Sam Altman está de volta ao comando da OpenAI. Seu retorno, anunciado na madrugada desta quarta (22), foi condicionado a mudanças no conselho (detalhes na Axios) e a uma investigação independente dos eventos ocorridos desde sexta (17).
Foi uma vitória do executivo de 38 anos, apesar dos mistérios que rondam o caso e do histórico controverso de Altman.
Na terça (21), o New York Times publicou um novo bastidor afirmando que a relação entre os diretores e Altman estava ruim havia um ano, e piorou com a popularidade do CEO.
Nesse intervalo, Altman teria tentado remover Helen Toner, da Universidade de Georgetown, por um paper crítico à OpenAI que ela publicou junto a outros pesquisadores.
É difícil tomar um lado nessa disputa, porque ambos parecem errados por motivos distintos. Altman representa o Vale do Silício, a ideologia californiana, o lucro acima de tudo e o culto à personalidade que, naquelas bandas, é invejado e desejado.
O (agora) antigo conselho, com suas conexões com o movimento do altruísmo eficaz e a abordagem fatalista da IA, não é muito melhor.
Dito isso, e para fugir um pouco da novela do fim de semana: qual é a do Altman?
O Washington Post jogou luz a um episódio grave de 2018 até então não reportado: a demissão de Altman da Y Combinator.
Em 2019, Paul Graham, fundador da incubadora, mentor de Altman e quem o colocou como CEO da Y Combinator em 2014, saiu de sua casa no Reino Unido e foi até São Francisco para demitir Altman pessoalmente.
Fontes familiares com o assunto disseram à reportagem do WaPo que Altman colocava seus interesses pessoais à frente dos da incubadora e tinha uma sede de poder insaciável.
Há rumores de que essa mesma questão apareceu na crise da OpenAI. Altman estaria capitalizando sua imagem para levantar investimentos no Oriente Médio e com o SoftBank/Masayoshi Son para criar uma nova startup de hardware com inteligência artificial.
Altman parece ser bom de conversa, capaz de vender gelo para esquimó, aquele tipo, que todo mundo conhece, que fala muito e fala bem.
Um pequeno perfil publicado pelo Financial Times na terça (21) tenta explicar a gênese do executivo-estrela.
Uma das fontes (anônima) da matéria resumiu assim:
“Seu super poder é trazer as pessoas para o seu lado, moldar narrativas, empurrar situações de modo que elas trabalhem a seu favor. Isso faz com que seja impossível supervisioná-lo.”
Quase todos os ~770 funcionários da OpenAI, incluindo o co-fundador e membro do conselho que articulou sua demissão, Ilya Sutskever, assinaram uma carta aberta pressionando o conselho para restabelecer Altman como CEO.
Uma das fontes do WaPo, que trabalhou junto a Altman, resumiu assim a personalidade dele:
“Sam vive no limite do que as outras pessoas são capazes de aceitar. Às vezes, ele vai longe demais.”
Via Washington Post, Financial Times, New York Times (em inglês).