Google atrasará atualizações de extensões para combater bloqueadores de anúncios do YouTube

A próxima frente de batalha do Google/YouTube contra bloqueadores de anúncios no YouTube é no processo de atualização das extensões.

Reportagem do Engadget diz que sob o Manifest V3, novo formato de extensões que o Chrome adotará no segundo semestre de 2024, as listas de filtros que a maioria das extensões usa para burlar as contra-ofensivas do YouTube só poderão ser atualizadas junto às extensões, um processo que pode demorar entre algumas horas e algumas semanas.

Isso, claro, no Chrome, o cavalo de Troia do Google para controlar a web.

Em outros navegadores fora do seu alcance, o Google utilizará técnicas menos sutis, como introduzir atrasos artificiais no tempo de carregamento do YouTube — o que já afeta alguns usuários do Firefox.

A briga de gato e rato entre YouTube e bloqueadores de anúncios é feroz.

Representantes de empresas que desenvolvem soluções de bloqueio de anúncios disseram ao Engadget que o YouTube já demanda pessoas dedicadas a monitorarem e atualizarem o arsenal anti-anúncios, de tão determinado que o Google está em combater a prática.

Ironia ou não, o esforço do Google/YouTube tem instigado os desenvolvedores a serem mais criativos e, com isso, a melhorarem seus produtos. Esta guerra está longe de acabar. Via Engadget (em inglês).

Imprint, o aplicativo do ano para Android

Ícone do Imprint, apenas um “I” maiúsculo em fonte serifada, branco, contra um fundo verde escuro.

O Google também elegeu os melhores aplicativos e jogos do ano de 2023 para Android. No lado verde da Força, o grande vencedor foi o Imprint.

Trata-se de um aplicativo de ensino com uma abordagem bem visual e em pequenas doses, meio parecido com o Duolingo, referência no assunto.

O Imprint promete ensinar matérias de assuntos tão diversos quanto psicologia, negócios, tecnologia e finanças, além de livros best-sellers de auto-ajuda e produtividade.

A lições só estão disponíveis em inglês.

Curiosidade: a exemplo do melhor app do ano para iOS (AllTrails), o Imprint também é multiplataforma e está disponível no sistema da Apple. Cadê os exclusivos, gente?

O anúncio dos demais vencedores da premiação do Google pode ser visto aqui.

Imprint / Android e iOS / Pago

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Git é aquela coisa: você fica meia hora xingando até a quinta geração do Linus Torvalds quando não consegue fazer uma coisa, aí aprende a fazê-la e a coisa funciona e você fica “que coisa linda esse negócio de git, super bem pensado, né, tudo faz sentido”.

(Feliz e aliviado em saber que não sou só eu.)

Um aplicativo de escrita que pensa por você é um robô que corre no seu lugar.

— iA.

Com esta frase de efeito e um discurso de como adequar a inteligência artificial gerativa ao seu premiado editor de texto, a iA iniciou uma campanha para criar hype em torno do lançamento do iA Writer 7.

E… o resultado é meio meh? A prometida abordagem é um esquema quase todo manual que ajuda a diferenciar texto (colado) gerado por IAs como ChatGPT das intervenções do ser humano. (Veja o vídeo no anúncio do iA Writer 7.) Confesso que esperava mais.

Indie App Santa

Ilustração do rosto de um Papai Noel, barba e bigode brandos, sorrindo, em close.

Já é tradição, em dezembro, esperar o aplicativo do dia no Indie App Santa, uma ação criada pelo estúdio App Craft que presenteia usuários do iOS com um app gratuito por dia ao longo do último mês do ano.

O aplicativo em si é bem simples, com uma grade de ícones ocultos, revelados um a um, dia após dia, entre 1º e 31 de dezembro. Um contador regressivo e notificações ajudam a ficar a par das novidades.

O primeiro app liberado é bem bacana: a compra vitalícia do one sec, aplicativo universal para controlar o tempo de uso de outros apps.

Indie App Santa / iOS / Gratuito

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Canais do WhatsApp: novo recurso, velhos hábitos

Por muito tempo, o WhatsApp era posicionado como um aplicativo de mensagens entre pessoas, um a um, no máximo em pequenos grupos. Tentativas de distribuir conteúdo em massa usando gambiarras, como múltiplos grupos, eram coibidas.

