Pasteboard

Ícone do Pasteboard para Windows.

Autointitulado “o melhor gerenciador de área de transferência para Windows”, o Pasteboard parece bem legal. (Se é o melhor, deixo em aberto.)

Um gerenciador de área de transferência salva e permite recuperar tudo que é copiado na memória com o famoso Ctrl + C.

Como o Windows 10/11 já traz esse recurso, o Pasteboard oferece alguns extras, como uma barra visual ao ser invocado (com Ctrl + Shift + V), pesquisa pelo conteúdo salvo, possibilidade de afixar itens recorrentes e até renomeá-los. Lembra o Paste, do macOS.

O Pasteboard é gratuito e sempre será. Quando os aplicativos para celulares chegarem, porém, é bem provável que haja uma cobrança para a sincronia sem fios entre computadores e celulares.

Pasteboard / Windows 10/11 / Gratuito. Download (Microsoft) », Download (Gumroad) ».

O Dicionário de Cambridge elegeu o verbo “alucinar” a palavra do ano. No caso, a nova definição usada no contexto da inteligência artificial: “Quando uma inteligência artificial alucina, ela produz informações falsas.” Via Universidade de Cambridge (2) (em inglês).

O fim de semana pareceu um episódio de Succession na OpenAI, com tentativas de restabelecer Sam Altman como CEO, de derrubar o conselho que o demitiu na sexta (17) e uma interferência forte da Microsoft, maior financiadora da startup e dona de quase 50% do braço comercial da OpenAI, pega de surpresa pela demissão do executivo.

No fim, o conselho prevaleceu e apontou um novo CEO (Emmett Shear, co-fundador e ex-CEO da Twitch), e a Microsoft levou Altman, Greg Brockman (co-fundador e ex-presidente da OpenAI) e “colegas”, para “liderarem uma nova equipe de pesquisa em IA avançada” dentro da empresa. Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse ainda que sua empresa segue comprometida com a OpenAI. Via @satyanadella/LinkedIn, The Verge (em inglês).

Atualização (11h): A versão original desta nota afirmava que a Microsoft detém quase 50% da OpenAI. Na real, ela detém quase 50% do braço comercial, com intuito de lucro, da OpenAI. (A estrutura corporativa da OpenAI é uma salada.) Perdão pelo deslize!

Apple, Comcast, Disney, IBM, Lionsgate, Oracle, Paramount Global, União Europeia, Warner Bros Discovery suspenderam a veiculação de anúncios no Twitter (ou X) porque o dono, Elon Musk, demonstrou (no mínimo) simpatia ao antissemitismo e ao supremacismo branco em interações na plataforma.

Quando empresas desse calibre acham que um lugar é radioativo a ponto de quererem distância, talvez seja o momento de você, de nós procurarmos outro canto para passar o tempo na internet… Via Axios, Associated Press, New York Times, CNBC (em inglês).

Conselho da OpenAI demite Sam Altman do cargo de CEO

O conselho administrativo do braço sem fins lucrativos (e controlador) da OpenAI demitiu Sam Altman, CEO da empresa, nesta sexta (17).

O movimento chocou a indústria. Na véspera, Sam participou de eventos públicos e até a manhã da sexta trabalhou normalmente.

No comunicado da decisão, o conselho justificou a demissão dizendo que:

[…] concluiu que ele [Sam] não estava sendo consistentemente sincero em sua comunicação com o conselho, dificultando sua capacidade de exercer suas responsabilidades. O conselho não tem mais confiança em sua capacidade de continuar liderando o OpenAI.

Enigmático, para dizer o mínimo. Desde o momento do anúncio, publicações norte-americanas e insiders tentam decifrar o motivo da saída.

A Bloomberg falou com fontes internas anônimas que disseram que conflitos entre a missão original da OpenAI (avançar a IA para benefício da humanidade) e a postura pró-lucros de Sam no lado comercial da empresa.

