decisões da Microsoft em relação ao Windows — que virou um cabide de penduricalhos de IA ou vitrine para serviços “Copilot” —, é bom mesmo que haja suporte a sistemas operacionais alternativos.

O ano do Linux é sempre o próximo, mas para quem já vive no futuro, ter notebooks ARM com bom desempenho que não sejam da Apple é uma ótima notícia.

Recall e a segurança como prioridade máxima na Microsoft

No início de maio, Satya Nadella, CEO da Microsoft, enviou um memorando a todos os funcionários da empresa com uma mensagem explícita: segurança deve ter prioridade máxima.

A empresa se viu em maus lençóis após uma série de falhas críticas em serviços de e-mail/nuvem virem à tona, resultado de “uma sequência de falhas de segurança” que poderiam ser prevenidos, segundo relatório do Departamento de Segurança Interna dos EUA.

Menos de um mês depois, no evento pré-Build desta segunda (20), o mesmo Nadella anunciou o Recall, recurso carro-chefe dos novos notebooks “Copilot+” (leia-se: “com inteligência artificial”), que faz o Windows 11 tirar prints da tela a cada minuto e permite pesquisar por tudo que a pessoa viu e fez durante meses. Ou, como explicou um especialista em segurança, “um pesadelo de privacidade”.

A Microsoft bate na tecla de que os dados são armazenados apelas localmente e criptografados — ainda que faça uma distinção confusa sobre níveis de criptografia a depender da edição do Windows 11.

Ok, é o mínimo, mas isso não ajuda em diversos cenários, como roubo/furto do dispositivo, apreensão do dispositivo por autoridades e abuso/assédio doméstico.

Comentários jocosos pós-anúncio diziam que a Microsoft instalou um spyware nativo no Windows 11. O Recall pode ser útil? Com certeza, ainda mais para pessoas distraídas e/ou bagunçadas. É preciso pesar utilidade com segurança, porém, um cuidado que o CEO da empresa pediu — relembro — que fosse elevado a prioridade há menos de um mês.

Talvez o Copilot do Outlook tenha ignorado essa mensagem ao “resumir” a caixa de entrada de algum gerente de produtos da Microsoft.

Daylight Computer DC-1

Muita calma nesta hora: uma empresa chamada Daylight Computer anunciou o DC-1, um tablet Android com tela e-ink (tipo a do Kindle) que promete rodar a 60 quadros por segundo. Bom demais para ser verdade? A “edição dos fundadores” sai por US$ 729 (~R$ 3,8 mil em conversão direta).

Atualização (14h09): Como bem observou o leitor AVRDoido ali nos comentários, a tela não é e-ink, mas sim TLCD. Ainda é legal, mas um pouco menos.

IA do Google sugere usar cola no preparo de pizza

O Google paga US$ 60 milhões por ano ao Reddit para que, entre outras coisas, sua IA dê a dica de usar cola para “grudar” a cobertura da pizza porque há 11 anos o usuário “fucksmith” deu essa brilhante dica por lá.

Método simples para proteger a conta Microsoft (do Outlook) de invasões

No Órbita, arthurr comentou que sua conta do Outlook, da Microsoft, sofre uma média de 20 tentativas de acesso por dia.

Por curiosidade, abri o registro de atividades recentes da minha conta Microsoft, que faz uns bons anos não uso para qualquer coisa que seja, e deparei-me com cenário parecido. São tentativas frustradas por senha incorreta e que usa o e-mail secundário como “alias da conta”.

A minha hipótese é de que sejam robôs abastecidos com dados de vazamentos anteriores diversos que ficam tentando logar em quaisquer contas de e-mail. Para quem reutiliza a mesma senha em vários lugares, o risco é real.

Na mesma conversa do Órbita, Fábio deu uma dica ótima para eliminar essa importunação:

  1. Crie um e-mail do tipo alias nesta página. Pode ser qualquer nome. Esse e-mail será usado apenas por você, para fazer login em sua conta — por isso, não compartilhe com ninguém!
  2. Agora, na tela “Gerencie como você entra na Microsoft”, clique no link Tornar o principal do e-mail/alias recém-criado.
  3. Acesse a tela de preferências de entrada e desmarque todas os endereços de e-mail, nome de usuário e telefone. O único que ficará marcado é o e-mail/aliás recém-criado e tornado principal.

A partir de agora, seu e-mail principal não serve mais para fazer login. (Dá erro ao tentar usá-lo.) Para acessar a conta associada a ele, é preciso informar o e-mail/alias que acabou de ser criado.

A lógica é bem simples: como o e-mail recém-criado não é conhecido e o original foi desabilitado para autenticação, os robôs perderam o dado de que dispunham para tentar invadir a conta.

Certifique-se de duas coisas: 1) guardar bem o e-mail/alias recém-criado para não correr o risco de esquecê-lo; e 2) não divulgá-lo em lugar algum.

TenBlueLinks: Traga de volta o Google das antigas

No mesmo dia em que avisou que a IA generativa havia chegado aos resultados do seu buscador, o Google anunciou com discrição um “filtro Web”, que retorna apenas os bons e velhos links azuis. Tonya Ugnich criou um site que facilita definir o filtro Web como padrão no Chrome e Firefox.

Outra dica, que acho até melhor, é usar um buscador web decente, tipo o DuckDuckGo.