Isso mudou. Em 2022, a Meta engrenou uma sequência de novidades no WhatsApp que segue com força total até agora, reposicionando o app para brigar por mercados que rivais como Discord e Telegram criaram ou conquistaram.

É para conversar com os amiguinhos, sim, mas também para se informar, comprar, organizar os grupos do condomínio, do trabalho, enfim, passar o maior tempo possível ali dentro. O WhatsApp é o mais próximo que o Ocidente tem de um “super app”.

(mais…)

O Google tem feito um trabalho interessante de localização no Brasil na frente de pagamentos. Em novembro, a empresa lançou pagamentos com QR code para cartões cadastrados em sua carteira, uma alternativa a aparelhos sem um chip NFC, e anunciou nesta quarta (29) que a Play Store vai aceitar pagamentos por Pix em algum momento futuro. Via Mobile Time (2).

AllTrails, o aplicativo do ano para iPhone

Ícone do AllTrails: uma pequena montanha estilizada com contornos verdes.

O AllTrails é uma espécie de rede social para trilheiros, com roteiros de trilhas, vários recursos de auxílio e um componente de comunidade para compartilhar e se inspirar em outros amantes de trilhas.

São +400 mil trilhas para caminhar, correr ou ir de bicicleta.

O aplicativo é gratuito, mas oferece uma assinatura anual, o AllTrails+, por R$ 49,90. Ela libera alguns recursos extras de segurança e planejamento, como funcionamento offline, alertas de saída da rota e detalhes das trilhas, como qualidade do ar e mapas topográficos.

A Apple deu ao AllTrails o título de aplicativo do ano para iPhone. Para ver os ganhadores das demais categorias, siga por aqui.

AllTrails / Android, iOS / Freemium (R$ 49,90/ano)

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O TinyLetter será encerrado. Que pena.

Muito antes do Substack surgir, quem queria ter uma newsletter sem gastar nada tinha ali uma opção decente, que parou no tempo depois de adquirida pelo Mailchimp, em 2011, mas que continuou funcionando, apesar de tudo.

Daria até para argumentar que o abandono do Mailchimp foi uma bênção. A interface ficou datada? Sim, e aquele iPhone 5 na home do site não me deixa mentir.

Existe, porém, um universo alternativo em que o TinyLetter cresceu e, em algum momento, um techbro diz que não se trata de apenas newsletters, que “a ideia central por trás é muito maior”. (Essa é uma citação literal de um dos co-fundadores do Substack ao Washington Post, por ocasião do lançamento de novidades para vídeos. Triste dia para as newsletters.)

O TinyLetter será encerrado em 29/2/2024. Quem quiser continuar com o Mailchimp tem uma conta aguardando. E se alguém aí preferir usar uma alternativa mais saudável, o Buttondown, parceiro do clube de descontos do Manual, está migrando contas do TinyLetter. Via Mailchimp (em inglês).

Nesta sexta (1º), o Google começará a excluir contas inativas, ou seja, que não são usadas há mais de dois anos. Os critérios para que o Google defina uma conta como tal são bem rígidos, o que significa que a ação não deverá causar muitos transtornos. De qualquer modo, vale a pena revisar a(s) sua(s). (A exclusão só afeta contas pessoais; corporativas ou de estudantes, não.) Via Google.

Fractal 5

Ícone do Fractal: um balão de mensagem retangular, com um redemoinho em dois tons de azul.

A beleza de protocolos abertos é a diversidade de aplicações criadas em torno deles. Vide o Matrix e seus muitos apps, como o Fractal.

O Fractal 5 (código-fonte) foi lançado com muitas novidades, a começar pelo fato de ter sido “completamente reescrito” e, agora, compatível com o que há de mais moderno no ambiente gráfico Gnome e nas bibliotecas do Matrix. A nova versão é resultado de dois anos e meio de trabalho.

Em novidades mais pragmáticas, o Fractal 5 traz suporte a criptografia de ponta a ponta e múltiplas contas com “single sign-on” (SSO), além de vários recursos já presentes em outros apps compatíveis com Matrix, como reações, edição de mensagens, recibos de leitura e respostas diretas.

Fractal 5 / Linux (Gnome) / Gratuito.

Download (Flathub) »

O momento, com o YouTube declarando guerra aos bloqueadores de anúncios (e usuários), não poderia ser mais oportuno para uma nova versão do PeerTube, um sistema de código aberto para publicação de vídeos e streaming ao vivo na web. A versão 6 traz um punhado de pequenas novidades úteis no dia a dia, como capítulos, proteção por senha e reenvio de vídeos, trabalhadas seguindo sugestões e pedidos dos próprios usuários. Via Framasoft (em inglês).