Ainda segundo a publicação, Sam estava negociando com fundos soberanos do Oriente Médio para levantar financiamento para uma nova empresa de hardware baseado em IA, o que desagradava o conselho.

Além do próprio (agora) ex-CEO, todos, dentro e fora da OpenAI, foram pegos de surpresa. Greg Brockman, até então presidente da OpenAI, anunciou sua saída. Satya Nadella, CEO da Microsoft, que detém 49% da OpenAI e é sua maior investidora, publicou uma declaração afirmando que nada muda no relacionamento das duas empresas. Nos bastidores, Nadella teria ficado furioso com a notícia e por não ter sido avisado de antemão.

Não é a primeira vez que Sam sai de maneira abrupta do comando de uma empresa quente no Vale do Silício. Em junho de 2021, ele saiu (ou foi saído) sem muitas explicações da Y Combinator, uma popular incubadora de startups do Vale.

Desde o lançamento do ChatGPT, no final de 2022, Sam tornou-se uma espécie de rosto e porta-voz da inteligência artificial gerativa. Ao longo de 2023, ele promoveu a tecnologia nos EUA e em outros países, participou de debates acerca da regulação e ajudou a catapultar o valor de mercado da OpenAI e a desencadear uma nova corrida do ouro em torno da IA.

Sam não detém participação na OpenAI. Em seu lugar, assumiu como CEO interina Mira Murati, até então diretora de tecnologia. No Twitter, Sam comentou a demissão, mas não detalhes do que a motivou. Ainda há muito mais por vir nessa história. Via OpenAI, New York Times, Bloomberg (em inglês).

Hoje descobri que a rede de anúncios programáticos do Spotify, aqueles que são inseridos automaticamente em podcasts insuspeitos, chegou ao Brasil e que se chama Spotify Audience Network, ou… SPAN. Nome bem apropriado, apesar de terem colocando um “n” no lugar do “m” no final. Via Spotify Advertising.

Só nesta semana, a Apple finalmente cedeu e confirmou que dará suporte ao RCS (sucessor do SMS) em 2024 e a Microsoft iniciou testes de adequação do Windows 11 — remoção de apps nativos, incluindo Bing e Edge, e outras quinquilharias da empresa.

Li várias manchetes classificando movimentos do tipo como “surpreendentes”, “chocantes”, “inesperados”… como se essas empresas tivessem sido acometidas por uma crise de consciência abrupta. Não é o caso, óbvio. O motivo de tanta abertura é a entrada em vigor iminente do Digital Markets Act (DMA) da União Europeia, que começa a valer em março de 2024. Via 9to5Mac, Microsoft (em inglês).

O que vem depois do celular?

Após anos de promessas grandiosas, um TED que mais pareceu comercial de TV e US$ 240 milhões em investimentos, a Humane, startup fundada por um casal de ex-executivos da Apple, revelou seu primeiro produto: o AI Pin, uma espécie de broche inteligente.

Seria apenas um produto curioso, inovador, não fossem as tais promessas grandiosas. Com o AI Pin, a Humane quer substituir o celular.

(mais…)

Buckwheat

Ícone do aplicativo Buckwheat.

O Buckwheat é um aplicativo de controle financeiro dos mais simples. Ao abri-lo pela primeira vez, ele pergunta qual é o seu orçamento, a moeda usada e quantos dias precisa passar com essa grana.

Dali em diante, basta lançar os gastos para que o app lhe informe se o orçamento estourou ou não.

A abordagem mais simples pode ser interessante para quem está colocando o pezinho nas águas do controle financeiro ou precisa apenas de uma ferramenta para segurar os gastos do dia a dia.

Buckwheat / Android / Gratuito. Download »

Muito boa a “prestação de contas” do Signal, a primeira que a fundação sem fins lucrativos faz. O custo operacional em 2023, até agora (novembro), é de ~US$ 33 milhões, e estima-se que em 2025 será de US$ 50 milhões/ano. O que é pouquíssimo comparado a aplicativos similares, também gratuitos, que não têm nem de longe o mesmo cuidado com a privacidade do Signal. Via Signal (em inglês).

Fiz dois adendos às regras de convivência nos comentários do Manual. A primeira (#8), bem a tempo da Black Friday, proíbe a veiculação de links de afiliados/comissionados a fim de manter as nossas recomendações desinteressadas. A segunda (#9) é referente ao uso de inteligência artificial gerativa. Peço a todos para que leiam.

Dica: vasculhar e pegar livros emprestados de uma biblioteca satisfaz a parte da terapia de consumo do seu cérebro sem custar um centavo.

Não podemos para generalizar, mas é sempre bom escutar com um pé atrás as novidades e ferramentas que empresas como a Meta lançam para aplacar críticas. Embora existam algumas que, bem usadas, podem fazer a diferença na saúde mental de menores de idade, as revelações na Justiça dos EUA de que Mark Zuckerberg vetou alterações em produtos pensadas para esse fim colocam sob outra perspectiva (ou a mesma, dependendo de quem vê) as prioridades da empresa. Via CNN (em inglês).

Algumas coisas nunca mudam, vide a confusão com nomes na Microsoft. Nesta quarta (15), a empresa rebatizou o Bing Chat de Copilot e o Microsoft 365 Copilot de Copilot para Microsoft 365. (Sério.) O primeiro é para usuários domésticos; o segundo, para empresas.

Pelo que li, as mudanças têm duas motivações complementares:

  1. Unifica todos os serviços de IA gerativa da Microsoft sob o nome “Copilot” — já presente no GitHub e no Windows, por exemplo.
  2. Reposiciona essa oferta como concorrente direto do ChatGPT — tem até site agora.

O uso da marca Bing pareceu uma tentativa de alavancar o buscador com IA para fazer frente ao Google. Não deu muito certo.

O elefante na sala da nova estratégia é que a Microsoft se posiciona como rival da sua principal parceira e fornecedora de tecnologia, a OpenAI. Via The Verge (em inglês).

Google paga dezenas de bilhões a rivais para manter buscador como padrão

A linha de defesa do Google no processo que os EUA movem contra a empresa por monopólio do mercado de buscas, é que as pessoas usam o Google porque é o melhor buscador.

Nesta segunda (13), uma testemunha do Google deixou escapar que a empresa repassa à Apple 36% do que fatura com buscas no iPhone, iPad e Mac, em troca de ter seu buscador como padrão nesses dispositivos.

Segundo o relato da Bloomberg, o advogado do Google reagiu visivelmente à revelação do percentual, que deveria ser confidencial.

Em outro processo, este movido pela Epic Games, descobriu-se que o Google pagou à Samsung US$ 8 bilhões em quatro anos (desde 2020) para manter seu buscador, assistente de voz e loja de apps como padrões nos dispositivos Android da empresa sul-coreana.

Essas revelações colocam em xeque a principal linha de defesa do Google. Afinal, se o buscador é tão bom quanto a empresa diz, por que abrir mão de (literalmente) dezenas de bilhões de dólares para assegurá-lo como padrão em navegadores e dispositivos de terceiros?

Parece até… estratégia monopolista. Será?

Para colocar a situação em perspectiva: a Microsoft faturou ~US$ 11,6 bilhões com publicidade (a maior parte no Bing) no ano fiscal de 2022. Nem se a empresa oferecesse 100% da receita do Bing à Apple o acordo seria vantajoso à dona do iPhone, comparado ao que ela tem com o Google — que rende à Apple, segundo estimativas, US$ 18–20 bilhões por ano, ou 14–16% de seu lucro operacional anual.

A revelação também pega mal à Apple, que já faz algum tempo explora a privacidade como um diferencial dos seus produtos. Pode até ser, desde que isso não deixe uma grana alta na mesa. Via Bloomberg (em inglês).