Os vídeos do Manual são publicados, além do YouTube, em uma instância do PeerTube.

Curioso o novo modelo de negócio do Evernote: extorquir os usuários (os que sobraram) que têm +50 notas armazenadas e não pagam mensalidade. Talvez funcione no curto prazo, mas suspeito que muita gente vai trocar o app por um dos zilhões de outros parecidos ou iguais sem esse tipo de limitação no plano gratuito. Via TechCrunch (em inglês).

Vemos isso todos os dias: o Twitter dificulta o debate, a busca pela verdade e o diálogo sereno e construtivo necessário entre seres humanos. Com suas milhares de contas anônimas e suas fazendas de trolls, a vida no Twitter é exatamente o oposto da vida democrática. Eu me recuso a endossar esse esquema maligno.

— Anne Hidalgo, prefeita de Paris, ao anunciar sua saída do Twitter.

Via @Anne_Hidalgo/Twitter.

Fornecedores da Apple, Apple Watch “carbono neutro” e os créditos de carbono

Interessante este relatório do Greenpeace detalhando os esforços de descarbonização de 11 dos maiores fornecedores das empresas de tecnologia.

As principais descobertas:

  • “A mediana reportada da taxa de aquisição de energia renovável para os 11 fornecedores de eletrônicos no ranking foi de 20% em 2022, em comparação com 10% para as mesmas 11 empresas em 2021.”
  • Apenas 4 das 11 se comprometeram com a meta de descarbonizar suas redes de fornecedores até 2050. Para 2030, somente a Intel fez a promessa.
  • A Foxconn tem as maiores taxas reportadas de emissões e consumo energético na fabricação final do ranking. Em 2022, as emissões da empresa superaram às da Islândia — e com apenas 8% da energia vinda de fontes renováveis.
  • A Samsung Electronics recebeu a pior nota entre as fabricantes de semicondutores (D+). Nenhuma fabricante teve nota superior a C+.

O relatório completo (em inglês) pode ser lido aqui (PDF).

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Um detalhe curioso é que a Apple é cliente de todas as 11 fornecedoras analisadas pelo Greenpeace.

Em outubro, a Apple chamou a atenção ao anunciar seu primeiro produto “carbono neutro”, um modelo específico de Apple Watch combinado com uma ou outra pulseira.

A alegação foi contestada pelo Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais (IPE, na sigla em inglês), uma instituição sem fins lucrativos da China que, um ano antes, recebera elogios da Apple. O IPE acusou a empresa de faltar com transparência acerca da cadeia de fornecedores dos seus produtos.

Não é o único problema da alegação da Apple e de outras empresas poluidoras que clamam serem ou estarem se tornando neutras em emissões de carbono.

Infelizmente, não é como se a Apple tivesse descoberto uma maneira de fazer seu relógio esperto sugar CO2 da atmosfera. A neutralidade foi atingida, como era de se esperar, com a compra de créditos de carbono — o equivalente a 7–12 kg por relógio, de acordo com o Financial Times.

Esses créditos, segundo a própria Apple, são de projetos na América Latina e usam “padrões internacionais” de certificação do chamado mercado voluntário (ou não regulado), incluindo os da norte-americana Verra, que uma investigação do The Guardian descobriu que ~90% dos créditos não representavam redução alguma na emissão dos gases do efeito estufa.

O funcionamento de créditos no mercado voluntário é bizarro. Sem regulação (e sem surpresa), os incentivos se voltam à maximização do lucro — mais uma vez, o rabo do capitalismo abana o cachorro, ou o meio-ambiente.

A história da floresta de Lake Kariba, no Zimbábue, contada na New Yorker, é um bom exemplo desses incentivos erráticos no mercado de créditos de carbono. (Se achar o texto longo, Matt Levine fez um bom e divertido resumo em sua coluna.)

O Brasil representa outro problema crônico do mercado voluntário, com o loteamento de terras públicas pelos chamados “caubóis do carbono” na Amazônia, como mostrado pela Sumaúma.

Créditos de carbono são vendidos como a solução ao paradoxo de sustentar o crescimento da economia sem piorar a catástrofe climática. Se parece bom demais para ser verdade, é porque não é.